20 maio 2016

LIÇÃO 08 - 22/05/2016 - "ISRAEL NO PLANO DA REDENÇÃO"


TEXTO ÁUREO
“Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” (Rm 11.36)

VERDADE PRÁTICA
A eleição da graça é formada no presente por gentios e judeus nascidos de novo, bem como, no futuro, pela conversão da nação de Israel
Texto Bíblico:
 Rm. 9:1-5; 10:1-8; 11:1-5

Os capítulos 9 ao 11 de Romanos formam uma unidade. O tema dos três capítulos é a nação de Israel. Num certo sentido, estes capítulos são um parêntese. Pois como se pode ver, a linha de pensamento de Paulo poderia ter seguido do capítulo 8 direto ao capitulo 12.  Nos primeiros 8 capítulos, Paulo expressa o Evangelho de Deus, ou seja, as boas novas da Justificação (capítulos 1-5), Santificação (capítulos 6-8) e Glorificação (capitulo 8). No capitulo 12, ele trata com as implicações práticas do evangelho (como a verdade do evangelho pode afetar nosso viver diário em nossa relação para com Deus e o próximo). De modo que o capitulo 8 deveria desembocar naturalmente no capitulo 12, porem em vez de fazer isso, Paulo nos dá um parêntesis de três capítulos nos quais nos ajuda a entender  onde fica situada a nação de Israel nos planos e propósitos de Deus.
A eleição de Israel dentro do plano da redenção. – Os próximos 3 capítulos tratam a história espiritual de Israel: passada (cap.9), presente (cap.10), e futuro (cap.11).
A TRISTEZA DE PAULO (Rm 9.1-5)
Como prefácio do principal problema de que vai tratar, ele expressa sua angústia pela condição dos judeus. Digo a verdade em Cristo (1). É o seu juramento solene. Seus adversários judeus acusavam-no de falta de sinceridade; daí sua defesa veemente, na qual se revela como verdadeiro patriota. Amava os de sua raça e não Se envergonhava de chamá-los meus irmãos, meus compatriotas segundo a carne (3). Ufana-se dos privilégios judaicos e refere-os com certo floreio de linguagem, sendo o maior deles ser o Cristo descendência de Israel (5). A sinceridade do desapontamento do apóstolo, pelo fato de sua própria raça não estar desempenhando sua função e aceitando o Messias, evidencia-se por seu nobre desejo de ser anátema, separado de Cristo, por amor de seus irmãos (3; cfr. a oração de Moisés, Êx 32.32-33).
Há quem diga que as palavras de Paulo não poderiam ser interpretadas literalmente, isto é, chegar à conclusão de que ele desejaria ser condenado por amor aos irmãos. Isto por que: a) As palavras não indicam isto; b) Não conceberia nenhum benefício aos judeus; c) Tal desejo não pode ser expresso; d) Seria ímpio e absurdo; e) Nenhum homem poderia desejar ser o inimigo eterno de Deus.
Paulo vai explicar como Deus abandonou temporariamente Seu povo Israel, o que é o propósito de Deus para com os gentios, e como no futuro Deus restaurará o seu povo Israel a sua posição exaltada.
O fato é que Israel como nação e a integridade de Deus tem um relacionamento bem mais próximo do que naturalmente poderíamos idealizar. A história da igreja nos informa que não se delongou muito para que a membrezia da igreja tornar-se predominantemente gentia. Desse “quadro étnico” questões teológicas relevantes poderiam e/ou já estariam surgindo em solo romano. Seriam elas: “Porque Israel não está sendo redimido como prometido no Antigo Testamento?”; “Deus mudou sua mente ou voltou em suas promessas”?
A predominância gentílica em contraponto à rejeição judaica aparentemente gerava um conflito entre as promessas de Deus no Antigo Testamento e o Evangelho agora rejeitado por grande número de judeus. Deste modo, o caráter de Deus e do Evangelho poderiam ou já estariam sendo questionados. “De acordo com entendimento típico de um judeu cristão nos dias de Paulo, a história da salvação tinha tomado um rumo não esperado”[2]. Para responder a essa questão, Paulo escreve essa longa seção. “Ele escreve esses capítulos para comprovar a Palavra de Deus para Israel à luz da rejeição generalizada do evangelho por parte de seus contemporâneos judeus”.
PAULO FAZ UMA DISTINÇÃO DOS ISRAELITAS NA CARNE, DAQUELES QUE ELE CHAMA DE ESPIRITUAIS
O versículo “6” é o texto chave do cap. 9, porque realmente ele faz uma perfeita conexão entre a introdução e o desenvolvimento do capítulo.  Sei que é verdade que os fiéis da terra, que compõem a igreja invisível, pode até ser chamada de israelitas, porém as evidências contextuais mostram que os “verdadeiros israelitas” de Rm 9.6 não incluem os gentios, mas se refere somente aos fiéis da nação de Israel. Vejamos: Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas (Rm 9.6).
