11 junho 2015

LIÇÃO 11 - 14/06/15 - "A ÚLTIMA CEIA"

TEXTO ÁUREO
 Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa pascoa, foi sacrificado por nos. ( 1 Cor 5.7 )

VERDADE PRATICA:
A Pascoa comemorava a libertação do Egito. A Ceia do Senhor celebra a libertação do pecado.

LEITURA BÍBLICA:
 Lucas 2.27-20

A narrativa da paixão de Cristo inicia-se em Lucas 22. Nos primeiros 38 versículos o leitor lê sobre a traição contra Jesus, a ceia da páscoa e as instruções finais a seus discípulos, antes de sua prisão. A maior parte do texto de Lucas é originária de Marcos 14:1-31, podendo ser dividida nas seguintes partes: (1) a conspiração dos líderes religiosos (vv. 1,2); (2) Judas trai a Jesus (vv. 3-6); (3) os preparativos para a páscoa (vv. 7-14); (4) a ceia do Senhor (vv. 15-23); (5) o ensino a respeito de grandeza no reino (vv. 24-30); (6) predição da negação de Pedro (vv. 3 1-34) e (7) palavras de Jesus sobre as duas espadas (vv. 35-38).

22:1,2 /Uma das razões por que os principais sacerdotes e os escribas queriam renovar seus esforços no sentido de eliminar a Jesus na época da páscoa (v. a nota abaixo) era que Jesus, à semelhança de muitos outros judeus, estaria presente em Jerusalém para a celebração dessa festa, o que proporcionaria às autoridades religiosas a melhor oportunidade para prendê-lo. Se demorassem em tomar providências, Jesus poderia sair de Jerusalém, escapando de suas mãos. Outra razão talvez se relacionasse à própria festividade.

Durante a páscoa os sentimentos políticos estavam exacerbados, pois os habitantes da cidade e os peregrinos refletiam sobre o ato salvífico de Deus que libertara seus ancestrais da escravidão do Egito. Tais reflexões com freqüência estimulavam esperanças messiânicas a respeito da libertação do jugo opressivo da Roma imperial. Como revelou a entrada triunfal (19:28-40), Jesus havia adquirido “status” messiânico (quer o povo o houvesse entendido, quer não), pelo menos na mente de uma parte do povo. Tal fato dificilmente passaria despercebido pelas autoridades religiosas, particularmente os saduceus, a classe sacerdotal aristocrática, que temia as conseqüências sociais e econômicas oriundas de uma insurreição.

No entanto, prender a Jesus abertamente poderia desencadear a tal insurreição que os saduceus tanto temiam. Portanto, era necessário que se encontrasse um meio de eliminar Jesus silenciosamente. Por isso é que a traição proposta e executada por Judas era tão importante para as autoridades.

22:3-6 /Lucas omite o relato de Marcos a respeito da unção de Jesus emBetânia (Marcos 14:3-9), talvez porque o evangelistajá havia falado de um incidente semelhante (v. Lucas 7:36-38), e revela forte tendência para evitar repetições. Lucas sai de imediato de sua informação sobre as autoridades religiosas que tentam eliminar a Jesus de modo secreto, e inicia o relato da traição perpetrada por Judas. Dos evangelistas sinóticos, só Lucas informa que Satanás entrou em Judas (cf. João 13:2,27).

Fitzmyer (p. 1374) mostra que o terceiro evangelista ficou “perplexo, não sabendo bem como explicar a sinistra traição de Jesus por um dos seus discípulos” e não consegue encontrar outra explicação senão essa, a da influência satânica. Pode ter sido assim, mas o fato de a mesma idéia aparecer também no quarto evangelho sugere que a idéia de Satanás entrar em Judas fazia parte da tradição da paixão de Cristo. Lucas achou que isso explicava melhor o comportamento de Judas, que, de outra forma, é inexplicável.

Judas foi oferecer às autoridades religiosas a oportunidade exata que estavam procurando. Visto ter sido ele um dos doze, sabia onde o grupo se reunia à noite, quando então todos estariam a sós. Consolidada a perversa transação, Judas começou a buscar oportunidade para lhes entregar Jesus, sem a multidão saber.

22:7-14 / Tendo como pano de fundo a sinistra conspiração entre Judas e as autoridades religiosas, Jesus e seus discípulos iniciam os preparativos para a ceia de páscoa. Lucas observa que Jesus enviou Pedro e João (Marcos 14:13 diz apenas “dois de seus discípulos”) a Jerusalém a fim de encontrar-se com um homem levando um cântaro de água (tarefa usualmente executada pelas mulheres), a quem entregariam o recado do Mestre. O dono da casa, dizo Senhor aos dois discípulos, vos mostrará um grande cenáculo mobiliado.É ali que os discípulos deverão fazeros preparativos. É provável que Lucas não tencione que seus leitores entendam serem essas coisas miraculosas, mas apenas que, em mais uma situação, Jesus está controlando tudo com firmeza. Jesus com muita deliberação executa os pormenores finais de seu ministério.

