15 junho 2015

205 PROVAS CONTRA O PRIMADO DE PEDRO - PARTE 2

                                     
O presente estudo é, primeiramente, uma extensa e elaborada refutação a um famoso artigo católico feito por Dave Armstrong, que hoje está em praticamente a totalidade dos sites católicos que, no Brasil e no mundo, repetem e divulgam uma lista de 50“provas” do primado de Pedro.
 
Foi só depois de muito tempo que eu decidi elaborar uma refutação àquele artigo, não apenas respondendo a todos os pontos de Arsmstrong, mas também realizando 205 provas contra o primado de Pedro, que refutam amplamente todas as supostas “evidências” que ele achou isoladamente na Bíblia.
 
Para mostrar que o evangelho bíblico não é formado por uma ou outra passagem isolada que não pode fundamentar doutrina, busquei mostrar um conteúdo bíblico muito maior, demonstrando com clareza que o estudo de Dave foi extremamente arbitrário e que ignorou absolutamente o conteúdo total das Escrituras que vigorosamente repudiam todas as tentativas dele.
 
Sem mais delongas, irei passar as 205 provas abaixo encontradas ao longo de toda a Escritura, divididas especialmente em quatro pontos principais:

51. Paulo coloca Tiago como sendo a primeira coluna da Igreja em Gálatas 2:9, colocando-o antes de Pedro que só aparece em segundo. Além do fato de Pedro não ser a coluna principal da Igreja (como seria caso fosse papa) e tem que dividir lugar com os outros, ele ainda é mencionado atrás de Tiago! Ora, a “coluna da Igreja” é um sinal de liderança, de autoridade. Portanto, Pedro nem é o único líder, muito menos o primeiro!
 
52. A Pedro havia sido confiada a pregação do evangelho aos circuncisos (judeus), assim como Paulo aos incircuncisos (gentios) – Gl.2:6-8. Novamente, nenhum indício de “primado universal” é existente, visto que Pedro não é bispo de gentios e judeus, mas é indicado por Paulo como tendo um ministério voltado para os judeus, enquanto que ele (Paulo) para os gentios. Além do fato de que se Pedro fosse bispo em Roma ele seria dos incircuncisos (gentios), também temos a triste constatação de que ele não ocupa uma jurisdição universal, mas apenas um ministério local no mesmo nível de Paulo (Gl.2:6-8).
 
53. Jesus é apontado como sendo a única pedra angular da Igreja (Ef.2:20), e nós estamos edificados “sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas” (Ef.2:20), e não de Pedro. Mais uma vez, Pedro não é indicado como o fundamento ou pedra principal da Igreja, mas apenas um no meio de tantos apóstolos e profetas, edificados sobre aquela única pedra angular que é Jesus Cristo!
 
54. Mais uma vez, Jesus é apontado como sendo o único fundamento (1Co.3:11). O próprio Pedro declarou que a pedra em questão era Jesus (1Pe.2:4), e que ele (como os demais cristãos) eram“pedras vivas” edificadas sobre a pedra principal (1Pe.2:4-6).
 
55. Pedro, ao escrever as suas duas epístolas conhecidas, NUNCA se identificou com os termos que a Igreja Católica inadvertidamente atribuiu a ele: papa, príncipe dos apóstolos, chefe, cabeça, bispo dos bispos – são todos termos totalmente desconhecidos para Pedro. Ele simplesmente se identifica do modo que ele era: “apóstolo” (1Pe.1:1) e “servo” (2Pe.1:1). Por mais que o catolicismo tenha inventado muitos mitos sobre Pedro que surgiram muito tempo depois, não há nada nos escritos deste mesmo apóstolo que possa indicar uma ostentação maior do que a de “apóstolo” e“servo”, assim como todos os demais apóstolos!
 
