14 abril 2016

LIÇÃO 03 - 17/04/16 - "JUSTIFICAÇÃO, SOMENTE PELA FÉ EM JESUS CRISTO"


TEXTO ÁUREO

“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20)

VERDADE PRÁTICA

A justificação dos pecados diante de Deus ocorre somente pela fé

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Romanos 4.17-22.


INTRODUÇÃO

Devido a pecaminosidade humana é impossível ter um relacionamento com o seu Criador por si só. Veremos nesta lição que existe apenas uma maneira de se ter paz com Deus e voltar a relacionar-se com Ele, através da “Justificação por meio da fé” em Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo(Jo1.29).
Rm 5.1 - Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;
Notemos que Paulo, então, começa a explicar sobre e qual seja, a de que, mediante a pessoa de Cristo Jesus, não só o homem se livra do poder do pecado, como também pode serdeclarado justo diante de Deus. É esta declaração de justiça que se denomina dejustificação, o cerne, o âmago, a essência do Evangelho.

JUSTIFICAÇÃO
Justificação é a maneira pela qual Deus traz os pecadores para um novo relacionamento com Ele. Esta aliança com Deus se torna possível através do perdão dos pecados.

Desde a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero declarou que a justificação vinha somente pela fé (não pelas obras), essa idéia assumiu uma importância especial na história da teologia. A igreja católica medieval enfatizava o papel do comportamento do cristão na obtenção da salvação. Lutero, dando uma nova ênfase às cartas de Paulo, afirmou que todos são pecadores, mas que somente pela fé na obra expiatória de Cristo na cruz temos a salvação. Segundo ele, uma vez que colocamos nossa fé em Cristo, estamos “justificados” diante de Deus, que não nos vê mais como pecadores, embora continuemos a pecar. Para Lutero, o cristão é ao mesmo tempo pecador e santo.

No grego, “justificação” e “justificar” são também termos jurídicos, isto é, referem-se à corte da lei e ao ato de absolver ou acusar alguém por crime. Tem a ver com inocência ou virtude de uma pessoa. Porém, mais amplamente, se refere a qualquer relacionamento.

I – A JUSTIFICAÇÃO MANISFESTADA NO VELHO TESTAMENTO
Justiça se refere a relacionamento e às obrigações desse relacionamento. Em alguns lugares, uma pessoa é considerada justa porque mantém um “justo relacionamento” com outra. Outras vezes alguém é justo porque faz certas coisas que são devidas para o outro com quem se relaciona (Gênesis 38:26). Porém, mais importante, esses termos são usados para descrever Deus, que é justo. Ele reina com justiça (18:25) e seus julgamentos são verdadeiros e justos (Salmo 19:9). Tanto o inocente quanto o culpado conhecem a justiça de Deus. Os inocentes sabem que serão absolvidos e os culpados que serão punidos porque a lei de Deus prevalece.

A justiça de Deus é descrita de tal forma que dá maior ênfase à Sua intervenção em favor do seu povo aliado. Por exemplo, Abraão é considerado “justo” porque responde com fé à aliança oferecida por Deus (Gênesis 15:6). Abraão não podia se auto justificar, mas pela aliança feita Deus o declarou “justo”. Para Deus ninguém se justifica por si próprio (Salmo 143:2). A esperança da humanidade é que Deus se lembrará de sua aliança. A justiça vem do favor ou graça de Deus, que lida com seu povo de acordo com sua bondade amorosa (Isaías 63:7).

NO NOVO TESTAMENTO
Quase toda a discussão sobre justificação no Novo Testamento se encontra nas cartas de Paulo, principalmente Romanos e Gálatas, onde ele procura explicar o que a obra de Cristo significa para a humanidade pecadora. Ele afirma que somos justificados pela fé, não por observar perfeitamente a lei – de fato, Paulo olha essa última idéia como uma mensagem anticristã que requer a maior condenação (Gálatas 1:6-9).

A palavra e obra de Cristo deveriam nos lembrar que justificação é um dom de Deus através do sangue de Jesus Cristo (Hebreus 13:20). A lei não é capaz de levar uma pessoa à justiça, nem foi feita para isso. Justificação está separada da lei (Romanos 3:21). Gálatas 3:15-25 nos explica claramente a função da lei, que veio 430 anos depois da aliança de Deus com Abraão. Independente de qual tenha sido o seu propósito, ela não foi dada para nos fazer justos. “Porque se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente de lei” (Gálatas 3:21).

