20 janeiro 2016

JESUS DE FATO EXISTIU? O QUE A HISTÓRIA TEM PARA NOS DIZER? - PARTE 07

Justino, o Mártir
Justino, também conhecido como Justino Mártir ou Justino de Nablus (100 – 165 d.C) foi um teólogo do século segundo. Ele se converteu neste período ao cristianismo, já em plena vigência em sua época, como nos conta Elgin Moyer, definindo Justino como um:  "... filósofo, mártir, apologeta, nascido em Flávia Neápolis. Com boa formação, parece ter tido recursos suficientes para levar uma vida de estudos e viagens. Sendo um ávido inquiridor da verdade, bateu sucessivamente às portas do estoicismo, aristotelismo, pitagorismo e platonismo, mas detestou o epicurismo. No inicio teve algum contato com os judeus, mas não se interessou pela religião seguida por eles. O platonismo foi o que mais exerceu atração sobre ele, e ele imaginava que estava em vias de atingir o alvo de sua filosofia - a visão de Deus - quando, num certo dia, numa caminhada solitária à beira-mar, o jovem filósofo encontrou um idoso e venerável cristão, pessoa de semblante agradável e de uma serena dignidade. Esse humilde cristão abalou a confiança de Justino na sabedoria humana e mostrou-lhe os profetas hebreus, 'homens que viveram antes do que todos aqueles filósofos de renome, homens cujos escritos e ensinos predisseram a vinda de Cristo...' Seguindo o conselho daquele senhor idoso, esse zeloso platonista tornou-se um cristão de verdade. Ele afirmou: 'Descobri que só esta filosofia é segura e proveitosa'. Depois da conversão, ocorrida no início da idade adulta, ele se consagrou de coração à defesa e à divulgação da religião cristã"(Who Was Who in Church History - Quem foi Quem na História da Igreja).

