05 novembro 2015

LIÇÃO 06 - 08/11/15 - "O IMPIEDOSO MUNDO DE LAMEQUE"


TEXTO ÁUREO

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”.

VERDADE PRÁTICA

O mundo de Lameque em nada diferia do nosso; resistindo à graça de Deus, entregaram-se à devassidão, à violência e à resistência ao Espírito Santo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Gênesis 6.1-8


Introdução

 O mesmo espírito que influenciou Lameque toda a sua geração é o mesmo que age nos dias de hoje e assim como naqueles dias, também há aqueles  que gloriam-se de sua violência.

Como você classificaria um homem que, após haver matado duas pessoas, compõe um poema? Num verseto atrevido e insolente, ele garganteia a façanha às suas esposas: “Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete” (Gn 4.23,24). Sim, como você classificaria tal homem? No mundo que precedeu o Dilúvio, ele foi aclamado como herói. Embora soubesse que o Criador não lhe deixaria impune o duplo homicídio, Lameque continuou a viver como se não houvesse Deus. Sua atitude replicar-se-ia até mesmo entre os filhos de Sete. A partir daquele poema, a humanidade inicia um processo de depravação total e irreversível.
Nosso mundo em nada difere da sociedade lamequiana, exceto num pormenor estatístico. Naquele tempo, o número dos piedosos não chegava à casa da dezena Hoje, os justos são contados aos milhões.

Entremos, pois, a conhecer o abominável mundo de Lameque:

I. A IMPERFEIÇÃO NUM MUNDO PERFEITO

Lançado em 2014, o filme Noé, roteirizado e dirigido por Darren Aronofsky, levou o leitor da Bíblia à frustração. Pelo menos, esse foi o meu sentimento ao desperdiçar mais de duas horas com aquela caricatura da primeira epopeia da História Sagrada. Para começar, Aronofsky mostra o mundo pré- diluviano como que arrasado por uma guerra nuclear. De acordo com a sua paródia, a Terra já não existia ecologicamente. Do texto sagrado, porém, inferimos outra realidade. Nosso planeta era farto e pródigo; a humanidade, saudável e longeva; e, no ambiente natural, reinava perfeita harmonia.

1. Um planeta farto e pródigo -Apesar do pecado, a Terra pré-diluviana era um habitat perfeito; proporcionava alimentos e regava a todos. Por isso, os filhos de Adão davam-se ao luxo de viver irresponsável e impiamente. Observemos a descrição que faz o Senhor Jesus deste período: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” (MT 24.38).
Aquela geração não se angustiava com os problemas que, hoje, nos afligem. Ninguém se preocupava com a ecologia. Aguá, rios e riachos não lhes faltavam. Como possuíssem tudo em abundância, gastavam as horas em orgias e truculências. Longevos, nem menção à morte faziam, comiam e bebiam, e contavam a vida em séculos, não em décadas.

2. Vida longa e prósperaA geração de Lameque também usufruía de uma vida longa e próspera. Entretanto, vivia imoral e irracionalmente. Sua lógica era o pecado. Ora, se a sua iniqüidade já tinha uma história de quase dois mil anos, por que mudar? Então, vida longa e próspera a um mundo que se compraz no Maligno.
Não era incomum deparar-se com um adúltero de seiscentos anos, com um assassino de oitocentos ou com um corrupto de quase mil. Imagine a folha corrida dos lamequianos...

Por isso, o Senhor resolve colocar um limite biológico à vida humana: Doravante, os filhos de Adão e Eva não irão além dos 120 anos (Gn 6.3). Se fizermos uma comparação entre as genealogias dos capítulos 5 e 11 de Gênesis, verificaremos que, na primeira, a vida humana era computada em séculos. Na segunda, nossa existência já pode ser contada em décadas. Se Matusalém chegou a 969 anos, Terá, pai de Abraão, morrerá aos 205 (Gn 11.32). Foi este, a propósito, o último dos longevos. Na conclusão do Gênesis, constata-se a fronteira biológica do ser humano já estava fixada: José, filho de Jacó, falece aos 110 anos (Gn 50.26). Mais tarde, queixar-se-ia Moisés da efemeridade da existência (SI 90.10).

