14 maio 2015

LIÇÃO 07 - 17/05/15 - "PODER SOBRE AS DOENÇAS E MORTE"

Texto Áureo:

”‘E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se Levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.” (Lc 7.16)

Verdade Prática:

 Ao curar os enfermos e dar vida aos mortos, Jesus demonstrou o seu poder messiânico e provou também o amor de Deus pela humanidade caída.

Texto Bíblico:

LUCAS 4.38,39; 7.11-17


A Secularização da Fé - Introdução

“É impossível usar a luz elétrica e o telégrafo sem fio, e beneficiar-se das modernas descobertas médicas e cirúrgicas, e ao mesmo tempo acreditar no mundo de (...) milagres do Novo Testamento”. Estas palavras não foram ditas por um ateu, mas por um dos mais conceituados teólogos liberais da Alemanha, Rudolf Bultmann (1884-1976).

Bultmann não está sozinho na sua posição. Dezenas de outros teólogos também compartilham de seu pensamento. Recentemente o teólogo liberal Jonh Shely Spong escreveu:

“Partindo do princípio de que não considero Deus um “ser”, não posso também interpretar Jesus como a encarnação desse Deus sobrenatural, nem posso assumir com credibilidade que ele possua poder divino suficiente para fazer coisas tão miraculosas quanto acalmar as águas do mar, expulsar demônios, andar sobre a água ou multiplicar cinco pães para alimentar cinco mil pessoas. Se tivermos que reivindicar a natureza divina desse Jesus, terá que ser sobre outras bases.

Milagres da natureza, estou convencido, dizem muito sobre o poder que as pessoas atribuíram a Jesus, mas não dizem nada sobre o que ocorreu literalmente.”

“Não creio que Jesus”, continua Spong, “pudesse ressuscitar os mortos, curar pessoas cuja paralisia já fora diagnosticada pela medicina, restaurar a visão dos cegos de nascença ou daqueles que perderam a visão por outra causa, nem acredito que ele tenha feito literalmente tudo isso. Também não creio que ele fez ouvir alguém surdo e mudo de nascença. Histórias de cura podem ser vistas de diversas formas. Considerá-las sobrenaturais ou milagrosas, em minha opinião, é a possibilidade de menor credibilidade”.

As obras de Bultmann e Sporig procuram provar que milagres não existem. Para entendermos o pensamento desses teólogos liberais será preciso recuarmos no tempo, mais precisamente aos séculos XVII e XVIII. 

Foi durante esse período da história que a cultura ocidental experimentou o que os filósofos denominam de mudança de paradigma.

A visão de mundo aceita até então, era aquela dada pelo catolicismo medieval. As explicações para os fenômenos cosmológicos não eram dadas por físicos e matemáticos, mas pelos teólogos da Escolástica.

As novas descobertas nos campos da física e da matemática passaram a se contrastar com a cosmovisão católica.

Em 1637, o matemático Rene Descartes (1596-1650) lançou a sua famosa obra intitulada: Discurso do Método. Nesse livro, Descartes propunha um novo método de investigação dos fenômenos naturais que fosse muito além do que ele considerava como meras especulações teológicas. Descartes elegeu a dúvida como seu método de investigação. Ele passou a duvidar de tudo e somente aquilo que não admitisse mais dúvida, depois de acurada investigação, deveria ser aceito como verdade absoluta.

Essa nova visão de mundo idealizada por Descartes, também denominada de cartesianismo ou cientificismo, marcou o fim da cosmovisão medieval e o início da Modernidade. Com as descobertas das leis físicas que regem o Universo feitas por Isaac Newton (1642-1727), o paradigma moderno se consolidou. No século XVIII, um movimento cultural europeu denominado de Iluminismo tomou para si como dogma essa nova concepção de mundo.

A partir dessa nova visão de mundo, somente o que poderia ser explicado racionalmente, isto é, o que pudesse ser objeto de pesquisa e mensurado empiricamente deveria ser aceito como verdade absoluta, Nada que não passasse pelo crivo da razão podia ser aceito como verdade, Dentro desse contexto as narrativas religiosas ou bíblicas, por não se enquadrarem nesse novo modelo, não deveriam ser tidas como verdades absolutas. Estava aberta a porta para o criticismo bíblico!

Como vimos, essa visão de mundo teve um impacto enorme sobre as igrejas européias, especialmente as protestantes. Através das academias e seminários teológicos, uma onda de incredulidade varreu as igrejas européias e posteriormente as americanas.

O cristianismo secularizado passou a usar a razão para explicar as narrativas bíblicas e não a fé como mostram os Evangelhos. Voltarei a tratar com mais detalhes sobre esse modelo cultural no capítulo 13.

Milagres Existem?

