31 março 2016

LIÇÃO 01 - 03/04/2016 - "A EPÍSTOLA AOS ROMANOS"

LIÇÕES BÍBLICAS DO 2º TRIMESTRE/2016


No 2º Trimestre letivo de 2016 estudaremos, através das Lições Bíblicas da CPAD, sobre o tema: “MARAVILHOSA GRAÇA - O Evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos”. Serão 13 temas relacionados com a Epístola aos Romanos. Estudar esta Epístola é como matricular-se na escola superior do Espírito Santo e aprender as verdades mais profundas e mais importantes do cristianismo. Paulo escreve Romanos para repartir com a igreja da capital do império o significado do Evangelho. Nessa Epístola ele discorre sobre a condição de ruína e perdição tanto dos gentios como dos judeus. Também mostra que a salvação é pela graça, independentemente das obras, tanto para os gentios como para os judeus.



As lições serão comentadas pelo Pr. José Gonçalves e estão distribuídas sob os seguintes Temas:

Lição 1 - A Epístola aos Romanos.



Lição 2 - A Necessidade Universal da Salvação em Cristo.



Lição 3 - Justificação, somente pela fé em Jesus Cristo.



Lição 4 - Os Benefícios da Justificação.



Lição 5 - A Maravilhosa Graça.



Lição 6 - A Lei, a Carne e o Espírito.



Lição 7 - A Vida Segundo o Espírito.



Lição 8 - Israel no Plano da Redenção.



Lição 9 - A Nova Vida em Cristo.



Lição 10 - Deveres Civis, Morais e Espirituais.



Lição 11 - A Tolerância Cristã.



Lição 12 - Cosmovisão Missionária.



Lição 13 - O cultivo das relações interpessoais.

I. MARAVILHOSA GRAÇA
“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tt 2:11).

A Maravilhosa graça de Deus é a mais extraordinária manifestação do amor divino para com a humanidade. Ela traduz a bondade do Senhor e o Seu desejo de favorecer o homem, de ser misericordioso com o ser humano, ainda que o homem não mereça esta benevolência divina, vez que pecou e se rebelou contra o seu Criador. Entretanto, apesar do pecado, Deus mostrou Seu amor em relação ao homem, por intermédio da Sua Maravilhosa Graça. Sem que o homem mereça coisa alguma, Deus providenciou um meio pelo qual o homem pudesse retornar a conviver com Ele. Ele enviou Seu Filho para que morresse em nosso lugar e satisfizesse a justiça divina. Portanto, a todos quantos crerem na obra do Filho, Deus permite que venha novamente a ter comunhão com Ele, ainda que imerecidamente. É este favor imerecido que consiste na Maravilhosa Graça de Deus.


A carta foi escrita em Corinto ou em Filipo, no tempo em que Paulo estava prestes a voltar para Jerusalém. Provavelmente foi escrita por volta do ano 60 d.C. A igreja em Roma ao que tudo indica foi iniciada por judeus de Roma, como também prosélitos gentios que estavam presentes em Jerusalém, durante a festa de Páscoa e Pentecoste. 
A carta foi escrita em Corinto ou em Filipo, no tempo em que Paulo estava prestes a voltar para Jerusalém. Provavelmente foi escrita por volta do ano 60 d.C. A igreja em Roma ao que tudo indica foi iniciada por judeus de Roma, como também prosélitos gentios que estavam presentes em Jerusalém, durante a festa de Páscoa e Pentecoste. A maioria desses se converteu após o sermão do apóstolo Pedro em frente ao cenáculo. Foi nesse cenáculo que os discípulos ficaram por ordem de Jesus para receber o batismo com o Espírito Santo. Como os fatos indicam, eles permaneceram em Jerusalém após a sua conversão, pois tinham grande interesse em obter conhecimento dos ensinamentos dados pelos apóstolos. Ficaram por algum tempo em Jerusalém, até que começou a perseguição naquela cidade e motivado por isso retornaram aos seus lugares de origem. Como havia os que vieram de Roma, ao retornarem já com algum conhecimento acerca do evangelho resolveram abrir pontos de pregação da palavra naquela cidade. Como esses cristãos não tinham um profundo conhecimento teológico em alguma questão como justificação, santificação, adoção e propiciação, se fizeram necessário que o apóstolo corrigisse essas distorções. Havia também no meio, judeus que se converteram ao cristianismo, mas que continuavam a tentar mesclar o evangelho com a lei de Moisés.

1 – O PREGADOR DO EVANGELHO DEVE TER AUTORIDADE E HUMILDADE – Romanos 1.1 PAULO, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus.
Paulo na sua finalidade de se identificar como servo de Jesus Cristo tinha a haver com a sua comissão e dedicação a Ele como o Senhor absoluto da sua vida. O conceito de dependência e consagração ao Senhor envolve o serviço prestado com toda abnegação e disposição que são exemplos a serem imitados pelos seguidores de Cristo.