A obra expiatória de Cristo para a justificação das pessoas tem a ver com aliança, não com lei. “Justiça” é, portanto, uma palavra relacional – nós nos tornamos justos pela fé e somos trazidos para um justo relacionamento com Deus. A lei traz julgamento, ela nos confronta com nossa incapacidade de suportar o pecado (Atos 13:39, Romanos 8:3). Através da justificação o crente está livre da condenação (Romanos 8:1). Paulo menciona Abraão em Romanos e Gálatas para mostrar que a aliança tem sido sempre a única esperança da humanidade. Deus mantém sua aliança, embora seu povo a viole todos os dias.
A lei, portanto, não tem o poder de fazer com que o homem volte a ter comunhão com Deus, volte a ter vida, motivo por que o apóstolo diz que “nenhuma carne será justificada diante d’Ele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm.3:20). A lei não salva pessoa alguma, a lei não consegue pôr uma pessoa em comunhão com Deus, porque não elimina o pecado, que é a causa da separação, da divisão entre Deus e os homens (Is.59:2). Este é o motivo pelo qual não podemos adotar a postura legalista e judaizante de alguns segmentos religiosos, que proliferam nos últimos tempos (a começar pelos sabatistas), porquanto, se confiarmos na lei para a nossa própria salvação, estaremos nos condenando à perdição, pois a lei a ninguém salva. Aliás, o apóstolo Paulo é claríssimo ao afirmá-lo na sua epístola aos gálatas, um texto que, por ser oportuno, transcrevemos: “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.”(Gl.3:10).

Mas, então, existe salvação para o homem? O apóstolo responde afirmativamente, ao dizer que a essência da mensagem evangélica é a de que “agora se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem, porque não há diferença.” (Rm.3:21,22).
A boa nova da salvação é de que, apesar de o homem não ter condições de, por seus próprios meios, obter um meio de se reconciliar com Deus, visto que nem a consciência e a revelação de Deus pela natureza, nem a lei o podem libertar do pecado, Deus providenciou uma forma de que isto se faça, mediante a fé em Jesus Cristo. Se é verdade que o pecado se estendeu a todos os homens, sejam judeus, sejam gentios, e que, por causa dele, todos os homens estão destituídos da glória de Deus (Rm.3:23), também é verdade que os homens podem, agora, ser justificados gratuitamente por Deus pela Sua graça e pela redenção que há em Cristo Jesus (Rm.3:24).

 II - JUSTIFICAÇÃO CONTESTADA (PELA FÉ E NÃO PELAS OBRAS)
 Para Paulo, então, a justificação vem somente pela graça de Deus. Tornou-se acessível pela obra de Cristo, presente de Deus. Assim, podemos confessar que Cristo morreu “por nós” (Romanos 5:8; I Tessalonicenses 5:10), ou “pelos nossos pecados” (I Coríntios 15:3). Recebemos essa graça somente através da fé (Romanos 3:22; 5:1). O entendimento básico da pessoa justificada é que seu relacionamento com o Deus vivo nada tem a ver com boas obras. É tão somente um presente do amor infinito de Deus.
A justificação vem pela fé. Mas o livro de Tiago nos lembra que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17). O Novo Testamento sempre afirma que os verdadeiros seguidores de Cristo são conhecidos pelos seus “frutos”, isto é, o resultado de sua fé. Esta é a razão pela qual católicos, ortodoxos e alguns grupos protestantes consideram a justificação uma ideia perigosa: alguns crentes tendem a acreditar tão fortemente na sua justificação pela fé que se esquecem de seguir os mandamentos de Jesus. Assim, devemos estar alertas para não enfatizar tanto a ideia da justificação pela fé de tal modo que falhemos em atender o chamado de Deus para renovação dos nossos corações. Uma pessoa justificada deve mudar seu comportamento para com os outros e com Deus. Justificação deve sempre ser seguida de santificação.