56. Pedro não tinha “nem prata nem ouro” (At.3:6). Os papas, contudo, tem amplas quantias de ambos!
 
57. Em nenhum momento Paulo ou qualquer outro apóstolo identifica na figura de Pedro uma autoridade máxima em seus escritos. Ao contrário, o que vemos é Paulo afirmando com clareza que Deus“designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” (Ef.4:11). Note que nem “papa”,nem qualquer coisa do tipo, aparece como sendo um cargo na Igreja. Dito em termos simples, Paulo inocentemente se “esquece” justamente daquilo que é o mais importante dentro da Igreja Católica!
 
58. Quando os irmãos da Judéia ouviram falar que os gentios ouviram a palavra de Deus, criticaram Pedro, por ter comida na casa de homens incircuncisos (At.11:1-3). Dificilmente eles teriam feito isso caso Pedro fosse papa infalível, pois estariam indo contra uma autoridade superior, sendo-lhes subalternos.Pedro também não se defendeu com base em pressupostos infalíveis para si, nem sequer apela para uma autoridade supostamente maior do que a deles, mas passa um longo tempo dando explicações a respeito (At.11:4-7).
 
59. Se existisse um “papa” (que advém da palavra “pai”), Jesus não teria dito que “a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é vosso Pai, o qual está nos céus” (Mt.23:9).
 
60. Não é Pedro o Sumo Pontífice, mas Jesus. Assim como os sacerdotes do AT eram uma sombra dos sacerdotes (ministros de Deus) do NT, assim também o sumo sacerdote era uma figura de um sacerdote maior, superior aos sacerdotes “comuns”. Se Pedro fosse papa, seria a figura perfeita identificável como esse “Sumo Sacerdote”, ou “Sumo Pontífice”(como os próprios católicos lhe atribuem, assim como aos demais papas). Contudo, biblicamente é só Jesus o nosso Sumo Sacerdote (Hb.6:20; 10:21; 7:23-25; 8:4)!
 
61. Além disso, o pré-requisito para cumprir as figuras do AT e se tornar Sumo Pontífice à luz da Nova Aliança incluia ter um “sacerdócio permanente” e “viver para sempre para interceder por eles” (Hb.7:23-25). Além disso, ele também precisava ser “santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus” (Hb.7:26).. Ora, todas essas coisas não se encaixam na figura de Pedro, mas somente em Cristo. Portanto, Pedro não era o Sumo Scerdote/Sumo Pontífice!
 
62. Por fim, quando é traçada uma analogia entre o Sumo Pontífice nos céus e o Sumo Pontífice (Sacerdote) na terra, não é para falar de Pedro, mas sim dos israelitas que apresentavam as“ofertas prescritas pela lei” (Hb.8:4). Novamente, Pedro não é indicado como sendo o Sumo Pontífice na terra, pois este título só lhe foi atribuído mais tarde pela Igreja Católica, bem como aos demais papas.
 
63. O Sumo Pastor indicado pelo próprio Pedro não se trata dele mesmo, mas de Cristo (1Pe.5:4).
 
64. Pedro escreve para que os que pastoreiam não agirem como dominadores do rebanho (1Pe.5:3), exatamente a postura dos papas, que dominam todo o “rebanho” chamado Igreja Católica Romana!
 
65. Pedro escrevia na posição de“presbítero” (1Pe.5:1). A Igreja Católica declara um presbítero como sendo“inferior ao bispo” (Concílio de Trento, Cân.7, 967), e afirma ainda que os presbíteros não podem exercer certas funções por serem de ordem inferior (Concílio de Trento, Cân.7, 960). Ora, será que Pedro, escrevendo como“presbítero” (1Pe.5:1), era de ordem inferior? Poderia ele ser papa, já que o presbítero não pode exercer “certas funções”? Eis o testemunho da própria Igreja Católica com relação ao rebaixamento de cargo de presbítero como “ordem inferior”, o que feriria o próprio conceito de Pedro – que era presbítero –sendo da ordem mais superior existente na Igreja!
 
66. Ademais, Pedro escrevia aos presbíteros, dizendo que “o faço na mesma qualidade de presbítero como eles”(1Pe.5:1), isto é, em igualdade com eles, e não superioridade, como seria no caso de que ele exercesse um primado sobre todos os demais!
 