Quem era o objeto da preocupação de Paulo no texto, os rejeitados gerais ou somente os judeus? A resposta se encontra na introdução, nos versículos 2, 3: “que tenho grande tristeza e incessante dor no meu coração. Porque eu mesmo desejaria ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne”.
Versículo 3: Porque eu mesmo desejaria ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus compatriotas segundo a carne”. Podemos observar que nos primeiros versículos deste capítulo Paulo tenta externar a sua tristeza por causa da incredulidade de Israel. Aqui no versículo 3 o apóstolo declara com firmeza que está se referindo ao Israel “segundo “a carne” e não ao Israel espiritual.
Versículos 4 e 5: os quais são israelitas, de quem é a adoção, e a glória, e os pactos, e a entrega da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém”. Três fortes evidências que o apóstolo se referia ao Israel etnia podem ser apresentadas daqui: primeiramente, a frase “os quais são israelitas” está gramaticalmente e contextualmente ligada à última frase do versículo anterior: “que são meus parentes segundo a carne”.
Segundo, os termos: “a entrega da lei” e “de quem são os patriarcas”, jamais podem ser empregada para o Israel espiritual, porque a legislação foi entregue à nação de Israel, e não para os crentes gentios; terceiro, a oração: “e de quem descende o Cristo segundo a carne” declara explicitamente que Paulo se refere aos judeus, visto que Jesus não descende dos gentios, mas da sárka judaica.
Qual foi a palavra que Deus disse que o texto (Rm 9.6) defende que não falhou? O contexto aproximado mostra que foi uma promessa divina: “os quais são israelitas, de quem é… as promessas” (Rm 9.4), “… mas os filhos da promessa são contados como descendência” (Rm 9.8). Referia-se a promessa de salvação à nação judaica, que os judaizantes imaginavam que era incondicional e fatalística para todos os descendentes de Abraão, coisa que Paulo estava refutando.
DEUS NÃO É INFIEL ÁS SUAS PROMESSAS (Rm 9.6-13)
Este é o conteúdo da primeira objeção. Paulo começa sua réplica por negar que a palavra de Deus haja falhado (6). As promessas que acabava de mencionar (4) não foram quebradas, mas cumpridas com o verdadeiro Israel. O Israel de Deus, daqui por diante, é contrastado com o Judaísmo, que até a pouco fora o herdeiro oficial de Abraão, porém agora foi rejeitado devido à sua falta de fé e recusa de aceitar os direitos do Messias. O apóstolo esclarece a distinção que faz entre a filiação espiritual e a carnal, empregando ilustrações tiradas à história dos patriarcas. Dava a história a entender à raça judaica ter ela direitos sobre Deus, invertendo o que parece ser mais normal, Deus ter direitos sobre ela? Por que era semente de Abraão, seriam todos os judeus filhos de Deus? Paulo declara que Deus, no exercício de sua vontade soberana, tem decretado que a fé, não hereditariedade, é o princípio eterno de filiação.
Deus cumpre Suas promessas
Dentro do propósito redentor de Deus, suas reais promessas a Sara e a Rebeca foram cumpridas. Deus era livre para exercer Sua graça seletiva no caso dos patriarcas, uma vez que somente Ele é o originador dos propósitos dela. A justiça, pois, não é por obras, mas por aquele que chama (11), excluindo destarte todo mérito humano. Jacó e Esaú não foram tratados de modos diferentes por motivo da vida e do caráter deles, porque Jacó fora escolhido antes que ele e o irmão nascessem (11-12). Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú (13) deve ser isto interpretado no sentido das duas nações, não dos indivíduos, segundo se deduz da referência original nas duas citações do Velho Testamento (Gn 25.23; Ml 1.2-3).
A ELEIÇÃO E A SOBERANIA DE DEUS
Os judeus de fato criam que, por direito de nascimento e como povo de Deus, incontestavelmente seriam salvos. Por isso, existe aqui a tensão com o evangelho que Paulo pregava,  pois, a justificação que os judeus pensavam ser por méritos e descendência física, não era possível senão pela fé em Cristo. Portanto, o apóstolo deixa claro que o propósito de Deus em salvar israelitas não era baseado em descendência ou mérito próprio e, por isso, no verso 11, ele esclarece que os gêmeos não haviam sequer nascido ou feito qual-quer bem ou mal, ou seja, tal escolha não foi feita com base nas obras, seja de Jacó ou Esaú, quer sejam boas ou más.