Nos Evangelhos, a ideia de justificação aparece na parábola do fariseu e do cobrador de impostos que foi ao templo orar. O fariseu chamava atenção para os seus atos piedosos e sua superioridade moral. O cobrador de impostos, humilhado por um profundo senso de seu próprio pecado e indignidade, somente chorava por perdão. Este homem, de acordo com Jesus, voltou para sua casa justificado (Lucas 18:14). Esta parábola deveria lembrar-nos da oposição de Jesus às pessoas que superestimam sua piedade, que pensam de si mesmas como “as melhores” dentre as pecadoras. (7:36-50). Somente o que se humilhar diante de Deus será exaltado (Mateus 18:4; 23:12). Somente o pecador ouve a palavra de graça (Lucas 5:32; 15:7, 10; 19:7). Os que se julgam indignos encontram cura (Mateus 8:8).

É importante lembrar que a justificação vem pela fé, porque o homem tende a se apoiar no seu próprio comportamento para se salvar. Mas o cristão deve lembrar que o justo vive pela fé (Romanos 1:17; Hebreus 10:38; 11:7).

III – A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ EM CRISTO JESUS (CONSIDERAÇÕES PECULIARES)
Os homens, por causa do pecado, estavam condenados à morte, ou seja, à separação de Deus, estavam impedidos de desfrutar da glória de Deus, da qual haviam sido excluídos, mas, como Jesus morreu em lugar dos homens, fez-Se propiciação dos nossos pecados, ou seja, permitiu que recebêssemos o favor divino, pois, ao crermos em Cristo, nossos pecados são perdoados, pois o castigo que merecíamos é atribuído a Jesus e, em virtude disto, não mais somos condenados, mas somos absolvidos, ou seja, declarados justos diante de Deus. Esta declaração de justiça, esta mudança de posição que ocorre, pois de perdidos e excluídos da presença de Deus, passamos a ser salvos e a ter comunhão com Deus novamente, é o que denominamos de justificação.

- Esta justificação não se dá por causa das obras que tenhamos praticado, nem tampouco é fruto da lei concedida a Israel por intermédio de Moisés, mas, única e exclusivamente, resultado do sacrifício de Jesus que, sem pecado, fez-Se pecado pelos homens, morrendo em nosso lugar, pagando o preço da morte para nos libertar do pecado. Como alcançamos a justificação? Diz o apóstolo: pela fé em Jesus (Rm.3:24,28).

 -A Justificação diante de Deus é uma dádiva(Rm 3.24; Ef 2.8,9). Ninguém pode justificar-se diante de Deus guardando toda a lei ou fazendo boas obras (Rm4.2-6; Ef 2.8,9), “porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus “(Rm 3.23).

-A Justificação diante de Deus se alcança mediante a “redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Ninguém é justificado sem que antes seja redimido por Cristo, do pecado e do seu poder.

-A justificação diante de Deus provém se “sua graça”, sendo obtida mediante a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador (Rm 3.22,24; cf. Rm 4.3,5).

-A Justificação diante de Deus está relacionada ao perdão dos nossos pecados (Rm 4.7). Os pecadores são declarados culpados diante de Deus (Rm 3.9-18,23), mas por causa da morte expiatória de Cristo e da sua ressurreição são pedrdoados.

Uma vez justificados diante de Deus, mediante a fé em Cristo, estamos crucificados com Ele, o qual passa a habitar em nós (Gl 2.16-21). Essa obra transformadora de Cristo em nós, mediante o Espírito (2Ts 2.13; 1Pe 1.2), não se pode separar da sua obra redentora a nosso favor. A obra de Cristo e a do Espírito são de mútua dependência.

 IV – A JUSTIFICAÇÃO EXEMPLIFICADA NA VIDA ABRAÃO
 Paulo, portanto, após ter apresentado o problema do pecado e ter mostrado que ele é comum tanto a judeus quanto a gentios, apresentou a boa nova, o evangelho, qual seja, a de que o homem, mediante a fé em Jesus Cristo, pode voltar a ter comunhão com Deus, pode se libertar do pecado.

-“…A doutrina de Paulo sobre a salvação tem na justificação seu ponto de referência básico. Sua crença a respeito da justificação é a fonte da qual fluiu sua visão do cristianismo como a religião mundial de graça e fé, onde gentios e judeus aparecem em igual privilégio…” (PACKER, J.I., op.cit., p.897). Com efeito, daí porque se considerar que a epístola aos romanos tenha sido a mais profunda reflexão do apóstolo sobre o significado da vida cristã, a síntese do propósito divino na sua vida, que era a de levar o nome de Cristo diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel (cf. At.9:15 “in fine”).