22:15-23/A solene declaração de Jesus no v. 15 revela quanto estivera aguardando aquela última ceia de páscoa. Ele a antevia com fervor, não porque estivesse aguardando a própria morte (v. o v. 42), mas porque poderá celebrar uma Nova Aliança em seu sangue. No v. 16 Jesus declara que não mais a comerá [a páscoa] de novo até que ela se cumpra no reino de Deus. O sentido exato dessa declaração é incerto, mas provavelmente faz paralelocom o voto de Jesus no v. 18. O Senhor não comerá da páscoa nem beberá do vinho até que venha o reino de Deus. (O cálice bebido no v. 20 não constitui violação desse voto, porque este entra em vigor só depois da ceia de páscoa.)

O relato de Lucas é inusitado por causa da menção do cálice em primeiro lugar (v. 17), seguido da tradicional seqüência pão/cálice, dos vv. 19 e 20. Alguns manuscritos gregos omitem metade do v. 19 e todo o v. 20. Alguns comentaristas acreditam que essa forma mais curta é original, tendo os vv. 1 9h e 20 sido acrescentados a fim de restaurar a seqüência tradicional pão/cálice. Igualmente plausível, no entanto, é a teoria segundo a qual alguns escribas cristãos primitivos decidiram omitir os vv. 1 9h e 20, a fim de eliminar o segundo cálice (ou então a omissão não foi proposital).

Nada há de inusitado na menção de um segundo cálice, visto que numa refeição pascal havia quatro cálices para ser bebidos (v. m. Pesahi,n 10.1-7). O cálice mencionado no v. 17 pode ter sido o primeiro cálice, junto com o qual se bendizia o nome de Deus por sua dádiva do vinho; ou o segundo cálice, em que se levanta o significado da páscoa, o que suscita uma resposta do pai ou, no contexto do evangelho, de Jesus. O que Jesus declara nos vv. 1 7b e 18 pode muito bem ser um resumo de sua explicação do significado da páscoa no que ele próprio está envolvido. Em vez de olhar para trás, para o Êxodo, Jesus está olhando para a frente, para o reino de Deus.

Nos vv. 19 e 20 a “instituição” da ceia do Senhor é feita para todos os cristãos. pão é partido, e Jesus o descreve como o seu corpo, que por vós [os discípulos] é dado. Todos os cristãos devem participar desse ritual em memória de mim [Jesus], De modo semelhante, Jesus distribuiu um cálice (o terceiro cálice, o “Cálice da Bênção”), que o Senhor descreve como o cálice da Nova Aliança no meu sangue derramado por vós, isto é, pelos seus discípulos de todas as épocas (Marcos 14:24: “Isto é o meu sangue... que é derramado por muitos”). Jesus vai derramar seu sangue (talvez como alusão a Isaías 53:12) a fim de estabelecer nova aliança.

Essa nova aliança sem dúvida deve ser entendida sob o aspecto da aliança mencionada em Jeremias 31:31, a “nova aliança” que está escrita não em tábuas de pedra, mas nos corações (cf. 2 Coríntios 3:3,6).

A ceia termina com a declaração de Jesus de que a mão do traidor está comigo [com Jesus] à mesa. As coisas deverão ser assim mesmo, porque o Filho do homem vai segundo o que está determinado. Jesus declara assim que seu destino é inevitável, e parte desse caminho inevitável é a traição. No entanto, essa traição será terrível para aquele por intermédio de quem [Jesus] é traído. Embora o destino de Jesus faça parte do plano de Deus, nãohá desculpa para o traidor. Os discípulos estão chocados e começaram a perguntar entre si qual deles seria o que havia de fazer isto. Tão grande deslealdade era incompreensível para eles.

22:24-30 / A conversa muda de repente para a questão de qual deles parecia ser o maior. Estando essa passagem onde está, constitui fato singular em Lucas. Marcos não nos fala de mais alguma conversa na mesa.

O texto de Lucas parece nova fusão de textos a respeito de uma discussão semelhante registrada em Marcos 10:42-45, trecho que Lucas omitiu (cf. Marcos 10:32-52 com Lucas 18:31-43; ninguém repara que Lucas omite Marcos 10:35-45). De vez em quando Lucas insere algumas minúcias, trechos desse texto omitido (v. Lucas 12:50) em novos contextos. Essa passagem poder ser novo exemplo disso. Alguém poderia questionar a lógica de colocar esse diálogo imediatamente depois da declaração de Jesus de que vai ser traído nos vv. 21 e 22. Fitzmyer (p. 1412) provavelmente tem razão ao propor que, se o pior discípulo é aquele que vai trair seu Senhor, quem dentre eles é o maior?

Essa passagem compreende na verdade duas partes: a discussão a respeito de quem é o maior (vv. 24-27) e o pronunciamento de Jesus de que seus discípulos um dia governarão a seu lado (vv. 28-30), sendo essa segunda parte uma unidade bem distinta (provavelmente saiu da fonte original de enunciados de Jesus; cf. Mateus 19:28). A maior parte das pessoas deseja exercer poder sobre outras pessoas; é isso que as pessoas julgam torná-las grandes.

