04 janeiro 2016

HISTÓRICO E AVALIAÇÃO DO PENTECOSTALISMO NO BRASIL

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Desde seu início, sempre conteve diferenças internas. As maiores diferenças na verdade, não são nem tanto teológicas, mas comportamentais, e são elas que definem a identidade pentecostal. Desde o seu surgimento até agora, inúmeros ramos brotaram na árvore pentecostal. São difíceis, não de discernir, mas de dar-lhes uma identidade. Vários teólogos tentam dividir o movimento pentecostal. A divisão que achamos ser mais coerente é a de *Paul Freston:

O Pentecostalismo brasileiro pode ser compreendido como a história de três ondas de implantação de igrejas. A primeira onda é a década de 1910, com a chegada da Congregação Cristã (1910) e da Assembléia de Deus (1911).A segunda onda pentecostal é dos anos 50 e início de 60, na qual o campo pentecostal se fragmenta, a relação com a sociedade se dinamiza e três grandes grupos(em meio a dezenas de menores), surgem: Quadrangular (1951), Brasil para Cristo(1955) e Deus é Amor(1962). O contexto dessa pulverização é paulista.A terceira onda começa no final dos anos 70 e ganha força nos anos 80. Seus principais representantes são a Igreja Universal do Reino de Deus(1977) e a Igreja Internacional da Graça de Deus(1980). O contexto é fundamentalmente carioca.

O tempo vai passando e mudando, com isso, determinando a leitura e o surgimento de novos grupos oriundos da fé pentecostal. Sua marca, em todas as classificações, é o sentimentalismo e a experiência.
Eis a classificação atual de pentecostalismo:

-Pentecostalismo Clássico

Fazem parte dessa linhagem, no Brasil, a 'Igreja Assembléia de Deus' e a 'Igreja Cristã no Brasil'.

O termo 'clássico', surgiu em meados de 1970, quando pesquisadores norte-americanos acrescentaram á designação classical às denominações pentecostais do início do século, período de gênese do pentecostalismo, para distingui-las de 'outras pentecostais ou carismáticas' surgidas nos anos 60.
Alguns autores também usam o termo 'histórico', ou ainda, 'tradicional'. Para entender o que se denomina Movimento Pentecostal clássico do século XX, é necessário tornar claro o seguinte: É um movimento missionário de caráter mundial, que possui uma dinâmica própria, herdando muitos traços dos movimentos de santidade da Inglaterra e dos Estados Unidos, particularmente do metodismo.

A grande maioria das igrejas pentecostais surgiram das igrejas históricas herdeiras da Reforma Protestante do século XVI.

Seu marco inicial foi em 1900, quando Charles Parham, alugou uma “Mansão de Pedra”, como era conhecida, em Topeka, Kansas para estabelecer uma escola bíblica chamada Betel.

Cerca de 40 estudantes ingressaram na escola para o seu primeiro e único ano atraídos pelo seguinte propósito: “descobrir o poder que os capacitaria a enfrentar o desfio do novo século”.

O método de ensino era pesquisar e estudar um assunto, esgotando todas as citações bíblicas sobre o assunto e apresentá-lo para a classe em forma de sabatina oral, orando para que o Espírito Santo estivesse sobre a mensagem trazendo convicção.

Até dezembro de 1900, já tinham estudado sobre 'Arrependimento', 'Conversão', 'Consagração', 'Santificação', 'Cura' e a 'Iminente Vinda do Senhor'.

No dia 25 de dezembro, Charles Parham iria se ausentar por alguns dias e deu a seguinte instrução para eles:
“Nós nos deparamos em nossos estudos com um problema. É sobre o segundo capítulo de Atos… Tendo ouvido tantas entidades religiosas diferentes reivindicarem diferentes provas como evidências do recebimento do batismo pentecostal. Eu quero que vocês estudantes, estudem diligentemente qual é a evidência bíblica do batismo no Espírito, para que possamos apresentar ao mundo alguma coisa incontestável que corresponda absolutamente com a Palavra”.
Três dias após, apresentaram seus trabalhos com a mesma história. Embora diferenças tenham ocorrido quando a benção pentecostal caiu, tinham como prova irrefutável o falar em outras línguas.
Foi esta descoberta, que deu inicio o 'Movimento Pentecostal do século XX'. Tal foi a magnitude e impacto do movimento, que, já na primeira década depois de Azuza, sabia-se de experiências pentecostais na Ásia, África, Europa e América Latina.

