04 julho 2015

LIÇÃO 01/07/15 - "UMA MENSAGEM À IGREJA LOCAL E À LIDERANÇA"

Texto Áureo

 “Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.” ( l Tm 4.12)

Verdade Prática

 As cartas pastorais reúnem orientações à Liderança cristã e aos membros em geral para que vivam conforme a vontade de Deus.

LEITURA BÍBLICA 

 I TIMÓTEO 1:1-2 = TITO 1:1-4

INTRODUÇÃO
A Epístola a Tito é de tipo semelhante às cartas a Timóteo, cujo tema principal é o aconselhamento de um pastor-supervisor a um jovem pastor-presidente. Mas nesta carta, como naquelas a Timóteo, assuntos pessoais impulsionam assuntos pastorais. Embora sua posição no Novo Testamento seja depois de 2 Timóteo, sua posição cronológica é, provavelmente, entre as duas cartas a Timóteo. Temos certeza de que Tito precede 2 Timóteo, porque o apóstolo ainda era homem livre quando escreveu esta carta sob estudo. Mas se Tito precede ou sucede 1 Timóteo é difícil dizer.

QUEM ERA TIMÓTEO
a. Naturalmente tímido e receoso – 1 Coríntios 16.10
b. Aparência juvenil, que inspirava pouca responsabilidade -1 Timóteo 4.12
c. Não gozava de boa saúde – 1 Timóteo 5.23
d. Emoções à flor da pele – 2 Timóteo 1.4

AS QUALIDADES DE TIMÓTEO
a. Timóteo era um cooperador – Romanos 16.21                                                                              b. Amado e fiel – 1 Coríntios 4.17
c. Trabalhava na obra do Senhor – 1 Coríntios 16.10
d. Era confiável – Filipenses 2.20
e. Tinha um caráter aprovado – Filipenses 2.22
f. Um servo perseverante e digno de Cristo – 1 Ts 3.2
g. Sincero diante de Deus – 2 Timóteo 1.5
h. Estudante zeloso e obediente à Palavra de Deus – 2 Timóteo 3.15
i. Um homem de boa reputação – Atos 16.2

I TIMÓTEO
Paulo foi liberto no ano de 60 ou 61 d.C. e retornou às suas atividades de missionário. Ao contrário do que tinha imaginado inicialmente (Atos 20:38), Paulo retornou às igrejas da Ásia e constatou certo declínio entre elas, o que pode ser observado pelos seguintes trechos: Paulo queria que Timóteo ficasse em Éfeso para “ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis” (I Timóteo 1:3-4);
Havia pessoas sem entendimento querendo ser mestres (1:7);
Havia alguns que haviam rejeitado a fé e a boa consciência, entre eles Himeneu e Alexandre (1:20).
A organização da igreja havia crescido em complexidade.
As funções de liderança haviam se tornado fixas e havia pessoas que aspiravam a essas posições (3:1). Paulo lista as condições básicas para que alguém pudesse ocupar tais cargos (3:2-13).
As viúvas precisavam inscrever-se na lista de viúvas da igreja para poder receber auxílio financeiro (5:9), o que já pressupõe o caráter de assistência social da igreja.
A teologia da igreja, à medida que ela crescia, começava a diluir-se cada vez mais, e Paulo alerta a Timóteo sobre a importância da sã doutrina (1:10, 6:3).

Biografia de Timóteo
Timóteo nasceu em Listra, filho de um pai grego e de uma mãe judia. Ele foi criado de acordo com os costumes judaicos e aprendeu as Escrituras desde criança. Paulo o chamou para ser seu aprendiz na sua segunda viagem missionária (Atos 16:1-3, II Timóteo 3:15).
Timóteo permaneceu com Paulo desde aquele momento até o fim.
Ele participou da evangelização da Macedônia e da Acaia e ajudou Paulo nos seus três anos de pregação em Éfeso. Lá, se tornou familiarizado com a cidade e com as necessidades da igreja local.
Ele foi um dos enviados a Jerusalém (Atos 20:4) e esteve com Paulo durante sua primeira prisão (Colossenses 1:1, Filemon 1).
Depois de Paulo ter sido solto, Timóteo viajou com ele e foi deixado em Éfeso para resolver os problemas de que I Timóteo trata. Paulo, por sua vez, foi visitar as igrejas da Macedônia (I Timóteo 1:3).
Timóteo provavelmente se juntou a Paulo novamente no fim da sua vida e chegou a ser preso, mas foi liberto (Hebreus 13:23).
Timóteo tinha um caráter confiável, mas não era vigoroso e forte. Ele dava a impressão de ser imaturo, embora certamente tivesse pelo menos 30 anos quando Paulo o deixou em Éfeso (I Timóteo 4:12). Ele era tímido (II Timóteo 1:7 – a palavra traduzida como covardia na versão NVI significa timidez, medo) e tinha dores de estômago freqüentes (I Timóteo 5:23).
As epístolas que Paulo escreveu para ele tinham o propósito de encorajá-lo e fortalecê-lo para a tarefa monumental para a qual Paulo o tinha designado.

Conteúdo
A carta de I Timóteo é difícil de ser dividida em tópicos porque possui um tom profundamente pessoal, quase como se Paulo estivesse conversando com
Timóteo. O preâmbulo (1:3-17) declara o propósito pelo qual Timóteo foi deixado em Éfeso.

Paulo lembra freqüentemente a Timóteo a responsabilidade do seu chamado (1:18, 4:6, 5:21, 6:11, 20), como se estivesse tentando impedi-lo de desistir de enfrentar as dificuldades da sua missão. O trabalho de Timóteo envolvia questões organizacionais e doutrinárias da igreja e exigia que Timóteo enfrentasse as pessoas que estavam causando estrago na igreja.
Na última seção (4:6-6:19), notadamente mais pessoal, Paulo descreve os diferentes grupos da igreja e como tratar cada um deles. O apelo final a Timóteo é clássico (6:11-12, 14): fuja, busque, combata, tome posse e guarde são mandamentos que mostravam a Timóteo o segredo de ter uma vida ministerial vitoriosa.

TITO
A carta a Tito foi escrita depois da primeira carta a Timóteo.
Paulo, após sair de Éfeso, foi para a Macedônia e talvez tenha pegado um barco de lá para a ilha de Creta, onde ficou por um tempo, deixando Tito para colocar em ordem o que ainda faltava e corrigir os erros da igreja. A situação em Creta era crítica. A igreja estava desorganizada, os homens eram preguiçosos (Tito 1:12) e as mulheres caluniadoras e desocupadas (2:3, 5).
A pregação da graça provavelmente deu a impressão aos cretenses de que as boas obras não eram necessárias à vida cristã. Paulo exorta os cretenses a se dedicarem a boas obras nada menos que seis vezes nessa curta carta (1:16, 2:7, 14, 3:1, 8, 14).