Em seu livro Um Judeu Marginal, o teólogo John Meier faz uma excelente apologia em favor da ocorrência de milagres nos dias atuais, Para Meier há três formas de se conceituar um milagre:

1) um evento incomum, surpreendente ou extraordinário que, em princípio, é perceptível a qualquer observador interessado e imparcial;

2) um evento que não encontra explicação razoável nas habilidades humanas ou em outras forças conhecidas que agem em nosso mundo de tempo e espaço, e

3) um evento resultante de um ato especial de Deus, fazendo o que nenhum poder humano consegue fazer.

Meier evita o conceito de milagre como sendo um evento que ultrapassa, transgride, viola ou contradiz “as leis da natureza” ou a “lei natural”. Isso ele faz acertadamente para evitar cair no mesmo erro no qual incorreram os teólogos liberais. Como filha legítima do Iluminismo alemão, a teologia liberal também abraçou a ideia de que o Universo era regido por leis naturais fixas e invioláveis. De acordo com essa visão de mundo, um milagre é algo impossível de acontecer porque Deus não iria quebrar leis que Ele próprio criou. Milagres, portanto, não existiriam,

Meier escreve: “A noção filosófica de que o curso suave da ‘natureza’ é regulado por leis imanentes não encontra paralelo direto na vasta maioria dos livros do AT escritos em hebraico. A partir do primeiro capítulo do Gênesis, o mundo criado emerge do caos e o tempo todo para lá tende a retornar. Somente o poder criativo de Deus, e não as leis ‘naturais’ inerentes às realidades de tempo e espaço, impede que o mundo volte a cair na desordem. Deus dá ou impõe leis às suas criaturas; tais leis não surgem ‘naturalmente’ das criaturas, por causa de sua própria essência.”

Meier observa ainda que essa concepção de uma “natureza” (phisis) autônoma que governa o universo é uma ideia herdada do platonismo e incorporada posteriormente à teologia cristã. No entanto, observa ele, “mesmo em Filon de Alexandria, que refletia o platonismo grego, a ‘natureza’ é entendida à luz da tradição do AT, ou seja, como ‘criação’, que é feita e governada pela palavra e sabedoria de Deus. A natureza não é uma realidade autossuficiente que funciona de acordo com suas próprias leis inerentes e invioláveis, não uma realidade identificável, em última análise, com o próprio Deus”.

Foi fundamentado na concepção de mundo mecanicista e não na Bíblia que Rudolf Bultmann e mais recentemente John Sheley Spong construíram suas teologias acerca dos milagres. Com o advento da física quântica e seu princípio da incerteza de Wemer Heisenberg essa concepção de mundo, que vê o universo apenas como uma máquina vem sendo abandonada pela comunidade científica. As descobertas da física quântica mostram que as leis fixas do universo são válidas para o macrocosmo mas não para o microcosmo do mundo subatômico.

Em palavras mais simples, o universo não pode mais ser explicado somente a partir de leis fixas e imutáveis como apregoavam os filósofos do Iluminismo. A mesma ciência que armou os teólogos liberais com a física mecanicista agora os desarma com a física quântica. Trocando isso em miúdos — a ciência contemporânea não pode afirmar nem tampouco negar a existência de um milagre. Isso é competência da teologia!

Uma Resposta ao Secularismo

O movimento pentecostal surge em um contexto onde os crentes mais devotos, insatisfeitos com a secularização do cristianismo institucional, buscam novamente o fervor dos primitivos cristãos. Muitos movimentos periféricos passaram a apregoar a necessidade de uma vida mais profunda. Dentre eles se destaca o Movimento Holiness (Santidade) que atingiu as igrejas norte-americanas em torno de 1880.

Foi oriundo desse Movimento de restauração que veio Charles Fox Parham e William J. Saymour. Posteriormente Daniel Berg e Gunnar Vingren, que haviam aderido ao movimento em 1906. Eles trouxeram a mensagem pentecostal para o Brasil. Os milagres vieram juntos.

Milagre no Seringal

Atualmente o pastor José Veras Fontinele pastoreia a igreja Assembléia de Deus na cidade de Piripiri ( PI ). Ele é um dos poucos herdeiros ainda vivo desse pentecostalismo clássico. Seus cabelos brancos, voz rouca e pele enrugada são sinais físicos de longos anos de dedicação ao ministério pastoral. Na casa dos oitenta anos, o pastor Fontinele, como é conhecido entre os amigos, é um homem que demonstra muita lucidez.

Conheci o pastor Fontinele há mais de vinte anos e desde então aprendi a admirá-lo e respeitá-lo como um dos líderes mais honrados de nosso estado. Homem de caráter e reputação ilibada que sempre procurou viver sem mascaramefltos o evangelho de Jesus. Suas poucas palavras, porém carregadas de sabedoria, fizeram com que os seus pares sempre parassem para ouvi-lo.
Pois bem, a história desse pioneiro do pentecostalismo piauiense é marcada por uma série de fatos miraculosos, mas um deles me chamou a atenção — a cura de uma doença incurável que ele havia contraído ainda na sua mocidade. A história me foi passada por um amigo e desde então eu aguardava uma ocasião própria para ouvi-la da sua própria boca.