Entretanto, para os seguidores de Jesus não é esse o caminho.
O maior entre vós, isto é,o maior entre os discípulos de Jesus seja como o menor (ou “o mais insignificante”). O cristão quegoverna seja como quem serve. No v. 27 Jesus formula uma pergunta a respeito de convenções sociais; a resposta é óbvia:

Quem está à mesa sem dúvida é maior do que aquele que serve. Quem está sentado é o senhor, e quem está servindo ao senhor é o servo. Entretanto, entre os cristãos, seguidores de Jesus, não deve ser assim, pois o próprio Jesus deu o exemplo (v. João 13:4-17).

Jesus explica nos vv. 28-30 que virá uma época de vingança e de exaltação para seus servos fiéis. Visto que eles permaneceram fiéis durante todas as tentações de Jesus, podem ter certeza de que vão participar do governo do reino (eu o confio a vós; v. a nota abaixo). Essa declaração pode parecer estranha à luz da deserção dos discípulos no momento em que Jesus é preso. Entretanto, esse pormenor é omitido por Lucas. Embora Lucas mantenha a tradição da negação de Pedro (22:54-62), na predição dessafalha do apóstolo, que vem a seguir, Lucas registra também a profecia do arrependimento e da restauração deste apóstolo (v.32).

22:31-34 / Os vv. 31 e 32 são singulares em Lucas; os vv. 33 e 34 parecem ser modificações de Marcos 14:29-31. Embora o que ele tenha de dizer se aplique a todos os discípulos, Jesus fala a Simão (Pedro), que é o porta-voz deles. Na parte que é singular a Lucas (vv. 31,32) Pedro é advertido de que Satanás vos pediu para vos peneirar como trigo. Em outras palavras, Satanás deseja testar severamente os discípulos com o propósito de destruir- lhes a fé. Esse perigo não pode ser encarado levianamente. É tão grave, que Jesus assegura a Pedro ter orado por ele (eu roguei por ti) para que a fé não desfaleça.

À luz da negação de Pedro, que logo acontecerá, esse desfalecimento da fé diz respeito a algo muito mais grave do que esse lapso temporário. É provável que a idéia prevalecente seja que depois da negação Pedro fosse tentado a abandonar de vez sua fé em Jesus. Entretanto, isso não acontecerá por causa da oração intercessória de Jesus. Pedro sofrerá uma queda momentânea, mas se recuperará e voltará a Jesus, e a seguir estará apto a fortalecer seus irmãos (como se vê dramaticamente em Atos l—5, em que Pedro se transforma no ousado porta-voz e líder da igreja nascente).

No entanto, Pedro deseja afirmar sua lealdade ao Mestre (v. 33). Ele está pronto, declara Pedro, a ir contigo {com Jesus] para a prisão e para a morte. Há ironia nessa declaração bem-intencionada, porque na verdade Pedro vai sofrer encarceramento (Atos 5:1 8; 12:3) e martírio (de acordo com uma antiga tradição da igreja); no entanto, naquela hora escura sua fé estremecerá. É quando Jesus profetiza que não cantará hoje o galo antes que três vezes negues que me conheces.


22:35-38 / Esses versículos não encontram paralelismos fora de Lucas, pelo que em geral se julga terem derivado de uma fonte especial do evangelista. Os vv. 35 e 36a pressupõem o envio dos doze em 9:1-6 e dos setenta (e dois?) em 10:1-12. Os apóstolos nessas ocasiões viajaram sem bagagem (sem bolsas, objetos e sandálias); dessa vez vão precisar de provisões, visto que o ministério que os aguarda será longo e difícil. Na verdade, será tão difícil que era preciso que se armassem de uma espada. A espada é símbolo da violência e oposição que os discípulos de Cristo haveriam de enfrentar. É símbolo especialmente apropriado para Jesus, de acordo com o v. 37, pois o Senhor vai partilhar o destino de criminosos (alusão a Isaias 53:12).

Isso se comprova mais vividamente na crucificaçãodo Senhor entre dois criminosos, em 23:33 e talvez no emprego inoportuno e infeliz que Pedro faz da espada, literalmente, em 22:49,50. Pode estar aí também a idéia de que Jesus e seus discípulos teriam sido classificados pelos seus adversários como bandidos “fora da lei” (como se vê em Atos). Para Tannehill (p. 267), Jesus sabe que seus discípulos temporariamente se apartarão do caminho do verdadeiro discipulado e agirão como criminosos:

“A ordem de Jesus não faz que algo aconteça, mas revela o que os discípulos já haviam feito, de medo”. Provavelmente o autor está certo.

O âmago das observações dc Jesus é completamente mal-entendido por seus discípulos, que exibem duas espadas. Com o espírito do entusiasmo popular messiânico, seus discípulos estão dispostos a pegar cm armas. Como dissera Pedro momentos antes, estão todos dispostos a ir para a prisão, até a morrer.

Entretanto, Jesus está desapontado (a menos que tenha entendido os comentários de seus discípulos em sentido figurado) por causa da falta de percepção, e encerra a discussão com estapalavra: Basta. (A NVI traz “É o suficiente”. “Chega disso” seria mais claro; v. Fitzmyer, p. 1434; cf. 22:51; ou “essas bastam” para o cumprimento de Isaias 53:12). Esse diálogo confirma que os discípulos dificilmente estariam preparados para o que vai acontecer logo mais. A incapacidade deles de enfrentar corretamente as provações vindouras é dramatizada no próximo episódio.