Embora Paulo tenha dito que a salvação não pode ser alcançada por meio das boas obras (Tito 3:5 – a única coisa que nos salva é o sangue de Cristo – Romanos 3:25, Hebreus 9:22), ele afirma com o mesmo vigor que cada discípulo precisa ser dedicado às boas obras (2:14).

Os problemas em Creta tinham duas origens: a natureza preguiçosa dos cretenses (1:12-13) e os judaizantes, com suas fábulas e mandamentos (1:10).
Esses falsos mestres eram diferentes daqueles que causaram problemas na igreja da Galácia, já que o erro dos judaizantes de Creta era a perversão moral, enquanto que os da Galácia advogavam forte legalismo sobre o corpo.

Tito tinha sido companheiro de Paulo por mais de 15 anos. Ele se tornou um discípulo no começo da igreja de Antioquia e provavelmente viajou com Paulo durante sua terceira viagem missionária, uma vez que Paulo o enviou a Corinto para resolver os vários problemas da igreja lá (II Coríntios 7:6-16).

 Tito parece ter tido um caráter mais forte e vigoroso do que o de Timóteo e parece ter conseguido lidar melhor com a oposição de pessoas.

Conteúdo
O conteúdo e as questões de que Paulo trata em Tito são similares às abordadas em I Timóteo. Aqui, novamente, há uma ênfase no conceito da sã doutrina (1:9, 13, 2:1-2, 8).

A igreja estava na transição do pioneirismo para tempos onde já era reconhecido um padrão de doutrina considerado saudável.

II TIMÓTEO
II Timóteo é a última carta de Paulo de que se tem registro. É a sua mensagem de adeus a Timóteo. Paulo havia sido preso novamente, por razões que desconhecemos, e sabia que sua vida estava por acabar. Paulo havia sido o representante principal do evangelho aos gentios. Nas cartas pastorais, ele luta para dar as últimas instruções a homens que ele mesmo havia treinado para continuar o seu trabalho.

II Timóteo contém suas últimas palavras a um desses homens.

Conteúdo
Esta epístola contém uma mistura de sentimentos pessoais de Paulo e de últimas instruções quanto à organização da igreja e à vida pessoal de Timóteo.
Seu propósito principal era fortalecer Timóteo para o trabalho árduo que Paulo estava prestes a abandonar. Ele relatou o padrão pastoral lembrando a Timóteo da sua própria experiência, e incluindo o jovem Timóteo nela: “que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação...” (II Timóteo 1:9, itálico nosso).

 Com esse chamado em mente, ele chama Timóteo a enfrentar seus problemas como um soldado na guerra (2:3), confiando no plano do seu general, e servindo de todo o coração em cada batalha.

Na vida pessoal e na igreja ele deveria ser sempre o servo do Senhor, nunca entrando em argumentos tolos, mas sempre disposto a ajudar as pessoas a entender a verdade de Deus. A gravura que Paulo pinta dos últimos dias (3:1-17), similar à passagem de I Timóteo 4-3, deveria preparar o coração de Timóteo para alguns dos desafios que estariam por vir. O antídoto para enfrentar esse fluxo futuro de maldade na igreja era o conhecimento das Escrituras, “que são capazes de torná-lo sábio para salvação mediante a fé em Cristo Jesus” (3:15).

Hoje estamos enfrentando o cumprimento das profecias de Paulo nessa carta. Devemos, portanto, nos perguntar se estamos usando o remédio que Paulo recomendou a Timóteo: a Bíblia. Como anda o seu conhecimento bíblico? Você rejeita as falsas doutrinas e idéias que andam no meio religioso por meio do seu conhecimento das Escrituras?

AVALIAÇÃO DAS EPÍSTOLAS PASTORAIS
As epístolas pastorais são a fonte mais confiável para entendermos como andava a igreja no período de transição entre a igreja pioneira e a igreja institucionalizada a partir do segundo século depois de Cristo.

Duas tendências merecem destaque:
O crescimento de heresias é mais aparente.

Toda carta de Paulo lida com certa oposição à verdade e divergência doutrinária. Gálatas ataca o legalismo, I Coríntios afirma que alguns não acreditavam na ressurreição do corpo, Colossenses lida com problemas filosóficos, etc.
No entanto, esses problemas eram esporádicos e pontuais (com a possível exceção do movimento judaizante). Nas cartas pastorais, todos esses erros voltam a aparecer, porém de maneira mais intensa e com um ar de ameaça futura.

Por causa dessas ameaças, há um enfoque maior em se concentrar na doutrina sadia.

A maneira como várias afirmações de Paulo são escritas em formas de credo (conjunto de princípios, normas, preceitos e crenças por que se pauta uma pessoa ou uma comunidade) apontam para a cristalização da doutrina cristã já antes do fim do primeiro século. Em outras palavras, já começava a ser reconhecido, entre as igrejas, a doutrina correta e sadia pela qual cada discípulo e cada igreja deveria se portar.

SAUDAÇÃO = 1 Timóteo 1.1,2
Em comum com a maioria das cartas gregas do século 1, esta epístola começa identificando o remetente — Paulo, apóstolo de Jesus Cristo — e o destinatário — Timóteo, meu verdadeiro filho na fé (1,2).

Apesar do fato de que a carta é uma correspondência entre os mais queridos amigos, ela não deixa de utilizar esta saudação formal e digna. Como observa adequadamente João Wesley: “A familiaridade deve ser posta de lado quando tratamos as coisas de Deus”.

A TIMÓTEO, 1.2
Timóteo, meu verdadeiro filho na fé (2) é a distinção que o apóstolo dá a este jovem. Esta versão bíblica traduz a expressão de modo comovente: Meu “filho verdadeiramente nascido na fé” (NEB). A saudação em 2 Timóteo é ainda mais afetuosa: “Meu amado filho”.

A AUTORIDADE DO APÓSTOLO, 1.1
Na maioria das cartas de Paulo, ele se identifica por apóstolo (as únicas exceções são 1 e 2 Tessalonicenses, Filipenses e Filemom). Esta palavra era o termo grego habituai para referir-se a mensageiro, a pessoa encarregada com a tarefa de transmitir informação importante. O termo, assim que foi adotado pela igreja cristã primitiva, veio a designar um cargo de grande distinção e importância na liderança do movimento. Quando chegamos à última data desta primeira carta a Timóteo (c. 63 d.C.), o termo apóstolo atingira “significação oficial; indica status, uma posição de autoridade primária na igreja. Paulo, na função de apóstolo, tem o direito de comandar e ser obedecido. Em suas igrejas ele é o primeiro, depois de Deus”.

