15 junho 2016

EDITO DE MILÃO MARCA O FIM DAS PESEGUIÇÕES AOS CRISTÃOS


Após muitas perseguições seguidas de carnificinas, os governantes de Roma iniciaram uma fase pacífica com os cristão, iniciou-se uma fase de tolerância aos cultos vistos como  pagãos ortodoxos. Exigiam apenas que os praticantes das novas religiões adorassem e respeitassem os deuses do Império Romano do Ocidente e sobretudo ao Imperador. No entanto haviam grupos que não submetiam-se a isto, os cristãos e os judeus. Jamais iriam aceitar a união do poder político do Estado com a Igreja, nem aceitariam adorar o imperador e seu trono como um deus vivo.
Enquanto os cristão viviam alicerçados pela fé, os romanos viviam em torno do trono, um Estado mantido pela autoridade do Imperador.
O princípio “Nenhum homem é obrigado dar obediência a uma lei que considere injusta”, defendido pelo Imperador Tertuliano aumentava mais e mais a rivalidade entre paganismo romano  e o cristianismo, devido a obrigação de obediência cega aos bispos e clérigos em geral, sem obediência a qualquer lei do Império Romano.
Imagem do Imperador Tertuliano
Foi ao código moral criado pela Igreja que os cristãos passaram a obedecer, o que dava a eles tranquilidade e distanciamento do domínio pagão imposto pelos romanos.  Isso provocou nos romanos um ódio cada vez maior
As perseguições aos cristãos aumentava a cada posse de um novo imperador. Foi no reinado do Imperador Marco Aurélio, em meio a paz que ocorreu uma época de fome, pestes, inundações e até mesmo guerras, que muitos revoltosos passaram a crer que era ausência de veneração aos antigos deuses romanos.
 Imagem do Imperador Marco Aurélio
Foi neste período que o Imperador Marco Aurélio decidiu dar ordem de punição aos adeptos de seitas religiosas contrárias ao paganismo, porém com esta ordem de punição aumentou a oposição dos cristãos ao Império.
Imagem do Imperador Séptimo Severo
Enquanto Cômodo governava cessam as perseguições religiosas. No entanto o sucessor Séptimo Severo, revoga as perseguições aos cristãos de modo abusivo, até o ritual de batismo passou a ser considerado crime. A Imperatriz síria, sucessora de Séptimo, mostrou-se indiferente aos deuses romanos, deixando os cristãos tranquilos. No reinado seguinte, quando foi ao trono o Imperador Alexandre Severo, houve uma paz entre a seita pagã e o cristianismo. No início da Idade Média, com as invasões bárbaras a paz foi interrompida. 
                                      Imagem do Imperador Alexandre Severo
Por volta de 249, reinado do Imperador Décio, o Império Romano tornou-se frágil com tantas guerras e derrotas, ao mesmo tempo sofrendo sucessivas invasões bárbaras. Os cidadão romanos dirigiam-se aos deus dos templos do Império Romano invocando a proteção dos deuses. Nesta época os cristãos interpretavam tais derrotas e crises do Império Romano do Ocidente como se fosse um aviso dos céus, o retorno de Cristo. Diante disso o Imperador Décio promulgou um Edito com caráter religioso, que viria a fortalecer a unidade nacional romana, além de fortalecer o entusiasmo dos romanos na adorações e preces a seus deuses. Objetivava com tal Edito salvar Roma do inimigo cristão e dos invasores bárbaros. Ao recusarem os mandamentos do Edito Imperial, aumentaram as carnificinas contra os cristãos nos circos, arenas e festas romanas. 
                                   Imagem do Imperador Valeriano
As perseguições aos bárbaros e aos cristãos prosseguem durante o reinado do Imperador Valeriano. Por volta de 261, o Imperador Galieno resiste com suas legiões aos sucessivos ataques dos persas, assim aplica seu Primeiro Edito de Tolerância, como trunfo de reestabelecer a ordem no Imp. Rom. Do Oc. Reconhecendo o culto do cristianismo como religião, ao mesmo tempo devolve as terras e moradias confiscadas pelo Estado dos cristãos. Com isso expande-se o cristianismo que paulatinamente toma todo Império. Nesse caos político e religioso a população do Império Romano do Ocidente refugia-se nas consolações religiosas, passando a identificarem-se com as práticas oriundas do credo cristão. Assim o cristianismo absorve práticas e tradições romanas. Nesta fase do cristianismo surgem as catedrais, instituindo-se o matrimônio entre o povo cristãos com o romanos.
                                                                                                               Imagem do Imperador Galério