Notas Adicionais

22:1 / A festa dos pães asmos, chamada páscoa na verdade eram duas festas. A páscoa era celebrada no dia 14 de Nisã (aproximadamente em primeiro de abril), e a festa dos pães asmos na semana seguinte, 15-21 de Nisã. Originariamente a festa dos pães asmos celebrava o início da colheita, mas depois passou a ser celebrada junto com a páscoa. Nessa festa só se podia comer pão sem fermento. Em hebraico a páscoa é chamada de Pesah, e no grego Pascha. Visto que em grego o verbo “sofrer” é paschein, a igreja primitiva ehtendia haver uma conexão entre a páscoa e o sofrimento de Jesus (v. 1 Coríntios 5:7). Quanto a páscoa, v. HBD, p. 753-5.

22:2/ Quanto a principais sacerdotes v. a nota sobre 19:47 acima; quanto a escribas v. a nota sobre 5:21 acima.

22:3 /Lembremo-nos da retirada do diabo “até momento oportuno” (4:13). Incapaz de interromper Jesus no início de seu ministério, Satanás espera agora poder arruinar o fim de seu ministério trazendo subversão a seus seguidores. “Satanás” é palavra hebraica equivalente de “adversário”; v. a nota sobre 10:15 e HBD, p. 908-9. A respeito de Judas... Iscariotes, v. a nota sobre 6:16 acima.

22:4 / guarda do templo: Segundo Fitzmyer (p. 1375), essas pessoas talvezgerissem o dinheiro do templo, e por isso teriam combinado com Judas não só quando e onde poderiam prender Jesus, mas também quanto deveriam pagar ao traidor.

22:5 / dinheiro: De acordo com Mateus 26:15, Judas recebeu trinta moedas de prata, que posteriormente ele lançou no interior do templo (Mateus 27:5). Comparem-se os relatos da morte de Judas (Mateus 27:3-10; Atos 1:18,19).

22:7-13 / Os evangelhos concordam em que a “Ceia do Senhor” é urna ceia da páscoa; no evangelho de João a “Ultima Ceia” acontece “antes da festa da páscoa” (13:1,2). Certamente João quer dizer que a ceia ocorreu no dia anterior à páscoa, visto que, no dia seguinte, quando Jesus está de pé diante de Pilatos, as autoridades religiosas se recusam a entrar na casa de Pilatos, porque se entrassem se tornariam imundas e desqualificadas para comer a páscoa (João 18:2,3,12,13,28).

As tentativas de explicar a discrepância em termos de dois calendários diferentes (os quais colocavam a páscoa em dias diferentes) criam mais dificuldades em vez de resolver as existentes. Não se sabe como os relatos sinóticos podem ser harmonizados com o relato de João, se é que são harmonizáveis (v. o comentário completo e excelente de Fitzmyer, p. 1378-83).

22: 14-38 / Lucas mesclou seus textos oriundos de alguma tradição de tal maneira que produziu um sermão de despedida. V. William 5. Kurz (“Luke 22:14-38 andGreco-Romanand Biblical Farewell Addresses” [Lucas 22:14-38 e Alguns Discursos Greco-Romanos e Bíblicos de Despedida], JBL 104 [1985], p. 251-68), que compara Lucas 22:14-38 a discursos de despedida greco- romanos (e.g., Platão, Fedo; Diógenes Laércio, Epicuro 10:16-18) e bíblicos (e.g., 1 Reis 2:1-10; 1 Macabeus 2:49-70). Kurz afirma, corretamente (p. 253, n. 7) que Lucas está familiarizado com os exemplos bíblicos.

22:19 / Isto é o meu corpo: E perfeitamente claro que Jesus está falando de modo figurado. O pão simboliza seu corpo, assim como Jesus se refere simbolicamente a si mesmo corno “a porta”, “o pastor” ou “a videira” (v. João10:7,11; 15:1).

22:20 / Nova Aliança no meu sangue: V. também Exodo 24:8; Levítico 17:11; Fitzmycr, p. 1402.

22:22 / É óbvio que Jesus é o Filho do homem, segundo esse versículo (v. também o v. 48). V. a nota sobre 5:24, acima.

Ai daquele por intermédio de quem é traído: Lucas omitiu o doloroso enunciado de Marcos: “Melhor lhe fora não haver nascido” (14:21b).

22:25 / benfeitores: Esse título era concedido a vários deuses e governadores nos tempos antigos. Lucas deseja retratar Jesus corno o verdadeiro Benfeitor da humanidade, alguém que serve e não é servido.

22:28,29 /Comparem-se Romanos 8:17; 2 Timóteo 2:11-13.

22:30 / Mateus 19:28 declara que os apóstolos se sentarão em “doze tronos”. Só Lucas diz tronos porque ao colocar esse enunciado imediatamente depois da referência à traição de Judas, já não existem doze apóstolos genuínos (embora Judas viesse a ser substituído mais tarde; Atos 1:12-26).

Jesus vai sentar-se notrono de seu pai Davi (lembremo-nos de 1:32), seus apóstolos servirão como regentes auxiliares para julgar as doze tribos de Israel. Fitzmyer (p. 1419) afirma que Salmos 122:4,5 pode estar na mente de Lucas Gundry (p. 393) afirma que esse enunciado pode ter sido inspirado em parte em Daniel 7. Marshall (p. 818) menciona ambos.