2 – A IGREJA HERDOU A PROMESSA ANUNCIADA PELOS ANTIGOS PROFETAS – Romanos 1.2 O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras.
O evangelho em relação ao Antigo Testamento, não era uma novidade ao mundo e sim uma revelação de algo que já vinha sendo anunciado e prometido pelo intermédio dos profetas em várias épocas. Ao falar com os cristãos de Roma no assunto que envolve o Evangelho, Paulo teve o cuidado de esclarecer aos seus leitores que a revelação do evangelho que ele defendia tem suas raízes nos escritos do Antigo Testamento. A igreja dos gentios convertidos a Cristo ganhou o mais precioso tesouro de Israel, a promessa do Evangelho da graça.

3 – A PROMESSA ANUNCIADA PELOS PROFETAS ERA A VINDA DE CRISTO – Romanos 1.3 Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne.

Paulo explica que o Evangelho não é uma ruptura com a lei de Moisés e sim uma atualização. Para reforçar esta tese ele se preocupou em identificar o Messias como descendente biológico oriundo do tronco de Davi. As previsões messiânicas apontavam que Jesus tinha que ser um descendente de Davi, com a missão de restaurar e governar o reino de Davi, o reino prometido que seria eterno. Jesus Cristo é o conteúdo principal da mensagem do Evangelho. Ele é identificado como um homem, um judeu e também como Filho de Deus nascido de uma virgem na família de Davi. Vindo dessa descendência tinha pleno direito ao trono de Davi.
4 – O CONTEÚDO DO EVANGELHO É A OBRA SACRIFICIAL DE CRISTO – Romanos 1.4 Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.

Ele morreu pelos pecados do mundo e foi ressuscitado dentre os mortos. A raça humana estava sob a influência soberana da morte; e só havia um meio para reverter essa situação tão terrível. Essa solução exigia a ressurreição de Cristo, onde a sua vida emergiu vitoriosamente, para dar início a uma nova época onde a esperança da ressurreição da vida se tornou possível para todos os que crerem nele. Todo esse processo envolveu a participação do Espirito Santo que exerceu o poder ressuscitador.

5 – A DISPOSIÇÃO PARA A PROVISÃO DA BOA NOVA É GRAÇA E VOCAÇÃO – Romanos 1.5 Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome.

Paulo foi chamado para ser apóstolo diretamente pelo Senhor Jesus, com a comissão especial de levar o evangelho os gentios. Ele veio mostrar que a salvação não era por obras ou o cumprimento de alguma outra obrigação referente a lei de Moisés. Como havia muitas controvérsias a esse respeito, se fez necessário um esclarecimento teológico mais profundo para a compreensão de todos. Paulo procurou mostrar que a salvação só acontece quando uma alma se arrepende do seu pecado e recebe pela fé, a graciosa provisão de perdão oferecido por Deus através da obra expiatória de Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo.

6 – O CRENTE ALÉM DO CHAMADO SALVÍFICO TEM O DEVER DE SERVIR – Romanos 1.6 
Entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

No chamado de Jesus Cristo incluem-se os verdadeiros crentes, pois como diz a palavra acerca disso, que muitos são chamados e poucos são os escolhidos. A chamada envolve a salvação, mas também envolve a obediência irrestrita a Cristo. Nessa obediência inclui-se o empenho em trazer outros para Cristo. Essa chamada também envolve a credencial de um novo mundo, para que prestem lealdade a um novo Rei, para servirmos a uma santa causa. Essa nomeação a princípio envolve uma conversão autêntica, para ser verdadeiramente um ser regenerado, quando a partir desse princípio entra-se no processo de transformação a imagem de Cristo.

7 – CRISTO AO LADO DO PAI É A FONTE DOADORA DE TODAS AS BÊNÇÃOS – Romanos 1.7 A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

Embora a igreja de Roma fosse na sua maioria constituída de gentios, Paulo não se dirige mais a eles como gentios, mas como cristãos. Ressalta também que foram chamados para serem de Jesus Cristo, recebendo a condição de amados de Deus, e identificados como santos. Cada crente é um filho de Deus e através de Cristo o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Todos os que vieram a Cristo pela obediência da fé vem pelo chamado de Deus. Jesus disse: Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

8 – A FÉ SALVÍFICA DOS CRENTES É A EVIDÊNCIA PURA DA GRAÇA DIVINA – Romanos 1.8 Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.

O nosso serviço espiritual, deve ser marcado pela gratidão por tudo que Deus opera em nós e nos outros irmãos. Todas as dádivas vindas de Deus Pai passam pelo mediador entre Deus e os homens. Assim os nossos agradecimentos passam por Cristo para chegar ao Deus Pai. Como Jesus disse: Ninguém vem ao Pai se não for por mim. Sendo Roma a capital do mundo naquela época foi extremamente importante para o evangelho a implantação da igreja naquele lugar. Paulo procurou mostrar a esses cristãos a importância que eles tinham na propagação do evangelho partindo dali, pelo fato de Roma ser o centro das atenções dos povos do mundo da época.

9 – UMA DEVOÇÃO PROFUNDA SUBLINHA A SERIEDADE DO SERVIR A DEUS – Romanos 1.9 Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós.