É interessante a observação feita por Picirilli: “… são unânimes as declarações da Bíblia de que a salvação não é pelas obras. Mas, segue-se que, a Bíblia não diz que a salvação é por nada! O que a Bíblia diz é que a salvação é pela fé!  Contudo, embora Paulo já tenha asseverado o fato de que a salvação é pela fé e não por obras nos capítulos anteriores da epístola, e que o leitor original naturalmente já tivesse fixado tal fato em sua mente, deve-mos lembrar que até essa altura do capítulo 9 a palavra fé ainda não havia aparecido explicitamente, entretanto o apóstolo está até aqui deixando claro que a eleição de Deus não é baseada na descendência física de Abraão, e nem em obras, coisas estas em que os judeus se estribavam, e que estavam causando a profunda tristeza no coração do apóstolo.
O Exemplo de Faraó (vs 17-18)
Enquanto os versículos 15-16 mostram uma ênfase positiva na misericórdia de Deus, o segundo exemplo de Paulo, (o de faraó), possui uma ênfase negativa, ou seja, no Juízo de Deus. De fato, enquanto misericórdia é um atributo do caráter de Deus que ele dispensa a todos que ele deseja, endurecimento é um juízo de Deus aos que resistem a sua misericórdia (vs 17,18).
A citação aqui feita por Paulo como exemplo de resistência é de Êxodo 9:16. Este Episódio ocorre no contexto da sexta praga, quando Deus manda Moisés dizer a faraó para libertar o seu povo. Após o aviso, Deus diz que poderia ter eliminado faraó, bem como sua nação e terra, todavia, Deus não fez assim, porque tinha um propósito: primeiro, mostrar seu poder em faraó. Como bem menciona Grant Osborne, o poder de Deus demonstrado aqui pode ser ambos: tanto o de salvar, como o de julgar, pois no episódio de Êxodo Deus com seu poder salvou seu povo e com o mesmo poder condenou faraó. Também em Romanos, o poder de Deus salva os da fé (Rm 1:16) e o mesmo poder condena os incrédulos. Em segundo lugar, Deus desejava que seu nome fosse proclamado em toda a terra.
A JUSTIÇA DE DEUS – CAP. 10
Este capítulo explica a péssima condição espiritual de Israel.
Para os israelitas que procuravam ser justificados pela lei, a justiça ficou fora de seu alcance (9:31). Mas em Cristo, a justiça chega perto e pode ser alcançada pela fé. Paulo deseja a salvação dos israelitas, mas entende que é possível somente por meio de Jesus.
Ao invés de aceitar a justiça de Deus, eles procuraram, em vão, estabelecer o seu próprio sistema de justiça (2-3).
Essa descrição dos judeus se aplica bem a muitas pessoas religiosas hoje. Muitas pessoas zelosas ainda andam conforme doutrinas humanas. Da mesma maneira que os judeus precisavam abrir os seus corações para examinar as suas crenças, todos nós devemos ser abertos para aprender melhor e mudar as nossas convicções para fazer a vontade de Deus.
O tropeço dos judeus – A razão da rejeição – 10:1-13
A palavra chave aqui é JUSTIÇA. Os judeus queriam justiça mas a procurou no lugar erra-do. Como os Fariseus em Mat.25:15, os judeus gastaram muito tempo, força, e dinheiro para ganhar a justiça, mas tudo isso foi feito em ignorância. As pessoas religiosas estão fazendo a mesma coisa hoje em dia com suas boas obras. Deus não aceitou este tipo de justiça dos judeus, e não aceita hoje em dia dos gentios.
A Bíblia fala de dois tipos de justiça: justiça pelas boas obras ou pela obediência à lei, e justiça pela fé que é o Dom gratuito de Deus a todos que aceitam Seu Filho.
Os judeus não aceitaram a justiça pela fé, mas rejeitaram Cristo e sem saber que Deus fez a lei não para salvar mas para mostrar a necessidade de salvação para o pecador e aquela salvação está em Cristo.
Deus não usa mais a lei para julgar o homem, mas agora usa a cruz onde Cristo morreu. Quem crê não está condenado mas quem não crê já está condenado porquanto não crê no nome do Unigênito Filho de Deus (João 3:19).
Os gentios não buscavam a justificação pela lei, contudo, vieram a alcançá-la Mediante a fé em Cristo. Enquanto os judeus buscavam tal justificação por justiça própria. Veja, por exemplo, Fp 3:4-10, onde o próprio apóstolo mostra a dependência que tinha na lei e em sua linhagem judaica para alcançar ou manter sua justificação. Entretanto, lembramos que Paulo considerou aquilo tudo como esterco, no que se referia à sua justificação perante Deus (Fp 8-10).
Portanto, este fora o grande problema dos judeus: buscaram a justificação de justiça própria e não  decorrente da fé em Cristo. Ao lermos o final do verso 31 e o início do 32 notamos que Israel buscava a coisa certa (a justificação) todavia, com o método errado (obras e descendência abraâmica), enquanto os gentios, que não buscavam a justificação (1:18-32) vieram a alcançá-la por meio da fé (que é oposto a obras 3:20, 27-28; 4:2,6; 9:11).
Portanto, nos versos 32-33 a citação de textos como Isaías 8:14, 28:16 são mencionados para demonstrar que o tropeço de muitos israelitas era não crer na pedra angular que é Cristo.
A REDENÇÃO DE ISRAEL

