17 abril 2016

'EVANGELHO' PARA CONSUMIDORES - FINAL


Como já foi dito, o consumismo foi apresentado ao homem no Jardim do Éden. Satanás tinha um conceito de auto-serviço que desejava vender a um cliente em potencial, que não tinha necessidade alguma, uma pessoa que vivia num ambiente perfeito, tudo possuindo, material e espiritualmente. Sua estratégia (comparável à estratégia em uso no século 20) era criar um desejo, onde não havia necessidade alguma, convencendo Eva, não de que ela carecia de alguma coisa, mas de que o que ela possuía não era suficiente. Além disso, num esforço de ganhar a competição, Satanás iniciou sua jogada colocando dúvida em relação ao mandamento divino e à conseqüente penalidade pela desobediência.
Ao chamar Deus de mentiroso, sem dúvida o adversário abalou a confiança de Eva nEle: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?… Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gênesis 3:1,4,5).

A fim de manchar o caráter do Senhor, a serpente usou o irresistível argumento de venda: “faça isso por você!”

Sendo o consumismo sempre voltado para o lucro, ele deve incluir um comprador bem como um vendedor com tendência ao lucro. Certamente Eva teve os seus desejos atiçados, pois sem isso não poderia ter acontecido venda alguma: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gênesis 3:6). Foi então que nasceu dentro de Eva, de Adão e de todos os seus descendentes, o grito da alma do consumismo: “Como isso vai me trazer proveito?”

O cristianismo consumista é uma mentalidade ou metodologia   que tenta enriquecer os cristãos, tanto material como espiritualmente, além de atrair novos convertidos à fé, embora por caminhos e métodos que não se enquadram na Palavra de Deus, nem na obra do Espírito Santo. Quer seja ele apresentado sutil ou visivelmente, compreensível e ou incompreensivelmente, envolve sempre um apelo à  decaída natureza humana. Além disso, o cristianismo consumista tem por objetivo agradar e glorificar o ego, em vez de agradar a Deus.   A história está repleta de exemplos de consumismo e egoísmo humano. Vamos analisar rapidamente a história do povo escolhido de Deus, os judeus (Deuteronômio 4:2) e de sua igreja (Tito 2:14), como exemplos da parte do povo que deveria tê-Lo conhecido melhor. Sarai, a esposa de Abraão, tentou resolver o seu caso de esterilidade ao sugerir a sua própria maneira para a vinda do filho que Deus havia prometido a Abrão (Gênesis 16:2-3). O filho Ismael, nascido da escrava Agar, tem sido a causa do sofrimento dos judeus, hoje em dia. Séculos mais tarde, logo após terem os israelitas experimentado o livramento divino dos egípcios, através de meios extraordinários,  eles fizeram um bezerro de ouro para ser adorado, a fim de gratificar as suas imediatas necessidades espirituais.  A resposta de Deus a Moisés foi que “o povo se tinha corrompido” (Êxodo 32:4-7). Josué foi enganado ao fazer paz com os gibeonitas, contrariando a ordem divina, e sua presunção de fazer o bem ao seu povo foi em realidade uma ostensiva desobediência: “Então os homens de Israel tomaram da provisão deles e não pediram conselho ao SENHOR” (Josué 9:14). Todos o Livro de Juízes caracteriza o povo de Deus, durante aquele período de tempo, como possuidor de uma mentalidade consumista, pois “cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25).  Mais tarde, os olhos de Davi sobre Betsabá o levaram a satisfazer o seu desejo de luxúria, apesar do que isso iria representar em sua experiência com Deus.

Os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento estão repletos de exemplos do cristianismo consumista. A objeção de Pedro ao que Jesus havia declarado que iria sofrer pela nossa salvação foi mais que um exemplo de simpatia carnal. Jesus logo entendeu que aquela era uma desobediência de natureza satânica (Mateus 16:21-23). Além disso, a resposta de Cristo a Pedro define tudo que se refere ao cristianismo consumista: “… Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (verso 23). Aos outros discípulos do Senhor foi dada a mentalidade de “como isso pode me trazer benefício”. Cegos pelo próprio interesse ao que Jesus lhes dissera a respeito dos seus iminentes sofrimento e morte, Tiago e João reagiram, buscando uma posição elevada em Seu Reino vindouro: “E eles lhe disseram: Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda” (Marcos 10:37). O Apóstolo Paulo censurou Pedro, o qual, junto com Barnabé, deu as costas aos gentios, a fim de agradar aos da circuncisão: “E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão. E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação. Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14). Paulo identificou suas próprias lutas, bem como as nossas, diante de Deus: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço” (Romanos 7:18-19). Em seguida, ele declarou a solução para o crente, em Romanos 8:1: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”.

