04 fevereiro 2016

LIÇÃO 06 - 07/02/2016 - "O TRIBUNAL DE CRISTO E OS GALARDÕES"


TEXTO ÁUREO

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal”(2Co. 5.10).

VERDADE PRÁTICA

Todos os crentes deverão comparecer diante do Tribunal de Cristo para que cada um receba a sua recompensa.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Coríntios 3.11-15

INTRODUÇÃO
Embora a vida eterna seja um dom gratuito, concedido com base na graça de Deus(Ef 2:8,9), cada um de nós ainda será julgado por Cristo. Todos os crentes terão que comparecer diante do Tribunal de Cristo para julgamento de suas obras e atos. O Senhor nos recompensará de acordo com o nosso modo de vida aqui. O Tribunal de Cristo não se destinará: ao julgamento dos nossos pecados (1João 1:7), pois os mesmos foram perdoados por Jesus no Calvário; a garantir um lugar no Céu(Ap. 22:14), que foi obtido a partir do momento em que cremos em Jesus e nosso nome foi escrito no Livro da Vida; à condenação, visto que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito (Rm 8:1).
I. O TRIBUNAL DE CRISTO E OS CRENTES
A Bíblia assevera que todos os redimidos estão isentos do juízo divino para condenação (João 5:24; Rm 8:1; Hb 10:14-17). Porém, há um juízo futuro para os crentes (1João 4:17; Hb 10:30b), concernente ao grau de sua fidelidade a Deus e a graça que receberam durante esta vida na Terra(1Co 3:10; 4:2-5; 2Co 5:10). Nesse juízo, há a possibilidade do crente, embora salvo, sofrer uma grande perda: (a) perda do trabalho que fez para Deus na sua vida (1Co 3:12-15); (b) perda de glória e de honra diante de Deus(Rm 2:7); (c) perda de galardão(1Co 3:14,15); etc. Deus avaliará a qualidade da vida, da influência, do ensino e do trabalho na Igreja, de cada pessoa e, especialmente, de cada obreiro; se uma obra for julgada indigna, ele perderá o seu galardão, mas, pessoalmente será salvo – “todavia como pelo fogo” (1Co 3:15). A alusão ao “fogo” aqui, provavelmente, significa “salvo por um triz”. Como alguém que está numa casa incendiada e escapa através do fogo, só com vida. É válido ressaltar que este trecho refere-se a um julgamento de obras, que se dará no Tribunal de Cristo, logo após o Arrebatamento, e não à purificação de pessoas quanto aos seus pecados. Os nossos pecados já foram purificados pelo sangue de Jesus Cristo(1João 1:7).
  1. O julgamento: O julgamento da Igreja ocorrerá logo após o Arrebatamento, antes das Bodas do Cordeiro. Acontecerá nas regiões celestiais. Neste Tribunal, os crentes serão julgados pelas obras que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (Rm 14:10; 2Co 5:10).
– Esse julgamento não envolve salvação ou perdição, pois todos os crentes que forem arrebatados estarão salvos, mas serão julgadas as obras com vistas à entrega de recompensas, de “galardão”. Nesta oportunidade, muitos serão surpreendidos, pois Deus conhece o coração do homem (1Sm 16:7) e sabe a qualidade de tudo o que está sendo feito em Sua obra, não atentando para a aparência. Diante disto, muitos que, aparentemente, terão feito muito pela obra do Senhor, nada receberão, porquanto suas obras serão consideradas como palha, como madeira, sem condição de resistir ao crivo divino; porém, outros, que, aparentemente, nada teriam feito pelo Senhor, receberão galardões, pois trabalharam em silêncio, sem alarde, mas com dedicação e real devoção. Os critérios do julgamento e o seu tratamento são descritos em 1Co 3:11-15:
“Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1Co 3:11-15).
– Esse julgamento será meticuloso: Levará em conta todos os nossos atos e palavras e não apenas o caráter geral da nossa vida (Gl 6:7,8).
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito do Espírito ceifará a vida eterna”.
– Esse julgamento será recompensador: O objetivo final do Tribunal de Cristo é galardoar aqueles que trabalham na obra do Mestre. Esta é a razão que o apóstolo Paulo nos exorta a sermos firmes na obra, pois não é vão o nosso trabalho (1Co 15:58).
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.
É bom ressaltar que Jesus não galardoará o crente pelo seu título, não. Não será levado em consideração o crente pastor, diácono, evangelista, presbítero, missionário, revenrendo… O prêmio da soberana vocação (Fp 3:14) será dado aos “servos bons e fiéis” (Mt 25:21,23).
– Nesse julgamento Deus irá coroar seus filhos: Ali teremos as seguintes coroas:
– da vida (Tg 1:12; Ap. 2:10) – para aqueles que estiverem dispostos a morrer por amor a Jesus Cristo.
– da justiça (2Tm  4:8) – para todo aquele que amar a sua vinda.
– incorruptível (1Co 9:25) – para aqueles que não andam fazendo a vontade da carne.
– de glória (1Pe 5:4) – para aqueles que trabalharam por amor na obra do Senhor e não por amor ao dinheiro.
Lembremos, pois, do estribilho do hino 418 da Harpa cristã: “Depois da batalha Deus me coroará”…
  1. Quando se dará o Tribunal de Cristo? Após o Arrebatamento da igreja se dará o Tribunal de Cristo, onde os crentes serão julgados e receberão o galardão da parte do Senhor (Ap 22:12). Naquele grande Dia, todos os salvos em Cristo que serviram ao Senhor com integridade, sinceridade, fidelidade e lealdade, receberão a devida recompensa.
Paulo foi um servo fiel que sofreu muitas tribulações, as mais terríveis e insuportáveis (2Co 1:8): foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado. Mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao céu um tributo de louvor ao Senhor. Na antessala do martírio, afirmou com inefável alegria: “eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia” (2Tm 1:12). Paulo não termina a vida com palavras de decepção, mas com um tributo de glória ao Salvador (2Tm 4:18b). A esperança da glória manteve esse bandeirante do cristianismo de pé nas lutas mais renhidas. Ele tombou na terra, pelo martírio, mas ergueu-se no céu para receber a recompensa.
Portanto, não desanimes, prezado obreiro do Senhor! Talvez o teu trabalho não esteja sendo levando em conta diante dos homens, mas Deus está vendo. Em breve, na Sua vinda, ele te recompensará (Ap 22:12). Pense nisso!
  1. Onde ocorrerá o Tribunal de Cristo? Não é preciso muito esforço para perceber que o Tribunal de Cristo ocorrerá na esfera das regiões celestes. 1Tessalonicenses 4:17 diz que seremos “arrebatados […] entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares“. Visto que o Tribunal segue a translação, os “ares” devem ser o seu palco. Isso também é apoiado por 2Coríntios 5:1-8, em que Paulo descreve os acontecimentos que ocorrem quando o crente “deixar o corpo e habitar com o Senhor”. Desse modo, isso deve acontecer na presença do Senhor na esfera dos “lugares celestiais”.
Cremos que não será na Terra para não ser presenciado pelos pecadores que durante sua vida foram hostis ao povo de Deus; também não será no Céu, pois diante do Tribunal haverá decepções (1João 2:28; 1Co 3:13-15), coisa que não haverá no Céu, pois o mesmo é feito de alegria no Espírito Santo.
A história de Isaque e Rebeca relatada em Gênesis 24, nos fornece uma antecipação figurativa deste fato, pois nos diz o texto que Rebeca deixou sua terra natal e empreendeu uma longa caminhada para se encontrar com Isaque. Todavia, o encontro não se deu na casa de Isaque, mas no campo, o que nos dá a ideia de que o Tribunal de Cristo será nos ares.