 Justino fala sobre o culto cristão:
 “No dia dito do Sol todos se reúnem no mesmo lugar, quer habitem nas cidades, quer nos campos; são lidas as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas, segundo o tempo disponível. Quando o leitor termina, presidente da assembléia, com um discurso, nos convida e exorta à imitação daqueles belos exemplos. Em seguida, levantamo-nos todos juntos e fazemos preces; e, como já dissemos, terminada a prece, são trazidos pão, vinho e água, e o presidente da assembléia eleva também ao céu preces e ações de graças com todas as suas forças, enquanto o povo responde dizendo amém; e se realiza a distribuição e repartição dos elementos sagrados, que por meio dos diáconos são enviaos também aos que não estão presentes. As pessoas de posse e bem dispostas oferecem tudo o que desejam; o que foi recolhido é depositado junto ao presidente [da assembléia], que ajuda os órfãos, as viúvas, os doentes, os presos, os estrangeiros que estão de passagem; numa palavra, ele socorre todos os que precisam” (Justino, I Apologia, 67 – Data:156 d.C)
Contudo, o fator provavelmente mais importante, ocorreu por volta de 150 A.D, ao escrever a sua “Defesa do Cristianismo”, enviada ao imperador Antônio Pio, sugere ao imperador que consulte o relato de Pilatos, o qual Justino afirma que devia estar guardado nos arquivos imperiais. Ele diz que as palavras “’transpassaram meus pés e mãos’ são uma descrição dos cravos que prenderam suas mãos e pés na cruz; e depois de o crucificarem, aqueles que o crucificaram sortearam suas roupas e dividiram-nas entre si. E se tais coisas assim aconteceram, poderás verificar nos 'Atos' que foram escritos no governo de Pôncio Pilatos”.
Posteriormente ele diz: "Poderás facilmente conferir nos 'Atos' de Pôncio Pilatos que Ele realizou esses milagres"(Apologia 1.48).
Ao escrever, no ano 150 d.C., sua primeira Apologia (documento de defesa), o escritor Justino, o mártir, dedicou esse trabalho em defesa dos cristãos “pertencentes a todas as raças”, conforme ele se expressou. Em outro de seus livros, intitulado Diálogo com o Judeu Trifão, Justino afirma que “não há raça, ou grega ou báarbara... da qual não subam orações e ação de graças ao Pai e Criador, em nome de Jesus crucificado”
Vale sempre lembrar que este é um testemunho de alguém do segundo século, que atestava já haver culto cristão e orações ao Pai em nome de Cristo. Apesar de ser um filósofo cristão, não o era antes de se converter, e já atestava em sua época (séc.II) a existência real da crucificação de Cristo atestada e guardada nos arquivos imperiais. Não apenas isso, mas também desafia o próprio imperador Romano (Antônio Pio) a confirmar tal fato. Obviamente ninguém iria cometer tal ato de suicídio em caso que evidentemente Jesus Cristo não tivesse de fato passado por esta terra e sofrido a morte e crucificação.
Tertuliano
Quintus Septimius Florens Tertullianus, conhecido como Tertuliano (160 - 220 dC) foi Jurista e teólogo de Cartago. Seus escritos constituem importantes documentos para a compreensão dos primeiros séculos do cristianismo. Ao fazer em 197 A.D. uma defesa do cristianismo perante as autoridades romanas na África, Tertuliano menciona a correspondência trocada entre Tibérío e Pôncio Pilatos:
"Portanto, naqueles dias em que o nome cristão começou a se tornar conhecido no mundo, Tibério, tendo ele mesmo recebido informações sobre a verdade da divindade de Cristo, trouxe a questão perante o Senado, tendo já se decidido a favor de Cristo. O Senado, por não haver dado ele próprio a aprovação, rejeitou a proposta. César manteve sua opinião, fazendo ameaças contra todos os acusadores dos cristãos" (Apologia, V.2).
Por volta do ano 200 d.C., ao escrever sua Apologia Contra os Gentios (em defesa dos cristãos), Tertuliano afirmou ao Senado de Roma: “Somos de ontem e já enchemos o mundo e todos o vosso império, cidades, ilhas, aldeias, municípios, assembléias, quartéis..., o palácio, o senado, o foro; só não quisemos ocupar os vossos templos.”
De fato, o cristianismo já havia invadido o mundo daquela época. Os ateus, por pura incredulidade, negam inteiramente os fatos e pregam que Cristo é um mito do terceiro para o quarto século. Mais mito do que essa mentira ateísta, simplesmente não existe. Quem prega que Jesus jamais existiu, não é um “cético”, mas sim alguém que mostra um desconhecimento histórico mais do que gritante.
                                               Públio Lêntulus
Públio Lêntulo foi governador da Judéia na época de Cristo. No ano de 32 AD, ele dirigiu uma carta ao Senado Romano, apresentando um retrato falado de Jesus. Esta descrição foi retirada de um manuscrito da biblioteca de Lord Kelly, anteriormente copiada de uma carta original de Públio Lêntulo em Roma. Era costume dos governadores romanos relatar ao Senado e ao povo coisas que ocorriam em suas respectivas províncias no tempo do imperador Tiberio César. Públio Lêntulo, que governou a Judéia antes de Pôncio Pilatos, escreveu a seguinte epístola ao Senado relativo ao Nazareno chamado Yeshua (Jesus), no princípio das pregações:

"Apareceu nestes nossos dias um homem, da nação Judia, de grande virtude, chamado Yeshua, que ainda vive entre nós, que pelos Gentios é aceito como um profeta de verdade, mas os seus próprios discípulos chamam-lhe o Filho de Deus - Ele ressuscita o morto e cura toda a sorte de doenças. Um homem de estatura um pouco alta, e gracioso, com semblante muito reverente, e os que o vêem podem amá-lo e temê-lo; seu cabelo é castanho, cheio, liso até as orelhas, ondulado até os ombros onde é mais claro. No meio da cabeça os cabelos são divididos, conforme o costume dos Nazarenos. A testa é lisa e delicada; a face sem manchas ou rugas, e avermelhada; o nariz e a boca não podem ser repreendidos; a barba é espessa, da cor dos cabelos, não muito longa, mas bifurcada; a aparência é inocente e madura; seus olhos são acinzentados, claros, e espertos - reprovando a hipocrisia, ele é terrível; admoestando, é cortês e justo; conversando é agradável, com seriedade. Não se pode lembrar de alguém tê-lo visto rir, mas muitos o viram lamentar. A proporção do corpo é mais que excelente; suas mãos e braços são delicados ao ver. Falando, é muito temperado, modesto, e sábio. Um homem, pela sua beleza singular, ultrapassa os filhos dos homens.De letras, faz-se admirar de toda cidade de Jerusalém, ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como divino e muitos me querelam, afirmando que é contra lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus. Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele o têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à Tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido”