Epístolas Pastorais
Estes escritos conhecidos por “Epístolas Pastorais”, compreendendo a Primeira e a Segunda Epístola a Timóteo e a Epístola a Tito, diferem consideravelmente dos outros escritos atribuídos a Paulo em dois pontos: os destinatários são pessoas e o estilo é predominantemente pastoral. Todas as outras epístolas de Paulo, com exceção da Epístola a Filemom, são dirigidas a igrejas e, na maioria dos casos, são exemplos do trabalho do pastor-presidente em aconselhar, exortar e disciplinar o rebanho sobre o qual tem supervisão.  Mas as Epístolas Pastorais são dirigidas a pessoas que são pastores. Estas cartas são exemplos do trabalho supervisor do pastor-presidente que se dirige aos que são pastores-assistentes. Esta distinção é fator básico para determinar as características das Epístolas Pastorais, ação que tem provocado muito debate entre os estudiosos e levantado a idéia de que estas cartas não são da lavra de Paulo.

Mas as Epístolas Pastorais possuem a limitação de não serem “manuais de teologia pastoral”, para usar a frase de Donald Guthrie. Muitos dos tópicos essenciais a tais manuais estão omitidos destas cartas.

Elas lidam vigorosamente apenas com alguns dos assuntos enfrentados por um pastor — assuntos que eram de suma importância para essas igrejas em particular, e nada mais. Na verdade, estas cartas visam, com toda a probabilidade, apenas complementar a instrução oral do apóstolo dada a estes jovens ministros. Este fato deve ser mantido em mente ao lermos qualquer uma das cartas de Paulo, sobretudo às dirigidas a igrejas que o próprio Paulo fundou.
Por trás da instrução teológica e religiosa nas epístolas há a pregação extensa do apóstolo, e por trás de muitas análises aparentemente incompletas nas epístolas devemos presumir que houve um conjunto de ensino coerente dado pelo apóstolo em discurso oral. Embora as Epístolas Pastorais sejam limitadas na área que abrangem, resta o fato de que o conteúdo ajusta-se perfeitamente ao campo da teologia pastoral, tornando adequada a designação “pastorais”.

Autoria
A Interpretação Tradicional = A interpretação de que Paulo é o autor destas epístolas não deve ser empurrada para o lado como algo insignificante. As epístolas reivindicam a autora paulina, fato declarado abertamente na saudação de cada carta; e apesar da tendência atual de desconsiderar tal evidência, o ônus da prova ainda fica com os que menosprezam essa informação.

No lado da autenticidade destas epístolas está o fato de que, desde os dias mais antigos da igreja, elas são reputadas obra de Paulo. Alfred Plummer coloca a idéia objetivamente com estas palavras: “As evidências concernentes à aceitação geral de que elas são da autoria de Paulo são abundantes e positivas, e vêm desde os tempos antigos”. 2 E significativo que a autoria paulina começou a ser questionada somente no início do século XVII. Guthrie foi extraordinariamente objetivo quando disse: “Se a base da objeção [à autoria paulina] é tão forte quanto afirmam [seus proponentes], tem de haver alguma razão adequada para explicar a falta extraordinária de discernimento por parte dos estudiosos cristãos no transcurso de um período tão longo”.

O Ataque à Autoria Paulina
Apesar da força convincente das evidências que indica a autoria paulina destas cartas, certos expositores insistem em provar que estas evidências não são dignas de confiança.

O ataque na autenticidade das Epístolas Pastorais é efetivado em, pelo menos, quatro frentes:
1) A dificuldade em ajustá-las à carreira de Paulo conforme nos mostram a literatura do Novo Testamento;
2) a incompatibilidade dessas cartas com a organização das igrejas segundo se acredita ter existido durante a vida de Paulo;
3) os temas doutrinários das Epístolas Pastorais que, dizem, diferem radicalmente dos ensinos nas outras epístolas de Paulo; e
4) as supostas diferenças de vocabulário existentes entre as Epístolas Pastorais e as cartas de Paulo às igrejas.
a) O primeiro ataque é o problema histórico: Como estas cartas se ajustam ao que conhecemos da carreira de Paulo? Nosso conhecimento dessa carreira baseia-se em grande parte em Atos dos Apóstolos, com material suplementar valioso derivado dos próprios escritos de Paulo. Não nos esqueçamos, porém, que Atos não afirma ser uma biografia de Paulo. Na verdade, Saulo de Tarso (como era inicialmente conhecido em Atos) só é mencionado depois de Atos 7.5 8. A história da sua surpreendente conversão a Cristo é narrada no capítulo 9; e sua plena aceitação como líder cristão não ocorre até os capítulos 11 e 13.
Não há a mínima tentativa de informar o leitor sobre sua infância e mocidade. Sua presença proeminente em cena durante o desenrolar de Atos deve-se ao fato de que o seu ministério era o mais excelente de qualquer um dos apóstolos e de que Lucas, o autor de Atos, era participante de grande parte da atividade de Paulo.

Lucas conclui sua narrativa de Paulo quase tão abruptamente quanto a começou, deixando o apóstolo na decisão de sua primeira prisão em Roma — encarceramento que terminou com sua absolvição. Não há evidência em Atos de que a morte de Paulo tenha ocorrido logo depois dos acontecimentos ali narrados.

Os oponentes da autoria paulina das Epístolas Pastorais argumentam que “é impossível encaixar estas epístolas na estrutura da história de Atos”. Se houvesse evidências de que os acontecimentos finais relatados em Atos coincidissem com os acontecimentos finais da vida de Paulo, esta seria realmente uma objeção fatal. Mas não há tais evidências e basear argumentos somente no silêncio de Atos sobre os anos finais da vida do apóstolo é construir argumentações em fundamentação arenosa.

E muito provável que o apóstolo foi absolvido e liberto da primeira prisão em Roma e desfrutou alguns anos de liberdade e liderança cristã. E há motivos para crer que, em suas novas atividades, ele tenha realizado o grande desejo de visitar a Espanha (Rm 15.28). W. J. Lowstuter resume o assunto:  “Não há razão válida que negue a libertação e não existe prova que a conteste.

As Epístolas Pastorais pressupõem uma libertação. Isto nos permite manusear muito razoavelmente as diversas referências históricas que, do contrário, seriam muito difíceis de explicar. Em liberdade, ele visitou suas antigas igrejas, renovou contatos com antigos trabalhos, abriu novos trabalhos em Creta, Dalmácia e Gália, planejou passar o inverno em Nicópolis, deixou a capa e livros em Trôade para lhe serem enviados pouco tempo depois ao ser lançado novamente na prisão, e de um segundo aprisionamento em Roma escrever que sua carreira estava completa e o seu caso não tinha esperança segundo os tribunais imperiais”.
b) O segundo ataque à autenticidade das Epístolas Pastorais se prende ao problema eclesiástico: a pretensa incompatibilidade destas epístolas com a organização da igreja do século 1. Dizem que as Epístolas Pastorais exprimem um estado organizacional avançado na igreja que, por definição, só poderia existir em meado do século II. As orientações dadas nestas epístolas concernentes à nomeação de bispos e diáconos e as qualificações estabelecidas para estes ofícios, a autoridade que Timóteo e Tito tinham para designar tais obreiros eclesiásticos, e o destaque que os anciãos (presbíteros) têm como guardiões e portadores da tradição são fatores, conforme argumentam, que indicam um período consideravelmente mais tardio que a época de Paulo.
Além disso, as heresias contra as quais soam notas de advertência são, ao que = parece, heresias gnósticas que se tornaram verdadeiramente ameaçadoras apenas no século II.