  1. Quem será o Juiz? Conforme 2Corintios 5:10 e 2Tm 4:8 o Juiz desse Tribunal será, indubitavelmente, Jesus Cristo. João 5:22 declara que todo o julgamento foi confiado às mãos de Jesus, o Filho de Deus. O fato de esse mesmo acontecimento ser citado em Romanos 14:10 como “o Tribunal de Cristo” mostra também que Deus confiou o julgamento às mãos de Jesus. Parte da exaltação de Cristo é o direito de manifestar autoridade divina no julgamento.
II. AS OBRAS DO CRENTE E O JULGAMENTO DE CRISTO
  1. A precisão do julgamento: O julgamento será preciso, pois passará pelo crivo do justo Juiz; será comparado à passagem de materiais pelo fogo (1Co 3:13-15). Este fogo é destrutivo e não purificador; destrói apenas obras e não obreiros; causa perda e não lucro; destrói apenas o que for falso e não verdadeiro; causa apenas reprovação da obra e não do obreiro. Nessa ocasião, serão julgadas as obras – aquelas realizadas em Cristo – e não o obreiro (1Co 3:11-15). E somente duas palavras serão ali pronunciadas: aprovado ou reprovado, pois o fogo divino declarará a obra de cada um, revelará qual foi a verdadeira intenção do coração de cada crente que será julgado. O apóstolo Paulo diz que cada crente dará contas a Deus de todas as obras que houverem praticado aqui (Rm 14:11,12).
Podemos até cogitar que Galardão será destinado para os salvos, mas o apóstolo Paulo afirma que tais honrarias estarão infinitamente além do que sonha ou cogita a imaginação humana – “Mas, como está escrito: as coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”(1Co 2:9). Além da esplendorosa cidade que Jesus preparou para sua Igreja (João 14:1-3; Fp 3:20), com todos os seus indivisíveis e inimagináveis atrativos, o maior galardão do crente será a presença indelével do Senhor (João 14:3; 17:24).
  1. "Ouro, prata e pedras preciosas": Estes elementos representam o trabalho feito com humildade e temor, para a glória do Senhor (1Co 10:31). As obras que forem comparadas a estes três materiais serão aprovadas, e os seus praticantes serão galardoados (1Co 3:13,14). Veja análise de cada elemento, na visão do Pr. Elinaldo Renovato de Lima.
a) Obras comparadas a ouro: Na Bíblia, o ouro é símbolo das coisas de Deus, das coisas divinas (Jó 22.23-25; Ap 3.18). São obras que são feitas para a glória de Deus, feitas em comunhão com Ele, “feitas em Deus” (João 3.21), de pleno acordo com sua Palavra. O crente que glorifica a Deus com suas obras está praticando obras comparáveis a ouro (Mt 5.16). São “as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Se tratamos os irmãos e os outros com o amor de Deus, isso é comparado a ouro. Quando usamos bem os talentos dados por Deus, realizamos obras “de ouro” (Mt 25.14,20). São obras que glorificam a Deus: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16).
b) Obras comparadas a prata Na tipologia bíblica, a prata é símbolo de redenção. No Antigo Testamento, a redenção dos filhos de Israel era paga em prata (Ex 30.11-16; Lv 5.15; 27.3). No Novo Testamento, simboliza a redenção feita por Cristo: “sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais” (1Pe 1.18; 1Co 6.20). São obras feitas em Cristo. O crente que ganha almas, que prega a Palavra, que dá bom testemunho da sua fé em Jesus, está realizando obras de prata. Os obreiros do Senhor que cuidam bem do rebanho realizam obras de prata. Visitar os enfermos, os carentes, evangelizar, podem ser obras de prata.
c) Obras comparadas a pedras preciosas São símbolos do Espírito Santo, ou da glória de Cristo no crente (ver João 17.22). Os crentes que possuem os dons espirituais (1Co 12) têm o adorno do Espírito Santo. São obras feitas pelo poder do Espírito Santo (Fp 3.3; Tt 3.5). São obras na unção do Espírito Santo. Evangelizar, pregar, cantar na unção, podem ser pedras preciosas. É o testemunho eloquente do servo ou da serva de Deus, andando de acordo com a sã doutrina (Tt 2.10).
  1. As obras que perecerão: de Madeira; de Feno; de Palha: Estes tipos de materiais não resistem ao fogo. As obras que forem comparadas a estes três tipos de materiais não ensejarão galardões – “Se a obra de alguém se queimar, sofrera detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1Co 3:15).
Veja, a seguir, uma análise destes três elementos, conforme entendimento do Pr. Elinaldo Renovato de Lima.
a) de Madeira: Na Bíblia, madeira é símbolo das coisas humanas. É uma figura da árvore, que cresce por si mesma. Há crentes que fazem muitas coisas, mas buscando a glória humana. No fogo do julgamento, elas vão desaparecer. Há quem trabalha muito nas igrejas, mas não o fazem para a glória de Deus. Logo, não terão o reconhecimento por parte do Senhor.
b) de Feno: Feno é capim, é erva seca. São obras aparentes, mas sem consistência, como erva seca (Is 15.6). É coisa perecível (Is 51.12). Representam obras de crentes que fazem muita coisa para aparecer. A preocupação deles é com a quantidade e não com a qualidade. Um monte de feno pode ser muito grande, mas, no fogo, desaparece em segundos. Não haverá galardão para esse tipo de obra. Pregar para aparecer; pregar por dinheiro; cantar para aparecer, para ter a glória dos homens, buscando o aplauso das multidões, sem dúvida alguma, são obras de feno; aparecem muito, mas não têm consistência, e já receberam seu galardão, em termos de dinheiro; nada terão lá no Céu, pois “já receberam o seu galardão” aqui mesmo (cf. Mt 6.2,5,16).
c) de Palha: A madeira tem certa consistência, mas a palha é muito fraca. Não resiste à força do fogo. O vento leva com facilidade (Sl 1.4; Jó 21.18; Os 13.3). É instável. Não pode se misturar com o trigo (Jr 23.28). Palha representa obras sem firmeza. Há crentes que não sabem o que querem na vida cristã. Vivem mudando o tempo todo. Mudam de cargo, mudam de igreja com facilidade. São levados por “todo vento de doutrina” (Ef 4.14).
– “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo” (1Co 3.15).
“Este texto mostra que haverá crentes cujas obras não serão aprovadas no julgamento de Deus, no Tribunal de Cristo. São obras mortas, obras que não têm valor diante de Deus. São obras que alguns crentes praticam, para sua própria glória, mas não glorificam a Deus. São obras feitas por muitos de modo relaxado, sem o zelo necessário a quem serve a Deus. As obras não serão recompensadas, mas “o tal será salvo, todavia como pelo fogo”; isto quer dizer que, como não se trata de julgamento de pecados, quem pratica tais obras poderá ser salvo, mas sem recompensas ou galardões. Não haverá inveja ou tristeza, pois tais sentimentos são carnais e não entrarão no Céu. Só o fato de chegar lá já será motivo de grande alegria. Mas é melhor fazer o melhor para Deus” (Elinaldo Renovato de Lima. O Final de Todas as Coisas. CPAD).
III. A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO CRENTE E OS GALARDÕES
  1. Os pastores darão conta dos seus rebanhos (Hb 13:17) – “…porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas…”.
As ovelhas do Senhor devem ser bem cuidadas, adequadamente alimentadas e diligentemente protegidas. Elas foram compradas com o próprio sangue de Cristo. Desta feita, elas são de imensurável valor, e não podem ficar expostas a nenhum capricho ou descuidos de quem quer que seja. O apóstolo Paulo adverte a todos os pastores que lideram o rebanho do Senhor: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”(Atos 20:28).