Neste capítulo vamos ver o futuro de Israel e receber a resposta da pergunta “Deus tem abandonado Seu povo Israel permanentemente, ou ainda há esperança para a redenção e recuperação deste povo?”
  1. A prova pessoal – 11:1
“Também sou israelita”, diz Paulo para mostrar que sua salvação é uma prova que Deus ainda salva o judeu. A salvação de Paulo é um exemplo (1Tim.1:16), para todos que querem aprender, que Deus ainda salva o judeu e que vai salvar muito mais no Milênio.
A salvação de Paulo não é um exemplo para a salvação dos gentios hoje em dia, mas para a salvação dos judeus quando Cristo vier.
Paulo viu Cristo glorificado e ouviu Suas Palavras pessoalmente. Paulo era incrédulo e rebelde e perseguia os crentes em Cristo.
Zacarias diz que os judeus, olharão para mim, a quem traspassaram. (Zac.12:10) Em Apocalipse lemos: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim! Amém!” (Ap.1:7).
Em 1Cor.15:8, Paulo diz que era, “como um abortivo”, porque ele foi salvo centenas de anos antes da salvação da nação de Israel que só vai acontecer depois da vinda de Cristo.
Deus não rejeitou os judeus, porque um resto foi salvo. Os judeus não acharam Deus injusto quando rejeitou a maioria na época do profeta Elias, pois sabiam que os injustos não mereciam estar com Deus. Deus mostrou a sua bondade poupando 7.000 fiéis que não serviam aos ídolos. Aqueles que mostraram a sua fé foram poupados. Em Cristo, os judeus que acreditam em Cristo são salvos. A eleição não foi aleatória, um ato do capricho de Deus. Os eleitos são aqueles que aceitam a palavra de Deus.
Em suma, Deus era perfeitamente justo em sua maneira de agir porque é soberano para salvar (justificar) e rejeitar (condenar) quem ele quiser, e ele (Deus) desejou salvar (justificar) aqueles que tinham fé em Jesus Cristo, o que tristemente, como menciona Paulo nos versos 1-3, não era o caso da maioria de seus patrícios.
"E assim todo o Israel será salvo"
É impossível sustentar uma exegese que tome “Israel” aqui em sentido diferente de “Israel” no versículo 25: “Veio endurecimento (ou “cegueira”) em parte a Israel”. Quanto ao argumento de que Paulo não diz: “e então todo o Israel será salvo”, mas, “e assim todo o Israel será salvo” (como se a colheita do número completo dos gentios fosse só por si a salvação de todo o Israel), basta apontar para o bem fundamentado emprego do grego houtõs (“assim”, “desta forma”) em sentido temporal. “Todo o Israel” é expressão que aparece repetidamente na literatura judaica, onde não significa necessariamente “todo judeu sem uma única exceção”, mas, “Israel como um todo”. Assim, “todo o Israel tem um quinhão na era por vir”, diz o tratado do Mishnah sobre o Sinedrim (X. 1), e passa imediatamente a mencionar os israelitas que não têm quinhão nela.
Virá de Sião o Libertador; ele apartará de Jacó as iniquidades. Citação de Isaías 59:20: “E ele virá a Sião como Redentor, para aqueles de Jacó que se voltarem da transgressão” . O texto de Paulo se harmoniza com a LXX, exceto em que a LXX diz: “por amor de Sião”, e não: “de Sião”. Seja qual for a forma do texto adotada, a referência é à manifestação a Israel do seu divino Redentor — manifestação que em sua mente Paulo bem pode ter identificado com a parousia de Cristo.
CONCLUSÃO
É importante  descrever a relação entre Israel e Igreja como substituição é inapropriado. Se a igreja cumpriu ou substituiu tudo que Deus prometeu ao Israel nacional, porque Paulo congrega a integridade de Deus a sua promessa com o Israel étnico? Porque Paulo entraria no mérito racial, se tudo prometido a Israel foi cumprido espiritualmente na Igreja?
Para que um futuro para o Israel étnico se a igreja já cumpriu tudo? O fato é que mesmo depois do advento da Igreja, Paulo alimentou o mérito racial em suas argumentações guiado pelo pressuposto de que a promessa foi dada a uma nação. Nas palavras de Cranfield: A igreja não pode alimentar a ideia “má e contrária às Escrituras de que Deus rejeitou o seu povo Israel e simplesmente o substituiu pela Igreja cristã”.
Reconhecer uma distinção entre Israel e a Igreja, não implica necessariamente na negação de uma relação de continuidade.
Os cristãos gentios não se devem render à tentação de mostrar desdém aos judeus. Não fora a graça de Deus que os enxertou no Seu povo e fez deles “concidadãos dos santos” (Ef 2:19), teriam permanecido para sempre sem vida e sem frutos. A nova vida que os capacita a produzir frutos para Deus é a vida do velho tronco de Israel, no qual foram enxertados. Israel não lhes deve nada; eles são devedores a Israel.
Subsidio para o Professor