Em resposta ao ataque, destaquemos que desde o mais antigo período do seu ministério Paulo se preocupava com a decência e a ordem nas igrejas que ele fundara. Lucas relata esse fato já na primeira viagem missionária, quando escreve que Paulo e Barnabé “[elegeram] anciãos em cada igreja” (At 14.23). Ao escrever a saudação aos crentes filipenses, Paulo a endereça “a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos” (Fp 1.1). A preocupação de Paulo com as diversas ordens ministeriais é muito evidente em passagens como Efésios 4.11,12.

O Novo Testamento dá impressivo testemunho do fato de que anciãos, bispos e diáconos estavam entre os mais antigos obreiros da igreja infante. Edwin Hatch entende que a organização das igrejas primitivas seguiu padrões que se tornaram comuns na organização das sociedades seculares.

Ele disse: “Cada uma das associações, quer política ou religiosa, que enxameava o império tinha seu comitê de oficiais. Era, portanto, antecedentemente provável [...] que quando os gentios aceitaram o cristianismo e passaram a ser suficientemente numerosos numa cidade, eles exigiram algum tipo de organização e que tal organização tomaria a forma que prevaleceu; essa organização não seria inteiramente (se é que seria) monárquica, nem inteiramente, embora essencialmente, democrática, mas haveria um executivo permanente composto de uma pluralidade de pessoas”.

Esta tendência evidencia-se na nomeação de Paulo de anciãos nas igrejas que ele organizou. Evidencia-se também no fato de que o presidente deste grupo de anciãos, o responsável financeiro e espiritual da igreja local, era conhecido em grego por episcopos (“bispo”). Seu dever, entre outros, era manter a integridade fiscal da igreja local. Considerando que a igreja tinha funções caridosas e religiosas, inclusive muitos em suas posições estavam em necessidade medonha, a custódia dos fundos benevolentes da igreja era uma responsabilidade majoritária; e tal responsabilidade era da alçada do bispo.
Para distribuir estes fundos aos necessitados, o bispo tinha ao seu lado um grupo de obreiros conhecido em grego por diakonoi (“diáconos”). O diaconato, que mais tarde foi estabelecido na igreja primitiva, foi claramente antecipado nos tempos do Novo Testamento quando os apóstolos em Jerusalém designaram “sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria”, cujo dever era cuidar do “ministério cotidiano” de ajudar os necessitados (At 6.1-3).

No fim das contas, era a prática na igreja que a distribuição desta ajuda fosse tarefa dos diáconos, enquanto que a responsabilidade final pertencia ao bispo, que agia como presidente e agente do presbitério da igreja. E verdade que ao longo dos séculos II e III estes ofícios sofreram mudanças significativas na igreja.

Mas permanece o fato de que tais ofícios existiam nos dias do Novo Testamento e que os deveres ligados a eles eram essencialmente iguais em épocas posteriores. Portanto, o tipo de organização eclesiástica que as Epístolas Pastorais exprimem não nos leva necessariamente para além do período de Paulo.
c) A terceira frente na qual os críticos atacam a autoria paulina é a doutrinária: Há diferenças doutrinárias radicais entre estas epístolas e os escritos mais antigos de Paulo, a ponto de tornar insustentável a interpretação de que as Epístolas Pastorais são obra de Paulo? Os que se apoiam nesse argumento para negar a autoria paulina citam o fato de que as doutrinas características do apóstolo, como “a paternidade de Deus” e “a união mística do crente com Cristo”, ou a expressão exclusiva do apóstolo “em Cristo”, não ocorrem nas Epístolas Pastorais. E o que aconteceu com o conceito paulino do Espírito Santo? Perguntam.

Para responder ao ataque, ressaltemos que o propósito do apóstolo ao escrever as Epístolas Pastorais difere do propósito em quaisquer dos seus escritos anteriores. Nas primeiras epístolas, ele escreve como evangelista e mestre, e também como pastor do rebanho.

Seu método é, em alguns casos, teológico (como em Romanos), corretivo (como nas epístolas a Corinto), preocupado em remover concepções errôneas perigosas (como nas epístolas a Tessalônica) e sempre exortativo.

Mas nas Epístolas Pastorais, ele está bem afastado da responsabilidade pastoral. São jovens que estão liderando as tropas de combate da fé, e o papel de Paulo acha-se mais no campo da estratégia e direção. E verdade que ele se preocupa com a integridade da doutrina, como convém a “Paulo, o velho”, quando escreve para homens de menos idade. E verdade que “a fé” veio a caracterizar a mensagem cristã e que declarações formalizadas de fé ocorrem nas Epístolas Pastorais com mais notabilidade do que nas cartas mais antigas de Paulo.
Mas estas manifestam a situação variável nas igrejas e no empreendimento cristão total, bem como as mudanças psicológicas que acompanhavam o apóstolo à medida que avançava em anos. Em vista de todas estas considerações, é nada mais que implicância negar com base em diferenças doutrinárias a autoria do apóstolo destas cartas obviamente paulinas.
Mas devemos enfrentar a questão no que tange às heresias contra as quais as Epístolas Pastorais emitem um sinal de perigo: Estes falsos ensinos pertencem necessariamente, como alegram certos comentaristas, ao período do século II e não ao do século 1? Alfred Plummer fez um estudo cuidadoso do ensino que Paulo procura refutar. E assim que ele analisa:
1) A heresia é de caráter judaico. Seus promotores ‘[querem] ser doutores da lei’ (1 Tm 1.7). Entre eles há ‘os da circuncisão’ (Tt 1.10). Fundamentam-se em ‘fábulas judaicas’ (Tt 1.14). As questões que levantam são ‘debates acerca da Iei’(Tt 3.9).
2)  A heresia também dá indicações de ser de caráter gnóstico. As passagens de 1 Timóteo 1.3,4 e Tito 1.14, 3.9 nos informam que são ‘fábulas’ e ‘genealogias’. Tratam-se de ‘vãs contendas’ (1 Tm 1.6), ‘contendas de palavras’ (1 Tm 6.4) e ‘clamores vãos’ (1 Tm 6.20). Ela ensina um asceticismo antinatural e em desacordo com as Escrituras (1 Tm 4.3,8). É a ‘falsamente chamada ciência [gnosis]’ (1 Tm 6.20).
d) A quarta e última frente na qual a batalha se deu é a lingüística: As diferenças de vocabulário existentes entre as Epístolas Pastorais e as cartas de Paulo às igrejas são suficientes para enfraquecer a tese de que as Epístolas Pastorais são de origem paulina? Aqui o assunto gira em torno da ocorrência de uns 175 hápax (palavras que aparecem pela primeira vez na obra de um autor) nas três Epístolas Pastorais. Os críticos alegam que estas palavras são próprias do século II; caso esta alegação se comprove, mostra que a autoria é posterior aos dias de Paulo.