No período do Antigo Testamento, todos os que tinham responsabilidades de liderança, como os profetas, os sacerdotes e os reis, eram considerados pastores do povo de Israel. Quanto ao rei,a sua missão era aconselhar e guiar o povo de Deus (1Sm 9:16; ler Dt 17:14-20); quanto ao sacerdote, sua missão era santificar o povo, oferecer sacrifícios pelo povo e interceder pelos transgressores (Hb 5:1-3; ler Lv 10:8-11; 16; 21:1-24); quanto ao profeta, sua missão era preservar o conhecimento e manifestar a vontade do único e verdadeiro Deus (Ez 2:1-10; ler Dt 18:20-22).
Todavia, a maioria dos líderes de Israel foi infiel à missão que Deus lhes entregou. Maltrataram, em vez de cuidarem das ovelhas do Senhor. Deus repudiava esses pastores relapsos e pedia-lhes severas contas pelo sofrimento que infligiam às ovelhas que lhes confiou.
Veja o que Deus diz através do profeta Ezequiel contra os pastores infiéis de Israel(Ez 34:2-6):
“2. Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize aos pastores: Assim diz o Senhor Jeová: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? 3. Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas.  4. A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 5. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam.  6. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque”.
– “Ai dos pastores de Israel. Nota-se que as palavras do Senhor dirigidas aos líderes de Israel são de condenação absoluta. Aqueles homens achavam que as posições que ocupavam eram tão dignificadas que os tornavam, automaticamente, isentos e imunes a toda e qualquer forma de crítica. Não entendiam que as posições que ocupavam, bem como as funções executadas por eles, realmente, não os isentavam de ter que admitir seus erros, de ter que confessar seus pecados e de sofrer as graves consequências dos juízos de Deus, caso não se arrependessem. Estas palavras, realmente duras da parte do Senhor, são motivadas pelo fato de que os pastores não são “donos” do rebanho de Deus e por este motivo não podem tratar o rebanho de Deus de qualquer maneira e de forma abusiva. Pastores, como diz o apóstolo Pedro, não passam de cooperadores submetidos ao Senhor Jesus, o Supremo Pastor(ver 1Pedro 5:4).
– Deus também acusa os pastores de estarem cuidando de si mesmos em vez de estarem cuidando das ovelhas:Ai dos pastores que se apascentam a si mesmos!”. Como se não fosse terrível o bastante ignorarem as necessidades das ovelhas por estarem por demais ocupados consigo mesmos, esses pastores ainda tratavam as ovelhas com extrema brutalidade, pois o profeta diz: “Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” e “dominais sobre elas com rigor e dureza“. O interesse daqueles pastores estava muito mais nos benefícios materiais que poderiam receber das ovelhas: carne, gordura, lã, do que nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. Para Ezequiel, o interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio e sim no poder e no controle que exerciam sobre as ovelhas.
– O resultado direto deste descaso e ignorância não demora a ser sentido. Ovelhas sem cuidados pastorais e maltratadas tendem a se espalhar, por não haver pastor, e acabam por tornar-se pasto para todas as feras do campo. Este é o triste fim de todas as situações de abuso espiritual que encontramos, mesmo nos dias de hoje: ovelhas dispersas, abandonadas e sendo devoradas por todos os tipos de “feras”. O profeta constata esta triste realidade ao dizer: “As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro”. Ovelhas abusadas só conseguem resistir até certo ponto. Algumas chegam mesmo a morrer dentro do próprio redil – a comunidade local que chamamos de igreja. Outras, não aguentando mais os abusos, preferem abandonar o redil. E os pastores demonstram algum tipo de preocupação? As palavras de Ezequiel estão repletas de desconsolo neste quesito: “as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque“.
Todavia, Deus tratará com firmeza aqueles que não viverem à altura dos compromissos assumidos como pastores e servos a serviço do povo de Deus. Ele diz: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o Senhor”(Jr 23:1). Porque somos ovelhas do pasto do Senhor, e Ele se mostra aborrecido quando somos maltratados por aqueles que deveriam realmente cuidar de nós.
  1. Crentes darão contas de seus talentos: Todo crente recebeu algum tipo de talento (habilidades, dons) do Senhor. Uns recebem mais e outros recebem menos, pois estes são distribuidos de acordo com a acapacidade de cada um, mas todos recebem, conforme percebemos através da Parábola dos talentos proferida por Jesus (Mt 25:14-30). Nesta Parábola, Jesus conta a história de um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. Para um servo deu cinco talentos, a outro, dois e ao terceiro, um.
a) O homem da parábola: A Parábola começa dizendo: ”Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens”(Mt 25:14). É claro que esse homem da parábola é o próprio Senhor Jesus. Esse homem após passar aqui na terra um período de 33 anos, fez sua viagem de volta à casa de seu Pai. Porém, antes de partir, como bom Senhor, ele não deixou seus servos ociosos e nem desamparados. Antes “… chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens”.
b) Esse homem partiu para fora da terra: Isto nos indica que haveria uma ausência física do dono dos bens. Esse período de ausência física do dono é o período da dispensação da graça (Ef 3:2,9-11), o período em que cabe à Igreja fazer aquilo que Jesus fazia, ter as mesmas atitudes que Jesus tinha enquanto esteve entre nós, de anunciar a salvação como Jesus anunciou.
A vida dos servos, então, durante este período de ausência física do dono deveria tomar conta do bem-estar do patrimônio do proprietário, até que ele voltasse. É precisamente o que significa a vida do crente enquanto estamos aqui nesta Terra. Nosso trabalho é realizar as obras do dono que se ausentou fisicamente. Desde o momento em que Jesus foi ocultado da visão física dos discípulos (At 1:9), os seus servos não podem ficar inertes ou perplexos, mas devem fazer o que Ele fazia até a sua volta (At 20:24).
c) A prestação de contas (Mt 25:19): AquiJesus nos ensina que teremos de prestar contas quando o Senhor voltar. Sua volta é certa. Demorará, conforme se depreende da parábola, mas acontecerá de forma inevitável. Quando o Senhor chegar, deveremos nos apresentar com os talentos que nos foram confiados, pois, na eternidade apenas as nossas obras nos seguirão (Ap 14:13). Estas obras serão manifestadas a todos e, no Tribunal de Cristo, passarão pelo teste do fogo, pela prova divina e, então, o trabalho que cada um fez por meio do corpo se revelará de forma inapelável diante daquele em que tudo está nu e patente (Hb 4:13).
d) Muito tempo depois o senhor veio e fez contas com eles: É interessante notar, em primeiro lugar, que Jesus fala em “muito tempo depois”. A parábola, portanto, indica que a dispensação da Igreja, o tempo destinado para os servos negociarem, seria extenso. Tudo parecia indicar que nada aconteceria, que a desobediência ficaria impune e que o labor dos servos obedientes tinha sido em vão, um zelo dispensável e desnecessário. Mas, sem que alguém esperasse, chegou o dia do retorno do senhor e, com ele, a prestação de contas. Mais uma vez, Jesus mostra que chegará o Dia em que deveremos prestar contas pelos nossos atos –“Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”(Rm 14:12).