Paulo já expôs (2:28s.) que o verdadeiro judeu é o homem cuja vida exalta a Deus; que a linhagem natural e a circuncisão física não são as coisas de maior importância. Agora, com igual gênio demonstra que nem todos os descendentes de Israel são israelitas quanto ao ser interior, que nem todos os descendentes de Abraão são “filhos de Abraão” no sentido espiritual por ele explicado no capítulo 4. No transcorrer de toda a his­tória do Velho Testamento, o propósito de Deus foi conduzido por meio de um grupo íntimo, uma minoria eleita, um remanescente reservado. Abraão foi pai de um bom número de filhos, mas somente por meio de um deles, Isaque, o filho da promessa, é que a linha da promessa de Deus devia ser traçada. Isaque, por sua vez, teve dois filhos, mas somente por um deles, Jacó, é que a semente santa foi transmitida. E a escolha que Deus fez de Jacó e a omissão do seu irmão Esaú não dependeram nem um pouco da conduta ou do caráter dos irmãos gêmeos: Deus o declarara previamente — antes do nascimento deles.
Assim hoje, deduz Paulo, quando uns recebem luz e outros não, pode-se discernir a eleição divina como operando antecedentemente à vontade ou à atividade dos que são seus objetos. Se Deus não revela os princípios segundo os quais Ele faz Sua escolha, isto não é razão para pôr em dúvida a Sua justiça. Ele ê misericordioso e compassivo porque Sua vontade o é. “A qualidade da misericórdia não é imposta à força”, muito menos quando é Deus que mostra misericórdia. Pois se fosse compelido por alguma cousa alheia a Ele, a ser misericordioso, não somente a Sua misericórdia deixaria de ser misericórdia, mas também Ele mesmo deixaria de ser Deus.
Nem é somente em Seus procedimentos para com “a semente es­colhida da raça de Israel” que este princípio funciona. Pode-se ver isto em Êxodo, no relato dos procedimentos de Deus para com o rei do Egito, que repetida e teimosamente negou-se a deixar Israel partir. Por que Deus suportou por tanto tempo a obstinação de Faraó? Deus mesmo dá a resposta: “Para este propósito te deixei viver, para mostrar-te meu poder, de modo que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Êx 9:16, RS-V). Mesmo toda a resistência e rebelião de alguém como Faraó jamais poderá impedir o propósito de Deus; a glória de Deus triunfará, quer o homem Lhe obedeça, quer não.
Bem, replicam, se Deus preordena os caminhos do homem por Sua própria vontade, por que deveria culpá-lo por andar por onde anda? Não se opõem à Sua vontade; agem de acordo com ela.
“Responde Paulo, “Quem é você para contestar a Deus?” E emprega a analogia do oleiro e seus vasos, analogia que vinha tão prontamente aos profetas hebreu como veio a Ornar Khayyám. Je­remias aprendeu uma lição sobre os procedimentos de Deus para com o Seu povo no dia em que desceu à casa do oleiro e viu como o oleiro modelou o barro como bem lhe pareceu, ajeitando um vaso que se quebrara e se tornara um caco informe, fazendo dele um vaso outra vez (Jr 18:1-10).
“Ai daquele que contende com o seu Criador, um vaso de barro com o oleiro! Acaso dirá o barro ao que lhe dá forma:‘Que fazes?’ ou: ‘A tua obra não tem alça’?”(Is45:9, RSV.)
Admita-se que a analogia do oleiro e seus vasos cobre apenas um as­pecto da relação do Criador com aqueles que criou, principalmente com os homens, que Ele criou à Sua imagem. Os vasos não são feitos à imagem do oleiro e em caso algum podem contestar-lhe ou apontar defeitos no seu trabalho. Os homens, precisamente porque feitos à imagem de Deus, insistem em responder-lhe. Mas há diferentes modos de responder-lhe. Há a resposta da fé, como quando um Jo ou um Jeremias pede que Deus explique Seus misteriosos modos de tratá-lo. Mesmo Cris­to na cruz pôde clamar: “Por que me desamparaste?” Mas quando o homem de fé clama desse modo, é precisamente porque a justiça de Deus, bem como o Seu poder, é a principal premissa de todo o seu pensamento. Há, por outro lado, a resposta da incredulidade e desobediência, quando o homem tenta colocar Deus no banco dos réus e julgá-lo. É a esse tipo de gente que Paulo censura tão asperamente e recorda sua condição de criatura. Paulo tem sido mal compreendido e criticado injustamente por não entenderem que é ao rebelde que desafia a Deus — e não ao desnorteado que procura a Deus — que ele faz calar peremptoriamente. Deus, por Sua graça, tolera as questões levantadas por Seu povo; mas Ele não se submete ao interrogatório judicial feito por um coração empedernido e impenitente.
O final do capítulo 8 marca a conclusão dessa primeira e importante seção de Romanos. Paulo discutiu as doutrinas dos nossos privilégios com Deus e nosso futuro final. Mas, antes ele se preocupa em analisar os conceitos práticos e diários da igreja local (nos capítulos 12-15) e se sente inclinado a falar sobre o plano de Deus para os gentios e para os judeus, o seu próprio povo.