Destinatário e Propósito
O fato de as Epístolas Pastorais serem dirigidas a indivíduos e não a uma igreja ou grupo de igrejas as distingue de modo exclusivo nos escritos paulinos. Timóteo e Tito eram jovens que mantinham lugar de extrema comunhão e ternura na confiança e sentimento do apóstolo. Paulo os colocara, respectivamente, em Efeso e Creta (ver Mapa 1), onde estavam assumindo a pesada responsabilidade de dirigir estas igrejas cristãs. Em ambas as situações, a igreja era uma pequena ilha de cristãos transformados cercada por vasto oceano de paganismo e corrupção moral.

Manter a integridade do movimento cristão no meio desses ambientes era tarefa colossal. Paulo não conseguiu liberar a mente e o coração dos acontecimentos que estavam ocorrendo nestes campos de batalha. Seu plano era uma viagem que o pusesse ao alcance destes dois pastores-assistentes a fim de vê-los para motivá-los e aconselhá-los. Mas algumas questões eram muito urgentes para esperar entrevistas pessoais e sobre estes assuntos ele dá conselhos escritos. Há bispos e diáconos a serem nomeados, os quais devem ser homens de integridade peculiar.

Há falsos ensinos que ameaçam a unidade da fé, e o apóstolo se empenha em fazer o que puder para manter a visão dos seus jovens assistentes em foco nítido. Na segunda carta a Timóteo ele enfrenta o fato de que lhe resta pouco tempo de vida.

Ele deixa com Timóteo a confissão final de sua firme confiança em Cristo e a certeza de que, mesmo que o estado lhe destrua o corpo, não lhe debilitará a visão do futuro glorioso.

Data Provável
Estas epístolas foram escritas depois da libertação de Paulo da primeira prisão em Roma, libertação que provavelmente se deu em 61 ou 62 d.C. A tradição afirma que o apóstolo foi martirizado em 67 ou 68 d.C. As datas terminais desse período final na vida de Paulo são, assim, estabelecidas com um grau justo de certeza. Durante este período foram escritas as Epístolas Pastorais nesta ordem: 1 Timóteo, Tito e 2 Timóteo. A despeito de certa discordância entre os peritos, esta é a seqüência provável.

Logo após ser liberto, Paulo voltou a fazer campanhas por seu Cristo, embora só possamos conjeturar suas idas e vindas. ,E claro que Timóteo e Tito foram comissionados a servir na função de pastores, um em Efeso e o outro em Creta. Entre suas novas responsabilidades incluíam-se a seleção e nomeação de ministros para essas igrejas, o desmascaramento e erradicação das tendências heréticas, a direção e disciplina da fé e a conduta destes novos cristãos.
As cartas de 1 Timóteo e Tito foram escritas durante o intervalo de liberdade que Paulo desfrutou entre as duas prisões romanas, talvez em 63 e 64 d.C., respectivamente. A carta de 2 Timóteo foi escrita durante a prisão final do apóstolo, cujo resultado ficava cada vez mais nítido, desta forma fixando a data em 66 ou 67 d.C. Temos aqui o que diríamos adequadamente que é a última vontade e testamento do grande apóstolo, o homem a quem Deissmann descreve como “o primeiro depois de Cristo” no começo da igreja cristã.

PROPÓSITO E MENSAGEM
1. Para mandar e ensinar estas coisas que o apóstolo tinha acabado de ensinar a ele. “Ordena-os a exercitar-se na piedade, ensina-os a tirar proveito dela; e, caso sirvam a Deus, estarão servindo a alguém que certamente os apoiará”
2. Para conduzir-se com a sobriedade e prudência que lhe trará respeito, apesar da sua mocidade: “Ninguém despreze a tua mocidade. Isto é, não permitas que alguém despreze a tua mocidade”. A mocidade das pessoas não será desprezada se não se tornarem desprezíveis por meio da vaidade e insensatez. E isso, pessoas idosas podem fazer, que podem, portanto, culpar-se a si mesmas se forem desprezadas.
3. Para confirmar sua doutrina por meio de um bom exemplo: Sê o exemplo dos fiéis etc. Observe: Esses que ensinam a doutrina devem ensinar por meio da sua vida, caso contrário, eles derrubam com uma mão o que construíram com a outra: eles devem ser exemplos tanto na palavra quanto no trato. A conversa deles deve ser edificante, e isso será um bom exemplo: a conduta deles deve ser cuidadosa, e isso será um bom exemplo: eles devem ser exemplos na caridade, ou no amor a Deus e às pessoas boas; exemplos no espírito, isto é, na inclinação espiritual, na adoração espiritual; na fé, isto é, na profissão da fé cristã; e na pureza ou castidade.
4. Ele o incumbiu de estudar muito: Persiste em ler exortar e ensinar até que eu vá (v. 13). Embora Timóteo tivesse dons extraordinários, ele precisava usar meios comuns. Ou o apóstolo pode estar se referindo à leitura pública das Escrituras; ele deve ler e exortar, isto é, ler e expor, ler e imprimir neles o que leu; ele deve expor o texto tanto por meio da exortação quanto por meio da doutrina; ele deve ensiná-los naquilo que devem fazer e naquilo que devem crer. Observe: (1) Os ministros devem ensinar e ordenar as coisas que eles mesmos foram ensinados e ordenados a fazer; eles devem ensinar as pessoas a observar todas as coisas que Cristo mandou (Mt 28.20). (2) A melhor maneira de os ministros evitarem ser desprezados é ensinar e praticar as coisas pelas quais são responsáveis.

Não é de admirar se os ministros são desprezados quando não ensinam essas coisas, ou que, em vez de serem exemplos do bem para os crentes, agem de maneira diretamente contrária à doutrina que pregam; pois os ministros devem ser exemplos para o seu rebanho. (3) Mesmo os ministros mais preparados para o seu trabalho devem dedicar-se aos estudos, para que possam crescer no conhecimento. E devem dedicar-se ao seu trabalho; também devem dedicar-se à leitura, à exortação e à doutrina.