Com uma vida quase milenar, os pré-diluvianos viviam pendularmente entre a eternidade e a impunidade Como um homem de quase mil anos haveria de temer a morte? E se Deus já os entregara aos próprios erros, não lhes castigando de imediato a iniquidade, por que temer o Juízo Final se a História mal havia começado? Por essa razão, os contemporâneos de Noé viviam para pecar e pecavam para viver.

3. Harmonia ecológica. Até o Dilúvio, havia perfeita harmonia entre os reinos animal, vegetal e humano. Os animais selvagens não representavam qualquer ameaça. A única ameaça era o próprio homem, agressivo e irreconciliável, amedrontava até mesmo a mais brutal das feras. Após o Dilúvio, contudo, pavor e medo recairiam sobre o reino animal; sobre a natureza, gemido e angústia (Gn 9.2; Rm 8.22). O mundo ainda era perfeito, belo e sustentável. Mas o povo que o habitava era o antônimo de tudo isso. Ao invés de agradecer ao Criador por todas as benesses, os filhos de Adão aproveitavam tais favores para depravar-se totalmente. Um mundo perfeito para uma geração imperfeita.


II. O EFEITO LAMEQUE

Teologicamente, Adão foi o grande responsável pela introdução do pecado no mundo (Rm 5.12). Historicamente, porém, o pecado alastrou-se a partir de Lameque, filho de Metusael (Gn 4.18). Foi ele o primeiro pecador confesso da história da humanidade. De uma única feita, admitiu haver cometido duas transgressões contra Deus. Sua confissão, todavia, não foi acompanhada de arrependimento nem remorso; fez-se acompanhar de um medo que logo seria esquecido. Indiretamente, confessa a bigamia E, diretamente, o duplo homicídio. Sua confissão jaz num poema que, hoje, é conhecido como 'O Cântico da Espada'.

1. A bigamia. De conformidade com o projeto original de Deus, o casamento teria como fundamento a heterossexualidade, a monogamia e a indissolu- bidade. Lameque, entretanto, corrompeu as bases do matrimônio, tomando para si duas esposas: Ada e Zilá.

Noutra circunstância, os nomes de suas mulheres até rima dariam, mas, naquele momento, não havia ritmo nem harmonia, – havia uma iniqüidade que, assustadora e rapidamente, começava a alastrar-se por aquela região. De berço, a região do Eden ia transformando-se no túmulo da primeira civilização humana Na vida de Lameque, as coisas ruins vinham aos pares: duas mulheres, dois homicídios, etc.

Tivesse o seu poema mais versos, outras iniquidades apareceriam em duplas. Sua confissão duplicada basta para mostrar um processo irreversível de apostasia. Da poligamia à promiscuidade sexual foi apenas um passo. Seu exemplo contaminaria inclusive a linhagem de Sete que, apesar de um passado santo e piedoso, também se deixará contaminar pela libertinagem. Eis o testemunho da Bíblia: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6.1,2).

Os descendentes de Sete, aqui alcunhados de filhos de Deus, não somente fazem-se polígamos, como também ultrapassam todos os limites da decência. Tomando para si quantas mulheres lhes permitiam a luxúria e a libertinagem, transformaram o convívio social numa orgia desenfreada.

2. Duplo homicídio. Se Caim teve de ser duramente arguido por Deus para confessar o assassinato de Abel, não precisou Lameque de arguição alguma. Espontânea e livremente, declara haver assassinado banalmente dois homens. Um adulto, ele o matou porque o ferira e um rapaz, por lhe ter pisado. Se recorrermos ao original, constataremos que o segundo crime foi ainda mais grave. Lameque revela ter assassinado um jovem, que em hebraico, 'yeled' pode aludir tanto a um adolescente quanto a uma criança. Logo, o seu crime, além de banal e covarde, foi singularmente brutal.