-Mas, ao receber a inspiração do Espírito Santo, para demonstrar o caráter universal da obra de Cristo, algo até então não devidamente alcançado pelos demais apóstolos, Paulo recorreu às Escrituras, a fim de que elas pudessem testemunhar o seu pensamento. Que linda lição a de Paulo! Mesmo cheio do Espírito, mesmo consciente de sua chamada ministerial e do significado da vida com Cristo, não ousou trazer aos crentes de Roma uma exposição da doutrina sem que, para tanto, tivesse o respaldo das Escrituras (na época, apenas o Antigo Testamento). Quantos, hoje em dia, em nome de sua chamada ministerial genuína, em nome da sua experiência com Deus, não têm o atrevimento de falar e expor doutrinas sem se preocuparem em ser corroborados pela Palavra de Deus… Se estes assim procedem, nós, se somos verdadeiramente servos de Deus, devemos, sempre, fazer como os judeus de Bereia (At.17:11) e conferir nas Escrituras se as coisas se sucedem como afirmam estes ensinadores.

 Paulo, entretanto, não era destes “aventureiros” dos nossos dias, dias repletos de falsos mestres. Paulo foi buscar nas Escrituras o fundamento para o que havia dito e explanado aos romanos, até porque já havia afirmado que a justiça de Deus se manifestara com “o testemunho da lei e dos profetas” (Rm.3:21b).
Esta afirmação de Paulo, aliás, é uma mostra clara de que não há qualquer incompatibilidade entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, como chegou a alegar o falso ensinadorMarcião, ainda no início da história da Igreja e como muitos, inadvertidamente, repetem nos nossos dias aqui e ali, inclusive alguns segmentos ditos “evangélicos”. A Bíblia é uma unidade, é a Palavra de Deus e, como ensinava o saudoso pastor Severino Pedro da Silva, “combina-se em cada detalhe”.

-Para comprovar que a justificação se faz pela fé em Cristo Jesus e não pela lei ou pelas obras humanas, o apóstolo toma como exemplo o caso que, em tese, lhe seria o mais desfavorável, qual seja, o caso de Abraão, de cuja descendência biológica o judeu se orgulhava e que simbolizava o próprio símbolo da comunhão de Deus com Israel, algo, a propósito, que se repetiu, posteriormente, com o islamismo, pois os muçulmanos, embora considerem Maomé como o último e maior profeta de Alá, não cessam de se dizer, também, a exemplo dos judeus, filhos de Abraão, o “primeiro islâmico”.

-Com efeito, caso a justificação venha pela fé e não pelas obras ou pelas leis, é preciso que Paulo enfrente a questão atinente a Abraão, cujo conceito judaico era de que Abraão havia conquistado o favor de Deus por causa de suas boas obras, pensamento que até hoje vigora no judaísmo, como, por exemplo, neste comentário de Menahem Mendel Disendruck: “…o Midrash compara o patriarca Abrão a um frasco de delicioso e precioso perfume. Mas desde que este cheiroso perfume é transportado por diversos lugares, todos se deleitam com seu aroma. E o Midrashcontinua:’Abrão, que estava cheio de boas ações e belíssimas virtudes, tinha que abandonar a sua pátria para que a sua fama e seus ensinamentos se tornassem conhecidos no mundo inteiro.’ É este ‘frasco de perfume’ — a fé monoteísta, com seus preceitos éticos — que Israel vem transportando através do mundo.” (Torá: a lei de Moisés, nota a Gn.12:1, p.29).

O apóstolo, porém, consultando as Escrituras Sagradas, mostra que Abraão não foi justificado por causa de suas obras. Não foi porque tivesse boas obras que foi chamado por Deus para sair de Ur dos caldeus e iniciar a formação de um novo povo, que fosse propriedade peculiar do Senhor, nem tampouco porque teria observado mandamentos recebidos de Deus quando ainda estava em Ur dos caldeus, como ensinam os muçulmanos (algo que, evidentemente, não era do conhecimento do apóstolo, mas que seus ensinos, inspirados pelo Espírito Santo e que fazem parte da sempiterna Palavra de Deus já refutam antes mesmo que fossem criados pela imaginação humana). Abraão foi justificado diante de Deus porque creu em Deus e isto lhe foi imputado por justiça, como nos afirma Gn.15:6.