5. Ele o incumbe a guardar-se da negligência: Não desprezes o dom que há em ti (v. 14). Os dons de Deus vão murchar se forem negligenciados. Aqui pode ser entendido tanto o ofício no qual estava envolvido, quanto as suas qualificações para esse oficio; caso seja o primeiro, foi a ordenação de uma maneira ordinária; se foi o último, isso ocorreu de maneira extraordinária. Parece ter sido o primeiro, porque ela ocorreu com a imposição das mãos etc. Veja aqui a ordenação de acordo com as Escrituras: ela ocorria com a imposição das mãos, ou seja, a imposição das mãos do presbitério. Observe: Timóteo foi ordenado por homens que estavam no oficio.
6. Pelo fato de esse trabalho ser confiado a Timóteo, ele precisa dedicar-se inteiramente a ele: “Dedica-te a estas coisas, para que o teu aproveitamento seja manifesto”. Ele era um homem sábio e instruído, e, mesmo assim, devia continuar progredindo, e mostrar que de fato cresceu no conhecimento.
Observe: (1) Os ministros precisam separar muito tempo para a meditação. Eles precisam considerar antecipadamente como e o que devem falar.
7. Ele o exorta a ser muito cuidadoso: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; reflete acerca do que pregas; persevera nestas coisas, nas verdades que recebeste; dessa forma, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”. Observe: (1) Os ministros devem estar empenhados em uma obra salvadora, o que a torna uma boa obra. (2) O cuidado dos ministros deveria ser em primeiro lugar em salvar a si próprios: “Salve a você mesmo em primeiro lugai; assim você será um instrumento para salvar aqueles que o ouvem”. (3) Os ministros na pregação devem buscar a salvação daqueles que os ouvem logo após a salvação da sua própria alma. (4) A melhor maneira de resolver esses dois fins é termos cuidado de nós mesmos etc.

Fé e Consciência (1.19)
A importância deste armamento espiritual é sublime, especialmente o apoio que uma boa consciência oferece à nossa fé em Deus. Imediatamente, Paulo pensa num exemplo trágico de derrota: Rejeitando a qual (a consciência boa) alguns fizeram naufrágio na fé (19). Esta tradução não dá margens a incertezas de sentido: “Alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé” (RA; cf. BJ).

Esta é metáfora vivida que toma visual o desastre espiritual que colhe aquele que ignora a consciência (cf. NTLH). Conservamos a fé em Cristo somente à medida que mantemos uma boa consciência.

NAUFRÁGIO indica a magnitude da tragédia moral sobre a qual Paulo avisa. Os críticos que se preocupam em questionar a autoria paulina desta Primeira Epístola a Timóteo ressaltam que o apóstolo não emprega esta metáfora em nenhuma outra parte. Mas que outra ilustração seria mais provável de lhe ocorrer que esta? Ele mesmo havia tido a experiência de naufrágio na primeira viagem a Roma, cujo horror deve ter-lhe ficado estampado indelevelmente na memória. Só conservando a boa e sensível consciência é que a tragédia espiritual é evitada. Este aviso é muito oportuno para os cristãos em nossos dias difíceis.

Temos de ouvir o conselho sábio que Susana Wesley escreveu ao seu filho João durante os dias em ele esteve em Oxford. “Siga esta regra”, determina ela: “Tudo que enfraquecer sua razão, prejudicar a sensibilidade de sua consciência, obscurecer seu senso de Deus ou lhe tirar a satisfação das coisas espirituais; em suma, tudo que aumenta a força e autoridade do corpo sobre a mente; essa coisa é pecado para você, por mais inocente que seja.”
Dois Homens que Fracassaram (1.20).
Neste versículo, o apóstolo fala o nome de dois indivíduos — Himeneu e Alexandre —, sobre os quais ele afirma que fracassaram na fé.
E praticamente impossível estabelecer a identidade precisa destes dois indivíduos. Alexandre é nome que ocorre em Atos 19.33 na história inicial da igreja em Efeso. Era alguém que na época mantinha lugar de destaque na comunidade cristã.

Mas não temos garantia alguma que o Alexandre designado aqui seja o mesmo mencionado em Atos. Por ser nome comum, podia ter havido várias pessoas com esse nome na igreja efésia. Também não há como identificá-lo positivamente com “Alexandre, o latoeiro”, acerca do qual o apóstolo disse que lhe causara muitos males (2 Tm 4.14).

O outro homem nomeado na acusação de Paulo é Himeneu. Ele também é citado em 2 Timóteo 2.17, onde está ao lado de Fileto na defesa da noção errônea de que “a ressurreição já ocorreu” — ensino que teve efeito desestabilizador nos crentes. E possível que tal ensino tenha ocasionado a reprimenda severa do apóstolo registrada aqui; pelo menos, foi um ensino que na sua opinião representava blasfêmia.

Disciplina na Igreja (1.20)
O texto não é explícito quanto à exata penalidade que Paulo pronuncia a esses transgressores. O que significam as palavras: Eu os entreguei a Satanás? Certos expositores entendem que é um tipo de exclusão radical da comunhão cristã, descrito corretamente por excomunhão, ao passo que outros defendem que era algo mais drástico. Seja qual for a interpretação que aceitemos, está muito claro que a penalidade visava ter efeito medicinal: Para que aprendam a não blasfemar (20). Wesley vê este propósito no julgamento do apóstolo: “Para que, pelo que eles sofrerem, eles sejam de certo modo contidos, caso não se arrependam”.’

Há instrução decididamente perturbadora para nós nesta demonstração do apóstolo exercendo disciplina na igreja efésia. A conscientização da necessidade de disciplina na comunidade cristã tem tudo menos desaparecido de nosso pensamento hoje em dia.

Nossos padrões aceitos de vida não sofreram mudança em seu rigor inicial, mas é freqüente serem honrados após a contravenção do que serem observados desde o início. E tal desconsideração da conduta cristã básica permanece sem reprimenda. Parte de nossa comissão divina é redargiiir, repreender e exortar com toda a longanimidade e doutrina (2 Tm 4.2). Não há necessidade de muita coragem para denunciar de púlpito os pecados da congregação; mas requer verdadeira fortaleza encarar o pecador como indivíduo e reprovar-lhe o pecado em espírito de mansidão e amor. Como destacou J. H. Jowett: “Ter medo de um homem é algo muito mais sutil do que ter medo de homens”.

APOSTASIA DOS ÚLTIMOS DIAS
O apóstolo introduz no versículo 9 uma exigência adicional: Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar (“exortar”, BAB, RA) com a sã doutrina como para convencer os contradizentes.

Esta porção do capítulo mostra a razão para o senso de urgência que impregna a exortação do apóstolo a Tito a fim de que este empreenda o estabelecimento de uma liderança qualificada nas igrejas cretenses. Havia muito trabalho para os líderes fazerem. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão (10).

Este versículo foi traduzido de forma a dar um significado um pouco mais exato: “Existem muitos, sobretudo entre os convertidos judeus, que estão fora de controle” (NEB; cf. NTLH).