Nossos dias parecem não diferir em nada do mundo de Lameque Por um grama de droga há muito jovem, adolescente e criança perdendo a vida E, por causa de uns míseros centavos, muita gente não retorna ao lar. Banalmente, assassina-se, hoje, como banalmente assassinava-se naqueles começos da História Tanto no princípio, quanto no fim. A índole criminosa do ser humano em nada melhorou: caminhamos de mal a pior.
Lameque deflagrou a iniquidade por todo o planeta
Hoje, somos angustiados por assassinatos, genocídios e crimes contra a humanidade. Haja vista os extermínios de judeus e armênios, e a matança promovida como política pública por monstros como Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung e Pol Pot.
III. UM MUNDO PARADOXAL
O mundo de Lameque não era caracterizado apenas pela rebelião contra Deus. No exercício de seu mandato cultural, desenvolveu, desde cedo, a agropecuária, a metalurgia e a música. Foi uma época de grandes conquistas intelectuais e tecnológicas. Do texto bíblico, inferimos que a engenharia já estava bem desenvolvida, pois a geração pós-diluviana não teve dificuldades em construir a Torre de Babel. O curioso é que todo esse progresso proveio da geração de Caim. Os filhos de Sete, antes de se transviarem, haviam se dedicado mais às atividades espirituais e teológicas.
1. A primeira cidade. Banido da presença do Senhor, Caim habitou na terra de Node, ao oriente do Eden. Ali, teve o seu primogênito, a quem chamou Enoque. Como a sua linhagem se multiplicasse, organiza ele uma cidade, a qual dá o nome de seu filho mais velho. Em torno desse centro urbano, as atividades profissionais diversificam-se, aparecem os pecuaristas como Jabal, surgem os metalúrgicos como Tubalcaim e despontam os ardistas como Jubal. Também irrompem os primeiros conflitos, revelando grandes e notórios criminosos e malfeitores.
No campo e na cidade, a rebelião contra Deus alastra-se, contaminando toda a Terra. O fenômeno urbano encarrega-se de espraiar os maus exemplos, levando os filhos de Adão a um rápido processo de depravação essencial e total.
Apesar de a Bíblia nada dizer acerca da civilização setista, esta organizou-se também em cidades. Inexistindo barreiras linguísticas e geográficas, não demoraria para que a civilização caimita englobasse a setista, e lançasse os fundamentos da megalópole da iniquidade. Foi o primeiro ensaio do Anticristo no estabelecimento de seu império. Vejamos as atividades econômicas da civilização caimita.
2. Atividades agropecuárias. Embora os descendentes de Adão e Eva pudessem viver da caça e da coleta de frutas, verduras e legumes, desde cedo empenharam se em trabalhar seletiva e metodicamente a terra. Essa preocupação acentuou-se entre os filhos de Caim, o primeiro agricultor.
Jabal, filho de Lameque, deixando a cidade de Enoque, passou a dedicar-se à criação de gado. E, na busca por boas pastagens, faz-se nômade. Por isso, ele é conhecido como o “pai dos que habitam em tendas e possuem gado” (Gn 4.20).
Observemos que, para construir e erguer tendas, necessitava Jabal de instrumentos cortantes e coberturas para suas moradias portáteis. Teriam aqueles antigos habilidades para fiar o algodão e o linho? Deveríamos pensar nesses detalhes, pois são bastante reveladores.
3. Atividades industriais. Não há agricultura nem pecuária sem uma indústria de base. Há de se ter, pelo menos, uma boa metalurgia para se forjar enxadas, pás e relhas aos agricultores, e os instrumentos próprios dos pecuaristas. É justamente aí que surge a indústria de Tubalcaim, filho de Caim, foi ele “artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro” (Gn 4.22).
Não foi, portanto, o homo erectus quem descobriu o fogo. Dizem os evolucionistas que este, ao observar os raios faiscando nas árvores, veio a intuir ser possível dominá-lo. Também não foi Prometeu quem no-lo proporcionou, roubando-os aos deuses do Olimpo. Se alguém descobriu o fogo não foi o homo erectus, nem os deuses da mitologia grega, mas o justo Abel que, ao fazer sua oferenda ao Senhor, queimou-a como cheiro suave. A partir dai, os filhos de Adão passaram a utilizá-lo, a fim de preparar alimentos, alumiar suas casas, etc.
Tubalcaim viria a descobrir ser possível industriar o fogo e, assim, fundir os minérios de bronze e de ferro. Ora, se a região era rica em ouro, por que não explorá-lo? Acredito que, se a humanidade não tivesse pecado contra o Senhor, poderia ter começado a civilização não a partir do ferro, mas do ouro.