e) O julgamento apresentado na parábola começa com os servos fiéis (Mt 25:19-23): Os servos apresentaram as suas obras e, em tendo sido elas aprovadas, tiveram a oportunidade de serem reconhecidos pelo Senhor e de serem convidados a entrar no seu gozo. Este julgamento mostra-nos a realidade do Tribunal de Cristo. Nele, os salvos serão julgados pelo que tiverem feito por meio do corpo, ou bem, ou mal (2Co 5:10). O Senhor, ali, verificará o que foi dado ao servo e o que ele granjeou com o que lhe foi dado. A mensagem dada ao servo que recebeu cinco talentos é absolutamente idêntica ao que recebeu dois talentos, uma vez que o trabalho de ambos foi, também, igual. Ambos duplicaram os talentos que receberam, ambos exerceram a plenitude de sua capacidade na obra do Senhor, ambos tiveram dedicação integral, de sorte que ambos tiveram o mesmo galardão. Não foi, porém, pelas obras que cada um chegou ao gozo do Senhor, mas pela sua fidelidade e obediência.
f) O julgamento do servo mau (Mt 25:24-30): O julgamento do servo mau não diz respeito ao Tribunal de Cristo. Aqui, o Senhor refere-se ao Juízo Final ou Juízo do Trono Branco, já que os ímpios serão julgados nesta oportunidade, onde haverá, sim, condenação, ao contrário do Tribunal de Cristo, onde os que forem julgados jamais perderão a salvação, ainda que sejam salvos como que pelo fogo (1Co 3:15).
O servo mau surge com desculpas, num comportamento bem diferente daquele que foi apresentado pelos servos bons. Assim procede o homem no pecado: tenta sempre encontrar uma justificativa para o seu erro, mas a Bíblia diz que os pecadores são inescusáveis, ou seja, não têm quaisquer desculpas diante de Deus (Rm 1:20).
Veja as desculpas do servo mau:
– Em primeiro lugar ele mentiupois alegou que conhecia o Senhor (Mt 25:24). Se conhecesse, mesmo, o Senhor, teria se empenhado em negociar os talentos. Quem o diz é o próprio Senhor, na Parábola, que afirma que, pelo menos, o servo mau deveria ter se preocupado em não causar a perda do poder aquisitivo do patrimônio que lhe fora confiado (Mt 25:26).
– Em segundo lugar, ele acusou o Senhor de “homem duro”, que ceifava onde não semeara e ajuntava onde não espalhara (Mt 25:24). Vemos aqui a segunda característica do pecador: ele sempre culpa Deus pelas suas próprias faltas. Quantos, nos nossos dias, não têm culpado Deus, negado até a existência de Deus? Quantos não acusam Deus de ser impiedoso e cruel porque mandará pessoas para a perdição eterna, e, enquanto o fazem, pecam desmedidamente, escandalizam o evangelho, muitas vezes até, sob a longanimidade deste mesmo Deus injustamente acusado?
– Em terceiro lugaro servo mau chama o Senhor de ladrão (Mt 25:24) – “…que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste…”. Colher onde não se semeou é invadir terreno alheio, é apropriar-se do alheio, é chamar o Senhor de ladrão.
– Em quarto lugaro servo mau chama o Senhor de cobiçoso (Mt 25:24). Ajuntar onde não se espalhou é uma expressão proverbial que indica um desejo ilegítimo de crescimento, uma ganância. O servo mau, entretanto, ao assim se referir ao Senhor denuncia a sua própria ganância. Ele havia se apropriado indevidamente do talento recebido e o enterrara porque sabia que tudo que granjeasse seria do Senhor e não dele.
– Em quinto lugaro servo mau diz que teve medo do Senhor (Mt 25:25). Não adianta ter medo de Deus. É preciso ter respeito, reverência, mas não medo. O servo mau alegou ter medo de Deus e por isso não lhe obedeceu. É assim mesmo: quem tem medo não obedece. Pode até fazer o que se manda, mas isto não é obedecer, pois a obediência é uma ação voluntária, não forçada. Não podemos mostrar aos homens um Deus irado, cruel e pronto a castigar. O medo de Deus não resolve. Na Grande Tribulação, os homens terão medo de Deus, que estará derramando terríveis juízos sobre a Terra, mas não se arrependerão de seus pecados, pois medo não transforma, não torna ninguém obediente.
– Em sexto lugaro servo mau não devolveu corretamente o que havia recebido do Senhor – ele mentiu mais uma vez, ao dizer ao Senhor: “aqui tens o que é teu (Mt 25:25). Diante do longo tempo decorrido, o talento devolvido não tinha o mesmo valor do talento que havia sido entregue. O tempo passou e, como a vida é dinâmica, o patrimônio recebido se desvalorizou, tanto que o Senhor diz que, se o servo mau quisesse mesmo apenas devolver o que lhe havia sido dado, teria entregado o talento ao banqueiro para que este o negociasse e, assim, não haveria perda de valor. O servo mau se apropriou de parte do valor do talento ilegitimamente, pois não era o dono. Assim ocorre com aquele que não usa o dom que Deus lhe deu. Ele retém ilegitimamente e o dom não será simplesmente devolvido ao Senhor, pois haverá um prejuízo irreparável, pois o bem que deveria ter sido feito com aquele dom, a glória que deveria ter sido dada a Deus através daquele dom, nunca terá sido concretizada e, como sabemos, quatro coisas não voltam atrás: o tempo passado, a oportunidade perdida, a palavra dita e a pedra atirada. O servo mau não teria mais condições de repor o valor perdido e, por isso, era praticante de uma injustiça, de uma iniquidade.
CONCLUSÃO
Que possamos, no momento da prestação de contas no Tribunal de Cristo, sermos achados fiéis e diligentes, e não servos negligentes. “Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim” (Mt 24:46). Que possamos estar sempre prontos trabalhando na obra do Senhor, e aproveitando todo o tempo dispensado a nós, usando todos os nossos talentos na obra de Cristo, para que naquele Dia, no Tribunal de Cristo, não sejamos envergonhados na presença do justo Juiz, mas que possamos ouvir a célebre palavra Dele proferida a nós: “foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei entra no gozo do teu Senhor”(Mt 25:21).
SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR
No Tribunal de Cristo, crentes são recompensados tomando-se por base o quão fielmente serviram a Cristo (2Co. 9.4-27; 2Tm 2.5). As coisas pelas quais seremos julgados serão provavelmente o quão fielmente obedecemos à Grande Comissão (Mt 28.18-20), o quão vitoriosos fomos sobre o pecado (Rm 6.1-4), o quão bem controlamos nossa língua (Tg 3.1-9), etc. A Bíblia fala dos crentes recebendo coroas por diferentes coisas com base em quão fielmente serviram a Cristo (1Co 9.4-27; 2Tm 2.5). As várias coroas são descritas em textos como 2Tm 2.5; 2Tm 2.4-8; Tg 1.12; 1Pd 5.4 e Ap 2.10. Tiago 1.12 é um bom resumo de como devemos pensar no Tribunal de Cristo: “Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam.
Este julgamento de cristãos acontecerá logo após o arrebatamento e certamente durante o período de sete anos de tribulação: Em primeiro lugar, é sustentado por dedução lógica. Se crentes hão de ser julgados pelas obras feitas antes do arrebatamento, faz sentido que tal julgamento seguir-se-á de perto ao arrebatamento. Parece lógico fazer saber os resultados do julgamento o mais cedo possível. Em segundo lugar, em Lucas 14.14, Jesus diz que a recompensa pelas obras praticadas será entregue "na ressurreição dos justos", e isto acontecerá, como vimos, na época do arrebatamento. Em terceiro, 1 Coríntios 4.5 e Apocalipse 22.12 indicam que Cristo conferirá galardões na época de Sua vinda para os Seus, com a sugestão que acontecerá muito perto daquela vinda.