Não devemos entender que a frase os da circuncisão seja alusão à antiga controvérsia judaizante, da qual trata a carta de Paulo aos Gálatas. E referência aos judeus que se converteram à fé cristã. E lógico que muitos desses convertidos judeus recusavam aceitar os padrões de conduta prescritos para os cristãos. Ao descrevê-los, o apóstolo diz que são “de cabeça oca”, de conversa fútil (cf. “palradores frívolos”, RÃ). Tais práticas estão longe de serem inofensivas, pois os que se entregam a elas estão “enganando e sendo enganados”.

A advertência do apóstolo prossegue no versículo 11: Aos quais convém tapar a boca (“é preciso fazer com que eles parem de falar”, NTLH; cf. RA); homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância. Até este ponto da carta, nada é dito às claras sobre a natureza precisa deste falso ensino. Mais adiante, neste mesmo capítulo, começam a despontar algumas indicações. Mas a extensão perigosa da deserção da fé mostra-se claramente na observação de que casas inteiras estavam sendo desviadas. Como diz certa tradução, estes pro da falsidade “ensinam o que não têm direito de ensinar” (BJ; cf. CH). Todo ensino que deixa a pessoa pior do que antes é falsa.

E lógico que a verdade deve atacar a mente das pessoas para fazê-las repensar algumas de suas idéias básicas. Como destaca Barclay: “O cristianismo não foge das dúvidas e questionamentos, mas enfrenta-os de modo racional e justo. E certo que a verdade toma o homem mentalmente pelo cangote e o chacoalha; mas também é certo que o ensino que acaba em nada mais que dúvidas e questionamentos é ensino ruim”. E óbvio que era contra ensino deste tipo que Paulo adverte. E para corroborar a condenação do apóstolo há o motivo que apóia estas atividades repreensíveis: eram feitas por torpe ganância.

Esses enganadores eram movidos apenas pelo lucro. Não admira que o apóstolo declare que “é preciso fazer com que eles parem de falar”! (NTLH). Kelly mostra que esta tradução “preserva a metáfora vigorosa do grego, [...] que significa pôr uma focinheira, não simplesmente uma rédea, na boca de um animal”.
O tom do versículo 12 é surpreendentemente franco, embora o apóstolo esteja falando sob forte provocação: Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos (“preguiçosos e gananciosos”, CH). Há incerteza quanto à identidade deste seu próprio profeta. Clemente de Alexandria diz que ele era Epimênides de Cnossos, Creta, que viveu no século VI a.C. Se o verso é dele ou não, o julgamento relativo aos cretenses era, com ou sem razão, a opinião comumente aceita no século 1. Kelly ressalta, concernente à “indecorosa reputação de falsidade que os cretenses tinham no mundo antigo”, que “isso era tão geral que o verbo ‘cretatizar’ (gr. kretizein) era gíria de mentir ou enganar”. O sentimento do apóstolo acerca da ameaça à existência e integridade das igrejas cretenses era tão forte que ele chegou a fazer esta citação.

 A primeira vista, este versículo insulta mais que pacifica. Talvez as pessoas que realmente eram essenciais para o futuro da igreja em Creta estariam dispostas a concordar que o julgamento do poeta era correto.

UMA MENSAGEM PARA IGREJA LOCA E A LIDERANÇA DA ATUALIDADE
Cada época tem seus desafios e dificuldades especiais com relação à proclamação e à prática da verdadeira e genuína mensagem do evangelho. Nesse trecho da carta, Paulo descreve a Timóteo as características do erro doutrinário que encontraria naquela época. Deixando de lado as particularidades, ou seja, as afirmações doutrinárias específicas, tais características servem para analisarmos quaisquer movimentos contrários à Palavra de Deus que venham assolar a igreja ainda nos dias de hoje. Vamos ver quais são essas características.

As falsas doutrinas são inspiradas por demônios, ou seja, têm ingredientes mentirosos misturados a práticas externas que parecem boas e proveitosas para a vida do homem. Apesar de homens que se engajam nesses movimentos ou
 crenças serem cegos para a verdade, não são inocentes ou inofensivos e tampouco inspirados por nada. Por causa de seu estado que é descrito no verso 2, engolem e espalham as doutrinas mentirosas produzidas pelo inimigo de Deus na mente dos homens.

A palavra para consciência cauterizada (kaustëriazõ) significa queimado com ferro quente, ou seja, sua consciência se tornou insensível e incapaz de perceber a mentira em que estavam se metendo. Paulo já tinha escrito sobre essa verdade em outras cartas.

Por exemplo, em Colossenses 2:8, adverte a igreja que não dê ouvidos a doutrinas que queiram escravizá-la aos sistemas mundanos. Só Cristo pode dar a liberdade de uma nova vida aos crentes. Em Efésios 6: 12, o apóstolo alerta que nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades deste mundo tenebroso.

De todas as características das falsas doutrinas, essa é a mais fácil de notar. Todas elas querem enganar e destruir. Outros versos e exortações de Paulo sobre falsas doutrinas demonstram isso (1 Co 3:18; Ef 5:6; Cl 2:4; 2Ts 2:3). O objetivo é enganar e impedir que as pessoas vivam a verdade de Deus; podendo levar ao desvio do caminho certo ou à apostasia.

MENSAGEM PARA A LIDERANÇA
As duas epístolas a Timóteo, e a epístola a Tito, contêm um plano das Escrituras do governo da Igreja, ou uma orientação aos ministros.

Acreditamos que Timóteo era um evangelista que foi deixado em Efeso, para cuidar daqueles que o Espírito Santo tinha feito bispos ali, isto é, os presbíteros, como aparece em Atos 20.28, onde o cuidado da igreja era confiado aos presbíteros, e eles eram chamados de bispos. Parece que eles estavam muito relutantes em partir com Paulo, especialmente porque lhes disse que não veriam mais o seu rosto (At 20.38).

Pelo fato de a igreja deles ter sido plantada recentemente eles estavam com medo encarregar-se dela, e, portanto, Paulo deixou Timóteo com eles para auxiliá-los. E aqui lemos acerca do caráter de um ministro do evangelho, cujo ministério como bispo é presidir uma congregação particular de cristãos: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja (v. 1).

Para exercer esse oficio, o ministro deve estar devidamente qualificado. Um ministro deve ser irrepreensível. Ele não deve mentir diante de nenhum escândalo ou difamação; ele deve evitar o máximo possível dar oportunidade para ser acusado de alguma falha, porque isso poderia ser prejudicial ao seu ministério e poderia manchar o seu oficio. Ele deve ser marido de uma só esposa, não tendo divorciado uma, e então se casado com outra, ou não tendo diversas esposas ao mesmo tempo, como era comum naquela época, tanto entre os judeus quanto entre os gentios, especialmente entre os gentios.
Ele deve ser vigilante e cauteloso contra Satanás, esse inimigo ardiloso; ele deve vigiar a si mesmo e as almas que estão aos seus cuidados; ele deve aproveitar todas as oportunidades para fazer o bem a elas. Um ministro deve ser vigilante, porque nosso adversário, o Diabo, anda em derredor, bramando como leão, buscando alguém para devorar (1 Pe 5.8). Ele deve ser sóbrio, moderado em todas as suas ações e no uso das coisas terrenas.