9.1-3 As palavras que Paulo escreve estão cheias de verdade - ele não mente e tem o testemunho da sua consciência no Espírito Santo. Aqui ele revela a profundidade dos seus sentimentos; como apóstolo dos gentios.
Por causa da sua grande dedicação em pregar para eles, Paulo foi provavelmente acusado
muitas vezes de dar as costas para o seu próprio povo. Embora sua missão de pregar o Evangelho o levasse para além das fronteiras da nação judaica, ele nunca perdeu o amor
pelos seus irmãos judeus. A tristeza de Paulo era tão intensa que ele estava disposto a ser
amaldiçoado e separado de Cristo se isso pudesse salvar os judeus. Para o bem do seu
povo ele teria suportado essa maldição se isso pudesse garantir a salvação deles. Ele sabia, é claro, que Deus nunca o amaldiçoaria, mas suas expressões mostram a intensidade do afeto que o apóstolo sente pelo seu povo.

9.4,5 Paulo descreve os benefícios de ser judeu. Ele pertencia à nação escolhida por Deus que, como tal, havia testemunhado sua glória, recebido seus concertos e sua lei, prestado o seu culto e recebido suas promessas. Os ancestrais desse povo haviam sido o grande povo de Deus e o próprio Cristo tinha sido judeu, no cumprimento de todas as promessas. Entretanto, Cristo era mais que judeu, Ele era e é Deus, que reina sobre todos, Deus bendito eternamente. Foi neste ponto que os judeus se confundiram.