 O termo usado nas Escrituras para se referir à esse julgamento é "o tribunal de Cristo"; emprega-se em 2Co 5.10 e Rm 14.10. O "tribunal" (grego - bema) do mundo Grego e Romano era o lugar onde um juiz sentava. Por exemplo, usa-se a palavra "bema" do lugar onde Pilatos sentou quando se pronunciou sobre Cristo (Mt 27.19; Jo 19.13) e do lugar onde Gálio sentou quando Paulo foi levado perante ele em Corinto (At 18.12,16; cf. 25.6). Então, o tribunal de Cristo será o lugar onde Cristo promulgará julgamento aos santos arrebatados, glorificados da igreja. Jesus Cristo se assentará para julgar as obras dos membros do seu corpo, a Sua noiva, a igreja, provando-os pelo fogo. Se as obras de um cristão forem inteiramente consumidas no processo e assim se revelarem inúteis, ele sofrerá a perda de não ser o "vencedor da corrida", porém sua salvação nunca estará em questão. Esse ponto foi definitivamente estabelecido na cruz do Calvário.

AS OBRAS DO CRENTE E O JULGAMENTO DE CRISTO
Várias passagens indicam a necessidade desta ocasião de juízo: Em Mateus 12.36, Jesus diz que "toda palavra frívola que proferirem os homens" será chamada à prestação de contas; isto é uma declaração geral, na certa se referindo aos salvos e perdidos. Em Gálatas 6.7, Paulo dá o princípio que todos vão colher o que semearam. E em Cl. 3.24,25, Paulo fala em particular aos cristãos quando diz que os que servirem bem ao Senhor receberão "do Senhor a recompensa da herança”, mas os que fizerem errado colherão pelo errado que fizeram. E mais, ambos os textos mencionados e identificados na ocasião são significantes. Romanos 14.10-12 diz que “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus", referindo claramente aos cristãos. Indica que ninguém estará isento nesta questão. O mesmo pensamento é expressada em 2 Coríntios 5.10 com as palavras: "Importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo". João descreve em Apocalipse 1.14 a Jesus Cristo glorificado e diz que: “os seus olhos (são) como chama de fogo”. Isto significa que um dia nossas obras estarão sujeitas ao rigoroso exame dos olhos de nosso Senhor Jesus Cristo. Esses olhos santos irão atravessar nossas almas, a fim de testar as nossas obras e queimar tudo que nós tivermos feito. Pois, o que não tiver sido feito por amor a Ele não irá suportar o fogo. Ele vai ver o tipo de cada obra e também a razão da mesma. Paulo diz em 1º Coríntios 13.3: “Ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria”. Quando as pessoas lêm esta passagem sempre a interpretam do ponto de vista humano. Elas a lêm aplicando-a ao “amor ao próximo”. Mas é bom ter cuidado. O primeiro mandamento em Mateus 22.37 é: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”, logo, ele se refere ao fogo que perscruta nosso ser e pesa nossas obras.

