13 janeiro 2016

JESUS DE FATO EXISTIU? O QUE A HISTÓRIA TEM PARA NOS DIZER? - PARTE 02


Veremos agora mais algumas referências por outros escritores do primeiro e do segundo século acerca de Jesus, seja direta ou indiretamente.


Tácito
 
Públio Cornélio Tácito(55 – 120 d.C), foi governador da Ásia, pretor, cônsul, questor, historiador romano e orador. Em seus escritos “Anais da Roma Imperial” mencionou a existência ao culto a Cristo e os cristãos que Dele se originaram. É importante lembrar que Tácito não era amigo da fé, portanto podemos perceber que ele menciona a existência de alguém em quem não possuía nenhum interesse, registrando principalmente a atitude de Nero em relação aos seguidores de Jesus.

Mesmo assim ele acaba afirmando que existiu um Jesus chamado Cristo e que morreu exatamente da forma que a Bíblia descreve isso, que não é negado por ele. No ano de 64, o imperador Nero ateia fogo na cidade de Roma e para escapar da responsabilidade, põe a culpa nos cristãos. Isto desencadeia a primeira grande perseguição que culminou com o suplício de milhares, inclusive de Paulo e Pedro.

Durante os 3 séculos seguintes, vários imperadores promoveram perseguições, inclusive com os espetáculos de circo, onde os cristãos eram atirados para serem devorados pelas feras. Longe de desanimarem com os suplícios, morriam eles entoando cânticos de júbilo, pois sabiam que em breve iriam receber a vida eterna junto de Deus e a total felicidade, por haverem derramado seu sangue pelo testemunho da Verdade e pela Palavra. E quanto mais eram perseguidos e martirizados, mais aumentava o número de cristãos, como bem salientou Tertuliano(séc.II): "sanguis martyrum est sêmen christianorum" - "o sangue dos mártires é semente para fazer novos cristãos".

Tácito narra a perseguição aos cristãos no primeiro século nas seguintes palavras:

“Para destruir o boato(que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Reprimida incontinenti, essa detestável superstição repontava de novo, não mais somente na Judéia, onde nascera o mal, mas anda em Roma, pra onde tudo quanto há de horroroso e de vergonhoso no mundo aflui e acha numerosa clientela”(Tácito, Anais , XV, 44 trad. 1 pg. 311; 3).

Mesmo desprezando a fé cristã, Tácito tratou a execução de Cristo como fato histórico, fazendo relação com eventos e líderes romanos. As formas de execução utilizadas pelos romanos incluíam crucificação e lançamento de cristãos para serem devorados por leões e outras feras selvagens. Os Anales de Tácito descrevem o fato da seguinte maneira:

Uma grande multidão foi condenada não apenas pelo crime de incêndio mas por ódio contra a raça humana. E, em suas mortes, eles foram feitos objetos de esporte, pois foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna”(TácitoAnnalesXV.44.).

Em todo este quadro, vemos como é incontestável a existência histórica de Jesus e dos cristãos, bem como a perseguição primitiva a estes(Tácito, Anais , XV, 44 trad. 1 pg. 311; 3TácitoAnnalesXV.44). A importância deste último livro de Tácito(Anais), e a sua autoridade são hoje reconhecidas no mundo inteiro. No 15º livro dos Anais, a partir do parágrafo XXXVIII, Tácito começa a narrar o terrível incêndio que quase destruiu totalmente Roma no ano 64 d.C. Após descrever magistralmente o sinistro, o historiador diz que entre os escombros fumegantes, em meio às centenas de cadáveres e milhares de pessoas chorosas e desabrigadas, começou a se espalhar a notícia de que fora o próprio Nero que mandara incendiar a grande capital do Império Romano.

Além do mais, durante o incêndio, alguém tinha visto Nero tocando sua lira e cantando um hino cuja letra falava da destruição, também pelo fogo, da antiga cidade de Tróia. À luz da metrópole devorada pelas chamas, o sanguinário imperador Nero delirava de satisfação diabólica! Um murmúrio de vingança começou a se espalhar entre o povo. Ao saber que a suspeita pesava sobre seu nome, e temendo que a multidão se revoltasse e marchasse contra ele para matá-lo, Nero, o imperador incendiário, “mandou então abrir o campo de Marte, os monumentos de Agripa, e até os seus próprios jardins. Armaram-se barracas às pressas para recolher a gente mais pobre; mandaram vir de Óstia e outros municípios vizinhos todos os móveis necessários; regulou-se a venda do pão pelo preço mais baixo”(Anais. Parágrafo XXXIX). 