Visto que essas duas passagens do Antigo Testamento aparecem juntas na exegese judaica e no contexto das discussões a respeito dos “grandes de Israel” e dos tronos que receberão (v. a MidrashTanhuma B, Qedoshi,n 1.1), parece que essas na verdade são passagens por trás de Lucas 22:30 e seu contexto. V. também Apocalipse 21:12,14.

Concordo com Tiede (p.386) em que a ênfase sobre os doze em Lucas 22:28-30 “é sinal inequívoco de que Deus ainda não acabou a obra em Israel”. V. mais comentários sobre isso em David L. Tiede, “GlorytoThy People Israel’: Luke-ActsandtheJews” [Glória a Teu Povo Israel: Lucas-Atos e os Judeus], Mineápolis: Augsburg, 1988, p. 21- 34. Lucas 22:28-30 não se cumpre nas coisas que acontecem no livro de Atos. A promessa é escatológica. Tannehill (p. 270) concorda e, de modo correto, prossegue dizendo que “a menção das doze tribos também sugere que Israel será resturado completamente”.

22:32 / Mas eu roguei por ti: Em Romanos 8:34 Paulo declara que Jesus intercede por seus discípulos (cf. 8:26,27, em que essa idéia está relacionada em parte com a oração).

22:36 / espada: Compare as metáforas mais elaboradas em torno de armamento militar como armas espirituais em Efésios 6:11-17.

22:38/A tradução da NVI, “Eo suficiente”, pode desorientar o leitor, porque transmite a idéia deque para Jesus asduas espadasque lhe foram exibidas pelos discípulos eram exemplos do que ele vinha falando. Se Jesus realmente houvesse defendido a idéia de um combate a espada, dificilmente duas espadas teriam sido “suficientes” (embora uma espada bastasse em 22:49,50!). Além do mais, se a observação de Jesus fosse de aprovação, poderíamos então esperar que ele usasse o plural: “elas são suficientes” ou “elas bastam”. Ao contrário, a resposta de Jesus deve ser entendida como interjeição de frustração, com a qual ele corta a conversa. Pode ser que Jesus tenha acrescentado uma pitada de sarcasmo em sua palavra final.


SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR


INTRODUÇÃO
Na última Ceia de Páscoa foi instituída a Ceia do Senhor Jesus. Esta é a lembrança contínua da Sua entrega por nós. A morte de Jesus significa a completa demonstração do interesse divino em ter novamente comunhão conosco. A Ceia do Senhor aponta para o passado (1Co 11:23-25) e ali vemos a cruz de Cristo e seu sacrifício vicário em nosso favor, mas ela também aponta para o futuro (1Co11:26) e ali vemos o Céu, a festa das Bodas do Cordeiro (Ap 19:9), quando Ele vai nos receber como Anfitrião para o grande banquete celestial. Jesus Cristo será o centro do banquete que Deus Pai vai oferecer (Ap 2:7).

I. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA ÚLTIMA CEIA
A Páscoa era uma festa fundamental para o povo de Deus. Por isso, Lucas 22:7 destaca: ”Chegou o dia da Festa dos Pães Asmos, em que importava comemorar a Páscoa”. Essa festa era obrigatória e marcava a memória com a lembrança da libertação da escravidão no Egito para uma vida nova e livre (Ex 12).

1. A instituição da páscoa judaica. A Páscoa judaica foi instituída na noite da libertação do povo hebreu do Egito. primeira Páscoa foi celebrada no final do dia 14 do mês de Abibe, aproximadamente no ano de 1445 a.C. Dali em diante deveria ser celebrada anualmente (Êx 12:17-24). A Páscoa instituída por Yahweh no Egito foi acompanhada por leis que regiam a sua observância.

A palavra Páscoa é derivada do verbo hebraico Pesah, que significa “passar por cima”. Esse nome surgiu em face do registro bíblico de que o anjo da morte, ou anjo destruidor, passou por sobre as casas marcadas com o sangue do cordeiro pascal, quando ele matou os primogênitos do Egito - “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito” (Êx 12:23). O cordeiro foi imolado e seu sangue aspergido no batente das portas. De igual modo, Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Isto tem a ver com nossa redenção.

O nome hebraico do mês que aconteceu a primeira Páscoa é Abibe, que significa “espigas verdes”, que corresponde a março-abril em nosso calendário. Durante o Exílio babilônico foi substituído pelo nome Nisã que significa “começo, abertura” (Ne 2:1).