"OURO, PRATA E PEDRAS PRECIOSAS"
Os resultados do julgamento serão ou um galardão por obras aprovadas ou uma sensação de perda por feitos desaprovados. Isto é claro pela maneira como Paulo trata o assunto em 1 Coríntios 3.9-15. Ele fala sobre material de construção de duas categorias: "ouro, prata, pedras preciosas" não sujeitas a destruição de fogo, e "madeira, feno, palha" que o são. Ele declara que os "cooperadores de Deus" podem construir com materiais de uma ou outra classe no seu serviço por Ele; mas o fogo do juízo revelará de que classe vêm. Aquele cujas obras são da primeira categoria "receberá galardão", mas aquele cujas obras não resistem ao fogo, "sofrerá ele dano". As obras que agradam a Deus, que fazem uma contribuição digna ao "edifício de Deus", serão declaradas "ouro, prata, pedras preciosas"; os feitos que não O agradam, que não contribuem ao edifício, serão julgados "madeira, feno, palha". 'Ouro' na Bíblia significa divindade. Todos os móveis do Tabernáculo eram decorados com ouro. O ouro representa a coisa mais elevada ali, porque é a coisa mais elevada aqui na terra. E como sabemos disso? As ruas da Nova Jerusalém serão de ouro e esta é uma cidade preciosa por ser de ouro puro. O ouro significa divindade e em inglês se tirarmos o “l” da palavra “gold”, teremos a palavra “God=Deus”. Sempre  que se adora Jesus Cristo como Deus e sempre que O louvamos como Deus “ajuntamos tesouro no céu” (Mt 6.20). Quando estamos com problemas essa é a melhor ocasião para se louvar a Deus, porque o fazemos como um sacrifício. Esse é “o sacrifício de louvor” de Hebreus 13.15. Jesus disse á mulher de Samaria: “Deus é Espírito, e importa que os adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24). Quando vamos à igreja e cantamos em alta voz sobre Jesus Cristo e o louvamos com os nossos lábios, enquanto temos o coração partido, estamos acumulando ouro no Tribunal de Cristo. 'Prata' na Bíblia é o preço da Redenção. Quando Jesus foi vendido o seu preço foi de 30 moedas de prata. Quando os judeus iam para a batalha, recebiam esse valor em prata, como uma espécie de reparação pelas suas almas. Cada vez que vocês falarem a um homem o que deve fazer para ser salvo, estarão acumulando um tesouro de prata no céu, conforme Mateus 6.20-21. Sabem o que vaia acontecer a uma porção de cristãos? Vão chegar lá no céu e descobrir que estão completamente “quebrados”, que “não possuem prata nem ouro”, mas somente o preço de Cristo, diante do Tribunal. 'Pedras Preciosas' em Malaquias 3.17-18: ”E eles serão meus, diz o SENHOR dos Exércitos; naquele dia serão para mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve. Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve”. Quem não leu em 1 Pedro 2 a respeito de pedras preciosas? No verso 5 lemos: “Vós também como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”. Os salvos são como pedras preciosas. Em Mateus 7.6 somos aconselhados por Jesus, assim: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem”. Essas pérolas são os seus filhos na fé. Vocês não vão tomar os seus convertidos e atirá-los aos cães e aos porcos. O que são cães e porcos? Pedro diz que são os falsos mestres e os falsos profetas. “E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2.2). Isto está bem claro, quando se compara Escritura com Escritura. Pena que as pessoas lêm isso tão superficialmente que jamais entendem corretamente. Pedras preciosas são as pessoas que vocês levaram a Cristo. Em Zacarias 9.16 lemos que os salvos são “como pedras de uma coroa”. Quando o filho pródigo regressou ao lar, seu pai falou: “...Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés” (Lucas 15.22). Quando alguém nasce de novo é como uma pedra preciosa aos olhos de Deus. O que significa isto? Significa que as pessoas que vocês conduzem a Cristo são as suas pedras preciosas que farão parte da sua coroa. Daí porque os antigos cristãos costumavam cantar: “Haverá estrelas em minha coroa, à noite, quando o sol se puser".