Certa vez nos encontrávamos em um conclave de pastores em uma das cidades piauienses do sul do estado. Ao vê-lo e cumprimentá-lo expus o meu desejo de ouvir a história que terceiros me haviam repassado. Sem demonstrar enfado ou cansaço, nem tampouco se sentir incomodado, ele narrou o que se segue.

Contou-me que ainda muito jovem e ainda não convertido ao evangelho, adoeceu e quando um médico foi consultado, o diagnóstico não poderia ser mais devastador — ele havia contraído tuberculose, Nessa época, próximo dos anos cinquenta, observou ele, era constrangedor possuir um “tuberculoso” na família. 

Mesmo sendo bem jovem, mas não querendo ser um embaraço para a família, ele resolveu então secretamente sair de casa e migrar para a região Norte do país. O estado escolhido foi o Acre, onde iria tentar trabalhar no seringal.

Chegando ao seringal foi morar em uma vila onde a principal cultura era o extrativismo da borracha. Ali chegando, a doença começou a dar sinais mais fortes de sua presença, sendo que alguns sintomas, dentre eles a tosse passou a se manifestar de forma mais aguda. A comunidade ficou ciente da sua doença. Foi então que certa vez, quando ele se encontrava em um comércio local que urna senhora o interpelou: “Fontinele, porque você não faz um voto com Jesus para que ele o cure dessa doença?” E completando, disse: “Quando Ele te curar, então você o recebe como Salvador de sua vida.

O pastor me informou na sequência que aquela mulher fazia parte de uma igreja evangélica pentecostal do povoado e que os pentecostais tinham por hábito fazerem três cultos domésticos em suas residências. Foi para participar de uma dessas reuniões que ele fora convidado por aquela simpática senhora. Quando recebeu o convite, o pastor se limitou a pensar com incredulidade como poderia uns pecadores daqueles curarem alguém. Mas não tendo nada a perder, aceitou o convite.

Chegando à residência para onde fora convidado e adentrando no recinto, encontrou algumas pessoas de joelhos e orando em alta voz. A sua presença logo foi percebida pela dona da casa, a mesma que o havia convidado, Interrompendo a reunião, ela informou a razão da presença daquele jovem à reunião deles, Disse também que Fontinele havia se comprometido que tão logo ficasse bom, serviria ao Senhor Jesus. Demonstrando muita ousadia, confiança e fé, aquela senhora perguntou quantos dos presentes acreditavam que Jesus iria curar o jovem! Todos responderam em uníssono que criam na sua cura.

“Quando aquela mulher orou por mim”, contou-me o veterano pastor, “vi línguas de fogo saindo de sua boca”. Foi então que ele passou a perceber a presença de um ser angélico vestido de branco aproximar-se dele. Aquele varão trazia na mão um vasilhame cheio de azeite quente. Ao tocar-lhe, o ser de branco fez com que ele ficasse reclinado a fim de que o azeite pudesse ser despejado em sua boca.

Ao abrir a boca, Fontinele sentiu o azeite descendo pela sua garganta e à medida que o óleo quente entrava em seu interior ele começou a transpirar por todos os poros!

Quando aquela senhora terminou a oração, ele se sentiu totalmente curado! Com os olhos marejando em lágrimas, o pastor Fontinele contou-me que no dia seguinte todos os sintomas da doença haviam desaparecido. Meio século já se passou desde aquela cura milagrosa e ele continua ainda curado!

Jesus e o Poder sobre as Doenças e a Morte

No Evangelho de Lucas encontramos vários relatos de curas milagrosas e de pessoas sendo ressuscitadas. Não há por parte do evangelista a preocupação de provar que milagres existem. As fontes as quais ele pesquisou e as pessoas as quais consultou detalharam o que ouviram e viram Jesus fazer. Jesus não curava e ressuscitava as pessoas de entre os mortos para provar alguma coisa. Antes ele as curava por ser o filho de Deus.

Missão Messiânica

Lucas parte do princípio de que Jesus é o Messias prometido nas Sagradas Escrituras e que Ele havia sido capacitado pelo Espírito Santo para realizar as obras de Deus  (Lc 4.16-18; Is 61.1,2). Mais uma vez a teologia carismática de Lucas fica em destaque. Na cura do paralítico de Cafarnaum, Lucas destaca que “o poder do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17).

O poder do Senhor é um sinônimo para a unção do Espírito Santo (At 10.38). Por outro lado, na ressurreição do filho da viúva de Naim, Lucas observa que o povo exclamou: “Grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo” (Lc 7.16). Não há dúvida de que esse grande profeta é uma referência messiânica encontrada em Deuteronômio: “Suscitar-lhe-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18.15-19).

As curas e milagres de ressurreição de mortos efetuados por Jesus, portanto, faziam parte da sua revelação messiânica e a demonstração da compaixão e do amor de Deus. “E aconteceu, pouco depois, ir ele à cidade chamada Naim, e com ele iam muitos dos seus djscipulos e uma grande multidão. 

E, quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade. E, vendo-a, o Senhor moveu-se de intima compaixão por ela e disse-lhe: Não chores. E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam) e disse: Jovem, eu te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se e começou a falar. E entregou-o à sua mãe. E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo” (Lc 7.11-16).

A Manifestação do Reino de Deus

Os milagres de Jesus na perspectiva lucana devem ser também entendidos como a manifestação da vinda do reino de Deus. Em Lucas, a expressão “Reino de Deus” deve ser entendida como sendo o domínio de Deus (Lc 17,20,21).

Ao curar os enfermos e ressuscitar os mortos, Jesus demonstrava que o Reino de Deus havia chegado: “Também os enviou a pregar o reino de Deus e curar os enfermos” (Lc 9.2); “Falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura” (Lc 9.11). No Evangelho de Mateus essa mensagem acerca do reino de Deus, além da cura dos enfermos envolve também a ressurreição dos mortos (Mt 10.8).

É uma verdade bíblica que as doenças e a morte existem por causa da entrada do pecado no mundo. Isso não significa dizer que toda e qualquer doença fosse resultante de um pecado pessoal. Os evangelhos mostram que haviam doenças que poderiam advir como consequência de um pecado pessoal, como no caso da cura do paralítico no tanque de Betesda ( Jo 5.14, veja também I Co 11.27-31).

Mas nem todas as enfermidades e doenças estavam necessariamente associadas a algum tipo de pecado ou punição pessoal (Jo 9.1-3).

No caso do cego do capítulo nove do Evangelho de João, Jesus afirmou que nem o doente nem seus pais haviam pecado para que ele nascesse cego! Em outras palavras, a lei de causa e efeito do pecado e suas consequências não pode ser aplicada aqui para explicar a razão da cegueira daquele homem. O certo é que a sua cegueira existia, não como consequência de um pecado pessoal, mas em razão da queda! O relato da cura do paralítico de Cafarnaum é emblemático no evangelho de Lucas (Lc 5.17-26).

“E aconteceu que, em um daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar.

E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico e procuravam fazê-lo entrar e pô-lo diante dele, E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado e, por entre as telhas, o baixaram com a cama até ao meio, diante de Jesus. E, vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, os teus pecados te são perdoados. E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu e disse-lhes: Que arrazoais em vosso coração? Qual é mais fácil? Dizer:
Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), eu te digo: Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa. E, levantando-se logo diante deles e tomando a cama em que estava deitado, foi para sua casa glorificando a Deus. E todos ficaram maravilhados, e glorificaram a Deus, e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje, vimos prodígios (Lc 5.17-26).

Antes de tratar do problema fisico do paralítico, Jesus primeiramente tratou da sua alma. O texto não nos permite deduzir que esse homem encontrava-se assim em razão de algum pecado pessoal. Mas por outro lado, o contexto não deixa dúvidas de que aquele pobre moribundo, além da doença fisica também carregava consigo a culpa. De outra forma não teria sentido as palavras que Jesus dirigiu a ele: “Os teus pecados te são perdoados” (Lc 5.23). O seu estado demonstrava que a sua necessidade imediata era de cura e não de perdão, mas o Senhor não o viu assim. Antes resolveu o problema da culpa, dando-lhe uma palavra de perdão e somente depois cuidou também de curar o seu corpo: “Levanta-te, toma a tua cama e vai para tua casa” (Lc 5.23).

A Cura e a Expiação

Esses milagres efetuados por Jesus durante o seu ministério público estavam, sem dúvida alguma, associados à sua missão vicária. Dizendo isso de uma outra forma, o testemunho dos Evangelhos é que Jesus levou sobre si as nossas doenças e enfermidades. Isso significa dizer que a cura faz parte da expiação (Mt 8.16-17).

E, chegada à tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele, com a sua palavra, expulsou deles os espíritos e curou todos os que estavam enfermos, para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças” (Mt 8.16,17).

Ao afirmar que a cura faz parte da expiação, não significa dizer que todos serão curados. Da mesma forma, nem todos vão ser salvos embora a salvação também faça parte da expiação. A santidade do crente também foi conquistada na cruz. Ela, portanto, faz parte da expiação, embora nem todos vivam santamente. E paradoxal, mas é bíblico.
A doutrina da expiação de Cristo nos dá uma base segura para crermos na salvação da nossa alma e na cura de nosso corpo. Todas as bênçãos de Deus para nós, providas por Cristo, foram possíveis através de seu sacrifício vicário. Não há bênção fora da expiação!

SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR

INTRODUÇÃO
A doença é uma consequência do juízo divino sobre a humanidade, feita ao primeiro casal, por causa do pecado. Herdamos do primeiro casal a natureza pecaminosa e passamos a viver numa terra amaldiçoada em virtude da iniquidade. Nascidos à imagem e semelhança de Adão (Gn 5:3), concebidos em pecado (Sl 51:5), não temos como deixar de possuir um corpo que está marcado para tornar à terra, como também uma natureza que, adquirida a consciência, nos leva a pecar contra Deus. Paulo afirma: “como por um homem entrou o pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5:12). Mas Jesus Cristo veio para tratar do problema do pecado e das suas consequências (Is 53:4-7; 6:1,2).

Quanto à morte, ela é a situação mais difícil que o ser humano pode enfrentar. Ela é o terrível legado que herdamos dos nossos primeiros pais, que desobedeceram ao Criador no Éden (Gn 2:15-17; 3:19; Rm 5:12). É o pagamento indesejado que recebemos por ter pecado (Rm 6:23). É o fim para o qual caminhamos a passos largos (Ec 12:1-7). Mais do que isso, é o inimigo implacável que vem em nosso encalço para, no inevitável dia do encontro, nos deixar prostrados (Lc 12:20). É o último inimigo a ser aniquilado (1Co 15:26). Contudo, para o verdadeiro cristão, a morte é “lucro”. Sabe por quê? Porque Jesus venceu a morte. Para o apóstolo Paulo a morte não era uma tragédia. Ele chegou a dizer: ”Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro”(Fp 1:21). Para ele, morrer é partir para estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1:23). Ele desejava, preferencialmente, estar com o Senhor - “Desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor”(2Co 5:8). Somente aqueles que têm o Espírito Santo como penhor (2Co 5:5) podem ter essa confiança do além-túmulo. O penhor do Espírito é uma garantia de que caminhamos não para um fim tenebroso, mas para um alvorecer glorioso. Caminhamos não para a morte, mas para a vida eterna, para habitação de uma mansão permanente.

I. DOENÇAS, PERDÃO E CURA
1. Culpa, perdão e cura. Certa vez, Jesus ensinava dentro de uma casa ou de um lugar coberto. O local estava cheio e, entre os presentes, estavam os fariseus e os doutores da lei, os escribas, vindo da Galiléia, da Judeia e até de Jerusalém. Então, chegaram algumas pessoas carregando um paralítico para ver o Senhor Jesus; na verdade, para ser curado por Jesus. Como não conseguiram entrar pela porta, dirigiram-se ao terraço, tiraram as telhas e desceram o paralítico no meio, bem diante de Jesus. O esforço daqueles homens foi tão grande que Jesus viu neles uma grande fé, a confiança no seu poder de curar. Jesus teve que reagir. Mas o curioso é que Ele não curou a paralisia. Em vez disso, disse: “homem, estão perdoados os teus pecados” (Lc 5:20). Para entendermos essas palavras precisamos recordar que, para os antigos, as doenças eram causadas pelos demônios e pelos pecados (veja João 5:14; 9:2). Ora, ao perdoar os pecados, Jesus estava curando o mal pela raiz, eliminando a causa e não simplesmente os sintomas. Mas diante disso surgiu uma outra questão: segundo as Escrituras, somente Deus podia perdoar pecados (veja Êx 34:6,7; Is 43:25; 44:22).

“Quem é esse que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus? ” (Lc 5:21). Esse foi o questionamento dos doutores da lei e dos fariseus. Jesus logo percebeu o que estavam pensando (João 2:25), e os desafiou (vide Lc 5:23,24). Foi exatamente assim que aconteceu. Jesus curou a causa e o sintoma. Libertou por dentro e por fora, no espirito e no corpo. Ou como disse o pr. José Gonçalves: “o Filho do Homem, demonstrou o seu poder tratando o problema da alma, removendo a culpa e depois cuidou do corpo, removendo a enfermidade”.

E Jesus fez isso de graça, ao passo que naquele tempo o perdão dos pecados era conseguido no templo, por meio de troca de ofertas e sacrifícios. Talvez seja até por isso que os doutores da lei e os fariseus estavam tão incomodados. Uma salvação gratuita vinha sendo anunciada e praticada. Mas não é isso também que vemos hoje em alguns movimentos religiosos? “Você só será curado, ou o seu problema só será resolvido depois de demonstrar a sua fé e o seu amor através da contribuição financeira”. Que lamentável! A transformação que Jesus faz é gratuita!

2. A ação de Satanás. A doença física é um fato incontestável, e a Escritura afirma que o primeiro motivo deste terrível mal sobre a humanidade foi a queda de Adão e Eva. O pecado é a razão pela qual o mal natural impera sobre a humanidade, todavia, nem toda enfermidade é consequência do pecado pessoal. Há debilidades físicas que são o efeito do pecado (2Cr 26:16-19; João 5:14; 9:1,2), outras procedem de causas naturais (Mt 8:2,3; 9:18-26), outras ocorrem de acordo com o propósito divino (João 9:2,3); outras derivam da permissão divina (Jó 1:10-12; 2Co 12:7-10), enquanto outras estão associadas à ação de Satanás (Lc 13:10-12; Mt 9:33,34; 17:18-21; Lc 13:11).