Segundo a história secular, a Idade do Ferro teria começado por volta do ano 1200 a C. Todavia, já na aurora da humanidade, havia um metalúrgico e fundidor que, admiravelmente, sabia como trabalhar o bronze e o ferro. Processando-os, forjava instrumentos cortantes. Das forjas de Tubalcaim deve ter saído também muita espada e punhal. Violência era o que não faltava àquela época.
4. Atividades intelectuais e artísticas. A música brotou da alma do homem, pois sempre esteve no Espírito de Deus.
Quando o Senhor criava os céus e a terra, os anjos entoavam- Lhe louvores altos e eternos (Jó 38.7). Acredito que a feitura de Adão fez-se também acompanhar dos coros angélicos. Por isso, somos naturalmente musicais. Jubal, também filho de Lameque, foi “o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gn 4.21). Observando a sinfonia da natureza, logo descobriu ser possível arrancar harmonias e ritmos da madeira e do metal.
Dessa forma, compôs músicas e madrigais. Terá ele musicado o poema de Lameque? O certo é que, não somente criou instrumentos, como também ensinou música. Ele inventou harpas e flautas. Os músicos subsequentes criariam a trombeta, o pífaro, a citara, o saltério e a gaita de foi es (Dn 3.5).
Paradoxalmente, as finuras da mente eram livre e espontaneamente manifestadas, apesar da corrupção que campeava no mundo de Lameque. Longe de serem primitivos e involuídos, os primevos eram evoluídos, inteligentes e muito mais inventivos do que nós. Só lhes faltava uma coisa; a verdadeira sabedoria que nos advém com o temor a Deus.
IV. A RELIGIÃO DE LAMEQUE
No mundo de Lameque, não havia espaço aos ídolos de barro, madeira ou ferro. Ali, a religião era agressivamente antropológica Seus ídolos eram os varões que se notabilizavam por atos violentos, por façanhas truculentas e por repetidas e agravadas blasfêmias contra o Espírito Santo. A geração de Lameque era uma raça de anticristos: homens, mulheres e crianças depravavam-se até ao inferno. Um mundo irremissível; votado à destruição. Era uma gente pior do que Satanás. Se não fosse destruída, arruinaria para sempre a criação divina.
1. A teologia. A geração de Lameque não desconhecia a presença de Deus. E, posto não haver ainda o governo humano, o próprio Criador era quem os governava. Aqueles ímpios, contudo, confrontavam o Eterno, não Lhe aceitando a governança.
Aquela gente tinha a Deus como fraco e leniente; um criador distante da criação. E, como fossem todos longevos, desconheciam as noções de brevidade que, hoje, levam-nos a refletir seriamente sobre a morte. Para eles, a vida era longa e próspera Havia gente mais velha que Portugal, mais antiga que os Estados Unidos e com mais história que o Brasil. Segundo imaginavam, Deus não fazia bem nem mal.
2. Os ídolos. O autor sagrado fala dos heróis daquela época: “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram va- lentes, varões de renome, na antiguidade” (Gn 6.4). Os tais não eram semi deuses, nem super-humanos, mas pecadores notórios.  Portanto, o Dilúvio era inevitável.
3. A relação com o Espírito de Deus. Da geração de Lameque, falou o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3). Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espírito Santo. Da resistência ao Espírito de Deus, aqueles homens, mulheres e crianças passaram a blasfemar contra a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, depravando-se totalmente.
Imaginemos toda uma civilização a blasfemar contra o Espírito Santo. Fizeram-se aqueles homens piores do que os demônios. Estes, por não serem dotados de corpo, não podem estragar a criação física. Aqueles, pelo contrário, dotados de corpo e alma, transgrediam tanto no campo espiritual, como âmbito terreno. Os seguidores de Lameque eram duplamente endemoninhados.
CONCLUSÃO
Vivemos dias semelhantes aos de Lameque. Nosso mundo parece depravar-se total e irreversivelmente. Hoje, porém, temos um povo mais forte e numeroso que a família de Noé. Se naquele tempo os justos eram contados em unidades, agora, são computados em milhões. Portanto, como 'sal da terra e luz do mundo', evangelizemos, protestemos contra o pecado e, através de um testemunho ilibado, apregoemos a volta de Cristo.
Enquanto a Igreja for Igreja, o Anticristo não achará guarida completa neste mundo. Embora avance em todas as áreas, sempre encontrará homens, mulheres, jovens e até crianças dispostos a barrar-lhe a trajetória. Não podemos esquecer nossa vocação de 'sal e de luz'. Se tivermos ambas as propriedades em nosso testemunho pessoal e coletivo, levaremos o Evangelho de Cristo até aos confins da terra sem impedimento algum.

