11 junho 2016

BILDERBERG: MISTERIOSA CONFERÊNCIA REÚNE ELITE MUNDIAL NA ALEMANHA



Encontros secretos da Conferência de Bilderberg alimentam teorias da conspiração: tudo o que é dito nos debates entre monarcas, políticos, diplomatas e economistas é segredo, e presença da imprensa é proibida.

Dresden será, nesta semana, palco de um encontro controverso: a Conferência de Bilderberg, onde cerca de 130 tomadores de decisão da política, economia, ciência, defesa e mídia discutem a portas fechadas sobre os acontecimentos mundiais, numa reunião que, devido ao secretismo com que é tratada, alimenta teorias conspiratórias.

A misteriosa cúpula de Bilderberg acontece a cada ano num local e num país diferente. Em 2016, será no Hotel Taschenberg, no centro da cidade alemã de Dresden, entre esta quinta-feira (09/06) e o domingo. Entre os convidados, nomes de peso, como o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, a chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde e o rei Willem-Alexander da Holanda.

Apesar de convidados, a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e seu vice, Sigmar Gabriel, se recusaram a participar da rodada. Mas ministros como Ursula von der Leyer (Defesa) e Wolfgang Schäuble (Finanças) estarão representando o país anfitrião.

Apesar de os convidados e os temas terem sido divulgados - eles vão de Rússia a segurança na internet - os participantes da Conferência de Bilderberg estão sujeitos a regras especiais. A principal delas se chama "regra de Chatham House", de 1927, que demanda sigilo absoluto por parte de cada membro da conferência sobre conteúdo de conversas e declarações de palestrantes.

Por esse motivo, a reunião fechada de poderosos é motivo de críticas contínuas por sua falta de transparência. Os organizadores e os participantes, no entanto, afirmam que a reunião é um das raras ocasiões para se falar abertamente entre tomadores de decisões globais. Pois a cobertura pela mídia é proibida, embora jornalistas sejam convidados regularmente.

O pouco que sabe sobre o encontro de Bilderberg não suscita muito interesse. Ali há explicações e debates em blocos de 90 minutos. Segundo informações de um participante, há três anos, no The Grove, um luxuoso hotel londrino, não havia "nada de especial" nos intervalos: típica comida de bufê, e o vinho saía por conta do próprio convidado.

Berço do euro?

Entre vinho branco e rosbife, o que está em jogo, normalmente, é nada menos que a salvação do mundo, ou ao menos soluções para problemas globais. Segundo o livro de memórias do ex-embaixador americano na Alemanha George McGhee, a Conferência de Bilderberg foi fundamental para a elaboração do Tratado de Roma, um pré-estágio da atual União Europeia.

Étienne Davignon, empresário belga e presidente honorário do seleto encontro, afirmou ter vivenciado até mesmo a criação do euro nesta rodada sobre a qual se levantam sempre novos questionamentos. Quem estava por trás da crise do petróleo em 1973? Como foi possível a Reunificação alemã? Bilderberg é um prato cheio para os teóricos da conspiração.

Desde o inicio, a conferência está na mira de críticos, que tentam interpretar o que estaria no cerne da exclusiva reunião. O sociólogo da mídia Rudolf Stumberger afirma que o nobre círculo faria parte de uma tendência rumo a uma tentativa de refeudalização. E o cientista político holandês Kees van der Pijl avalia que os interesses ali representados pouco tem a ver com democracia. Segundo ele, já se escuta há anos que o encontro de Bilderberg é um "evento absolutamente pré-democrático".

Durante as mais de seis décadas de existência, no entanto, o círculo secreto parece não ter perdido a atratividade. "Fraternizar com algumas das pessoas mais importantes do mundo", escreveu o ator britânico Ian Richardson em 2011, "funciona como um afrodisíaco psicológico."

Parece ter sido o caso da primeira reunião, em 1954. O lugar da première e que deu nome ao encontro foi do Hotel de Bilderberg, em Oosterbeek, na Holanda. Durante os primeiros 20 anos, a nobre conferência foi dirigida pelo príncipe Bernhard, marido da então rainha Juliana. Ele teve que renunciar ao cargo devido a um escândalo de corrupção em torno da empresa Lockheed, com a qual ele também estava envolvido.

Esse é um argumento clássico e uma evidência para os críticos, que colocam os participantes da conferência sempre sob suspeita geral: a de que a reunião não passa de uma oportunidade para estreitar os laços entre política e interesses econômicos.


BILDERBERG UM CLUBE SECRETO GOVERNA O MUNDO



Criado há 53 anos, o Clube Bilderberg reúne anualmente, em caráter sigiloso, nomes influentes da política, da economia e da mídia do Ocidente para debater assuntos de interesse mundial.