10.1 A preocupação de Paulo com o povo judeu, Israel, é genuína e sincera e seu desejo e sua oração são para sua salvação (veja também 9.1-3). Paulo trabalhou muito e se sacrificou para ensinar os judeus a respeito de Jesus Cristo. Como Jesus é a mais perfeita revelação de Deus, ninguém poderá conhecê-lo verdadeiramente se náo conhecer Jesus; e como Deus indicou Jesus para unir Deus e os seres humanos, ninguém pode se aproximar dele por outro caminho. Os judeus, como todo mundo, somente podem encontrar a salvação através de Jesus Cristo (Jo 14.6; At 4.12).

Assim como Paulo fez, é preciso desejar que todos os judeus possam ser salvos. Devemos orar por eles, e compartilhar as boas novas com amor. Quem eu desejo que seja salvo, e por quem estou orando regularmente?
10.2 Os judeus tinham um grande zelo na sua devoção a Deus e na prática da sua lei, e Paulo sabia muito bem disso através da sua própria experiência. Entretanto esse zelo era mal direcionado e sem entendimento. O povo que Paulo amava (os judeus) estava tão ocupado em obedecer à lei que seu zelo os impedia de realmente entender os caminhos de Deus para a salvação. Esse era exatamente o estado de espírito de Paulo antes de se confrontar com Cristo. Era tão zeloso de Deus e da sua religião que perseguia os cristãos (veja At 9.1,2; 22.3-5; 26.4-11). Porém, esse zelo estava baseado num entendimento errado da palavra de Deus, e o mesmo acontecia com todos os demais judeus.

10.3,4 Os israelitas não entendiam a extensão da justiça divina, nem sabiam como poderia ser alcançada e se tornar disponível a todas as pessoas (conceito explicado por Paulo nos capítulos 3-6). E ficavam, ao invés, procurando estabelecer sua própria justiça e não se sujeitaram à justiça de Deus. Não estavam criando uma nova forma de justiça e queriam alcançar a justiça divina obedecendo à lei e aos seus rituais. Como já tinham uma opinião formada, não podiam entender os caminhos de Deus — ou seja, que a justiça lhes seria concedida através da fé em Jesus Cristo, e que o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.

10.5 Paulo faz algumas citações livres de Moisés, A primeira citação vem de Levítico 18.5, uma seção desse livro que transmite instruções de Deus ao povo sobre como deviam viver na Terra Prometida. Eles deviam obedecer à lei, pois isso iria separá-los das nações pagãs que estavam à sua volta. Mas a afirmação de Moisés de que “O homem que fizer estas coisas viverá por elas” revela o defeito fatal dessa lei. A fim de se justificar perante Deus, as pessoas deviam obedecer rigorosamente à lei, sem pecar nenhuma vez, mas isso é impossível (veja Tg 2.10). A justiça que vem da lei é a forma ideal de vida, mas ela não pode ser alcançada em um nível que seja suficientemente aceitável diante de Deus. Pois, para alcançar esse nível de justiça, será necessário obter ajuda sobrenatural. 

10.6,8 Moisés também escreveu como ser justificado perante Deus através da fé. Nos versículos 6 e 8, Paulo lembra frases de Deuteronômio 30. Esse livro inclui as últimas
palavras de Moisés ao povo de Israel, quando estavam para entrar e conquistar a terra que
Deus lhes havia prometido muitos anos antes. Moisés recita as bençãos que o povo podia esperar por ter obedecido à Deus, e também as maldições que cairiam sobre eles se desobedecessem e se afastassem dele.

Ao concluir seu terceiro discurso ao povo, Moisés explicou que eles sabiam o que deviam fazer para agradar a Deus (Dt 30,11-14), Essa palavra estava tão perto deles, quanto a sua própria boca e o seu coração.  Assim como a mensagem de Deus já tinha estado clara para o povo da época de Moisés, ela estava tão próxima dos leitores de Paulo quanto os seus lábios e os seus corações. E isso também vale para nós. Suas palavras criam uma oportunidade imediata de resposta. Elas estão muito próximas e disponíveis a fim de não anularem a nossa vontade. Mas que mensagem é essa? A salvação vem através da fé em Cristo, e está ao nosso alcance.

A MISERICÓRDIA DE DEUS PARA COM ISRAEL / 11.1-24
Nete Capitulo , Paulo afirma que nem todos os judeus rejeitaram a oferta de Deus para a salvaçáo. Ele se apóia na experiência de Elias para mostrar que sempre existiram remanescentes fiéis entre o povo. Na época de Paulo anda havia alguns vivendo
pela fé e de acordo com a lei (11.5). Afinal de contas, Paulo era judeu, assim como os discípulos de Jesus e quase todos os primeiros missionários cristãos. Parte da soberana escolha de Deus consiste em trazer de volta para Si esse contingente de pessoas. Essa verdade proíbe qualquer sugestão de anti-semitismo, pois o plano de Deus ainda inclui os judeus.