2. Contexto histórico da Páscoa. Deus disse a Abraão que sua descendência seria peregrina, sob servidão e aflição, durante 430 anos (Gn 15:13-16; Ex 12:40,41). A peregrinação no Egito começou com a ida de Jacó e seus filhos. Um dos filhos de Jacó, José, tornou-se governador do Egito, e, durante o seu governo os hebreus não sofreram nenhum tipo de agravo ou sofrimento. Mas, “depois do falecimento de José e de seus irmãos e de toda aquela geração, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José” (Êx 1:6-8). A partir de então os egípcios começaram a afligir os israelitas, e a tratá-los com dureza (Êx 1:11-14). Quando os sofrimentos dos filhos de Israel estavam sendo insuportáveis, então clamaram ao Seu Deus, e os seus clamores subiram aos céus por causa de sua servidão (Êx 2:23). Deus interveio em favor de Seu povo, chamando Moisés, que após 40 anos de preparo no deserto apascentando ovelhas, foi enviado diante de Faraó para que começasse a libertação do Seu povo do Egito. Em obediência ao chamado de Deus, Moisés compareceu perante Faraó e lhe transmitiu a ordem divina: “Deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto” (Êx 5:1). Para conscientizar Faraó da seriedade dessa mensagem da parte de Deus, Moisés, mediante o poder de Deus, invocou pragas como julgamento contra o Egito. No decorrer de várias dessas pragas, Faraó concordava em deixar o povo ir, mas a seguir, voltava atrás, uma vez a praga suspendida. Soou a hora da décima e derradeira praga, aquela que não deixava aos egípcios nenhuma alternativa senão a de libertar os israelitas. Deus disse a Moisés: “À meia-noite eu sairei pelo meio do Egito; e todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que se assenta com ele sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo primogênito dos animais. E haverá grande clamor em toda a terra do Egito, qual nunca houve semelhante e nunca haverá”(Êx 11:4-6).

Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como podiam escapar do anjo destruidor? O Senhor Deus emitiu uma ordem específica ao Seu povo; a obediência a esta ordem traria a proteção divina a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família tinha que tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito e sacrificá-lo ao entardecer do dia 14 de Abibe; famílias menores podiam repartir um único cordeiro entre si (Êx 12:3-6). O sangue do cordeiro sacrificado devia ser aspergido nas duas ombreiras e na verga da porta de suas casas. Quando o Anjo passasse, passaria por cima daquelas casas que tivessem o sangue aspergido conforme ordenado (daí o termo Páscoa, do hebraico pesah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, dando a ideia de poupar, de proteger (Êx 12:13)). Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra os primogênitos egípcios.

3. O ritual da páscoa judaica. O registro bíblico nos mostra que a Páscoa era uma cerimônia familiar -“Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família” (Êx 12:3). Não podia ser um animal de qualquer idade. Cada família devia escolher um cordeiro ou cabrito sem defeito, sem mácula, com a idade de “um ano” (Êx 12:5).

O cordeiro era levado para dentro de casa no dia 10 de Abibe, e mantido ali até o dia 14 do mesmo mês. Período durante o qual era observado pela família que iria sacrificá-lo. Caso não possuísse algum defeito, o animal era então sacrificado (Êx 12:3,6).

O cordeiro (ou cabrito) após ser imolado, o seu sangue era aspergido com um molho de hissopo nas ombreiras (partes verticais da porta) e na verga da porta (parte horizontal sobre as ombreiras) da casa em que comeriam o cordeiro (Êx 12:7,22). O sangue nas ombreiras e na verga da porta era o sinal que identificava a casa dos hebreus dos egípcios. O Senhor Deus havia falado a Moisés, seu servo em Êxodo 12:12,13: “E eu passarei pela terra do Egito esta noite e ferirei todo primogênito na terra do Egito, desde os homens até os animais; e sobre todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou Deus. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito”.

Deus ordenou o sinal do sangue, não porque Ele não tivesse outra forma de distinguir os israelitas dos egípcios, mas porque queria ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, preparando-o para o advento do “Cordeiro de Deus”, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo (João 1:29).

A morte dos primogênitos era um desafio consumado em juízo sobre os falsos deuses egípcios. Porque quase todos os deuses do Egito eram semelhantes a algum animal, com feições humanas. Logo, a morte do primogênito de cada tipo de animal mostraria a falibilidade e a impotência das divindades pagãs que haveriam de protegê-los.

O cordeiro (ou cabrito) era abatido, esfolado (isto é, tirava-se a pele), suas partes internas eram tiradas e assim eram limpas e depois recolocadas no lugar, daí então o cordeiro era assado inteiro, com a cabeça, as pernas e a fressura (Êx 12:9). O animal tinha que estar bem assado, nada cru, e sem que lhe quebrasse nenhum osso (Êx 12:46; Nm 9:12). Após a carne ser assada no fogo, era comida pela família com pães asmos e ervas amargas (alfaces bravas, etc. - Êx 12:8). Cada um dos componentes desta celebração tinha um sentido literal e espiritual, que Deus tinha em mente transmitir não somente aos filhos de Israel, como a seus descendentes (Êx 12:24-27).

A Ceia Pascal devia ser comida pelos membros de cada família.
 Se a família fosse pequena demais para comer o cordeiro, chamavam-se os seus vizinhos mais próximos até que houvesse número suficiente para comer o cordeiro todo naquela noite (Êx 12:4,8). Quaisquer sobras de carne deviam ser queimadas antes do amanhecer (Êx 12:10). De acordo com a tradição judaica, família pequena significava aquela com menos de dez pessoas. Eles deviam calcular quanto cada um poderia comer e assim determinar se deviam se reunir com alguma outra família (Êx 12:4). Depois da construção do Templo, Deus ordenou que a celebração da Páscoa e o sacrifício do cordeiro fossem realizados em Jerusalém (Dt 16:1-6).

