04 maio 2016

UM LOUVOR SÓ DE APARÊNCIA


Há uma questão extramusical associada à música cristã contemporânea que merece reflexão. Me refiro à demonstração de sinais exteriores de consagração nos momentos de louvor e adoração. O desejo de fugir do culto estático e “morto” leva alguns a dizer 'que precisamos de um culto mais “vivo”. A questão é que isso pode levar à ideia de que quem não fecha os olhos, levanta as mãos e canta chorando por cinco minutos não está consagrado.
Mas será que as pessoas que não reagem com alto teor emocional perderam a comunhão com Deus? E mais: até que ponto a forma musical da adoração contemporânea é capaz de produzir alegria e interação nas igrejas?
É um equívoco considerar as manifestações exteriores na adoração como critério para avaliar o grau de santidade entre os irmãos. Robert Webber, professor e autor de vários livros sobre adoração, avalia que “o lado performático da adoração contemporânea tende a levar-nos para dentro do campo das obras e para fora do campo da graça” (Adoração ou show?, 2006, p. 264).
Nesse sentido, alguns adoradores podem inadvertidamente usar a música (de qualquer estilo) para “convencer” a Deus de que são autênticos e bons. É claro que o louvor permeado de gemidos e choros pode partir de um clamor pessoal sincero, mas também pode expressar apenas uma tendência a teatralizar a contrição.
Afinal, se as nossas boas obras não garantem a salvação, por que alguém deveria crer que exclusivamente o seu tipo de música vai ser aceito por Deus? Não é a música mais tradicional ou, por outro lado, a mais contemporânea que vai distinguir quem tem ou não comunhão.
O fato é que, embora não tenhamos condições de determinar qual a música mais favorável para a devoção de cada indivíduo, é possível ajudar a criar um ambiente favorável para o louvor coletivo.
Nossa música de adoração pode nos lembrar da magnificência de Deus e da alegria de sermos salvos. Mas ela não é capaz de nos tornar mais merecedores da salvação. Aliás, dependendo do contexto e de como é dirigida, ela é capaz até de nos distrair da salvação. Felizmente, o justo viverá pela fé e não pela aparência de sua boa música. 
Joêzer Mendonça, doutor em Música (UNESP), é professor da PUC-PR e autor do livro Música e Religião na Era do Pop

2 comentários:

  1. A paz do nosso Senhor Jesus, Pr. Wáldson Lima.
    Acompanho seu blog todos os dias - apesar de quase nunca comentar os posts - e tenho especial atenção aos de temas relacionados ao louvor, visto que sou músico na congregação. Na minha opinião qualquer música que não tenha Jesus Cristo como centro da atenção ou da glória não é adoração. Pode-se levantar as mãos, chorar, rir, abraçar-se, mas se não for Jesus Cristo o tema, é apenas teatro.

    Que o nosso Deus de paz continue conservando no sr. o senso crítico e coração sincero para com a Obra dEle.

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  2. Prezado irmão Esmael,
    a paz do Senhor.
    Vai bem?
    Minha gratidão por ter escrito.
    Mais grato fico por me informar que acompanha esse Blog. Isso me faz muuuuuito bem!!
    Sim, quanto ao louvor, percebo que com o passar do tempo, as coisas estão ficando banalizadas e que o centro da adoração e louvor, já não é mais o Deus Criador e Seu Filho Jesus.
    Abraços.
    Viva vencendo!!!
    Seu irmão menor.

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