O Imperador Galério, com medo de os cristãos continuarem como obstáculo à consolidação de um governo de caráter absolutista, dá conselho Diocleciano, grande adepto da monarquia oriental, a dar início a restauração ordem romana e à revalorização e retorno dos cultos aos velhos deuses do Império Romano romanos. Uma onda de perseguições ocorre novamente no Império Romano, o que atinge de modo intenso os cristãos, ampliando-se com o Decreto acordado por quatro imperadores, tal Decreto foi complementado com a destruição de todas as igrejas à práticas do cristianismo. Sorte que neste período cristãos apresentarem-se em grande número, o que origina uma leva de movimentos cristãos de reação as medidas efetivadas por tal Decreto. As legiões romanas investem forte violência aos revoltosos do movimento cristãos. A população mediante aos abusos e carnificinas efetivadas contra os cristão se vê obrigada a lutar contra as legiões romanas em defesa dos cristão, perdendo a própria vida para acabar com a intolerância.
Galério em 311, já agonizando promulga um Edito de Tolerância. Neste Edito Galério como um de seus últimos atos, legaliza o cristianismo e implora aos céus a prece dos cristãos em paga de “Nossa Altíssima Clemência”. Em meio ao caos Romano, os cristãos multiplicavam-se lentamente, erigiam, assim, uma ordem que viria a sobreviver mesmo após a derrota do Estado Imperial Romano.
Em meio a essa ordem de coisas é que ocorre a elevação de Constantino a Imperador que viera para determinar novos rumos para a nascente Igreja Católica Apostólica de Roma, principalmente como institucionalização oficial da doutrina cristã.
                               Imagem do Imperador Constantino
Fracassadas as perseguições da época de Diocleciano e sua retirada do trono imperial, aplica-se o princípio de hereditariedade, ascende ao trono o Imperador Constantino. Oriundo das fileiras da legião romana, Constantino passa a se um homem de grande popularidade por meio de tantas vitórias conquistadas nas campanhas contra o Egito, Pérsia e Inglaterra, onde as tropas gaulesas o proclamam em definitivo Imperador. Nesta época os membros da Guarda Pretoriana estavam com uma grande preocupação, desejavam a restauração de Roma como Capital do Império do Ocidente, proclama Maxêncio, imperador. Neste mesmo momento Galério nomeia Flávio Lícínio  imperador, reagindo e, consequentemente, opondo-se às arbitrariedades da Guarda Pretroriana. Ocorre uma conspiração entre dois grupos, de um lado Maximino e Maxêncio; e outro, Licínio e Constantino. Assim ocorre uma guerra culminando com a vitoriosas das tropas de Constantino os quais portavam símbolos cristãos, guerra que foi registrada detalhadamente por historiadores da época. Com a vitória, Constantino entra em Roma ladeado por suas tropas, tornando-se, assim, o Primeiro Senhor do Ocidente. Este fato marca o fim do paganismo. E com a promulgação do Edito de Milão, confirma-se a tolerância religiosa concedida por Galério, devolvendo-se assim, os bens confiscados dos cristãos.
Em meio aos intensos conflitos no Império Romano surge o Edito de Milão. A atitude de Constantino revela uma implacável habilidade política, bastou a este vencer as tropas de Licínio.
     Na qualidade de defensor e guardião do cristianismo, Constantino declara-se cristão, proclamando liberdade religiosa por todo o Império Romano.
Após converter-se ao credo cristão, Constantino mostrou que o cristianismo servira ao Imperador apenas como instrumento político para suprimir divergências na unidade do governo imperial que se estabelecera; porém ele luta com todo o vigor para a perpetuação do credo cristão. 
Constantino no cristianismo a alternativa para restaurar a moral romana
Regulamentando o casamento, a família. O cristianismo serviu de instrumento para a pacificação e para a unificação do Estado Romano. Assim a Teoria do Direito Divino dos Reis justificaria a Monarquia Absoluta Romana que emergia na figura de Constantino. Edito de Milão passou a proibir as seitas heréticas. Tudo isso não impediu as invasões bárbaras ao Império Romano do Ocidente.
Imagem do Imperador Teodósio
Teodósio, o último Imperador Romano promulga o Edito de Tessalônica no ano de 380, elevando com este, o cristianismo enquanto religião oficial do Estado Romano, tornando cristão o Império Romano do Ocidente e do Oriente.
REFERÊNCIAS:
DURANT, Will. A História da Civilização. In v. IV: A Idade da Fé. Tradução Mamede de S. Freitas. Rio de Janeiro: Editora Record, 2009.
AYMARD, André, AYBOYER, Jeannine. História Geral da Civilização. 4 ed. In vs. I, II e II: Roma e seu Império. Tradução Pedro Moacyr Campos. Rio de Janeiro: Difel, 1990.
Prof. Dr. Rudney Marinho

Nenhum comentário:

Postar um comentário