12 novembro 2015

O TEMPO E AS ESCOLHAS

O tempescolhas
João Bosco Leal*

Quando crianças, além do e as o tentar caminhar, um dos maiores desafios de todos é a formação das primeiras palavras e das primeiras frases, com as quais nos comunicaremos pelo resto de nossas vidas.

Nos primeiros anos, tudo é diversão, brincadeira. Além da alfabetização, que já parece ser uma responsabilidade enorme, ninguém quer ter qualquer outra. Só as brincadeiras e passeios com os amigos da escola são importantes.
Na juventude descobrimos as sensações e os sentimentos, tanto os prazeirosos quanto os dolorosos. É também quando começamos a perceber que a vida nos exigirá estudos, trabalho e responsabilidades, sem os quais nosso futuro será pouco promissor.

Quando adultos, temos muitos sonhos, projetos, vontades, esperanças e ambições. No futuro só vislumbramos o sucesso, o que conseguiremos, até onde chegaremos e como seremos vitoriosos. A grande maioria imagina, inclusive, que todos admirarão seu sucesso.

Na maturidade, enxergamos a realidade, o que a vida dá e o que ela cobra. Percebemos claramente a diferença entre o que quando adultos projetávamos e o que realmente coseguimos realizar. Alguns projetos sofreram alterações, outros foram deixados de lado ou substituídos por diferentes. Muita coisa mudou.

Nesta etapa, tudo vai ficando muito simples, a ponto de, às vezes, nos assustarmos de quanto estamos mudando. Olhamos para nossos armários e vemos roupas que nem lembravamos que existiam.

Nas gavetas do criado mudo encontramos produtos que nem sabemos para que servem, ou porque estão ali0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000. Vamos perdendo muitas das nossas necessidades anteriores, reduzindo as roupas nos armários, os calçados, as malas, enfim, a bagagem.
Durante muitos anos, demos excessiva importância à opinião dos outros, elas nos incomodavam muito. Agora, são realmente dos outros e, mesmo que sobre nós, são exclusivamente deles, não tem a menor importância.
Por mais que sintamos grande afinidade ou mesmo que delas gostemos, deixamos de buscar a companhia das pessoas que não buscam a nossa. Não nos farão diferença, pois já aprendemos que só vale a pena estar ao lado de quem também quer estar do nosso.
No mais das vezes, não há como desfazer aquilo que já está feito, mas a vida sempre nos permite fazer de novo, de uma outra maneira, sem incidir nos mesmos erros do passado.
Os planos de futuro deixam de ser para amanhã. Passamos a querer viver o hoje, pois sabemos que o amanhã pode não existir e isso nos torna mais leves, tranquilos, com muito menos preocupações.
Os debates em busca de quem tem razão normalmente só causam mal estar entre as pessoas e, por isso, aprendemos a deixar de ter certezas, o que não nos faz a menor falta.
Os julgamentos, antes realizados com muita facilidade, também vão deixando de existir, pois não existe a certeza absoluta, mas sim as opções de vida escolhidas por cada um.
Constatamos, em nossa própria vida, a realidade do que muitos já haviam escrito ou mesmo nos dito: "Cada um é o resultado de seu passado".
Só o tempo ensina que seremos cada dia mais felizes escolhendo fazer somente o que alegra o nosso coração.
*Jornalista, escritor e empresário

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