Veja o exemplo da mulher que andava encurvada (Lc 13:10-13). “E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se” (Lc 13:11). A curvatura da espinha dorsal dessa mulher foi causada por Satanás. Ela vivia presa há dezoito anos pelo demônio. Mas Jesus se compadeceu dela, chamou-a, libertou-a do demônio. Demonstrando o seu amor, Jesus impôs as mãos sobre essa mulher, curou-a, restaurou-a. Restaurou-lhe a saúde e a dignidade, a despeito da oposição dos legalistas de plantão (Lc 13:14). A imposição das mãos não era essencial, pois Ele chegou a fazer outras curas sem usar esse gesto. Porém, as mãos ajudam o enfermo a ter fé. Podemos dizer que esse contato com Jesus é pessoal, porque Ele vem até nós por meio da fé.

Sabemos de outras partes da Bíblia que certas doenças são o resultado de atividade satânica. Os furúnculos de Jó eram infligidos por Satanás. O espinho na carne de Paulo era um mensageiro de Satanás para esbofeteá-lo. Ao Diabo não é permitido agir assim num crente, sem a permissão do Senhor. E Deus predomina sobre qualquer doença ou sofrimento para a sua própria glória.

Muitos gostam das obras de Jesus, mas não abrem o coração para que Ele os liberte de um mal que é tão grande quanto o daquela pobre mulher: o mal do pecado e da escravidão de Satanás. Você já aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador? Ou ainda está preso pelo peso da religiosidade falsa ou pelo poder demoníaco do pecado? Saiba que Jesus pode e quer libertar você. Recebe-o em sua vida!

3. Os salvos podem adoecer? Sim. O fato de que a saúde faz parte do plano de Deus para a salvação não significa que a doença venha a ser erradicada da vida de todo aquele que aceita a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da sua vida. Assim como o fato de ser salvo não nos livra da morte física, consequência praticamente inevitável do pecado e que acomete tanto os salvos quanto os ímpios, assim também não estamos imunes à doença. Jesus cura os enfermos, este é um sinal de que Ele venceu a morte e o inferno, de que Ele é o Salvador do mundo, mas daí a se dizer que todo salvo não fica doente há uma grande distância.

A Bíblia está repleta de exemplos de homens e mulheres de Deus que, apesar de terem uma vida de comunhão com o Senhor, adoeceram e, por vezes, até morreram doentes, sem que esta doença significasse qualquer desvio espiritual ou pecado por parte do servo do Senhor. O ser humano se desgasta, pois, o seu corpo é corruptível (2Co 4:16). Um dia, os salvos se revestirão de incorruptibilidade (1Co 15:54). Por enquanto, embora Jesus tenha poder para nos curar, segundo a sua vontade (1Jo 5:14; Mt 6:9,10), estamos sujeitos às enfermidades. Mas, os pregadores da saúde perfeita sempre 'exigem' a cura e dizem “que o Senhor cura sempre, pois a saúde é um direito do crente”. Se a saúde é um direito do crente, por que ele fica doente? Por que Paulo, Timóteo e Trófimo não foram curados (2Co 12:7-9; 1Tm 5:23; 2Tm 4:20)? Jó estava em pecado, quando adoeceu (Jó 1:1; 2:12,13)? A propósito, o profeta que maior número de milagres fez no Antigo Testamento, Eliseu, em que repousava porção dobrada do Espírito Santo que havia estado em Elias, diz-nos as Escrituras, morreu por causa de uma doença (2Rs 13:14). Em Salmos 41:3, está escrito: “O Senhor o sustentará no leito de enfermidade; tu renovas a sua cama na doença”. Isso prova que o cristão, salvo em Cristo, adoece som certeza!
II. RAZÕES PARA CURAR
1. A compaixão. Lucas mostra que uma das razões da cura dos enfermos no ministério de Jesus estava em sua capacidade de demonstrar compaixão. Para justificar isso Lucas descreve a cura do leproso descrito em Lc 5:12,13. Este leproso se aproximou tanto de Jesus a ponto do Senhor poder tocá-lo. Isso é digno de nota porque a lei ordenava: “[...] habitará só; a sua habitação será fora do arraial” (Lv 13:46). Esse leproso não se escondeu, mas correu na direção de Jesus. Ele furou o bloqueio, transcendeu, fez o que não era comum fazer. Ele contrariou os clichês sociais e quebrou paradigmas. Dispôs a enfrentar o desprezo, a gritaria ou mesmo as pedradas da multidão. Ele rompeu com declaração do fracasso imposto à sua vida. Ele estava fadado à morte, ao abandono, ao opróbio, à caverna, ao leprosário. Contudo, ele se levantou e foi ao Salvador. Ele esperou contra a esperança e não desanimou.