Na Páscoa realizada no Egito, a cabeça da família foi o responsável para abater o cordeiro (ou cabrito) em cada casa, e todos deviam permanecer dentro da casa até o amanhecer para que não fossem mortos pelo anjo da punição e da destruição (Êx 12:22,23). Os participantes comeram em pé, e com os lombos cingidos (vestidos), com o cajado na mão, com as sandálias nos pés, e que comessem apressadamente para que estivessem prontos para uma longa jornada. À meia-noite (como Deus havia dito a Moisés), todos os primogênitos dos egípcios foram mortos, mas o anjo passou por alto as casas em que o sangue havia sido aspergido (Êx 12:11,23). Toda família egípcia em que havia um varão primogênito foi atingida, desde a casa do próprio Faraó até os primogênitos dos prisioneiros, e assim, o Senhor Deus executou o seu juízo sobre os egípcios.

O âmago do evento da Páscoa é a graça salvadora de Deus. Deus tirou os israelitas do Egito, não porque eles eram um povo merecedor, mas porque Ele os amou e porque Ele era fiel ao seu concerto (Dt 7:7-10). Semelhantemente, a salvação que recebemos de Cristo nos vem através da maravilhosa graça de Deus (Ef 2:8-10; Tt 3:4,5).
II. A CELEBRAÇÃO DA ÚLTIMA CEIA
1. A preparação (Lc 22:7-13). Os preparativos para a refeição da última páscoa de Jesus com os seus discípulos foram muito mais solenes do que as comemorações anteriores, porque tinham por objetivo marcar profundamente o dia em que foi celebrada a grande Páscoa para toda a humanidade, por toda a história. É a chamada Páscoa eficaz. Desse dia em diante todo regime de escravidão do pecado estaria derrotado. Trata-se, portanto, de caminhar para uma nova vida presenteada por Deus.

Segundo Leon L. Morris, a páscoa não era apenas mais uma refeição, mas, sim, uma festa muitíssimo importante. Devia ser comida em posição reclinada, e havia exigências tais como a inclusão de ervas amargas na refeição. Destarte, uma quantidade considerável de preparação era necessária. A refeição não era solitária, mas, sim, era comida em grupos que usualmente consistiam de dez a vinte pessoas.

Jesus encarregou Pedro e João de fazer os preparativos necessários para o pequeno grupo (somente Lucas dá os nomes deles aqui). Não é contrário à razão terem perguntado onde seria - “E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos?”(Lc 22:9). Eram galileus, e precisariam de orientação quanto ao lugar aonde seria preparada a Páscoa. E nessa agitação efervescente por causa da festa havia poucos lugares livres, a despeito da tradicional disposição dos jerusalemitas de tornar disponíveis acomodações sem nada cobrarem.

E Jesus disse a Pedro e João que eles deveriam procurar um homem com um cântaro de água – “Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar” (Lc 22:10). Encontrar um homem levando um cântaro seria um fato distintivo, pois somente as mulheres usualmente carregavam cântaros de água (os homens carregavam odres de água). Os discípulos haveriam de dizer certas palavras ao dono da casa: “O mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Então, ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei os preparativos” (Lc 22:11,12). “Grande cenáculo” significava um espaçoso ambiente mobiliado, provavelmente havia sofás prontos com cobertas estendidas sobre eles. “Os hospedeiros costumavam oferecer suas casas durante a festa, em troca das peles de animais e utensílios usados para a refeição. O preparo da Páscoa incluiria a busca de fermento na casa e o preparo dos vários elementos da refeição”. Eles seguiram as instruções e prepararam a refeição de Páscoa.

2. A celebração e a substituição. Lucas 22:19-23 quis mostrar que a Ceia cristã substituiu a Páscoa judaica, assumindo o significado que a Páscoa possuía e levando esse significado ao máximo. Dessa forma, a Ceia do Senhor assumiu um significado universal, e a libertação que ela proporciona não é só a de Israel das mãos opressoras do Egito, mas a libertação total e para todos os povos. É importante conhecermos os detalhes de como Jesus modificou a Páscoa judaica transformando-a num memorial:

a) A Páscoa judaica celebrava o fato de Deus ter libertado o seu povo do cativeiro egípcio; a Ceia do Senhor celebra o fato de Deus nos ter libertado da escravidão do pecado.

b) O cordeiro sacrifical da Páscoa judaica aplacou o anjo da morte; o Pão da Ceia significa o corpo de Cristo, partido na condenação do nosso pecado.

c) O vinho da Páscoa judaica simbolizava o sangue do cordeiro nas portas; o vinho da Ceia do Senhor simboliza o sangue de Cristo dado por nós. A sua morte é que nos compra a vida eterna.

d) A Páscoa judaica representava a antiga aliança de Deus com o seu povo; a Ceia do Senhor nos lembra da sua Nova Aliança.

Através de todos esses detalhes, reconhecemos o valor que devemos dar à Ceia do Senhor. O cordeiro pascal foi substituído na Ceia cristã pelo pão, e o sangue do cordeiro pelo vinho, símbolo do sangue de Jesus. Então, podemos definir qual é o significado da Ceia do Senhor: ela simboliza o supremo dom do amor de Deus em Jesus, que entregou seu próprio corpo e derramou seu sangue em nosso lugar para nos perdoar os pecados.