Subsídio para o Professor

Nestes poucos versículos nós temos o desenvolvimento da civilização. Infelizmente os efeitos do pecado se sobressaem. Mesmo aqui, os pecados que culminaram no dilúvio começaram a ser praticados. Caim teve um filho, Enoque, e edificou uma cidade, Enoque. Tal pai, tal filho. A linhagem de Caim constituiu uma raça de empreendedores impiedosos. Caim, Enoque, Irade, Meujael, Metusael, Lameque formam essa linhagem. Sem dúvida havia linhagens laterais, mas o livro menciona esta porque no fim dela aparece Lameque, em cuja família culminam as características da linhagem. 

Lameque tinha duas esposas, que lhe deram três filhos: Jabal, um boiadeiro, Jubal, um músico e Tubalcaim, um forjador de metal. A violência de Caim repetiu-se em Lameque, como se vê na sua “canção da espada” (Gn 4.23). Os descendentes de Caim deixaram um legado de iniqüidade e maldade. Tornaram-se auto-suficientes e a violência cada vez mais se multiplicava gerando uma sociedade hostil e competitiva. Começava o olho por olho, dente por dente. Esta era uma geração assassina e sábia. Caim e seus descendentes não estavam mais dispostos a viver em conformidade com o padrão, então, Deus estava morto para eles. Faziam suas próprias leis. 

Lameque havia matado alguém que tentou matá-lo e também outra pessoa. Vangloriava-se disso e não necessitava da proteção de Deus como Caim. 

A linhagem de Caim produziu as seguintes coisas: assassinato, cidade, poligamia, músico, forjador de metal, poesia; mas nenhum exemplo de homens que “andavam com Deu”.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos uma breve biografia de Lameque descendente de Caim, considerado por alguns como um dos personagens mais depravado da Bíblia Sagrada. Faremos uma rápida comparação entre a geração ímpia de Lameque e a geração piedosa de Sete. Estudaremos os maus exemplos deixados pela semente lamequiana, e por fim, concluiremos pontuando que não devemos seguir os maus hábitos da linhagem impura de Lameque.

I – BREVE BIOGRAFIA DE LAMEQUE

Lameque filho de Metusael, um descendente de Caim, foi o primeiro polígamo manchando a instituição divina do casamento tendo-se unido com Ada do hebraico “beleza” e Zilá significa “sombra” (Gn 4.18-24). Seus filhos foram Jabal (pai dos que habitam em tendas e têm gado), Jubal (pai de todos que tocam harpa e órgão), e Tubalcaim (mestre de toda a obra de cobre e de ferro). Sua impiedade chegou ao auge quando se vangloriou de sua violência no cântico da espada (Gn 4.23,24), assim, em conexão com Lameque, temos o primeiro exemplo de poesia na Bíblia (Gn 4.23,24), e exibe o paralelismo que caracterizava a poesia dos hebreus. Essa vanglória é geralmente entendida como sendo a confiança nas armas de metal de seu filho, em oposição à confiança em Deus. Estes filhos parecem torná-lo o pai dos nômades, músicos e artífices em metal (WYCLIFFE, 2006, p. 1130). Donald Stamps (1995, p. 39), diz que Lameque foi o primeiro a rejeitar o princípio do casamento monogâmico ordenado por Deus (Ml 2.15; Mt 19.5), que um homem cruel e bárbaro, e foi o primeiro a cometer um duplo homicídio, e ainda fez um poema em sua própria homenagem (Gn 4.23,24).