Qual foi a atitude de Jesus para com esse leproso? Jesus demonstrou uma compaixão profunda (Mc 1:41): “E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero, sê limpo!”. Jesus sentiu compaixão pelo leproso em vez de pegar em pedras para o expulsar da sua presença. Jesus sentiu profundo amor por esse pária da sociedade em vez de sentir náuseas dele. Todos tinham medo dele e fugiam dele com náuseas, mas Jesus teve profunda compaixão e o tocou.

O real valor de uma pessoa está em seu interior e não em sua aparência. Embora o corpo de uma pessoa possa estar deformado pela enfermidade, o seu valor é o mesmo diante de Deus. Jesus não considerava ninguém indigno, quer leproso, ou cego, surdo ou paralitico. Ele veio ao mundo para ajudar, curar e salvar. Alguém disse que “as pessoas não estão perdidas porque elas são muito más para serem salvas, mas estão perdidas porque não querem vir a Cristo para erem salvas”.

Mesmo que todos rejeitem você, Jesus se compadece. Ele sabe o seu nome, seu problema, sua dor, suas angustias, seus medos. Ele não o escorraça. Portanto, não corra de Deus, corra para Ele. Não fuja de Jesus, prostre-se aos seus pés. Ele convida: “vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).
2. Manifestação messiânica. Lucas nos mostra outra justificativa do poder de Jesus sobre as doenças: a revelação da sua natureza messiânica. Veja o aspecto messiânico de Jesus na cura do cego de Jericó (Lc 18:38-42). Este não era somente cego, também era mendigo (Lc 18:35). Faltava-lhe luz nos olhos e dinheiro no bolso. Estava entregue às trevas e à miséria. Vivia a esmolar à beira da estrada, dependendo totalmente da benevolência dos outros. Um cego não sabe para onde vai, um mendigo não tem aonde ir.

Esse homem não era apenas cego e mendigo, também não tinha nome; ele era conhecido apenas por filho de Timeu (Mc 10:46). Desta feita, esse homem estava também com sua autoestima achatada. Portanto, não tinha saúde, nem dinheiro, nem valor próprio. Ele carregava não apenas sua capa, mas também seus complexos, seus traumas, suas feridas abertas.

Um detalhe importante deve ser destacado: aquela era a última vez que Jesus passaria por Jericó (Lc 18:37). Era a última vez que Jesus subiria a Jerusalém. Portanto, aquela era a última oportunidade de Bartimeu. Não há nada mais perigoso do que desperdiçar uma oportunidade. As oportunidades vêm e vão. Se não as agarrarmos, elas se perderão para sempre.

Bartimeu clamou: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim” (Lc 18:38; Mc 10:47). O fato de esse cego mendigo chamar Jesus de “Filho de Davi” revela que ele reconhecia Jesus como o Messias. Este era um título messiânico. Não há nenhuma cura de cego no Antigo Testamento; os judeus acreditavam que tal milagre era um sinal de que a era messiânica havia chegado (Is 29:18; 35:5).

Apesar de cego, Bartimeu enxergou mais do que os sacerdotes, escribas e fariseus. Estes tinham olhos, mas não discernimento. Muitos que haviam testemunhado os milagres de Jesus estavam cegos a respeito da sua identidade, recusando-se abrir seus olhos para a verdade.

Bartimeu era cego no corpo, mas enxergava com os olhos da alma. Os olhos do seu entendimento estavam abertos. Ele viu coisas que Anás, Caifás e as hostes de mestres em Israel não viram.

Bartimeu compreendeu que Jesus, o Messias, tinha poder e autoridade para dar-lhe visão. Ele foi curado por Cristo (Lc 18:42). Saiu de uma cegueira completa para uma visão completa. Num momento, cegueira total; no seguinte, visão intacta. A cura foi total, imediata e definitiva.

Mas Jesus não apenas curou e cegueira física de Bartimeu, também perdoou os seus pecados, salvou a sua alma: “...a tua fé te salvou” (Lc 18:42). Jesus diagnosticou uma doença mais grave e mais urgente do que a cegueira física. Não apenas os olhos de Bartimeu estavam em trevas, mas também a sua alma. Ele foi buscar a cura para seus olhos, e encontrou a salvação da sua alma. Diz o texto lucano: “E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus” (Lc 18:43).

Bartimeu viu, com os olhos da alma, que Jesus era o Messias esperado, o Todo Poderoso Deus. Você tem os olhos da sua alma abertos? Pedro adverte: “para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso, alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma” (1Pedro 1:7-9).
III. AUTORIDADE PARA CURAR
A saúde do homem é um objetivo perseguido por Deus quando do estabelecimento do plano da salvação. O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29), ao tirar o pecado, haveria, também, de tirar tudo aquilo que era consequência do pecado, ou seja, a morte física e o seu corolário, que é a doença. Não é por acaso que, durante Seu ministério terreno, Jesus tenha, por diversas vezes, curado enfermos, como comprovação de que Seu trabalho, sobre a face da Terra, era restaurar aquele estado anterior ao pecado, um estado onde a doença simplesmente inexistia (Mt 8:16,17; Mc 1:34; Lc 7:21). Na sua feliz síntese do ministério de Cristo, o apóstolo Pedro não deixou de lembrar que Jesus “… andou fazendo bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele” (At 10:38b).