Depois de ter retornado da guerra contra o rei de Sinar e seus aliados, o mais bem equipado exército daquele tempo, Abrão parecia estar em dúvida ante a promessa divina que recebera há alguns anos sobre sua descendência. Vivia só, pois Ló, quem ele imaginara constituir seu herdeiro, o havia deixado e, mesmo depois da guerra empreendida, havia preferido manter-se em Sodoma a tornar a conviver com o tio. Por causa disto, pensara mesmo constituir como herdeiro o mordomo de sua casa, Eliezer, que, entretanto, era damasceno, ou seja, não pertencia sequer a sua nação caldeia. Diante deste impasse, o Senhor aparece ao patriarca e proclama ser o seu escudo, o seu grandíssimo galardão (Gn.15:1,2). Abrão, então, relata toda a sua apreensão ao Senhor e como que “cobra” a promessa divina de que teria descendência. A esta “cobrança”, o Senhor responde com uma ordem para que Abrão saísse da sua tenda e olhasse o céu, que estava estrelado, tendo, então, prometido ao patriarca que a sua descendência seria tão numerosa quanto as estrelas que ele contemplava. Abrão, então, diz-nos a Escritura, creu na palavra do Senhor e, por causa disto, foi justificado, foi considerado e declarado justo por Deus. Não foram, portanto, as obras que fizera até então que o justificou, mas o ato de ter crido na palavra do Senhor, ou seja, a sua fé em Deus foi o motivo pelo qual foi justificado diante de Deus.

-Abraão foi justificado porque creu em Deus, porque deu crédito à Sua Palavra, crença que não tinha qualquer respaldo nos fatos então vividos por ele. Com efeito, como crer que sua descendência seria tão numerosa quanto as estrelas do céu ou como a areia do mar, se Abraão não tinha sequer um filho e, o que é mais grave, sua mulher era estéril e já fora da idade fértil? Entretanto, apesar de tudo isto, Abraão creu, não foi incrédulo e, assim agindo, deu glória a Deus (Rm.4:19-22). Este é o mesmo comportamento que devem ter os “filhos de Abraão”, ou seja, aqueles que creem na Palavra de Deus, no Verbo, em Cristo Jesus. Por isso, Jesus disse aos judeus que se eles fossem filhos de Abraão, creriam na verdade, na palavra que Ele lhes estava a dizer (Jo.8:45-47). O verdadeiro filho de Abraão é aquele que crê em Jesus e que, por isso, escuta as palavras do Senhor e, por conseguinte, é justificado diante de Deus.

CONCLUSÃO
Concluímos nesta lição que é evidente a necessidade da Justificação para ter uma vida em plena comunhão com Deus e fazer parte dos escolhidos que em breve habitarão nas mansões celestiais.

Nenhuma carne deve gloriar-se pois essa Justificação não baseia-se em obras humanas para salvação, é por graça e baseia-se no princípio da fé. Deus justifica o pecador pela fé. Ele imputa a justiça ao que crê e isto é pela graça de Deus.


Como Abraão não possuía mérito algum para ser justificado diante de Deus, da mesma forma nessa Nova Aliança, pela graça de Deus somos justificados pela fé em Cristo Jesus Nosso Senhor.

SUBSIDIO PARA O PROFESSOR

Romanos 5.1-2
Romanos parte do princípio da universalidade do pecado. Todos, gentios, que possuíam a revelação natural, bem como os judeus, que receberam a revelação especial da lei, estavam debaixo do pecado. É a graça, e somente a graça, que opera por meio da fé, que os resgatará. Deus proveu a salvação para todos pela graça e não pelos nossos méritos, cabe ao pecador responder positivamente ou negativamente a essa graça.