    

Após citar outras frustradas tentativas de Nero de acalmar e tapear o povo, Tácito escreveu as seguintes palavras conclusivas e de imenso valor para nós, pois fazem referência à existência dos cristãos primitivos e, principalmente, faz menção de Jesus Cristo. Abaixo a citação integral do relato de Tácito:

“Mas nem todos os socorros humanos, nem as liberalidades do imperador, nem as orações e sacrifícios aos deuses podiam diminuir o boato infamatório de que o incêndio não fora obra do acaso. Assim Nero, para desviar de si as suspeitas, procurou achar culpados, e castigou com as penas mais horrorosas a certos homens que, já dantes odiados por seus crimes, o vulgo chamava cristãos. O autor desse seu nome foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. A sua perniciosa superstição, que até ali tinha estado reprimida, já tornava a alastrar-se não só por toda Judéia, origem deste mal, mas até dentro de Roma, aonde todas as atrocidades do Universo, e tudo quanto há de mais vergonhoso vem enfim acumular-se, e sempre acham acolhimento. Em primeiro lugar se prenderam os que confessavam ser cristãos, e depois, pelas denúncias destes, uma multidão inumerável, os quais, além de terem sido acusados como responsáveis pelo incêndio, foram apresentados como inimigos do gênero humano.O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriram com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem como archotes e tochas ao público. Nero ofereceu os seus jardins para este espetáculo, e ao mesmo tempo dava-se os jogos do Circo, misturado com o povo em trajes de cocheiro, ou guiando carroças. Desta forma, ainda que culpados e dignos dos últimos suplícios, mereceram a compaixão universal por se ver que não eram imolados à utilidade pública, mas aos passatempos atrozes de um bárbaro”(Tácito. Anais. Tradução de J.L. Freire de Carvalho. W.M. Jackson Inc. Rio de Janeiro. 1950. pp 405-409).

Os ateus, por pura ignorância, tornam-se cegos por si mesmos a acreditar que teriam adulterado completamente tão grande menção de um historiador mundialmente reconhecido, com um texto dentro de seu contexto e sem nenhuma pista de ter sido adulterado, em mais essa tão clara menção a Cristo e aos seguidores já no século primeiro. Até mesmo a crítica cética é obrigada a declarar que, deixar de perceber um fato tão evidente, significa duvidar de toda a História Antiga e de todos os outros documentos. A luz de mais essa confirmação do Jesus histórico, o grande historiador inglês Edward Gibbon (1737-1794), sobre esta evocação do autor de Dialogus de Oratoribus, confessa:

“A crítica mais cética deve respeitar a verdade desse fato extraordinário e a integridade desse tão famoso texto de Tácito”.

Tácito deixou também em seu livro “Anais”, outro importante registro relacionado com o cristianismo, quando falou do julgamento de uma mulher pertencente à alta sociedade romana, chamada Pompônia Grecina. Essa mulher foi acusada de ter passado a fazer parte do número de pessoas que praticavam “uma superstição importada”. Hoje, sabemos que essa “superstição importada” não era outra coisa senão o cristianismo:

“Pompônia Grecina, dama da alta sociedade(esposa de Aulo Plácio, que fez jus, como já mencionado, à vocação com sua campanha contra a Grã-Bretanha), foi acusada de aderir a uma superstição importada; o próprio marido a entregou; segundo precedentes antigos, apresentou aos membros da família o caso que envolvia a condição legal e dignidade da esposa. Esta foi declarada inocente. Pompônia, porém, passou a transcorrer sua longa vida em constante melancolia; morta Júlia, filha de Druso, viveu ainda quarenta anos trajando luto e fartando-se de tristeza. Sua absolvição, ocorrida em dias de Cláudio(Nero), veio a ser-lhe motivo de glória”(Anais. Livro XIII. Parágrafo XXXII).

    

Prova ainda mais forte que a sua conversão e completa mudança de vida mesmo em meio àquela sociedade inteiramente depravada foi realmente a fé cristã, é o fato de que a arqueologia comprova que Pompônia Grecina, realmente, se converteu ao cristianismo. Foram descobertas nas Catacumbas de Roma inscrições datadas do século III, fazendo referência à família Pompônia(gens pomponia), com vários de seus membros convertidos ao cristrianismo, o que nos revela que esta referência indireta da parte de Tácito trata-se de mais uma menção da existência dos seguidores de Jesus já no primeiro século da era cristã.

Continuaremos amanhã...

Viva vencendo, fazendo uso da Verdade de Deus e da verdade dos homens!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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