"MADEIRA, FENO E PALHA"
O apóstolo Paulo mencionou seis diferentes materiais que, figurativamente, representam os elementos que empregamos na construção de nossa vida cristã. Os materiais são indicados como ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha. Os três primeiros são resistentes ao fogo do julgamento de Cristo. Os três últimos são frágeis e não resistem ao juízo de fogo. A obra de cada um será provada (1 Co 3.13-15). O tribunal de Cristo avaliará os materiais que temos utilizado na construção do edifício da nossa vida cristã. As obras feitas com madeira, feno e palha serão manifestas naquele dia, e o galardão será consoante à avaliação divina. Os materiais de madeira, feno e palha são inflamáveis e perecíveis, por isso, tudo o que for construído com eles não subsistirá. O juízo que determinará a qualidade das obras feitas (2 Co 5.10). As obras praticadas pelo crente serão submetidas ao julgamento naquele dia para se determinar se são boas ou más. A palavra “mal” na língua grega aparece como 'kakosou' 'poneros', e ambas significam aquilo que é eticamente mal. Porém, a palavra 'poneros', além de denotar maldade, tem o sentido de se estar praticando alguma coisa de total inutilidade. Portanto, o que Paulo entendia como obras más era a prática de coisas sem utilidade alguma, feitas com materiais espiritualmente imprestáveis.

