20 março 2016

CATOLICISMO ROMANO NA FRANÇA, ESCANDALIZA POR CAUSA DE PEDOFILIA

O cardeal Philippe Barbarin<BR> [© Romano Siciliani]

Um novo escândalo de pedofilia dentro da Igreja Católica francesa pôs contra as cordas nesta terça-feira o cardeal Philippe Barbarin(foto), arcebispo de Lyon (leste), depois de o primeiro-ministro, Manuel Valls, pedir que "assuma suas responsabilidades".

A declaração de Valls, que pediu ao cardeal "não apenas palavras, mas atos", acentuou a pressão sobre o monsenhor Barbarin, uma das personalidades mais influentes da Igreja francesa, acusado por vítimas de padres pedófilos de não ter denunciado estes atos dos quais tinha conhecimento.

"Nunca acobertei o menor ato de pedofilia", declarou Barbarin, pouco depois, em coletiva de imprensa em Lourdes, onde está reunida a Conferência Episcopal Francesa.

O cardeal respondeu a Valls, dizendo que "o primeiro-ministro me pede que assuma as minhas responsabilidades e eu prometo que as assumo", disse, acrescentando que o chefe de governo "conhece melhor do que eu as leis da República" e sabe que se deve "respeitar a presunção de inocência".

Seu advogado, André Soulier, foi enfático ao declarar à AFP: "O que Valls quer? Que se demita? A resposta será não!".

Ao lado de Barbarin, o arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa, Georges Pontier, foi irônico ao declarar: "admiro o laicismo do nosso país" (na França, a separação entre Estado e Igreja está prevista na lei).

Na segunda-feira, anunciou-se que uma nova ação judicial tinha sido apresentada contra o cardeal, que há um mês está envolvido em outro caso sobre agressões sexuais cometidas pelo sacerdote Bernard Preynat contra jovens escoteiros de Lyon entre 1986 e 1991.

Peyrat, que permaneceu ativo até agosto de 2015, admitiu os fatos e foi denunciado em 27 de janeiro.

Mas suas vítimas apresentaram também uma demanda pela "não denúncia" destas agressões contra vários hierarcas da diocese, entre eles o monsenhor Barbarin.

Agora, outra vítima de um sacerdote pedófilo diferente no começo dos anos 1990, apresentou ação judicial contra Barbarin, acusando-o também de não ter feito nada quando foi informado desta agressão, em 2009.

Sem nomear especificamente o monsenhor Barbarin, a justiça francesa abriu duas investigações a partir destas ações, uma delas por "não denúncia" e outra por "colocar em perigo a vida de uma pessoa".

O cardeal argumenta que foi nomeado arcebispo de Lyon em 2002, isto é, que não era encarregado da diocese no momento dos fatos e que soube dos mesmos muito tempo depois.

O Vaticano pediu nesta terça-feira que seja aguardado o resultado da investigação aberta contra o cardeal francês Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, acusado de ter acobertado um padre pedófilo.

"A justiça francesa acaba de abrir uma investigação. Então acredito que o mais oportuno é esperar o resultado. E, independentemente do resultado, queremos manifestar todo o respeito e estima ao cardeal Barbarin", afirmou em um comunicado o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

A partir de grandes escândalos em diferentes países, entre eles Estados Unidos e México, a Igreja Católica abandonou a prática denunciada no longa "Spotlight", que acaba de levar o Oscar de melhor filme. Ou seja, limitar-se a evitar o escândalo e a mudar de lugar os sacerdotes implicados.

Charles Scicluna, ex-encarregado da justiça do Vaticano, voltou a afirmar na semana passada que hoje não é mais possível transferir um sacerdote acusado de pedofilia para outra paróquia.
A Igreja francesa já esteve envolvida em um caso similar ao atual. Em 2001, o bispo Pierre Pican foi condenado a três meses de prisão com direito a sursis por não denunciar o abuso de menores por parte de um sacerdote de sua diocese.


Agora leia o que disse, Reinaldo Azevedo, Colunista da Veja, sobre a questão do celibato dos padres que culmina em muitos casos de pedofilia e/ou homossexualismo.