A sobriedade e a vigilância freqüentemente caminham juntas nas Escrituras, porque se complementam mutuamente: Sede sóbrios, vigiai (veja 1 Pe 5.8). Ele deve ser honesto e íntegro. E não leviano, vaidoso e fútil. Ele deve ser hospitaleiro, generoso para com os de fora, e pronto para acolhê-los de acordo com sua possibilidade, como alguém que não coloca seu coração nas riquezas deste mundo e que é um verdadeiro amigo dos seus irmãos. Apto para ensinar.
Portanto, Paulo descreve um bispo que prega, alguém que é apto e disposto a comunicar aos outros o conhecimento que Deus lhe deu, e que é capaz de ensinar, e pronto para aproveitar todas as oportunidades para dar instruções, que é bem instruído acerca das coisas do Reino dos céus, e comunica o que sabe aos outros.

Não beberrão. Não dado ao vinho. Os sacerdotes não deveriam beber vinho quando entravam para ministrar (Lv 10.8,9), com receio de, após beberem, corromperem a lei. Não espancador; alguém que não é briguento, nem inclinado a usar de violência, mas faz tudo com brandura, amor e bondade. O servo do Senhor não deve contender, mas ser manso para com todos (2 Tm 2.24).
Não inclinado a ficar irado ou briguento; não violento com as mãos, nem contencioso com a língua. De que maneira os homens ensinarão outros a controlar sua língua se não estão dispostos a controlar as próprias? Não avarento. A avareza é nociva para qualquer pessoa, pior ainda em um ministro, cujo chamado o leva a ter tanta comunhão com o outro mundo. Ele deve ser alguém que cuida bem da sua família: que governe bem a sua própria casa, para que sirva de exemplo para outros chefes de família, e que possa por meio disso dar provas da sua aptidão em cuidar da Igreja de Deus: Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? Observe: As famílias dos ministros devem ser bons exemplos para outras famílias.

Os ministros devem ter seus filhos em sujeição; portanto, é dever dos filhos dos ministros submeter-se às instruções que lhes são dadas. Com toda modéstia. A melhor maneira de manter os subordinados em sujeição é ser, para com eles, modesto e respeitoso. Os ministros não devem ter seus filhos sujeitos com toda austeridade, mas com toda modéstia. Ele não deve ser neófito, ou alguém recém-convertido ao cristianismo, ou alguém que recebeu pouca instrução da Palavra, que apenas conhece as Escrituras de maneira superficial. Essas pessoas podem ser facilmente levadas ao orgulho: quanto mais ignorantes forem os homens, mais soberbos serão: ensoberbecendo-e, não caia na condenação do diabo.

Obreiro aprovado (2Tm 2:14-15)
Afigura usada nestes versículos é a de um trabalhador. Aquele que em nossos dias é chamado de operário. O ponto central do seu trabalho é a “Palavra da verdade”

1. O obreiro aprovado procura
Buscar é diferente de pensar. O verbo procurar significa “apressar-se; esforçar-se, empenhar- se, ser diligente”. A aprovação não acontece por acaso. O obreiro tem que buscar. Quanto custa sua liderança para você?
2. O obreiro aprovado apresenta-se a Deus
Para o apóstolo Paulo, obreiro aprovado é aquele cujo trabalho é realizado para Deus e perante Deus.

Ele ensinou aos Colossenses: “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Cl 3:23-24). Seu ministério na igreja é aprovado por Deus? Como saber que Deus está aprovando seu ministério? Saiba que é possível envolver-se com a obra de Deus sem estar envolvido com o Deus da obra.
3. O obreiro aprovado não tem do que se envergonhar
O verbo envergonhar é usado por Paulo em Romanos 1:1 6: “Não me envergonho do evangelho, porque éo poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. Se alguém perguntasse a seus liderados “o que você pensa do seu líder?”, que resposta receberia?
4. O obreiro aprovado maneja bem a Palavra da verdade
Manejar bem é tradução de orthotomeo que, literalmente significa “cortar retamente”. Para o apóstolo Paulo, não existe bom obreiro se ele não manejar bem a Palavra da verdade, Os erros mais graves e grosseiros no ensino bíblico se devem à falta de conhecimento dos princípios básicos de interpretação bíblica. Você sabe interpretar corretamente as Escrituras?

Conclusão
Foi mostrado que a autoria paulina não deve ser rejeitada por causa de problemas externos ou internos. Os argumentos para refutar a autenticidade estão longe de serem conclusivos. São suficientemente atrativos para assegurar que muitos eruditos críticos continuarão a propô-los de uma forma ou outra. Mesmo a conclusão, feita por alguns, de que as Pastorais contêm porções de materiais paulinos autênticos, assimilados e expandidos por um paulinista do final do primeiro século ou princípio do segundo (i.é., II Tim. 1:16-18; 3:10,11; 4:1,2, 5-22; Tito 3:12-15) não pode ser substanciada.

É interessante observar que, sempre que são encontrados materiais favoráveis à autoria paulina, estas passa­gens são ditas serem fragmentos de outros documentos conhecidos ou perdidos; que os outros materiais são da mão de um compilador! Mas há coisa demais que um paulinista deixa fora, que seria de muita ajuda durante a época das perseguições e disputa sobre doutrina, e ele certamente teria tido o cuidado de mencionar a viagem à Espanha depois da saída da prisão.

Contudo, o maior argumento contra a autoria de um paulinista é o cuidado que a igreja primitiva teve em selecionar seus documentos. Ela estava preocupada com a verdade histórica, e estas cartas afirmam que elas foram escritas por Paulo.

A história da igreja, nos primeiros séculos, mostra a natureza exigente da igreja para com a verdade. Escrever em nome de outro é algo que a igreja não poderia e não iria tolerar.

O oficial da igreja romana que escreveu "Os Atos de Paulo" no nome de Paulo não somente foi removido do ofício, mas também excluído da igreja! Tal era a importância que a igreja dava à veracidade acerca do testemunho apostólico, segundo Tertuliano.

É afirmado neste livro que o estudante do Novo Testamento não deve ter nenhuma hesitação em crer no versículo introdutório de cada uma destas três cartas que têm o nome "Paulo" como o autor. Paulo escreveu estas cartas, e elas podem ser usadas com confiança, como sustentando a verdade.


Viva vencendo com os ensinamentos infalíveis da Santa Escritura!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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