67. É dever de todos os bispos e presbíteros pastorearem o rebanho de Deus, e não só de Pedro (1Pe.5:1,2; At.10:28). Era dever de todos “apascentarem a igreja de Deus” (At.10:28). Cristo se dirigiu especificamente a Pedro na ocasião de João 21:17 por causa das negações do apóstolo mencionadas anteriormente. Pedro negou Jesus três vezes, e Cristo lhe deu a oportunidade de reafirmar o seu amor por seu Mestre três vezes.
 
68. Pedro foi repreendido por Paulo face a face em Antioquia, “porque era repreensível” (Gl.2:11). Jamais um católico chamaria o papa de “repreensível”, nem tampouco lhe resistiria na face!
 
69. Além disso, Paulo afirma que Pedro “não estava andando de acordo com a verdade do evangelho” (Gl.2:14), e que havia agido com “hipocrisia” (Gl.2:13). Dificilmente um papa infalível em matéria de fé poderia ser classificado desta forma. Se Pedro fosse papa, Paulo teria respeitado a autoridade máxima e infalível de Pedro na decisão que tomasse, ao invés de repreendê-lo em público e em carta, sem mencionar a suposta “autoridade” que Pedro tinha acima dele!
 
70. Pedro “temia os que eram da circuncisão” (Gl.2:12). Se Pedro fosse papa, seriam os cristãos judeus que deveriam temê-lo!
 
71. Pedro agiu com dissimulação quando viu que chegavam “alguns da parte de Tiago” (Gl.2:12), passando a se separar dos gentios por causa disso (v.12). Se Tiago estivesse sob a liderança de Pedro, não haveria motivos de temê-lo, nem tampouco de censurar os gentios por medo dos que vieram da parte de Tiago. O episódio não faz lógica na visão de que Pedro era acima de Tiago em autoridade apostólica. Se assim fosse, Pedro não temeria um “inferior” a si mesmo, muito menos os enviados “da parte” dele! Ao contrário, seria o próprio Pedro que daria ordens e manteria a sua posição de autoridade como líder.
 
 
-Provas de que Pedro não exercia primazia sobre João
 
72. João, junto a Mateus, foi o único apóstolo entre os 12 que compôs um evangelho.
 
73. João foi o único apóstolo escolhido pelo Senhor para ter a revelação do Apocalipse, na ilha de Patmos, acerca dos acontecimentos finais e escatológicos.
 
74. João escreveu mais epístolas que Pedro, além do próprio evangelho e do Apocalipse. Como bem disse Jerônimo, definindo perfeitamente todo esse quadro: “Pedro é um Apóstolo, e João é um Apóstolo - um é um homem casado, o outro um virgem; mas Pedro é somente um Apóstolo, enquanto João é um Apóstolo, um Evangelista, e um Profeta. Um Apóstolo, porque escreveu às Igrejas como mestre; um Evangelista, porque compôs um Evangelho, coisa que nenhum outro Apóstolo, exceto Mateus, fez; um profeta, porque viu na ilha de Patmos, onde tinha sido desterrado pelo imperador Domiciano como um mártir do Senhor, um Apocalipse contendo os ilimitados mistérios do futuro” (Contra Joviniano)
 
75. De todos os discípulos, João era o único considerado o “discípulo amado” (Jo.13:26; Jo.13:25).
 
76. Mesmo quando ele e Pedro corriam para chegar ao sepulcro, há uma clara distinção entre “Simão Pedro e o outro discípulo, a quem Jesus amava” (Jo.20:2), claramente diferenciando que esse “discípulo a quem Jesus amava” era o outro (João), e não o próprio Pedro.
 
77. João foi o único discípulo que se reclinou sobre o peito de Jesus (Jo.13:23).
 
78. João foi o único discípulo escolhido por Jesus para saber acerca de qual discípulo que lhe iria trair (Jo.13:26).
 
79. João teve que corrigir por escrito um erro de Pedro que se espalhou entre irmãos, acerca de que ele não deveria morrer (Jo.21:20-24).
 