"Vamos lá. Um padre que desrespeita os votos e o pacto que fez com a sua igreja num tema como o celibato pode desrespeitar qualquer outro fundamento. Reitero o que escrevi no post anterior: não parto do princípio de que um homem não possa conter este ou aquele impulsos, instintos ou demandas da natureza, cada um chame como quiser. Há 400 mil sacerdotes no mundo. A esmagadora maioria é fiel aos votos que fez. Mas quantos bastam, nesse universo, para difamar a Igreja? Se 1% do total fizer besteira, são 4 mil agentes de difamação da instituição. Sim, oponho-me ferrenhamente ao celibato sacerdotal — sem que com isso lance suspeitas sobre os celibatários, é evidente. Até porque é essa uma exigência. Mas chegou a hora de começar a revê-la. Leiam o que segue.
O celibato sacerdotal na Igreja Católica foi instituído no ano 390 — portanto, a Igreja viveu quase quatro séculos sem ele. Sei que vou entrar numa pinima danada. Já me bastaria o ódio dos que chamo partidários da “escatologia da libertação” (que, de teologia, não tem nada). Talvez vire alvo, também, dos conservadores. Ok. Como diria Padre Vieira, “pelo costume, quase se não sente”. Adiante: o celibato é matéria apenas de interpretação, nada mais. Torná-lo uma questão de princípio, como é a defesa da vida — e, pois, a rejeição ao aborto —, é superestimar uma (o celibato) e rebaixar outra (a defesa da vida).
Na minha Bíblia — e na sua também, leitor amigo —, São Pedro tem sogra. Sei que sou aborrecidamente lógico às vezes, mas é de se supor que tinha ou teve uma mulher: “E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre. E tocou-lhe na mäo, e a febre a deixou; e levantou-se, e serviu-os”. Está em Mateus, 8:14-15.
Na Primeira Epístola a Timóteo, ninguém menos que São Paulo recomenda:
“Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento” (I Tim, 3:1-3).
Os defensores radicais do celibato pretendem dar a estas palavras um sentido diverso. Desculpem. Trata-se de forçar a barra. Na sequência, São Paulo não deixa a menor dúvida: “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?)” (I Tim, 3:4-5). Não quero ser ligeiro. Sei bem que há outras passagens que endossam o celibato. Mas fica claro que se trata de uma questão de escolha, sim, não de fundamento; trata-se de uma questão puramente histórica, não de revelação.
O celibato pode ter sido útil em tempos bem mais difíceis da Igreja. A dedicação exclusiva à vida eclesiástica pode ter feito um grande bem à instituição. Mas é evidente que se tornou um malefício, um perigo mesmo, fonte permanente de desmoralização. A razão é mais do que óbvia. A maioria dos padres, é possível, vive o celibato e leva a sério o seu compromisso. Mas é claro que o sacerdócio também se tornou abrigo de sexualidades alternativas, que não têm a mesma aceitação social do padrão heterossexual. E que se note: também existem desvios de conduta de padres heterossexuais.
Poderá perguntar alguém: pudesse o padre casar, a Igreja estaria absolutamente protegida de um adúltero, por exemplo? É claro que não. Mas não tenho dúvida de que estaria muito menos cercada de escândalos. Talvez se demore mais um século até que isso venha a ser debatido, sempre no tempo da Igreja Católica, que não é este nosso, da vida civil. Mas é importante que os católicos, em especial aqueles que não aderiram a heresias marxistas, comecem a pensar que o celibato não compõe o núcleo da doutrina cristã ou um fundamento do catolicismo. Foi, num dado momento, a escolha de uma forma de organização. Que, hoje, traz mais malefícios do que benefícios.
Sou o primeiro a considerar que a Igreja não tem de ceder a todos os apelos da, vá lá, modernidade, abrindo mão de seus princípios. Só que falta provar que o celibato é um princípio. Não é.
De fato, a obrigação de um sacerdote deveria ser outra, como queria São Paulo: “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar.” Já que há uma obrigação, por que então  que a obrigação não  deveria ser o casamento, e não o contrário?
ConcluindoEste texto foi publicado neste blog no dia 28 de outubro de 2007 Eu o assino ainda hoje e vou voltar ao assunto, centrando a questão em outro aspecto importante: a dita “pedofilia”.

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