É tudo muito discreto: quem atende o telefone do Clube Bilderberg, em Leiden, na Holanda, é uma impessoal voz feminina que, após repetir o número, sugere que a pessoa deixe uma mensagem após o sinal. Alguém mais desavisado poderia até pensar que ligou por engano para uma residência. Mas o que está por trás do tal número de telefone vai muito além disso: para muitos, o Clube Bilderberg é o maestro oculto da política e da economia ocidental há mais de cinco décadas. Todo o segredo que cerca suas atividades(nem portal na Internet ele tem), só contribui para essa imagem.

Fundado em 1954 pelo príncipe Bernhard, da Holanda, pelo primeiro-ministro belga Paul Van Zeeland, pelo conselheiro político Joseph Retinger e pelo presidente da multinacional Unilever na época, o holandês Paul Rijkens, o Clube Bilderberg é uma organização não-oficial que nasceu supostamente para promover a “cooperação transatlântica” e debater “assuntos relevantes em nível mundial” – o que, em plena Guerra Fria, equivalia a discutir a ameaça comunista. O nome Bilderberg vem do hotel holandês que abrigou a primeira reunião, em 1954. O sucesso desse evento convenceu os seus organizadores a realizá-lo anualmente, em algum país europeu, nos Estados Unidos ou no Canadá.
Atualmente, os encontros do Clube reúnem cerca de 120 personalidades européias e norte-americanas influentes na política, na economia e na mídia. Eles ocorrem em hotéis sofisticados e preferencialmente isolados, que são fechados por ocasião do evento.
Nesse período, um fortíssimo esquema de segurança, a cargo de agentes norte-americanos e de vários outros países europeus, além da polícia local, garante a privacidade dos participantes. A conferência mais recente foi realizada no Ritz-Carlton de Istambul, na Turquia, entre os dias 31 de maio e 3 de junho.
O COMITÊ organizador das conferências tem sido bastante criterioso nas suas seleções de convidados, como se pode constatar pelas listas disponíveis. O polêmico ex-secretário de Defesa norte-americano Donald Rumsfeld era nome habitual nos encontros, assim como Peter Sutherland (ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, atual diretor-executivo da British Petroleum e da Goldman Sachs International e membro do comitê organizador do Bilderberg), Paul Wolfowitz (ex-subsecretário de Defesa do governo de George W. Bush e ex-presidente do Banco Mundial) e Henry Kissinger (ex-secretário de Estado norte-americano).
Clã de seletos
Na página oposta, o príncipe Bernhard, da Holanda, um dos fundadores do Clube Bilderberg. Ao lado, no sentido horário, alguns dos nomes que já o integraram ou que ainda fazem parte dele: a rainha Beatrix, da Holanda; o bilionário David Rockefeller; Henry Kissinger, ex-secretário de Estado norte-americano; Donald Rumsfeld, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos; e Javier Solana, ex-secretário-geral da Otan.
Bill Clinton, Tony Blair, o ex-secretário- geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) Javier Solana e os bilionários David Rockefeller e Bill Gates também já integraram essa exclusiva relação (veja no quadro alguns dos nomes convidados para a conferência deste ano).
Ao reunir tanta riqueza e poder e zelar pela privacidade absoluta em seus eventos (nenhum participante pode falar sobre o que viu e ouviu nos encontros), o Clube Bilderberg se tornou prato cheio para as teorias conspiratórias. Segundo elas, a organização manipula políticas nacionais e eleições, provoca guerras e recessões e chega a ordenar assassinatos e renúncias de líderes mundiais – como teria acontecido, respectivamente, com o presidente norte-americano John Kennedy e a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.
PARA MUITOS sérvios, o Bilderberg foi o responsável pela queda de Slobodan Milosevic. Fala-se ainda que três famosos terroristas – Timothy McVeigh (responsável pelo atentado de Oklahoma City), David Copeland (um dos responsáveis pelo atentado ao metrô de Londres) e Osama Bin Laden – também pensam que os governos nacionais dançam conforme a música tocada pelo Clube.
O curioso é que o Bilderberg incomoda tanto conservadores quanto liberais. Para os primeiros, a organização é um plano sionista liberal. Para os outros, com tanto cacife e sigilo envolvidos, coisa boa não deve sair dali. “Quando tanta gente com tanto poder se reúne em um só lugar, acho que nos devem uma explicação sobre o que está acontecendo”, disse o exjornalista britânico Tony Gosling ao jornalista Jonathan Duffy, do BBC News Online Magazine (“Bilderberg: The Ultimate Conspiracy Theory”, de 3 de junho de 2004).