O cristianismo consumista, quer manifestado nas igrejas primitivas, ou nas assembleias de hoje (desde as mega-igrejas até às reuniões de comunhão nas casas) está simplesmente fazendo as coisas à maneira humana e não à maneira divina. A história da igreja, desde o primeiro século, é uma triste crônica dos desvios dos verdadeiros e falsos cristãos da Palavra de Deus, fazendo  o que lhes parece direito aos seus próprios olhos, embora fazendo-o em o “Nome de Cristo e para a Sua glória”.  Embora com resultados espiritualmente devastadores, Deus tem sido fiel, misericordioso e longânimo com os Seus. À medida em que nos aproximamos da Segunda Vinda do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, o cristianismo consumista vai transformar de tal maneira a igreja que esta se tornará chocante para os cristãos verdadeiros, a não ser, claro, que estes tenham sido paulatinamente endurecidos através de uma gradual aceitação de muitos dos apelos por “novos produtos e processos” [e propósitos], (ou seja, pelas formas de ensinos antibíblicos, práticas e adoração) que estão sendo “vendidos” hoje em dia.

Após o Arrebatamento da Noiva de Cristo para estar junto a Ele (1 Tessalonicenses 4:16-18), uma igreja professa aqui permanecerá, por ter sido convencida a aceitar o Anticristo [na chamada “operação do erro”). Essa igreja apóstata ainda não é vista claramente, porém sua preparação tem estado em andamento por 2 mil anos e ela crescerá com grande intensidade, até o Arrebatamento dos cristãos realmente nascidos de novo. O engano daquele tempo será maior do que a humanidade jamais terá experimentado, incluindo o engodo de Hitler, com absoluto controle sobre a civilizada, tão altamente  educada e tecnologicamente sofisticada Alemanha. Qual será a principal diferença? Esse engodo será mundial e mais espantosamente facilitado pelo próprio Deus: “Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade” (2 Tessalonicenses 2:7-12). Esse poderoso engodo afetando os perdidos é comprável ao endurecimento do coração de Faraó. Ele não induzia ao pecado, mas mesmo assim permitia as circunstâncias para o desenvolvimento ao qual o seu maligno coração não conseguia resistir.

Não há razão para se acreditar que somente “os que perecem” serão apanhados no último dia do engano. Conforme temos observado nas Escrituras, muitos heróis e heroínas da fé  optaram, em determinados tempos, para que os seus próprios desejos vencessem o único antídoto divino contra o engodo espiritual: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade. E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”. ( 2 Timóteo 3:1-8).

Consideremos essas coisas à luz do que está acontecendo nas igrejas evangélicas de hoje. A psicologia humanista, com a sua ênfase no auto-amor e sua criação de outros tipos de egoísmos, tem-se tornado uma doutrina aceita e promovida entre os conselheiros pastorais e psicólogos “cristãos”. Os evangelistas da prosperidade têm-se tornado insaciáveis contra o mandamento mais importante do Senhor, [Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento – Mateus 22:37], o qual foi entregue aos milhões de cristãos professos. As igrejas que buscam membros simpatizantes estão laborando no sentido de preencher os seus bancos com pessoas amantes do  prazer, e ao mesmo tempo desencorajando (e em alguns casos até mesmo desprezando) os amantes de Deus. As “igrejas com propósito” (grifo da tradutora) têm fabricado formas de piedade, desprezando o poder das Escrituras e a liderança do Espírito Santo. A crescente adulteração das Escrituras Divinas, dando lugar a formas de subjetivas paráfrases e “traduções”, está criando uma resistência à verdade e uma anemia no discernimento espiritual. Afinal, com relação aos ingredientes da apostasia, lembremo-nos que os mágicos extasiaram aquela numerosa corte de Faraó com os seus milagres e práticas pagãs, mística presença e falsos sinais e maravilhas (Êxodo 7:11-12). Do mesmo modo, também, agora, estamos presenciando  o entretenimento, o experimentalismo e o contemplativo misticismo [católico medieval] seduzindo multidões de igrejas, as quais antes se dedicavam à pregação e ao ensino da sã doutrina.