Mas é válido lembrar que o traidor também estava participando dessa celebração: ”todavia, a mão do traidor está comigo à mesa” (Lc 22:21). Quem era ele? Jesus sabia, mas não contou. Lucas 22:23 diz que a ansiedade tomou conta de todos os que participavam daquele momento. “Serei eu? Será você? Quem vai trair Jesus e o evangelho?”, indagaram os discípulos entre si. Que nós não traiamos Jesus de maneira nenhuma, mas nos disponhamos, se preciso for, até a morrer anunciando a nova vida que Ele dá.

III. OS ELEMENTOS DA ÚLTIMA CEIA
São elementos da Santa Ceia: o pão e o vinho, por representarem, respectivamente, o corpo e o sangue de Cristo, oferecidos em resgate da humanidade (1Co 11:24,25). É a explicita, profunda e confortadora simbologia das Sagradas Escrituras.

1. O Pão. Jesus na noite em que fora traído tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse: “... Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim”(Lc 22:19). Jesus manda os discípulos pegar o pão e comer, pois o pão estava representando o seu corpo que fora entregue por todos nós. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

O pão da Ceia não é o corpo literal de Cristonem está ele presente invisivelmente. Quando Jesus disse que aquele pão era o seu corpo oferecido por nós, não estava falando literalmente, porque ainda estava vivo e o seu corpo não tinha sido partido por nós na cruz. Estando vivo, não podia pegar com suas mãos parte do seu corpo em forma de pão para oferecer aos seus apóstolos dizendo: “isto é o meu corpo que é oferecido por vós; fazei isto em memória de mim” (Lc 22:19). Jesus, então, usou uma linguagem simbólica, como fez em outras ocasiões: “Eu sou a porta”, “Eu sou o caminho”, “Eu sou a videira” (João 10:7-9;14:6; 15:1) e assim por diante. Representa, então, a sua encarnação, que ele tomou um corpo humano e deixou sua glória (João 1:14); nasceu de uma virgem e viveu entre os pecadores em perfeição de conduta. Era Ele o Homem Perfeito, idôneo para servir de sacrifício pelos nossos pecados (Hb 7:26; 2Co 5:21). Ele partiu o pão da Ceia significando que ia se sacrificar em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

2. O Vinho. Identificado na Bíblia como "fruto da vide" e "cálice do Senhor" (Lc 22:18;1Co 11:27), o vinho na Ceia simboliza o sangue de Cristo vertido na cruz para redimir a todos as pessoas que o aceitarem com Senhor e Salvador, e ratificar a “Nova Aliança” ou “Novo Testamento”(Lc 22:20). O apóstolo Pedro assim escreveu: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 1:18,19).

Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “fruto da vide” (Mt 26:29; Mc 14:25; Lc 22:18). O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira.

Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Êx 12:14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de fermento ou qualquer agente fermentador. Deus dera essa lei porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (cf. Mt 16:6,12; 1Co 5:7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5:17). Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.

A Ceia do Senhor foi instituída logo depois da refeição pascal. Por isso, lemos que Jesus tomou o cálice depois de haver ceado. Ao fazê-lo, declarou que o cálice era a Nova Aliança no seu sangue. Trata-se de uma referência à aliança que Deus prometeu à nação de Israel em Jeremias 31:31-34. É uma promessa incondicional segundo a qual Deus concordou em usar de misericórdia para com eles e não se lembrar de seus pecados e iniquidades. Os termos da Nova Aliança também são descritos em Hebreus 8:10-12. Todos os que creem no Senhor Jesus recebem os benefícios prometidos. Quando o povo de Israel se voltar para o Senhor, também desfrutará as bênçãos da Nova Aliança, um acontecimento que ocorrerá no reino milenar de Cristo na terra.

Do mesmo modo que o pão, quando fez referência ao cálice da Nova Aliança (Lc 22:20) no seu sangue, que foi derramado por nós, também falou de maneira simbólica. Portanto, não ocorreu e, ainda hoje quando participamos da Ceia do Senhor, não ocorre a transubstanciação, isto é, a transformação das substâncias que compõem o pão e o vinho em verdadeira carne e sangue de Jesus. Não! Quem acredita que essa transformação ocorre entende o texto de forma equivocada. Devemos crer, com toda a reverência e ação de graças, mas, simbolicamente, em memória de Jesus Cristo (1Co 11:24,25)

CONCLUSÃO

A Ceia do Senhor foi instituída por ocasião da última Páscoa que Jesus participou com os apóstolos, na noite em que foi traído e preso (Lc 22:14,15,18). Trata-se não apenas de uma recordação, mas, sobretudo, de um testemunho, pois anunciamos a sua morte (“... anunciais a morte do Senhor...”) e a sua volta (“... até que venha”). Sua morte nos reconciliou com Deus, e a sua volta nos coroará de glória, por meio da nossa redenção (1Co 11:26;Rm 5:10;Ef 4:30).

Viva vencendo, até que Jesus mesmo nos sirva a Sua ceia!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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