11.1 A nação judaica já havia ouvido palavras de rejeição anteriormente. Na profundeza dos seus pecados, quando o rei Manassés reinava sobre o reino do norte de Israel, Deus disse que iria abandonar seu povo por causa dos pecados (2 Rs 21.14,15). Na verdade. Jeremias havia prevenido o povo de que havia sido abandonado por Deus (Jr 7.29). Paulo expressa sua profunda preocupação com essa questão — será que Deus havia ficado finalmente cansado da crescente desobediência de Israel, e rejeitado o seu povo para sempre?

Paulo responde. De modo nenhum! Uma prova disso é a sua experiência. Ele havia recebido a salvação, e era um israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Paulo era um judeu completo (a ponto de perseguir os cristãos antes de se
tornar crente/cristão). Certamente, se Deus fosse rejeitar alguém, Paulo seria uma excelente escolha. Mas Deus, em sua soberania, chamou Paulo e reorganizou toda a sua vida.

11.2,3 Deus não rejeitou o seu povo na época de Moisés, nem na época dos profetas. E também não está rejeitando agora. Apesar da infidelidade de Israel, Deus sempre cumpriu suas promessas. Ele escolheu Israel para ser o povo através do qual todas as naçóes do mundo iriam conhecê-lo. Ele fez essa promessa ao seu ancestral Abraão (Gn 12.1-3). O povo de Israel não precisou fazer nada para ser escolhido.

Deus lhes havia dado esse privilégio porque essa era a sua vontade e não porque merecessem um tratamento especial (Dt 9.4-6). Deus sabia de antemão que o povo de Israel seria infiel. Se a fidelidade de Deus a Israel fosse depender da fidelidade do seu povo, Israel nunca seria o escolhido. Deus irá permanecer fiel às suas promessas a Israel, apesar dos seus erros.
Paulo lembra seus leitores que numa determinada época toda nação de Israel havia abandonado a Deus, mas que Ele havia preservado alguns para si. Depois da notável demonstração de Elias a respeito do poder divino sobre os profetas de Baal, no monte Carmelo (e a morte de todos os seus profetas), Elias precisou fugir para salvar a vida da ira da malvada rainha Jezabel que o estava ameaçando de morte. Ele correu muitos quilômetros e depois parou para descansar. Exausto e aterrorizado, implorou a Deus: “Senhor, mataram os teus profetas e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?” O termo “eles”, que está subentendido, está se referindo aos cruéis governantes do reino do norte de Israel, mas  Elias estava considerando que toda a nação era responsável pelos atos de alguns. Ele tinha concluído que era a única pessoa em Israel que ainda cria em Deus.

A Doutrina da Salvação em relação a Israel - Concluindo:
Os capítulos 9, 10 e 11 formam um parêntese dentro da seqüência doutrinária, quando o apóstolo Paulo confronta a ‘sorte de Israel’ no plano da salvação. Esses capítulos formam uma trilogia especial.
a) O capítulo 9 trata da soberania divina para com Israel, focalizando a eleição da nação israelita como ‘povo escolhido de Deus’ e girando em torno do passado. O capítulo 10 trata da responsabilidade humana de Israel e focaliza a sua rejeição no presente. O capítulo 11 apresenta a bênção salvadora para Israel, como resultado da misericórdia de Deus.
b) No capítulo 9, as promessas de Deus são para os fiéis, mediante a fé nEle, e não a conformidade exterior à lei. No capítulo 10, Paulo destaca que é impossível escapar da culpa do pecado. Portanto, recusar a obra expiatória de Jesus é transgressão total e indesculpável. No capítulo 11, a salvação provida por Deus através de Jesus, seu Filho, é privilégio de judeus e gentios.

c) [...] No capítulo 9, ele mostra que Deus em Sua eterna soberania tinha total liberdade de rejeitar Israel, mas só o fez porque Israel rejeitou o plano divino. No capítulo 10, Paulo mostra que, uma vez que os judeus rejeitaram o novo plano divino, não tinham condições de questionarem a rejeição da parte de Deus. Já no capítulo 11, a rejeição tem um sentido parcial e temporal, visto que os propósitos divinos não se limitam a um mero julgamento exterior, mas são propósitos mais profundos e espirituais”.
Aproveite esse domingo e dedique-se ao Trabalho do Senhor.
Sem um esforço maior, nunca conseguiremos de fato, usar esse tempo de forma bem proveitosa.
Abraços.
Viva vencendo certo de que os propósitos de Deus, se cumprirão á risca em sua vida, se você deixar!!!
Seu irmão menor.


Nenhum comentário:

Postar um comentário