Será que esse poderoso engodo não já penetrou na igreja evangélica? Se você acha que não, então vai ter dificuldade em encontrar outra explicação para a seguinte agenda e participação na Convenção Nacional de Pastores de 2005.
Esse evento patrocinado pela Youth Specialities (Especialidades em Juventude –  a organização evangélica mais influente na América para jovens pastores e líderes) e a Zondervan (publicadora de obras como “Uma Vida Com Propósito”, a Bíblia “The Message” (paralela à NVI) e produtora do DVD do filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, iniciou sua programação diária com a oração contemplativa (Vejam “Please Contemplate This”, TBC, maio 2000), exercícios de yoga e alongamento. Emergentes liturgias embasadas nas igrejas Católica Romana e Ortodoxa, ritos e sacramentos foram introduzidos, inclusive a oportunidade de se fazer “oração do labirinto”. Esta última é uma oração meditativa, andando-se em círculos, algo copiado num desenho da Catedral de Chartres. Esse ritual místico data da Idade Média, tendo se tornado um substituto às jornadas feitas perigosamente à Terra Santa, quando a mesma foi controlada pelos muçulmanos, a qual consistia em percorrer a “via sacra” de Jesus. À medida em que os católicos caminhavam pelo labirinto, meditando sobre os sofrimentos de Cristo, eles imaginar estar obtendo as mesmas indulgências (o perdão que abrevia as penas do purgatório para a expiação dos pecados) como se estivessem fazendo a peregrinação.
Os programas vespertinos da Convenção incluíam atos de comédia cristã. O “pintor de Jesus” (que pinta retratos de Jesus em menos de 20 minutos), a Igreja Tribal da Experiência com Tambores (Tribe Church Drumming Experience), a Discussão Sobre a Saúde Emocional Pessoal , um Pub emergente com música ao vivo [Pub é um tipo de bar, onde os londrinos costumam bater papo diante de uma bebida, depois do expediente – Mary Schultze], Cultos de Oração Contemplativa a Altas Horas (Late Night Contemplative Prayer Services), etc.

A maior porcentagem de oradores era constituída de praticantes de formas místicas de oração e adoração (apresentadas como autênticas), sendo que o restante parecia defender, ou pelo menos encorajar, o desenvolvimento de novas metodologias e liturgias para a emergente cultura do século 21. Um dos tópicos tinha o título de “A New Theology for a New World” (Uma Nova Teologia para um Mundo Novo).

A conferência, que aconteceu em dois lugares  e atraiu milhares, apresentou muitos líderes eclesiásticos influentes, como Gordon MacDonald, Henry Cloud, Brennan Manning, Dallas Willard, Joseph Stowell, Howard Hendricks, Gary Thomas, Tony Compolo e Rick Warren. A Convenção 2005 promete ser mais do que a costumeira, com cristãos contemplativos e experimentais, líderes de igrejas emergentes, tais como Richard Foster, Calvin Miller, Philip Yancy, Rugh Haley Barton, Doug Pagitt e Dan Kimbal.

A maior parte do cristianismo, segundo as Escrituras, avançará até se tornar uma igreja apóstata, à medida em que vai se aproximando a Volta de Cristo. Jesus disse aos seus discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!” (Lucas 17:1). Em seguida, Ele fez esta pergunta: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8).

A resposta óbvia é Não!!!

Como é possível que isso aconteça? O essencial amor à verdade está sendo extinto, conforme 1 João 2:16: “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo”. A igreja professa, constituída de falsos  e verdadeiros crentes, está se voltando gradualmente para a mundana filosofia hedonista, para a sua pseudociência, para a sua auto-orientada psicologia, para os seus métodos de negócios dirigidos ao consumismo, para o seu ecumenismo religioso e para a sua espiritualidade pagã. Ironicamente alguns têm se voltado para essas coisas com sinceridade, achando ser um meio de enriquecer e difundir o cristianismo. Contudo, o resultado é o cristianismo consumista em algumas e em todas as suas formas de auto-serviço, no qual “cada um faz o que parece bem aos seus olhos” (Juízes 17:6; 21:25).


Quanto aos sinais que poderão afetar adversamente a Sua Vinda, Jesus admoestou os Seus discípulos, dizendo: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane” (Mateus 24:4). Se já não estamos pertencendo à geração que está encarando o “grande engano”, em preparação para esse dia, será que haverá outra pior? Oremos para que o Seu Corpo de  crentes cresça no amor pelo Seu Caminho, Sua Palavra e Sua Verdade!

Viva vencendo o 'mercado gospel', que só tem uma intenção: tirar seu dinheiro!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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