A experiência de Martinho Lutero
Martinho Lutero, enquanto professor de Teologia na Universidade de Wittemberg, lecionou a Carta aos Romanos de novembro de 1515 a setembro de 1516. À proporção que se aprofundava na epístola, apreciava cada vez mais a doutrina bíblica da justificação pela fé. Segundo Lutero, ele "ansiava por compreender a Epístola de Paulo aos Romanos", mas o tema da "justiça de Deus" o incomodava. O reformador considerava a doutrina da justiça divina como a punição de Deus sobre o injusto. Até que, depois de muito refletir sobre o assunto, entendeu tratar-se da "justiça pela qual, mediante a graça e a misericórdia, Deus nos justifica pela fé". Desde então, afirmou Lutero, "senti-me renascer e atravessar os portais abertos do paraíso. Toda a Escritura ganhou novo significado e, ao passo que antes a justiça de Deus me enchia de ódio, agora se tornava indizivelmente bela e me enchia de amor. Este texto veio a ser uma porta para o céu".

O efeito imediato da justificação é a reconciliação com Deus
O ser humano quando vive em pecado é inimigo de Deus, somente quando é justificado pela fé em Jesus Cristo, é reconciliado. A justificação pela fé é o começo de uma nova vida, trazendo paz, graça, glória e absolvição da ira futura (Romanos 5.10). Através da morte de Cristo, o qual suportou o castigo que nos estava reservado, recebemos a bênção da redenção dos pecados, cuja pena é a morte - física e espiritual (Isaías 53.5, 6; 1 Pedro 2.24; Gênesis 2.16-17; Romanos 5.12-14; 6.23). Assim que está justificado, o cristão entra no processo de transformação de acordo com a imagem de Jesus Cristo. O agente dessa transformação é o Espírito Santo.

A justificação do pecador, testificada pela lei e pelos profetas, mediante o sacrifício vicário de Cristo, pode ser percebida por meio de várias profecias no Antigo Testamento (Isaías 53.11; 45.22-25; 61.10; Jeremias 23.6; 33.16; Salmo 85.10; Gálatas 3.7).

A expressão " justiça de Deus" na Carta aos Romanos (1.17; 3.21-22) e em outras passagens, refere-se ao tipo de justiça que o Senhor aceita para que o homem tenha comunhão com Ele. Essa justiça resulta da nossa fé em Cristo segundo o evangelho (1 Coríntios 1.30; 2 Coríntios 5.21; Filipenses 3.9).

O alcance da justificação divina
Assim como o pecado tornou-se universal, a justificação destina-se a todos quantos queiram ser salvos (Tito 2.11). A expressão "para que todo aquele que nele crê não pereça" (João 3.16) abrange a todos indistintamente. Todos os que se arrependem de seus pecados e creem em Jesus como Salvador não perecerão, mas terão a vida eterna. E é tudo pela graça concedida por Cristo e outorgada por Deus (Romanos 5.20). Esta "multiforme graça" alcança de igual modo todas as pessoas de todas as raças, culturas, níveis sociais, idades e circunstâncias (João 6.7). Ninguém é bom o suficiente para se salvar, como também não é tão mau que não possa ser salvo por Jesus.

Conclusão
Para descrever a ação de Deus ao justificar-nos, os termos empregados pelo Antigo Testamento (em hebraico "tsaddiq": Êxodo 23.7; Deuteronômio 25.1; 1 Reis 8.32; Provérbios 17.15) e pelo Novo Testamento (em grego "dikaio": Mateus 12.37; Romanos 3.20; 8.33-34) sugerem um contexto judicial e forense. Não devemos considerar uma ficção jurídica, como se estivéssemos justos sem, contudo, sê-lo. Por estamos em Jesus (Efésios 1.4, 7, 11), Ele tornou-se a nossa justiça (1 Coríntios 1.30). Deus credita ou contabiliza (grego: logizomai) sua justiça em nossa favor. Ela é imputada a nós.


Da mesma maneira que a regeneração leva a efeito uma mudança em nossa natureza, a justificação modifica a nossa situação diante de Deus. A condição de justificado é mais do que de perdoado. O perdão remove a condenação do pecado; a justificação nos declara justos, como se nunca houvéssemos pecado contra Deus. Aos olhos de Deus, os atos de pecados já não existem mais, pois "quanto o oriente está longe do ocidente, tanto tem ele afastado de nós as nossas transgressões" (Salmo 103.12).

Viva vencendo, certo de que Jesus, nos justificou diante de Deus. Agora, é só obedece-Lo!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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