Quem tem a responsabilidade de propagar o evangelho deve se equipar para isso. Faltava aos cristãos de Roma os dons espirituais que são virtudes necessárias para todos que se dispõe a avançar nos campos do maligno para resgatar os seus prisioneiros. Para isso a qualidade dos dons é muito significativa e a concessão desses dons era algo almejado por Paulo quando fosse a Roma visitar esses cristãos. Os cristãos romanos deveriam ouvir o evangelho com fé, para que pudessem experimentar a experiência dos dons espirituais.

10 – A VONTADE DEUS É QUE HAJA SENTIMENTOS SINCEROS ENTRE IRMÃOS – Romanos 1.10 Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco.

O desejo e a preocupação de Paulo visitar os cristãos de Roma era tanto, que ele orava insistentemente fazendo petições a Deus, para que lhe proporcionasse meios para ele chegar até lá. Como os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e nem os nossos pensamentos são os pensamentos de Deus, a petição de Paulo foi atendida certamente não do jeito que ele imaginava. Deus proporcionou meios, não apenas como um pregador, mas como um prisioneiro de Roma. Quando Paulo escreveu essa carta, não imaginava, ou fazia ideia de que ficaria encarcerado e de que sofreria até um naufrágio antes de chegar a Roma.

11 – É PRECISO CRER NO EVANGELHO PURO PARA O DOM SE MANIFESTAR – Romanos 1.11 Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados;
Apesar de doutrinar os cristãos de Roma através desta carta escrita a distância, Paulo desejava estar presente entre eles, pois nem tudo ele poderia fazer pela carta. Ele queria comunicar os dons que possuía pessoalmente, tais como, pregar; exortar; profecia, dons esses que provinham da graça divina. Os dons são dados a cada um individualmente, de modo a serem úteis em tudo que envolve o reino de Deus. Paulo sabia que faltava aos cristãos de Roma a qualidade carismática que para ele era extremamente significativa, pois sem essa qualidade ele não teria o sucesso que teve na propagação do Evangelho. Entende-se que a concessão desse dom era o principal interesse da sua visita, pois isso não poderia ser realizado somente pela carta enviada.

12 – QUEM É GENUINAMENTE ESPIRITUAL NÃO USA ARES DE SUPERIORIDADE – Romanos 1.12 Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha.

Paulo reconhecia que os cristãos de Roma já haviam feito grandes progressos, mas ainda necessitavam de assistência, pois todos nós precisamos estar constantemente nos aprofundando nos mistérios das Escrituras Sagradas. Paulo nos seus ideais não se colocava como sábio em tudo, isto porque, ele também desejava compartilhar e beneficiar-se mutuamente com eles. Esse desejo de também beneficiar-se era sincero, pois é algo que ele dá ênfase na reciprocidade que iria acontecer na ocasião da sua visita. Esse é um exemplo de um espírito de uma pessoa que é genuinamente espiritual, sem adotar uma postura de superioridade perante os irmãos de Roma.

13 – TUDO QUE PRETENDEMOS FAZER TEM QUE SER PELA VONTADE DE DEUS – Romanos 1.13 Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios.

Por várias vezes Paulo intentou fazer essa viagem a Roma e rogou muito a Deus por isso. Porém sempre houve um impedimento para ele executar esse propósito de visitar Roma, não por falta de esforço, mas de oportunidade, a qual sempre aguardava sem nunca desistir. O crente dirigido pelo Espírito não tem o poder de planejar ou executar a própria vontade, pois todos que são filhos de Deus, são guiados pelo Espírito Santo de Deus. No seu ministério onde era reconhecido como o apóstolo dos gentios ele produziu muitos frutos e tinha certeza que também produziria entre os cristãos de Roma. Os frutos que Paulo dava, não era para se promover a si próprio, pois todo o seu esforço na propagação do evangelho era para promover a glória do Senhor.

14 – O EVANGELHO DEVE ALCANÇAR OS INSTRUÍDOS E OS IGNORANTES – Romanos 1.14 Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.
Paulo sabia se fazer de sábio para ganhar os sábios e se fazer de tolo para ganhar os tolos. Essa habilidade dúbia foi fundamental para conquistar muitas almas para Cristo. A sua missão como apóstolo, era trazer todos os homens sem acepção de pessoas para o domínio de Jesus Cristo. O apóstolo sentia-se responsável por todos os homens, assim como nós precisamos nos preocupar com o mundo todo.

15 – É NOSSA OBRIGAÇÃO TRAZER TODA ALMA PARA O DOMÍNIO DE CRISTO – Romanos 1.15 E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

Paulo sabia das oposições que enfrentaria com aqueles que o acusavam de ser inimigo da lei, e que era traidor da nação. Outros, ainda, distorciam seus ensinamentos sobre a justificação pela fé através da graça divina. Também o acusavam de ensinar os crentes para levar uma vida libertina fugindo das exigências da lei mosaica, a qual foi escrita para o povo judeu.

16 – É UM GRAVE PECADO ALGUÉM SE ENVERGONHAR DO SEU SALVADOR – Romanos 1.16 Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Paulo não se envergonhava do Evangelho de Cristo pois era uma mensagem que vinha do Filho de Deus. Também ele pode testificar os efeitos poderosos que a mensagem do evangelho produzia nas almas que conquistava para Cristo. O Evangelho apesar da sua mensagem de salvação, não é bem aceito por todos que o recebem. Alguns escarnecem, outros desdenham, outros desprezam, mas tudo isso foi alertado pelo Senhor que iria acontecer quando o evangelho fosse anunciado. Temos que estar preparado para enfrentar todo tipo de adversidade, assim como suportar os sofrimentos provenientes de entregar a preciosa semente. (Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. Salmos 126:6).

17 – A NOSSA FÉ DEVE SE BASEAR UNICAMENTE NO PODER DO EVANGELHO –Romanos 1.17 Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
A salvação que vem pela graça de Deus envolve a fé genuína de cada pessoa. A continuidade da fé não é um ato único, mas um modo de vida. O verdadeiro crente que se fez justo viverá pela fé toda a sua vida, o que implica necessariamente em perseverança. É pela fé que alcançamos a justificação, a qual nos faz justos diante de Deus. É pela fé que passamos a viver em santificação, a qual nos leva a atingir o clímax na verdadeira glória quando chegarmos ao último estágio que é a glorificação. (Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6).


Então, vamos á Primeira Lição:


A EPÍSTOLA AOS ROMANOS


TEXTO ÁUREO
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).

VERDADE PRÁTICA
A Epístola aos Romanos mostra que sem a graça divina todos os nossos esforços são inúteis para a nossa salvação e comunhão com Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Romanos 1.1-17.

INTRODUÇÃO
Com esta Aula, iniciaremos o 2º Trimestre letivo de 2016. São treze temas propostos, tendo como texto base a Epistola do apóstolo Paulo aos Romanos. Alguém disse que a Epístola aos Romanos é “a Catedral da Fé”. Em termos teológicos, Romanos é a Epístola mais importante do Novo Testamento, pois constitui o texto bíblico mais próximo de uma apresentação sistemática da fé cristã. Segundo John Stott, “ela é a mais completa, a mais pura e a mais grandiosa declaração do Evangelho encontrada no Novo Testamento. Sua mensagem é a de que os seres humanos nascem em pecado e escravidão, mas que Jesus Cristo veio para libertá-los. Nela se anuncia a boa nova da libertação: libertação da ira de Deus contra toda impiedade; libertação da alienação para uma vida de reconciliação; libertação da condenação da lei de Deus; libertação do medo da morte; e libertação para dedicar-nos em amor a uma vida de serviço a Deus e aos outros. Lutero disse que todo cristão deveria não apenas conhecer de coração a Epístola aos Romanos, palavra por palavra, mas também ocupar-se com ela a cada dia, como pão cotidiano para a sua alma”. Ao lermos a Epístola aos Romanos, vemos qual a condição do homem diante de Deus por causa do pecado e como o Senhor, na Sua infinita graça e misericórdia, proporciona a salvação em Cristo e como esta salvação transforma a criatura humana, tornando-a um filho de Deus, um ser separado e livre do pecado, pronto a servir ao Senhor e a ser inundado pelo amor divino que foi o motor de todo este glorioso processo.

Na atualidade, muitos não compreendem o que é a salvação e como ela se opera na vida do homem. Ao estudarmos a Epístola aos Romanos, com foco na doutrina da salvação (chamada pelos teólogos de “soterologia”), teremos condição de compreender aquilo que já sentimos e usufruímos e, assim, poder louvar a Deus com a profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus, assim como fez o próprio apóstolo, enquanto escrevia esta carta: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11:33-36).

I. AUTOR, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS
1. O autor (Rm 1:1). “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus”. Aqui, Paulo se apresenta como o remetente da carta. Ele o faz com senso de humildade, chamando a si mesmo de servo de Cristo e, também, com senso de autoridade, afirmando seu apostolado (Rm 1:1). Paulo, contudo, não a escreveu de próprio punho, mas ditou-a a um amanuense chamado Tércio, conforme se encontra em Romanos 16:22 – “Eu, Tércio, que esta carta escrevi, vos saúdo no Senhor”. Amanuenses eram profissionais que escreviam textos à mão. Era o que se pode chamar de escrevente, ou copista. Entre os Romanos, os senhores, geralmente, tinham um escravo amanuense que fazia o trabalho de secretário, cuidando da escrita dos negócios de seu amo. Como Tércio envia à Igreja de Roma sua saudação pessoal, fica claro que ele também era cristão e que, muito provavelmente, estava prestando um serviço gratuito a Paulo.

Quanto a sua importância, a Epístola aos Romanos é o maior compêndio de teologia do Novo Testamento. É a epístola das epístolas, a mais importante e proeminente que Paulo escreveu. É uma exposição e uma defesa do evangelho da graça. John Stott considera Romanos uma espécie de manifesto cristão. Nenhum livro da Bíblia exerceu tanta influência sobre a teologia protestante e nenhuma carta de Paulo revela de forma tão clara o pensamento teológico do apóstolo aos gentios.

2. Local e data. Há um consenso geral de que Paulo escreveu a Epístola aos Romanos durante sua estada de três meses na Grécia (At 20:2,3), na província da Acaia, numa região próxima de Corinto. Isso é confirmado pela recomendação de Paulo a Febe, a portadora da Carta à igreja de Roma. Febe era da Igreja de Cencréia (Rm 16:1), uma pequena cidade a 12 quilômetros de Corinto, onde se situava um importante porto da capital da Acaia. Paulo estava encerrando sua terceira viagem missionária e se preparava para viajar a Jerusalém a fim de levar as ofertas levantadas entre as igrejas gentias que socorreriam os pobres da Judéia (Rm 15:30,31). É bastante provável que esta Carta tenha sido escrita por volta do ano 57 ou 58 d.C. É, portanto, a última Carta escrita por Paulo antes de seu prolongado período de detenção, primeiro em Cesaréia (At 23:31-26:32) e depois em Roma (At 28:16-31). Nesse tempo, o apóstolo Paulo já havia concluído suas três viagens missionárias.

3. Destinatários (Rm 1:7). “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”. A Epístola foi destinada, originalmente, à Igreja de Roma, que era composta por judeus e gentios. Dirigindo-se a seus irmãos judeus, Paulo demonstra sua preocupação com eles e explica como podem ajustar-se ao plano divino (cf. Rm 9:1-11:2). Visto que o caminho para que judeus e gentios pudessem estar unidos no corpo de Cristo foi aberto pelo próprio Deus, os dois grupos poderão louvá-lo por sua sabedoria e amor (cf. Rm 11:13-36).

Mas, quem fundou a igreja de Roma? Com toda convicção podemos afirmar que Paulo não foi o fundador da Igreja, uma vez que ele escreve falando acerca de seu desejo de visitar aqueles irmãos (Rm 1:10-13). Tampouco a Igreja de Roma foi fundada por algum dos outros apóstolos. O catolicismo romano ensina que o apóstolo Pedro foi o fundador da Igreja, e seu episcopado na Igreja durou 25 anos, ou seja, de 42-67 d.C. Essa tese, porém, carece de fundamentação. Primeiro, porque Pedro era o apóstolo da circuncisão (Gl 2:9), e não o apóstolo destinado aos gentios, ou seja, o seu ministério era destinado prioritariamente aos judeus. Segundo, porque Paulo não menciona Pedro em sua carta aos Romanos, o que seria uma gritante falta de cortesia. Terceiro, porque Paulo diz que gostaria de ir a Roma para compartilhar o evangelho e distribuir algum dom espiritual (Rm 1:11), o que não faria sentido se Pedro já estivesse entre eles. Além disso, Paulo tinha o princípio de pregar o evangelho não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio (Rm 15:20). Há três possibilidades para a origem da Igreja de Roma:

A primeira possibilidade é que essa Igreja foi estabelecida pelos judeus ou prosélitos de Roma, convertidos na Festa do Pentecostes em Jerusalém no ano 30 d.C., os quais retornaram à capital do império para plantar a Igreja (At 2:10). Em Roma estava o maior centro judaico do mundo antigo. Havia mais de treze comunidades sinagogais na cidade. Mantinham um contato intenso com Jerusalém. As pessoas viajavam para lá e para cá como comerciantes, artesãos e também como peregrinos devotos. Confessando sua fé, deram origem a um movimento cristão muito vivo. Desse modo, o cristianismo em Roma originou-se da atuação de crentes que nós chamamos de anônimos. As famosas estradas romanas facilitaram sobremodo a mobilização das pessoas e a rápida expansão do evangelho.

- A segunda possibilidade é que essa Igreja tenha sido estabelecida por cristãos desconhecidos, convertidos pelo ministério de Paulo, emissários de algum dos centros gentílicos que haviam compreendido plenamente o caráter universal do evangelho. Vale ressaltar que as três grandes cidades onde Paulo estivera por mais tempo - Antioquia, Corinto e Éfeso - eram justamente as três com as quais (assim como Alexandria) o intercâmbio com Roma se mostrava mais intenso.

- A terceira possibilidade é que a Igreja de Roma teria sido fundada por Áquila e Priscila. A Bíblia nos informa que este abençoado casal tinha morado na Itália, mais precisamente em Roma, de onde tiveram que sair por ordem do Imperador Cláudio que, no ano 49 d.C., expulsou de Roma todos os judeus – conheceram Paulo em Corinto – “E depois disto partiu Paulo de Atenas e chegou a Corinto. E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles. E, como era do mesmo oficio, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por oficio fazer tendas” (Atos 18:2-3). Ao que tudo indica voltaram para Roma, pois, Paulo ao escrever a Epistola aos Romanos enviou saudações ao casal, como também para a Igreja que se reunia em sua casa - “Saudai a Priscila e a Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus...Saudai também a igreja que está em sua casa...” (Rm 16:3-5). É, pois, possível que eles tenham fundado a Igreja de Roma, antes, é claro, muito antes de terem sido expulsos, pelo Imperador Cláudio. Porém, não há qualquer comprovação bíblica, ou histórica. São hipóteses, apenas!

A verdade é que havia, em Roma, uma grande e poderosa Igreja formada tanto por gentios, como também por judeus. Se ela foi fundada pelos judeus, ou prosélitos que estavam em Jerusalém no Dia do Pentecoste, se ela foi fundada por Áquila e Priscila, ou se foi fundada por outro, em nada altera a História da Igreja!

II. FORMA LITERÁRIA, CONTEÚDO E PROPÓSITO
1. Forma literária. Segundo estudiosos do assunto, Paulo utilizou o estilo de diatribe na Epístola aos Romanos. Nesse modelo literário, que era um recurso muito usado pelos filósofos estóicos e críticos, o autor valia-se de uma exposição critica a respeito de alguma obra. Um exemplo claro dediatribe (crítica severa) no livro de Romanos está no capítulo 2 versos 1-16, onde Paulo responde a objeções de um interlocutor não identificado. Nos versículos 5-11, Paulo usa uma linguagem duríssima contra os soberbos e orgulhosos, porque sabe que são atitudes de difícil trato. Na verdade, a soberba não tem perdão porque jamais o pede. Talvez por isso Jesus tenha iniciado seu sermão do monte dizendo que o Reino dos Céus pertence aos humildes de espírito. Talvez por isso Jesus tenha condenado o fariseu de Lucas 18:9-14.

2. Conteúdo. O conteúdo da Epístola aos Romanos possui alguns dos maiores temas das Escrituras. São esses temas que tornam essa Epístola a mais teológica do Novo Testamento. É considerada a mais importante obra do apóstolo, não só pela sua extensão (é a mais longa das epístolas paulinas), mas também por ser uma exposição dos fundamentos da doutrina cristã, a mais sistemática de todas as Escrituras. É, pois, a Epístola paulina em que mais se percebe a estrutura costumeira das epístolas de Paulo, quais sejam, a de construção em quatro partes, a saber: a apresentação, a parte dogmática, a parte prática e a conclusão.

a) A apresentação de Paulo e dos seus destinatários. Nesta primeira parte da Epístola, o apóstolo se apresenta e apresenta os crentes de Roma. Abrange o capítulo 1, dos versículos 1 a 17, terminando com a apresentação do próprio tema da carta, qual seja: a justificação pela fé (Rm 1:17). Em nenhum outro lugar a doutrina da justificação aparece com tanta clareza quanto aqui.

b) Parte dogmática ou doutrinária. Aqui, o apóstolo traz o ensino a respeito do que considera ser a justificação pela fé em Jesus Cristo, o que o apóstolo considera como sendo o Evangelho de Cristo, esta boa notícia de que o homem pode ser justificado diante de Deus se crer em Jesus. Esta parte, que é a mais substanciosa da epístola e que a caracteriza como o principal tratado teológico da Bíblia, vai do capítulo 1, versículo 18, até o capítulo 11. A começar dos efeitos do pecado na humanidade, o apóstolo fala a respeito da justiça divina, do papel condenatório da lei, da submissão do homem ao pecado, do papel justificador da fé em Cristo Jesus, da graça divina e do efeito dela no homem e, por fim, da análise da questão da eleição divina e do livre-arbítrio, tomando-se como caso concreto a ser analisado o povo de Israel.

c) Parte prática. Esta parte do Conteúdo da Epístola abrange os capítulos 12 ao capítulo 15 versículo 13, quando o apóstolo disserta a respeito das ações esperadas de quem é justificado pela fé, o que mostra como não tem qualquer sentido as afirmações de que a Epístola aos Romanos é um livro teórico ou um livro que se contraponha a epístola de Tiago, como acreditou Martinho Lutero. Muito pelo contrário, ao terminar a sua exposição a respeito da justificação, o apóstolo começa a falar da necessidade de o crente viver em santidade, separado do pecado e que como suas ações, neste sentido, são indispensáveis, imprescindíveis para a demonstração de uma verdadeira vida cristã. Por isso, fala da consagração do crente, da ética cristã baseada no amor ao próximo, na submissão do crente às autoridades terrenas, na tolerância do cristão com os fracos na fé e na supremacia do amor como sentimento supremo no comportamento de cada salvo sobre a face da Terra.

d) Conclusão. Abrange desde o capítulo 15 versículo 14 até o final do capítulo 16. É um relato do apóstolo sobre as suas intenções e motivos que o levaram a esta exposição da fé para que os crentes de Roma o conhecessem. Nela, o apóstolo mostra a sua disposição de partir para Roma depois de entregar as ofertas que levava a Jerusalém e de ter a ajuda e o apoio da igreja em Roma para o início de sua missão na Espanha, fazendo questão de saudar vários amigos, que se encontravam na capital de César e que serviriam de referência e recomendação a ele para aqueles irmãos.

A Epístola aos romanos, portanto, deve ser lida como uma verdadeira defesa da graça e do amor de Deus em favor do homem. Não é por outro motivo, aliás, que Martinho Lutero, um dos maiores entusiastas desta Epístola, dizia que ela e o evangelho segundo João eram suficientes para que alguém tivesse pleno conhecimento da obra e do ensino de Jesus Cristo. É por isso que, ao longo da história da Igreja, comentários e estudos sobre Romanos tenham sido tomados como verdadeiras “sumas teológicas”, ou seja, como grandes sínteses e resumos da doutrina cristã como um todo.

3. Propósito. O propósito principal para esta Epistola de Paulo ser escrita naquele momento era preparar o caminho para sua visita a Roma, informar os crentes em Roma de seus planos de visita, e conseguir o apoio deles para o seu futuro ministério na Espanha. Paulo ansiava por visitar Roma e se Deus quisesse, logo ele estaria lá (Rm 1:10-13). O apóstolo sabia que Roma era a cidade mais importante do império, como uma influência que se espalhava por toda parte – ministrar ali seria estratégico. Ele estava para ir a Jerusalém (Rm 15:25), no entanto, seus olhos permaneciam na Espanha (Rm 15:24). O apóstolo já considerava cumprida a sua missão no Oriente: Macedônia, Acaia, Galácia e todas as regiões onde havia plantado igrejas. Seu interesse agora era o Ocidente. Roma seria o lugar onde o apóstolo receberia o apoio para avançar com a obra missionária, depois de ter ido a Jerusalém. Assim, Paulo cumpriria estrategicamente duas missões importantes: visitar Jerusalém levando a oferta angariada nas igrejas da Macedônia e Acaia, bem como, visitaria Roma, estabelecendo ali, um ponto de apoio para a sua missão no Ocidente.

Também, Paulo queria contra-atacar qualquer mal entendido a respeito de seus objetivos e de sua mensagem – havia uma difamação muito difundida dirigida a ele por alguns que se diziam cristãos e muitos judeus (veja, por exemplo, 1Corintios capítulo 3 e 2Corintios capítulos 10 e 11). Para muitos cristãos romanos, Paulo era apenas um nome; eles nunca o haviam encontrado e apenas tinham ouvido falar dele. Assim, Paulo consumiu algum tempo para construir sua credibilidade e autoridade demonstrando cuidadosamente sua teologia. É como se ele estivesse dizendo: “Aqui está quem seu sou e aquilo em que acredito”.

Outro propósito para Paulo escrever esta Epístola era edificar os romanos em sua fé, pois eles não tinham líderes ou mestres apostólicos. Ele conhecia os conflitos inevitáveis que se apresentariam aos cidadãos do Reino de Cristo na maior cidade do Império Romano. Esta era uma igreja que não possuía uma Bíblia completa – eles tinham as Escrituras hebraicas (o Antigo Testamento), mas os Evangelhos ainda não haviam sido escritos e as outras Epístolas haviam sido enviadas para outras igrejas. A Epístola aos Romanos, portanto, era a primeira peça de literatura estritamente cristã que esses crentes veriam. Assim, sob a inspiração do Espírito Santo, Paulo, de forma clara e cuidadosa redigiu esta obra prima teológica que traz a forte mensagem do supremo poder de Deus, da salvação pela graça - independentemente das obras, tanto para os gentios como para os judeus -, e da justificação pela fé.

III. VALOR ESPIRITUAL
1. Fundamentação doutrinária. Nas palavras do Rev. Hernandes Dias Lopes, a Epístola de Paulo aos Romanos é muito mais que simplesmente uma carta, é um tratado teológico. É o maior compêndio de teologia do Novo Testamento. É a epístola das epístolas, a mais importante e proeminente carta de Paulo. Os eruditos comparam a Epístola aos Romanos à cordilheira do Himalaia. Nela Paulo subiu às alturas excelsas e atingiu o ponto culminante da teologia cristã. Por inspiração divina, o velho apóstolo expôs de forma lógica as grandes doutrinas da graça. A Epístola aos Romanos trata de alguns dos temas mais profundos do cristianismo: as doutrinas da chamada eleição, da predestinação, da justificação, da glorificação e da herança eterna. É uma verdadeira enciclopédia teológica.

Todos os reformadores viam esta Epístola como sendo a chave divina para o entendimento de todas as Escrituras, já que nela Paulo une todos os grandes temas da Bíblia: pecado, lei, julgamento, destino humano, fé, obras, graça, justificação, eleição, o plano da salvação, a obra de Cristo e do Espírito Santo, a esperança cristã, a natureza e vida da igreja, o lugar do judeu e do não-judeu nos propósitos de Deus, a filosofia da igreja e a história do mundo, o significado e a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da cidadania cristã e os princípios da retidão e moralidade pessoal. Romanos nos abre uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara.

Nesta Epístola, Paulo mostra que a justiça de Deus manifesta-se no Evangelho. Na cruz de Cristo Deus revelou sua ira sobre o pecado e seu amor ao pecador. A cruz de Cristo foi a justificação de Deus, uma vez que nela Deus satisfez plenamente sua justiça violada. Se a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens, no Evangelho a justiça de Deus se revela para a salvação de todo o que crê. Paulo anuncia ainda que a justificação não é alcançada pelas obras da lei, mas pela fé na obra de Cristo. Não é a obra que fazemos para Deus que nos salva, mas a obra que Deus fez por nós em Cristo que nos traz a vida eterna. Não é nossa justiça que nos recomenda a Deus, mas a justiça de Cristo a nós imputada. O Justo Jesus justifica o injusto ser humano. O injusto que não tem justiça própria é justificado ao confiar na justiça de Jesus Cristo, o Justo. Romanos 4 é um brilhante ensaio no qual Paulo prova que o próprio Abraão, o pai fundador de Israel, foi justificado não por suas obras (Rm 4:4-8), nem por sua circuncisão (Rm 4:9-12), nem pela lei (Rm 4:13-15), mas pela fé. Em consequência, Abraão é agora "o pai de todos os que creem", sejam eles judeus ou gentios (Rm 4:11,16-25). A imparcialidade divina é evidente.

2. Renovação espiritual. Indubitavelmente, os destinatários originais da Epístola aos Romanos experimentaram um grandioso avivamento espiritual mediante a sua leitura. Todavia, a influência espiritual e moral do texto sagrado desta Epístola se estenderam por todo o período da Igreja, proporcionando avivamentos extraordinários na vida de muitas pessoas. Muitos líderes influentes da igreja, em diferentes séculos, dão testemunho do impacto produzido pela Epístola aos Romanos em suas vidas, tendo sido ela, em diversos casos, o instrumento para sua conversão. Esta Epístola, provavelmente mais que qualquer outro livro da Bíblia, tem influenciado a história do mundo de forma dramática. Vejamos três fatos contados por alguns expoentes historiadores do cristianismo:

- Aurélio Agostinho (354-430 d.C), conhecido no mundo todo como Agostinho de Hipona e que viria a tornar-se o maior dos Pais Latinos da igreja primitiva, por intermédio da leitura da Epístola aos Romanos, foi convertido a Cristo em 386 d.C. Agostinho viveu de forma devassa, entregue às paixões carnais, prisioneiro do sexo ilícito e ao mesmo tempo objeto das orações de Mônica, sua mãe, até que se assentou a chorar no jardim de seu amigo Alípio, quase persuadido a começar vida nova, mas sem chegar à resolução final de romper com a vida que levava. Ali sentado, ouviu uma criança cantar numa casa vizinha: Tolle, legel Tolle, legel (Pega e lê! Pega e lê). Ao tomar o manuscrito do amigo que estava ao lado, seus olhos caíram nestas palavras: "Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências" (Rm 13:13,14). Seus olhos foram imediatamente abertos, seu coração foi transformado e as sombras de suas dúvidas, dissipadas. O próprio Agostinho confessa: "Não li mais nada e não precisava de coisa alguma. Instantaneamente, ao terminar a sentença, uma clara luz inundou meu coração e todas as trevas da dúvida se desvaneceram". Agostinho tornou-se o maior teólogo da igreja ocidental.

Martinho Lutero (1483-1546) O monge agostiniano Martinho Lutero rompeu os grilhões da escravidão espiritual diante de Romanos 1:17 e descobriu que o justo vive pela fé. Até então, Lutero vivia atormentado pela culpa. A justiça de Deus o esmagava e o levava ao desespero. O monge afligia sua alma com intermináveis confissões ao vigário, no confessionário, flagelando seu corpo com castigos e penitências. Lutero recorreu a todos os recursos do catolicismo de sua época na tentativa de amenizar a angústia de um espírito alienado de Deus, diz Stott (STOTT, John.Romanos, p. 15).

- João Wesley (1703 -1791). Grande avivalista e despertador das igrejas reformadas no século XVIII, e do movimento metodista. Este grande bandeirante do cristianismo recebeu a certeza da salvação ao ouvir numa igreja morávia a leitura do prefácio do comentário de Romanos escrito por Lutero. João Wesley tornou-se um líder espiritual de grande expressão na Inglaterra. Criou depois a Igreja Metodista, uma igreja que buscava a santidade sem deixar de engajar-se firmemente na obra missionária. O reavivamento inglês salvou a Inglaterra dos horrores da Revolução Francesa. Esse movimento espiritual espalhou-se para a Nova Inglaterra e atingiu horizontes ainda mais largos.

Frase de João Wesley: “Uma pessoa pode ir à igreja duas vezes por dia, participar da ceia do Senhor, orar em particular o máximo que puder, assistir a todos os cultos e ouvir muitos sermões, ler todos os livros que existem sobre Cristo. Mas ainda assim tem que nascer de novo”.

CONCLUSÃO
A Epístola aos Romanos é a maior, a mais rica e a mais abrangente declaração da parte de Paulo sobre o Evangelho. Suas declarações condensadas sobre verdades imensas são como molas retraídas – quando são liberadas, elas voam pela mente e pelo coração até encherem o horizonte do indivíduo e moldarem a sua vida. O estudo desta Epístola é vitalmente necessário para a saúde e entendimento espiritual do cristão. Portanto, leiam esta Epístola, pois lhes dará a consciência da dimensão do grande amor de Deus por todos os homens. Ela nos conduzirá a amarmos mais Deus e honrarmos o Senhor Jesus Cristo em nossa maneira de viver.

A graça de Deus não nos exime do pecado. Mas, tornamo-nos mais  mais sábios para fugir dele.

Boa leitura, boa aula.

Viva vencendo, e fazendo aquilo que lhe concerne no Reino de Deus!!!

Abraços.

Seun irmão menor.

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