Por mais verossímeis ou DESCABELADAS que sejam, as ESPECULAÇÕES sobre a verdadeira ATUAÇÃO do Clube Bilderberg dificilmente poderão ser CONFIRMADAS ou refutadas.
Segundo Gosling, o economista britânico Will Hutton, ex-participante das conferências do Bilderberg, comparou o evento ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, no qual “o consenso estabelecido é o pano de fundo contra o qual a política é feita em nível mundial”. Gosling exemplificou os perigos desse “consenso”: “Um dos primeiros lugares onde ouvi sobre a determinação de as forças norte-americanas atacarem o Iraque foi no encontro de 2002 do Bilderberg, graças a um vazamento de informação.”
Os organizadores se defendem. Para o belga Étienne Davignon, ex-vice- presidente da Comissão Européia, vice-presidente da multinacional francesa Suez-Tractebel e atual presidente da conferência do Clube Bilderberg, é impossível pensar em comando mundial único.
“Não creio numa classe governante global porque não creio que tal classe exista”, disse ele ao jornalista da BBC Bill Hayton (“Inside the secretive Bilderberg Group”, de 29 de setembro de 2005). “Apenas penso que são pessoas influentes interessadas em conversar com outras pessoas influentes.”
O jornalista Martin Wolf, do diário inglês Financial Times, que foi convidado para alguns encontros, também pensa que não há fogo atrás dessa fumaça: “A idéia de que tais eventos não podem ser realizados na privacidade é fundamentalmente totalitária”, disse a Duffy. “Não é um organismo executivo. Nenhuma decisão é tomada lá.”
O EX-CHANCELER britânico Denis Healey, uma das presenças de primeira hora das conferências do Clube Bilderberg, também minimizou as críticas: “Nunca procuramos atingir um consenso sobre os grandes temas nas conferências”, disse a Duffy.
“É simplesmente um lugar para discussões.” Healey é só elogios ao Clube: “O Bilderberg é o grupo internacional mais útil do qual participei. A confidencialidade permite às pessoas falarem honestamente, sem medo das repercussões”, acrescentou ele.
Por mais verossímeis ou descabeladas que sejam, as especulações sobre a verdadeira atuação do Clube Bilderberg dificilmente poderão ser confirmadas – ou refutadas – por completo. Elas, aliás, não surpreendem o pesquisador britânico Alasdair Spark, especialista em teorias conspiratórias ouvido por Duffy.
“A idéia de que uma panelinha sombria está mandando em todo o mundo não é nada nova”, comentou Duffy. “Por centenas de anos as pessoas acreditaram que o mundo é governado por um grupo de judeus. Não deveríamos esperar que os ricos e poderosos organizassem as coisas em seu próprio interesse? Isso é chamado de capitalismo.”
Influência
Na página oposta, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, possível vítima do Clube; Bill Gates já teria participado das reuniões secretas; e o terrorista Osama Bin Laden, que acreditava no poder de decisão do Bilderberg.
Lista seleta
Os 20 nomes relacionados a seguir, convidados pelo Clube Bilderberg para a conferência deste ano em Istambul, são uma amostra da elite ocidental reunida pela organização.
✧ Rainha Beatrix, da Holanda.
✧ Lloyd Blankfein, presidente e chefe-executivo do banco Goldman Sachs.
✧ Paul Gigot, editor da página de editoriais do Wall Street Journal.
✧ Jaap de Hoop Scheffer, secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
✧ Rei Juan Carlos I, da Espanha.
✧ Muhtar Kent, presidente e diretor de operações da Coca-Cola.
✧ Henry Kissinger, ex-secretário do ex-presidente Richard Nixon e atual presidente da Kissinger Associates.
✧ Klaus Kleinfeld, presidente da Siemens.
✧ John Mickletwait, editor do The Economist.
✧ Jorma Ollila, chairman da Nokia e da Shell.
✧ Príncipe Philippe, da Bélgica
✧ Eric Schmidt, presidente e chefe-executivo do Google.
✧ Klaus Schwab, presidenteexecutivo do Fórum Econômico Mundial
✧ Javier Solana, secretário-geral do Conselho da União Européia.
✧ Michael Tilmant, presidente do ING Group.
✧ Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu.
✧ Daniel Vasella, presidente e chefe-executivo da Novartis.
✧ Jeroen van der Veer, chefeexecutivo da Shell.
✧ Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial.
✧ Robert Zoellick (na época, executivo do Goldman Sachs. Assumiu a presidência do Banco Mundial em julho).
Fontes: DW e http://www.revistaplaneta.com.br/bilderberg-um-clube-secreto-governa-o-mundo/

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