O movimento se multiplicava agora em muitos movimentos com variedade de matizes e expressões, como um grande caleidoscópio.
O Movimento Pentecostal no Brasil, teve inicio com os missionários Daniel Berg e Gunner Vingren, crendo ter recebido revelações de Deus, vieram para o norte do Brasil -estado do Pará; onde, numa Igreja Batista, começaram a pregar o batismo com o Espírito Santo e ali fundaram a Igreja Assembleia de Deus.

Outro missionário, Luigi Francescon, antigo membro da Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, também, por “revelação” de Deus, segue para a Argentina e Brasil, iniciando nos estados de São Paulo e Paraná a Igreja Congregação Cristã no Brasil.
Este movimento hoje é considerado como sério(principalmente quando se trata da igreja Assembleia de Deus). Teve uma origem leiga sob uma exegese contestável; entretanto, agora parece ser um movimento preocupado em servir a Deus.

-Deutero-pentecostalismo

Nos anos 50, uma segunda onda pentecostal se iniciou, fazendo dos milagres e da cura divina sua principal ênfase, diferentemente da primeira onda, onde a ênfase recaia sobre a glossolalia, entretanto, o núcleo doutrinário permaneceu inalterado.

Os pioneiros dessa nova onda são os ex-atores de filmes de faroeste do cinema americano: Harold Williams e Raymond Batright. Difundiram-na por meio do rádio(que era considerado até então, pelo pentecostalismo clássico, como mundano e diabólico).

Dessa nova investida surgem denominações como a "Igreja do Evangelho Quadrangular – Cruzada Nacional de Evangelização"(1953)';"Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo”(1956); "Igreja de Nova Vida"(1960); "Igreja Pentecostal Deus é Amor”(1961); "Casa da Benção"(1964);"Metodista Weslyana"(1967), e uma enorme quantidade de pequenas denominações, formando comunidades locais.

-Neo-pentecostalismo
Finalmente, nos anos setenta, o país recebe o impacto da terceira onda pentecostal, vinda junto com uma crise econômica sem precedentes, crise internacional do petróleo e emergido em uma ditadura militar, tentando resolver os problemas básicos do povo mais pobre.

Dessa onda surgem o "Salão da Fé"(1975), a "Igreja Universal do Reino de Deus"( 1977)6, a "Igreja Internacional da Graça"(1980) e várias outras.

Seu discurso básico, presente em todo momento é a cura divina, porém com uma doutrina diferente dos pentecostais anteriores:Todas as aflições são resultante da onipresença de demônios na vida. A saída é o exorcismo, a freqüência constante aos cultos e a aplicação das várias terapias recomendadas pelo movimento.

O movimento que foi chamado de “neo-pentecostal”, colocou em primeiro lugar a saúde do corpo, a prosperidade e a solução dos problemas psíquicos, colocando-as como resultado imediato da busca do sagrado.
Ficaram para traz as preocupações escatológicas e até mesmo glossolalia. O velho dito de, 'antes agradar a Deus do que aos homens', foi fadado a existir apenas nas religiões já existentes.
O que agora se vê é uma procura para agradar o homem, independentemente do agrado a Deus: Ele que se adapte a nova filosofia. Além disso, o “diabo” é enfatizado como o causador de todos os males que atacam os seres humanos, animais ou objetos.
Daí, a importância que se deu ao exorcismo, uma maneira de se delimitar campos e forças aparentemente misturadas, que impedem a saúde, sucesso e prosperidade.

Devido a tendência das igrejas pentecostais de aceitarem os dons de profecias e profetas, sem uma ortodoxia bíblica, criou-se um espaço para as afirmações da Teologia da Prosperidade, a qual encontrou um solo fértil para se firmar e crescer, no entanto, há algumas Igrejas Pentecostais, sérias, que não fazem parte da Teologia da Prosperidade.
Entretanto, há uma grande disparidade teológica entre as igrejas neo-pentecostais: alguns são predestinacionalistas, outros sabatistas, etc.; herança do Pentecostalismo Clássico e Dêutero.
São muitos que se infiltram nas igrejas de Bíblia em punho, parecendo crer no que cremos; no entanto, um estudo mais minucioso revelará que suas posições doutrinárias são inaceitáveis à luz das Escrituras e do cristianismo histórico e ortodoxo.

*Paul Freston, inglês naturalizado brasileiro, é doutor em sociologia pela UNICAMP. É professor do programa de pós-graduação em ciências sociais na Universidade Federal de São Carlos e, desde 2003, professor catedrático de sociologia no Calvin College, nos Estados Unidos. É colunista da revista Ultimato. Presbiteriano.

Viva vencendo os excessos anti-bíblicos. Fiquemos com a Palavra pura!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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