II – LAMEQUE E A SEMELHANÇA DA DESCENDÊNCIA DE CAIM E SETE

Quanto aos três filhos de Lameque descendente de Caim, Jabal o primeiro, foi um famoso pastor de ovelhas e construtor de tendas (Gn 4.20); Jubal, o segundo, foi um músico e harpista (Gn 4.21); e o terceiro filho Tubalcaim foi artífice de metais (Gn 4.22). É interessante observar um ponto de comparação entre a linhagem de Caim e a linhagem de Sete. O sétimo depois de Caim foi Lameque, que era o epítome (exemplo) da hostilidade furiosa, embora seus três filhos fossem gênios criativos. O sétimo na linhagem de Sete foi o piedoso Enoque, que Deus para si o tomou e seus três filhos começaram uma nova população depois do dilúvio (HENRY, 2010, p. 41). Ao comparar a árvore genealógica de Caim com a de Sete é impossível não observar a semelhança entre os nomes. Vejamos:

2.1 - Apenas uma aparente semelhança genealógica. Há um Enoque e um Lameque descendentes de Caim (Gn 4.18) e um Enoque e um Lameque descendentes de Sete (Gn 5.18, 25). O Enoque descendente de Caim não andou com Deus como o de Sete, e nem o Lameque descendente de Caim foi obediente como o de Sete (Gn 4.26; 5.21-32). O mais triste, porém, é que essas duas linhagens, a descendência perversa de Caim e a piedosa de Sete, convergiram e uniram-se (Gn 6.1,2), criando assim, uma sociedade depravada cujos pecados trouxeram o juízo do dilúvio. A árvore genealógica de Caim termina com a família de Lameque (Gn 4.19-24), um homicida arrogante cujos três filhos produziam coisas para este mundo. A linhagem de Sete termina com Noé, cujos três filhos deram ao mundo um recomeço depois do dilúvio (HENRY, 2010, p. 46 – acréscimo nosso). Assim, na linhagem de Caim temos o começo da vida urbana; na linhagem de Sete, o começo de uma vida de santificação; e o cainita Lameque, regozijando-se nas armas inventadas por seu filho, mostrou ser o oposto mesmo do Lameque descendente de Sete (CHAMPLIN, 2001, p. 48).

III – A GERAÇÃO ÍMPIA DE LAMEQUE E SEUS MAUS EXEMPLOS

A geração atual em nada se difere dos tempos antediluvianos a não ser em questão de espaço temporal. Notemos pois o que diz o texto: “E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra... O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência... (Gn 6.12,13). O mundo de Lameque era ingrato e cruel e voltando-se contra o Senhor, seus descendentes cometeram os pecados mais hediondos e abomináveis. Vejamos:

3.1 - Corromperam a terra com prostituições (Gn 4.19). Os pecados sexuais, agora, eram cometidos como se nada fosse proibido; não havia limites à fornicação nem ao adultério. A maldade aumentava a todo instante e os descendentes de Caim e Lameque ficaram excessivamente ímpios e pagãos. Com o transcorrer do tempo, a separação entre os descendentes de Sete e os de Caim cessou por causa do casamento das duas linhagens (Gn 6.2). A união dos piedosos com mulheres incrédulas foi motivada pela “atração física de tais mulheres”. Sem mães piedosas, a descendência de Sete degenerou-se espiritualmente.

3.2 - Corromperam a terra com imoralidades (Gn 6.5). Chegou o momento quando a família de Noé foi a única que cumpria as normas morais e espirituais de Deus. Parece que Satanás, ao ver que não pôde destruir a linha messiânica pela força bruta no caso de Abel, agora procura extingui-la mediante casamentos mistos; e por pouco não teve êxito. Outra característica daquela geração era a corrupção (Gn 6.11). O homem deixou de fazer o bem e, aquela geração vivia mergulhada em práticas pecaminosas e imorais.

3.3 - Corromperam a terra com violência (Gn 4.23; 6.11). Os descendentes de Caim deixaram um legado de iniquidade e maldade. Tornaram-se auto-suficientes e a violência cada vez mais se multiplicava gerando uma sociedade hostil e competitiva. Os excessos daquela gente redundaram numa geração truculenta e implacável. O primeiro poema da Bíblia (Gn 4.23,24) serve de ilustração da amargura feroz que envenenou o espírito destes homens. Há quem diga que o significado do versículo 23 é: “Matei um homem [meramente] por me machucar e um jovem [só] por me pisar o pé”.A maldade e a corrupção daquela geração abriram as portas para a violência. Os homens viviam agredindo-se mutuamente, pois as Escrituras afirmam que “... encheu-se a terra de violência” (Gn 6.11 b).