80. João foi o primeiro discípulo a chegar ao sepulcro (Jo.20:4).
 
81. João foi o único discípulo a quem Jesus confiou a sua mãe aos seus cuidados (Jo.19:26,27).
 
82. João não negou Jesus.
 
83. João sempre esteve presente nos eventos mais importantes. Ele entrou com Jesus na casa do chefe principal da sinagoga, na ressurreição de Talita (Mc.5:37). Ele foi com Jesus para o Monte das Oliveiras, momentos antes da crucificação (Mc.14:33). Ele estava junto com Jesus na cena da transfiguração no monte, junto a Moisés e Elias (Mc.9:2). Ele subiu a um monte para orar junto com Jesus (Lc.9:28). Ele foi considerado como uma das principais colunas da Igreja (Gl.2:9). Se Pedro deve ser considerado o “líder máximo” com base em sua presença em eventos importantes como esse, João certamente não poderia deixar de ser também, visto que ele estava junto a Pedro e Tiago em todas essas ocasiões!
 
84. João foi o único discípulo que seguiu Jesus até ao pé da cruz, enquanto todos os outros fugiram, Judas o traiu, e Pedro o negou (Jo.19:26).
  
-Provas de que Pedro não exercia primazia sobre Paulo
 
85. Paulo viu o Senhor Jesus (At.9:27) e “pregou corajosamente em seu nome” (At.9:27), sendo o apóstolo que mais trabalhou (1Co.15:10).
 
86. Toda a assembléia dos crentes em Jerusalém (no Concílio) ficou em silêncio, enquanto ouvia Paulo e Barnabé falando de todos os sinais e maravilhas que Deus fizera entre os gentios por meio deles (At.15:12).
 
87. Paulo era um dos profetas e doutores existentes na Igreja, apontados em Atos 13:1.
 
88. Paulo e Barnabé foram os separados para a obra do Senhor (At.13:2).
 
89. Paulo é o primeiro a reconhecer e refutar a heresia, contra Elimas, o mágico (At.13:9-12).
 
90. O procônsul da cidade, sendo homem “culto” (At.13:7) e de grande importância na cidade, creu por meio da repreensão de Paulo a Elimas, “profundamente impressionado com o ensino do Senhor” (At.13:12).
 
91. Paulo foi o único a se levantar para defender o Cristianismo em Antioquia da Pisídia (At.13:14-16).
 
92. Paulo foi o apóstolo que mais edificou a Igreja com epístolas apostólicas, sendo treze no total. Um número bem maior do que Pedro, por exemplo, com apenas duas.
 
93. Paulo foi o apóstolo que mais fundou a igrejas na história do Cristianismo primitivo.
 
94. Paulo foi o único apóstolo que chegou a pregar a uma cidade inteira que se reuniu para ouvir a palavra do Senhor (At.13:44).
 
95. Grande multidão de judeus e gentios creram por meio da pregação de Paulo a sinagoga judaica (At.14:1).
 
96. Paulo e Barnabé foram os únicos a se levantar para defender a fé cristã diante de judeus e gentios em Icônio (At.14:1).
 
97. Paulo opera um milagre notório em um paralítico (At.14:10), a tal ponto que a grande multidão chegou a pensar que ele era um deus (At.14:11).
 
98. Paulo pregou as boas novas e fez muitos discípulos em Antioquia e em Icônio (At.14:21).
 
99. Paulo é o único apóstolo conhecido a intitular presbíteros em cada igreja e os encomendar ao Senhor (At.14:21).
 
100. Paulo fez uso das “chaves” para“abrir a posta da fé aos gentios” (At.14:27), para que eles também pudessem por meio da sua pregação ouvirem a palavra do Senhor, e serem salvos.

Continuaremos amanhã...

Deus lhe abençoe.

Viva vencendo as artimanhas teológicas que se fazem armadilhas para fazerem pessoas tropeçarem!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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