Essa autoridade foi delegada à Igreja. Jesus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb 13:8) e prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mt 28:20), tendo, como uma de suas missões, a de cooperar com o trabalho evangelizador da Igreja (Mc 16:20), e esta cooperação se dá através da realização de curas, sinais e maravilhas, que confirmem a Palavra que é pregada.

A história da Igreja está repleta de exemplos de que, quando os crentes passaram a buscar a Deus de forma mais decidida, orando, jejuando e se santificando, Deus promoveu grandes avivamentos, sempre acompanhados de sinais e maravilhas, de que é prova, aliás, o avivamento pentecostal, que já tem mais de 100 anos de existência, embora, tenhamos de admitir, que nestes últimos dias da Igreja, pela falta de persistência, não vemos mais sinais e maravilhas como no passado. Todavia, Jesus continua a ser Aquele que foi dar saúde ao criado do centurião romano (Mt 8:7), o mesmo que foi anunciado por Pedro e que deu saúde para Enéias (At 9:34). O Seu propósito é fazer com que os milagres que ocorreram em seu ministério terreno continuem a acontecer durante a dispensação da graça, que só terminará com o arrebatamento da Igreja.
IV. A REDENÇÃO DO NOSSO CORPO
Vivemos no mundo sujeito às consequências do pecado, e a Terra foi maldita por causa do pecado do homem (Gn 3:17). Portanto, enquanto estivermos aqui estaremos sujeitos às doenças e à morte, todavia, quando o nosso corpo for revestido da incorruptibilidade aí sim, gozaremos para sempre uma vida de plena saúde.

Um dia não haverá mais doenças, nem lágrimas – “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21:4). No novo Céu e na nova Terra não haverá mais sofrimento. Não haverá mais enfermidades, defeito físico, cansaço, fadiga, depressão, lágrimas. Não haverá choro nas ruas da Nova Jerusalém. Este mundo é um vale de lágrimas. Muitas vezes encharcamos o nosso leito com nossas lágrimas. Choramos por nós, por nossos filhos, nossa família, nossos amigos. Entramos num mundo chorando e saímos dele com lágrimas, mas no Céu não haverá lágrimas. Deus é quem vai enxugar nossas lágrimas. Aleluia!

No Novo Céu e na Nova Terra não haverá luto nem morte (Ap 21:4). A morte vai morrer e nunca vai ressuscitar. Ela será lançada no lago de fogo e enxofre. Ela não poderá mais nos atingir. Seremos revestidos da imortalidade. No Céu não haverá vestes mortuárias, velórios, enterros, cemitérios. No Céu não há despedida. No Céu não há separação, acidente, morte, hospitais. Diante de uma esperança tão gloriosa da redenção do nosso corpo, o que poderíamos dizer? “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 21:20).

“A ressurreição de Cristo mediante o Espírito é a garantia de que seremos ressuscitados e transformados de tal maneira que nosso corpo ressuscitado será imortal e incorruptível (1Co 15:42-44,47,48,50-54). Nosso novo corpo será tão diferente do atual quanto a planta é diferente da semente (1Co 15:37).

O corpo ressurreto do crente também é descrito como ‘espiritual’ em contraste com o nosso corpo ‘natural’. Geralmente concorda-se que ‘espiritual’ não significa ‘consistente em espírito’, pois esse corpo não é imaterial, ou sem densidade. Os discípulos sabiam por sua própria experiência que o corpo ressurreto de Cristo era real e palpável – não era fantasma, mas diferente, ajustável tanto à terra quanto ao céu, e não limitado às atuais condições de tempo e de espaço. Por isso, nosso corpo ressurreto é chamado ‘celestial’” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, 1 ed. Rio de Janeiro. CPAD, pp 615,616).
CONCLUSÃO
A cura divina não é um fim em si mesmo. Não se trata de uma promessa sem finalidade ou propósito a não ser a remoção da doença, mas o seu objetivo é a glorificação do nome do Senhor, a confirmação da palavra da pregação, a comprovação da presença de Deus no meio do seu povo. Jesus cura para que o nome de Deus seja glorificado e engrandecido. Todavia, muitas vezes, a glorificação do nome de Deus vem não pela cura física, mas, sim, pela morte de um justo. Não podemos querer saber os desígnios de Deus nem discutir porque Deus fez assim ou daquele outro modo, pois, se o fizermos, seremos como o caco de barro que discute o que deve fazer o oleiro. A grande segurança da fé em Cristo está na certeza de que, vivendo ou morrendo, o bem supremo de nossa vida é o Senhor, de modo que tudo é lucro, no dizer apostólico (Fp 1:21-27).

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