OS PASTORES DARÃO CONTA DE SEUS REBANHOS
As obras praticadas pelo crente serão submetidas ao julgamento naquele dia para se determinar se são boas ou más. A palavra “mal” na língua grega aparece como 'kakos' ou 'poneros', e ambas significam aquilo que é eticamente mal. Porém, a palavra 'poneros', além de denotar maldade, tem o sentido de se estar praticando alguma coisa de total inutilidade. Portanto, o que Paulo entendia como obras más era a prática de coisas sem utilidade alguma, feitas com materiais espiritualmente imprestáveis . A palavra de Deus, na primeira carta a Timóteo 3.1, nos encoraja a aspirar na dedicação à obra do ministério e na pregação do Evangelho do Senhor Jesus, e fortalece dizendo: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Mas temos contemplado hoje muitos desvios. A Bíblia nos fornece muitos elementos pelos quais se pode reconhecer o abuso neste ministério - tanto no Velho como no Novo Testamento (Jr 10.21; Ez 34.2-4; 1Pe 5.3; 3Jo 9; 1Pe 5.1. Uma Igreja que tolera um pastor infiel sofre danos já agora. Os membros se espalham (Assim se espalham, por não haver pastor, e se tomaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes, e por todo o elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure, ou quem as busque. Ez 34.5-6). Numa igreja onde Cristo, o cabeça, é substituição por um “pastor” ditador, fatalmente o rebanho se espalhará. Ao pastor infiel, Deus vai dar termo ao seu pastoreio: "Assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estou contra os pastores, e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo ao seu pastoreio, e não se apascentarão mais a si mesmos; livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de pasto. (Ez 34.10). Um pastor ditador pode se manter por algum tempo no trono, porém o dia vem quando Deus mesmo o afastara do seu ministério. Convém lembrar mais uma vez que toda a liderança da igreja é responsável perante Deus quando permite que se crie uma situação destas. A toda a liderança é atribuída o cuidado pelo rebanho (Atos 20.17 a 28)  e cada um dará contas a Deus pelas pessoas que foram espalhadas.

CRENTES DARÃO CONTAS DE SEUS TALENTOS
já vimos que as pessoas julgadas nesse tribunal são os santos remidos por Cristo. O texto de 2Co 5.1-10 fala daqueles que lutam nesta vida para alcançarem o privilégio de serem revestidos de uma habitação espiritual no céu. Não haverá discriminação nesse lugar. Só entrarão os salvos, os remidos. Não haverá lugar nesse tribunal para julgamento condenatório. Jesus falou em Mt 12.36 que “toda palavra ociosa (ou frívola) que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo”. O apóstolo Paulo declarou que todos vão colher o que semearam (Gl 6.7), e, numa palavra especial aos cristãos, Paulo escreveu que os que servirem bem ao Senhor receberão a recompensa da sua herança (Cl 3.24,25). Em 1Co 3.9-15 não há descrição da natureza dos galardões a serem recebidos pelas obras aceitáveis, mas passagens paralelas sugerem que a recompensa tomará a forma de "coroas". Distingue-se cinco "coroas" distintas em vários textos:
(1) a "coroa incorruptível" para aqueles que dominam a velha natureza (1 Co 9.25);
(2)uma "coroa em que exultamos" para aqueles que levam outros a Cristo (1 Ts 2.19);
(3) uma "coroa de justiça" para os que amam a vinda de Cristo (2 Tm 4.8);
(4) uma "coroa da vida" para aqueles que mantém o seu amor pelo Senhor no meio de tribulação (Tg 1.12);
(5) uma "coroa de glória" para aqueles que são bons pastores do rebanho de Deus (1 Pe 5.4).

CONCLUINDO
As obras que fizermos por meio do corpo serão provadas pelo fogo (2Co 5.10) e podem ser aprovadas ou reprovadas (1Co 9.27). A palavra utilizada por Paulo para “mal” é phaulos, que tem o sentido de inutilidade, impossibilidade de gerar qualquer bem. Cristo vai avaliar o tipo de cada obra e também a razão da mesma: foi feito por amor ao Senhor? (1Co 13.3). Pois o primeiro mandamento em Mt 22.37 é: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”. Se as fizemos de boa vontade, receberemos galardão (1Co 9.17,18; 1Pe 5.2-4), mas se as fizemos com motivos de auto benefício, nada receberemos (Fp 1.15). Há um segundo evento que ocorre para os santos da igreja logo após o arrebatamento. Apocalipse 19.7-9 refere-se a isto como "as bodas do Cordeiro". Nesta ceia Cristo será o Noivo e a igreja será a Sua noiva. As figuras de um noivo e sua noiva em se referir a Cristo e Sua igreja são usadas freqüentemente em outras passagens do Novo Testamento (veja, por exemplo, Jo 3.29; Rm 7.4; 2 Co 11.2; Ef 5.25-33). As bodas celebrarão a união formal de Cristo com a Sua igreja num relacionamento eterno. Até este momento estavam separados, Um no céu e a outra na terra, mas deste instante em diante estarão sempre juntos. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef. 2.8)”.

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