3.4 - Corromperam a terra com resistência à graça divina (Gn 6.3). Como se não bastasse a maldade, a corrupção e a violência, aquela geração também era caracterizada pela incredulidade. Por muito tempo, o Espírito de Deus instou junto àquela geração para que se convertesse e deixasse seus maus caminhos. Chegou, porém, o dia em que Deus deu um basta em tudo aquilo. Declarou o Senhor: "Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos". A graça de Deus, ainda que perfeita e infalível, pode ser resistida, haja vista a geração que saíra do Egito rumo a Canaã. Não obstante os milagres que presenciara, endureceu o seu coração de tal forma, que veio a ser rejeitada pelo Senhor (Hb 3.8; 15).

3.5 - Corromperam a terra com desprezo pela moral (Gn 6.5). A geração lamequiana e antediluviana foi marcada pela violência, corrupção, maldade e satisfação carnal. Os homens daquela época viviam circunscritos a benefícios próprios.
“... Pois nos dias anteriores ao Dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento (...) e eles nada perceberam, até que veio o Dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem” (Mt 24.37-39). As marcas da violência são vistas por todos os lados; abusos contra crianças e adolescentes, abusos contra a mulher e racismo de toda natureza.

3.6 - Corromperam a terra com o hedonismo (Gn 4.24). A palavra hedonismo vem do filósofo grego Epicuro e significa o “prazer pelo prazer”. Os antediluvianos pensavam somente em “comer e beber; casar-se e se dar em casamentos”.
Todas estas expressões revelam a maneira que aquela sociedade encarava a vida; pois para eles tudo girava em torno do prazer, ou seja da satisfação pessoal. Esta geração precisa urgentemente ouvir a voz de Deus ou será submersa pelo dilúvio do juízo divino. Observe o que diz a Bíblia: “E eles nada perceberam, até que veio o Dilúvio e os levou a todos”. Crendo os homens ou não Jesus virá para arrebatar os salvos e punir os ímpios.

IV - LAMEQUE – UM EXEMPLO A NÃO SER SEGUIDO
Lameque é um exemplo a não ser seguido por algumas razões. Vejamos:
4.1 - Lameque se vangloria de ser um homem violento. Lameque tem prazer em alardear sua violência e apresenta-se como o segundo homicida da história. Ele não conhecia que a violência não é força, mas fraqueza, nem nunca poderá ser criadora de coisa alguma, apenas destruidora. “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras (...) ” (Gn 4.23-a).
4.2 - Lameque banaliza a vida humana. Para Lameque as pessoas não valiam nada. A violência é a demonstração mais vil de que a vida humana não tem valor. Matar um jovem por causa de uma pisada no pé é não ter nenhum respeito á vida humana. “E disse Lameque (…) eu matei um homem por me ferir (...)” (Gn 4.23-b).
4.3 - Lameque não demonstrou o mínimo de amor. Lameque não gostou de ser pisado, mas pisou as pessoas. Lameque tipifica aquelas pessoas que não gostam de ser machucadas, mas têm prazer em machucar os outros. “... eu matei (...)”(Gn 4.23-c). 

Além de amar nossos familiares e irmãos, a Palavra de Deus nos ensina a amar a todas as pessoas, inclusive, os nossos inimigos (Mt 5.44; Lc 6.35). Jesus disse que se amarmos a quem nos ama, não teremos nenhuma recompensa, pois os pecadores amam aos que os amam (Lc 6.32). É bem verdade que não é fácil amar a quem nos persegue, mas a Bíblia nos diz que o amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5.5).
4.4 - Lameque é avesso ao perdão. Lameque não conhecia a palavra perdão. Perdão é uma palavra desconhecida novocabulário de algumas pessoas. Infelizmente, muitos à semelhança de Lameque preferem retribuir a ofensa na mesma intensidade ou em grau superior do que liberar perdão. Seguimos o exemplo de Lameque quando não perdoamos, antes odiamos ao nosso irmão. “... eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar” (Gn 4.23-d; Sl 130.4; Mt 5.43,44; Lc 6.27;35; Rm 12.14, 20).

CONCLUSÃO

Concluímos esta lição, aprendendo que apesar de sempre existir as gerações ímpias e impuras, Deus sempre contou com as gerações puras e obedientes como a de Sete e Noé.

Viva aprendendo com os erros de outros e passe a evitar pratica-los!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário