19 abril 2016

ANÁLISE CONCISA DA PRIMEIRA PARTE DA CARTA AOS ROMANOS (CAPS. 1 ao 11) - 01


O texto da Carta de Paulo aos ROMANOS (doravante chamada apenas de Romanos) é, sabidamente, dividido em 2: dos capítulos 1 ao 11, temos "a parte teórica", digamos assim. Dos capítulos 12 aos 16, a "parte prática". Aqui, neste breve ensaio, interessa-nos a parte 1. Não pretendemos, de forma alguma, fazer uma exposição exaustiva da primeira parte de Romanos. Muito menos fazer uma exegese comparativa das versões principais correntes, haja vista todas as implicações da Crítica Textual, que por si sós dariam um livro. Utilizaremos três versões bíblicas na língua portuguesa nesse ensaio: a) Revista e Corrigida 4a. Edição, presente p. ex. na "Bíblia Palavras-Chave", e b) Revista e Atualizada com Notas de Strong, da virtual Olive Tree Bible, que possui algumas diferenças com a última edição da RA impressa, mas nada que seja relevante; e, por fim, c) o Texto Bizantino, base do que conhecemos como "Textus Receptus". O texto bizantino utilizado aqui é também da Olive Tree Bible. 



Muito, mas muito mesmo, já foi dito sobre "Romanos", nestes dois mil anos de Cristianismo. Muitas e exaustivas análises. Aqui e acolá ouve-se falar de uma "tese" em Romanos, algo que seja a base da argumentação paulina. Muitos porém, no nosso entendimento, enveredaram mais intensamente às partes periféricas do texto paulino em Romanos, do que nas centrais. Talvez por causa do impacto que textos como o do capítulo 3 tiveram na história ocidental da Igreja, especificamente nas vidas de Agostinho e Lutero, pense-se que a ênfase principal da parte 1 da epístola, ou seja, a tese paulina, seja "uma defesa da justificação pela fé". Isto não está de todo equivocado, e aqui explico o que quero dizer. Com "equivocado", não quero dizer que há uma outra, mais importante tese em Romanos, pois entendo que a doutrina da justificação pela fé é importantíssima para o todo da carta, mas como "parte do centro", não como o centro inteiro. Segundo, sem as devidas conexões que Paulo faz, desde o início da carta, até o fim da parte 1, o capítulo 3 fica completamente desprovido da sua importância ante o todo, pois é neste, no todo, que Paulo apresenta e extensão de sua argumentação, através da qual revela o grandioso propósito daquela literatura. 


Denis Allan, em 2006, abordou o texto também defendendo uma "tese" em Romanos, a qual ele expõe no cap. 1, vs. 6: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego". Como disse, defendo o pensamento de que Paulo tinha uma tese, mas não creio ser a apontada por Allan. Paulo escrevia suas cartas como discursos, pois elas eram lidas. Seguindo-se o plano retórico - discursivo, oral, não argumentativo ainda -, era muito importante para os antigos que tinham conhecimento da arte retórica, dispor o texto do discurso seguindo o padrão:

- Exórdio,
- Narração,
- Provas,
- Epílogo. 

Paulo apresenta uma "pré-tese", em Romanos 1:6, mas, como o assunto nestes cap. e vers. ainda fazem parte da introdução, defendo a ideia de que ele apresenta uma tese mais adiante, depois de ter exposto o problema UNIVERSAL do pecado, originalmente, e da providência salvífica de Deus, com abrangência não menor do que UNIVERSAL também. Contudo, no discurso antigo, é na narração, ou exposição dos fatos, que se apresenta uma tese num discurso antigo, e é no mesmo âmbito que se formam os argumentos para se defender tal tese. Foi isso o que fez o apóstolo dos gentios, quando elencou um "homem" ("judeu opositor", pois os judeus romanos são o destinatário principal da carta), com quem "combaterá" discursivamente (agora sim, argumentativamente) por toda a primeira parte (cf. 2:1-2). E, por que o "judeu" também estaria na mesma condição que o "grego"? Porque ambos são pecadores. O termo "grego", no nosso entendimento, personifica na carta a totalidade dos não-judeus ou gentios. Paulo termina, portanto, o Exórdio (Introdução) com a seguintes palavras:

"Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei; que estás persuadido de que és guia dos cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças, tendo na lei a forma da sabedoria e da verdade; tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa. Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, a tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a ti, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei", Rm. 2:17-27.



É com essa cadeia de argumentos que Paulo desemboca na sua TESE, a partir da qual construirá toda a série de Narração e Provas presentes na parte 1 da Carta (lembrando que a parte 1, como dissemos, vai do cap. 1 ao 11). Outrossim, esta é a... 



Tese de Paulo em Romanos


"Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus", Rm. 2:28-29.

O contraponto que ele faz em 3:1 e 3:9 não é muito bem compreendido, talvez, porque as traduções trazem a palavra "vantagem", em ambos os casos, com diferentes sentidos no grego. Em 3:1 ("Qual a ´vantagem´ do judeu?") há esta pergunta, cuja resposta é "muita, sob todos os aspectos". Mas, em 3:9, ("Que se conclui: temos nós qualquer ´vantagem´?"), a reposta é outra: "De jeito nenhum!". É óbvio, portanto, que Paulo não está utilizando a mesma expressão ou idéia. No segundo caso, Paulo refere-se ao judeu como raça e, aí, obviamente que não somente ao nível de povo, mas de indivíduos. Nada há de especial acerca dos judeus, pois "todos, tanto judeus quanto gregos, estão debaixo do pecado" (3:9b). Como defendo que a argumentação paulina também é essencialmente missiológica, o "resgate" do Homem pela obra expiatória de Jesus tomará cada vez mais vulto e, na verdade, será praticamente o principal ponto em várias das cartas do apóstolo dos gentios. 

Muita atenção se dá aos textos de Romanos 3:23 e 28. De fato, são textos cruciais, fundamentais... mas, só fazem sentido pleno ante a argumentação no todo. A ideia de que a fé é um ato superior à observância da Lei fica clara por sua consequência direta, ou seja, a pergunta retórica que Paulo faz, em Rm. 3:9: "É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim, também dos gentios" (Rm. 3:29a). Para reforçar a "ligação" do que diz, Paulo vale-se da pessoa de Abraão, talvez (fisicamente) o homem mais respeitado na cosmovisão judaica por ter sido o "pai" daquela nação, daquela etnia. E, ligar Abraão a um "gentio" não é apenas um sinal de ousadia literária, mas sobretudo de brilhantismo (e aí entra o fator inspiração!). A argumentação de Paulo é clara e inequívoca: Abraão foi "justificado" ANTES da Lei, aliás, ANTES mesmo da circuncisão (4:10). Portanto, o uso de Abraão como exemplo de um "incircunciso justificado por Deus" é forte argumento para a aplicação de que é "pela fé que somos justificados", o que o apóstolo expressara (em 3:28). 

Até este ponto, não digo nada que já não tenha sido exaustivamente discutido por séculos. Esta explicação visa, contudo, trazer a você, que lê este breve ensaio, os porquês de afirmarmos, no início, que a TESE de Paulo encontra-se em 2:28-29. Toda a argumentação paulina em Romanos redunda nesta ideia, além de servir de edifício argumentativo através do qual ele explicará a lógica da tese. Ao continuar sua argumentação, Paulo passa (cap. 5) a fazer uma comparação entre Adão e Jesus. Primeiro, ele provém da ideia de que todos pecaram: "Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir". Uma coisa é certa, portanto: TODOS estão debaixo do pecado e de suas consequências. 


Adão, Jesus e a raça humana

Romanos 5:12-21 é um trecho importante nesta epístola. Nele, Paulo explica porque "todos pecaram": "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (vs. 12). Paulo já havia afirmado isto em 3:23. A questão lógica desta argumentação é relativamente simples de se destacar: por UM homem entrou o pecado no mundo (isto é, Adão), e por UM homem ele foi vencido (isto é, Jesus). Contudo, o trabalho salvífico de Jesus Cristo é superior, uma vez que vivificar é superior a mortificar. Adão trouxe morte, Cristo trouxe vida. Nesta condição, não há diferença alguma entre judeus e não-judeus, pois todos estão sob o pecado. O texto chave, porém, dessa passagem é a seguinte proposição paulina:

"Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida" (5:18).

O princípio é evidente: RESTAURAR o equilíbrio. Não há a mínima dúvida de que a expressão "todos os homens...", em ambas as partes sublinhadas, mostra a natureza da expiação de Cristo ante o prejuízo do pecado de Adão. Paulo não está defendendo qualquer tipo de "universalismo" (salvação para todos, incondicionalmente), mas falando da abrangência dos atos do "tipo" (pré-figura do AT que representa uma figura no NT), que seria Adão e o pecado, com o "antitipo", isto é, aquele que é representado por Jesus. O fato crucial é que o salvação é, segundo a Escritura, oferecida a todos, pois todos fomos encerrados sob o poder do pecado. Este resultado é explicado por todo o capítulo 6, que consiste, inclusive, de numerosas exortações morais e espirituais acerca da importância da manutenção de uma vida de santidade e abandono das paixões efêmeras do mundo. E em 7:6, diz: "Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caducidade da letra. Calvinistas gostam de usar Efésios 2:8-9 para afirmarem que "estávamos mortos em delitos e pecados", e nesta condição, "não temos como exercer o arbítrio". Mas, esta é mais uma prova de que "morto", nestes casos, é uma palavra figurada. O "morto" ao qual Paulo se refere é a condição de "separado", como sinônimo de "imundo", "pecador", "concupiscente". Esta condição, para o salvo, é impossível e, portanto, o mesmo deve estar "morto para o pecado". Não significa que não tenha condições de pecar, mas que sua condição espiritual é de "separação". Vamos adiante. 



A raça humana está preconizada nas palavras do Apóstolo Paulo, que ilustram bem a condição de guerra em que se encontra o homem: 


"Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros" (7:17-23).

A parte destacada no texto acima é motivo de controvérsia. Alguns defendem que Paulo fez um relato, a partir de si, da condição do homem natural (e.g., um judeu não convertido ao Cristianismo). Outros defendem que aquela condição é ilustrativa, sim, mas refere-se exclusivamente aos que já professaram a Cristo, que ainda assim lutam contra a pecaminosidade. Bem, o fato é que Paulo nos fala de uma "luta", uma guerra que há entre a "lei da mente" - lit. "tô nomô tou noós mou", gr. transl. - "contra a lei da minha mente". Será sua consciência? Talvez seja essa a tradução mais aproximada de "noós" ou "nous", de onde vem a palavra "metanóia" ("arrependimento"). Seja como for, Paulo já havia dito, na mesma Carta, que Deus imprimira sua "lei" nos "corações" dos homens: 

"Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se" (2:14-15).


Paulo, ainda Saulo, quando teve sua primeira experiência com Cristo, a caminho de Damasco (Síria). 



Aquela dualidade, sobra a qual falamos, é base para a argumentação secundária de Paulo, na qual ele explica (caps. 7 e 8) que o penhor da carne é nada, mas o do Espírito é vida (8:12-17). A questão sanguínea, portanto, dissolve-se ante o tremendo alcance do selo da fé. E, por que isto é tão importante para Paulo? Porque, lembramos, sua tese é:


""Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus", Rm. 2:28-29.

E, sendo esta a sua tese, cabe ao Apóstolo demonstrar nas Escrituras que o alcance da promessa de Deus, no AT, cumpre-se no tempo da Graça de Deus e sua essência é muito maior do que imaginava o nacionalismo restritivo dos judeus. Ao invés de excluir, a promessa incluía, abarcava pessoas de quaisquer nações, povos e línguas, uma ideia que ainda era difícil de ser aceita pelos judeus nos dias de Paulo, inclusive na própria Igreja (vide At. 15). Para muitos a circuncisão era obrigatória, mesmo para os que criam em Cristo Jesus. Não só a circuncisão, mas a abstenção de certos tipos de comida, nos moldes do Levítico. Estas restrições caducaram com o "fim", a "plenitude" da Lei, que é Cristo. Paulo afirma expressamente: "Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê" (10:4).

Romanos, caps. 8 e 9

É claro que os textos mais controversos de Romanos encontram-se nos capítulos 8 e 9, por causa de algumas palavras e ideias que ali estão. Defendo, contudo, que tais capítulos, a exemplo dos capítulos 6 e 7, são parte da argumentação paulina, não seu cerne. O que Paulo defende como uma tese, nesta carta-discurso (como eram suas cartas, à exceção das "pastorais"), é o texto de 2:28-29, por cujo propósito Paulo constrói toda a argumentação que vimos. As conclusões de sua argumentação são rigorosamente dedutivas e, quando indutivas, feitas com base em uma lógica plausível, verosímil, típica da retórica-homilética de seus dias. A certeza de que somos alvo da benevolência de Deus, no cap. 8, dá-se desde o início. "Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (8:1). Toda a exaltação de Paulo a Deus, neste capítulo, está incutida nas palavras em que se lhe assegura a certeza, no Espírito, de estar cuidando dos seus. E é a partir da defesa desta ideia - de que Deus cuida dos seus -, que ele adentra naquela que é a parte mais "difícil" de sua carta, o final do cap. 8 e o cap. 9. Vejamos:

"Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de De>us é que ele intercede pelos santos. Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou" (8:26-30).

A expressão sublinhada acima é οϋς προέγνω (ous proegnô). Esta expressão também tem sido motivo de controvérsia, o que não deveria existir. Em 1 Pedro 1:2, há a expressão "segundo sua presciência" ("κατa πρόγνωσιν"), pois o substantivo é usado. O verbo, no texto de Romanos, coincide com o radical de 1 Pedro, que significa "conhecimento prévio". Este conhecimento prévio é a BASE dos desdobramentos seguintes, não o verbo "προώρισε" ("predestinou"), o qual é um desdobramento indutivo do ato divino de salvação. Este ato de Deus se dá numa esfera atemporal, ou seja, de sua perspectiva, pois nela Deus nos  "glorificou", ou seja, tudo para Deus já aconteceu, uma vez que, como ser infinito, não há tempo e espaço. A sequência de atos divinos que vemos em Romanos 8:28-30 é continuidade da ideia de que Deus se responsabiliza pelos seus, de que Ele sustenta, posto que o futuro dos fiéis é garantido: a vida eterna.

Deus: 
conheceu de antemão > predestinou > chamou > justificou > glorificou.

É esta certeza, esta segurança que está na mente do Apóstolo, pois, logo em seguida, como é de costume, Paulo pergunta (retoricamente) e afirma:

"Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor". (8:31-39).

Exato! "Quem intentará acusação contra os ´eleitos´ de Deus? É Deus quem os justifica", afirma o apóstolo. É fácil entendermos o porquê de tanta confusão sobre textos como esse: enquanto, principalmente após a Modernidade, os cristãos(principalmente os calvinistas), tendem a dar uma grande ênfase à questão da "eleição" em si, o que se percebe no texto é uma argumentação jurídica, i.e., em defesa da ideia de que "ninguém pode intentar acusação contra os eleitos de Deus". Sejam quais forem, quem forem, onde estiverem, de onde tenham vindo... NADA poderá separá-los do amor de Deus, que está em Jesus Cristo. Esta é a ênfase correta do texto, não o aspecto da "eleição" em si, muito menos a "eleição incondicional", um desdobramento teológico e, ao nosso ver, equivocado do texto. Sem dúvidas Paulo fala de uma "eleição": indubitavelmente oriunda de seu pré-conhecimento. E esta "eleição" é segura, pois, segundo o Apóstolo, já estamos glorificados com Cristo, não tendo quem nos separe de seu amor. 



Continuaremos amanhã...

Viva vencendo, lendo e interpretando Texto sem 'paixões'!!!

Abraços.

Seu irmão menor.




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