Públius Lentulus foi predecessor de Pôncio Pilatos como governador da Judéia, na época em que Jesus Cristo iniciou seu ministério.O texto original encontra-se na biblioteca do Vaticano. Comprovada sua autenticidade, tornou-se, fora da Bíblia, um dos documentos mais importantes sobre a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Sabemos também que após a crucificação de Cristo, Públius Lentulus tornou-se seu seguidor e, juntamente com sua filha Lívia, levava a palavra de Deus aos povos da época.
Este documento por si só prova a existência de Jesus e de suas virtudes porque o senador Públio não iria perder tempo com qualquer um, muito menos o imperador César que tinha interesses bem diferentes. É também a narrativa que mais se aproxima das fotos de Jesus que conhecemos, mas o importante é o que Cristo foi e não a sua aparência. Lentulus fala das grandes virtudes de Jesus, que jamais o viram sorrindo, porém muitos o viram chorando. Chorando por quê? Provavelmente pelas mazelas do mundo, pela cabeça dura do povo.
Talmude
Essa também é outra fonte de origem judaica e que confirma a existência histórica de Jesus: o Talmude – coleção de doutrinas e comentários acerca da lei, elaborada a partir do primeiro século da Era Cristã, por rabinos que aproveitaram a “tradição dos anciãos” que vinha sendo transmitida verbalmente pelos judeus, de geração em geração. Em meio a esses escritos rabínicos, existem várias referências a Jesus. Sendo a codificação tardia de tradições e de fatos, de interpretações e sentenças sobre a lei, além de incluir as discussões apaixonadas de muitos rabinos, o Talmude, tanto na sua edição de Jerusalém, como na de Babilônia, faz muitas referências a Jesus, tratando-o, porém, quase sempre com preconceitos, mentiras ou hostilidades.

Todavia, apesar de todos esses sentimentos contra o nosso Salvador, o judaísmo, a partir do nascimento de Jesus Cristo, sempre reconheceu sua existência histórica. Embora falando mal de Jesus, os rabinos, cujos escritos foram reunidos no Talmude, confirmam, direta ou indiretamente, que Jesus Cristo existiu, pregou sua mensagem, confessou ser Deus e por isso foi condenado à morte. Alguns não acreditam que o Yeshua do Talmude seria o mesmo Yeshua do Novo Testamento, mas aqui apresentarei alguns fatos que levam a crer que o Jesus do Talmude é mesmo o Jesus da Bíblia. Vejamos:
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"Na véspera da páscoa, eles penduraram Yeshu (de Nazaré), sendo que o arauto esteve diante dele por quarenta dias anunciando (YESHU DE NAZARÉ) vai ser apedrejado por ter praticado feitiçaria e iludido e desencaminhado o povo de Israel. Todos os que saibam alguma coisa em sua defesa que venham e suplique por ele. Mas nada encontraram em sua defesa e ele foi PENDURADO A VÉSPERA DA PÁSCOA” (Sinédrio da Babilônia,43a)
“Véspera da páscoa”!!!

O Talmude Babilônico diz: "... e penduraram-no na véspera da Páscoa". O título que o Talmude dá a Jesus é "Ben Pandera” e "Jeshu ben Pandera". Muitos estudiosos afirmam que "pandera" é um jogo de palavras, um trocadilho com a palavra grega panthenos, que significa "virgem" chamando-o de "filho da virgem". Joseph Klausner, um judeu, afirma que "o nascimento ilegítimo de Jesus era uma idéia corrente entre os judeus..."
Além disso, a mais famosa dessas referências rabínicas a Jesus Cristo está ligada ao nome de Eliezer ben Hyrcanos, um dos mais ilustres rabinos entre os tanains. Esses tanains eram doutores na Lei e sucessores dos fariseus, que surgiram em Jerusalém no final do 1º século da Era Cristã. Certa vez o rabino Eliezer foi preso sob a acusação de heresia. Depois de haver passado alguns dias na prisão, libertaram-no. No caminho de volta para sua casa, Eliezer encontrou-se com seu amigo Akiba, e este, que estava mais ou menos informado sobre o caso, quis saber mais detalhes sobre o motivo de sua prisão. Eis como o Talmude registra o diálogo:
“Mestre, tu deves ter ouvido uma palavra de minuth (heresia); essa palavra deu-te prazer, e foi por isso que foste preso. Ele (Eliezer) respondeu: Akiba, tu fizeste-me recordar o que se passou. Um dia que eu percorria o mercado de Séforis, encontrei lá um dos discípulos de Jesus de Nazaré; Tiago de Kefar Sehanya era o seu nome. Ele disse-me: Está escrito na vossa lei (Deuteronômio 23.18): ‘Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à casa do Senhor teu Deus por qualquer voto...’ Que fazer dele? Será permitido usá-lo para construir uma latrina para o Sumo Sacerdote? E eu não respondi nada. Disse-me ele: Jesus de Nazaré ensinou-me isto: o que vem de uma prostituta, volte à prostituta; o que vem de um lugar de imundícies, volte ao lugar de imundícies.’ Esta palavra agradou-me, e foi por tê-la elogiado que fui preso como Minuth (herege)”

Sobre o texto acima, Klausner comenta: "Não resta dúvida de que as palavras 'um dos discípulos de Jesus de Nazaré' e 'assim Jesus de Nazaré me ensinou' são, nesta passagem, de uma data bem antiga e também são fundamentais no contexto da história relatada”
Um argumento judaico contra Yeshua no Talmude é que o termo “mecurav le’malchut” quer dizer "chegado da realeza". Yeshua era amigo de Alexandre Janeu, o rei da época em Israel. O que significa o termo mecurav le’malchut em hebraico?
Alguns rabinos pensam que o real significado dessa frase (mecurav le’malchut) diz respeito a Jesus pertencer à Casa Real de Davi, ou seja, que Jesus era descendente do Rei Davi. Quer dizer que, nesse caso, estar ligado ao reino diz respeito a ser pertencente à linhagem davídica, à realeza de Israel, e é por isso que não poderiam se apressar em executá-lo sem esses quarenta dias, que serviram de salvaguarda e para procurar por alguém que pudesse apresentar alguma defesa a favor dele.
O Talmude registra os milagres de Jesus; não é feita nenhuma tentativa de negá-los, mas relaciona-os como frutos de artes mágicas do Egito. Também sua crucificação é datada como tendo "ocorrido na véspera da Festa da Páscoa", em concordância com os evangelhos. Também de forma semelhante ao evangelho (Mat 27,51), o Talmude registra a ocorrência do terremoto e o véu do templo que se dividiu em dois durante a morte de Jesus. Josefo, em sua obra "A Guerra Judaica" também confirma esses eventos.
Estas são as referências judaicas sobre a existência histórica do Filho de Deus. Existem outras deixadas por escritores romanos, gregos e siríacos, como, por exemplo, o Sanhedrim 43a que também menciona os discípulos de Jesus. Mais uma vez vimos que todas as tentativas ateístas de anular o Yeshua do Talmude como o Yeshua do Novo Testamento fracassam pelas provas apresentadas, sendo assim, tanto para judeus quanto para ateus, a tentativa de anular Jesus e sua existência na história fracassam de forma devastadora.

Continuaremos amanhã...

Abraços.

Viva vencendo, conhecendo os fatos registrados!!!

Seu irmão menor.

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