23 junho 2016

LIÇÃO 13 - 26/06/2016 - " O CULTIVO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS



TEXTO ÁUREO
     Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém!(Rm 16.27)

VERDADE PRÁTICA
                           Deus deseja que os crentes, alcançados pela graça, cultivem relacionamentos 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

                                                                       Romanos 16.1-16

INTRODUÇÃO

Estudaremos o último capítulo da Epístola aos Romanos, o qual nos mostra a suma importância dos relacionamentos entre os irmãos da igreja local. À primeira vista, o capítulo 16 de Romanos parece apenas uma lista enfadonha de nomes de pouco ou nenhum significado para nós hoje, por isso somos inclinados a subestimar o valor de seus ensinos, entretanto, um estudo mais atento deste capítulo negligenciado por muitos cristãos, revela grandes verdades e preciosos ensinamentos acerca dos relacionamentos pessoais na igreja. Paulo traz à lembrança nomes de pessoas que, de uma forma ou de outra, o ajudaram a construir a identidade cristã do primeiro século. Ele elenca 26 nomes, acrescentando na maioria dos casos uma apreciação pessoal e uma palavra de elogio. Expressões como "queridos no Senhor", "a igreja que está em sua casa", "dileto amigo", "meu amado", mostram o carinho e o relacionamento de ternura que Paulo cultivava com as pessoas, mesmo de longe. O apóstolo era um mestre de relacionamentos humanos; era um pastor experiente e sabia o valor de tratar as pessoas pelo nome e de fazer-lhes elogios encorajadores. “Deus deseja que os crentes, alcançados pela graça, cultivem relacionamentos saudáveis”. Imagine a necessidade que temos de cultivar o relacionamento de carinho e ternura com as pessoas que estão pertos: a nossa família, a igreja onde congregamos e pessoas próximas de nós!

I. A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

A vida na igreja local é uma grande oportunidade para termos um relacionamento de respeito e de muita alegria com aqueles que chamamos de irmãos em Cristo. São pessoas de diversas características: criança, adolescente, jovem, adulto, terceira idade, pessoas portadoras de alguma deficiência. Este é o nosso círculo de relacionamento interpessoal. Neste aspecto, o último capítulo de Romanos é um estímulo a doar-nos ao próximo em nome de Jesus.

1. Valorizando pessoas, não coisas. Paulo escreve: “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16:1,2).
Febe é apresentada como alguém que está servindo à igreja em Cencréia. Ela estava viajando de Cencréia a Roma e possivelmente foi a portadora da Epístola aos Romanos. Sempre que viajavam de uma igreja para outra, os cristãos da igreja do primeiro século levavam consigo cartas de recomendação. Essas cartas demonstravam cortesia para com a igreja visitada e eram úteis para o visitante. Assim, o apóstolo apresenta Febe e pede que ela seja recebida como verdadeira cristã, conforme convém aos irmãos em Cristo. Pede, ainda, que ela receba toda assistência que vier a necessitar. Como recomendação em favor dessa irmã, Paulo informa que ela se dedicou ao ministério de ajudar outros, incluindo ele próprio. É bem possível que seu lar em Cencréia estivesse sempre de portas abertas para obreiros e outros cristãos.
Observação: “... a cooperadora Febe, a pesar de servir a Deus na igreja de Cencréia (Rm 16:1) – aqui, o verbo ‘servir’ (gr.diakoneõ, cognato de diáconos), é o mesmo para designar o serviço dos diáconos -, não há comprovação de que ela tenha sido uma diaconisa, como muitos afirmam. Pelo contrário, o Novo Testamento assevera que o diaconato estava a cargo dos homens(Atos 6:1-5; 1Tm 3:12,13). O aludido verbo é polissêmico e pode denotar os atos de ministrar, de auxiliar ou de prestar qualquer tipo de serviço” (Zibordi, Ciro Sanches. Procura-se pregadores como Paulo. CPAD. p.188).

Não se deve ignorar os importantíssimos e valiosos serviços que mulheres devotas e caridosas, como Febe, são capazes de prestar à igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. No Ministério de Jesus, as mulheres foram essenciais. Elas sempre estiveram ao lado do Senhor Jesus. Desde o Seu nascimento, elas O acompanhavam.
Na Sua apresentação no templo. Quando Jesus foi apresentado no templo, a Bíblia relata que ali estava a profetisa Ana, segundo registro de Lucas 2:36-38.
Elas O serviam: “Então Maria, tomando uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pós de Jesus e enxugou-lhe com os cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do unguento” (João 12:3).
Elas contribuíam financeiramente: “… e também o seguiam algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc 8:2-3).
Elas estavam presentes na Sua morte. Mateus 27:55,56 relata: “Estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, para o servir. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José e mãe dos filhos de Zebedeu”.
Após a Sua ressurreição, foi a uma mulher que Jesus apareceu pela primeira vez: “Disse-lhe Jesus: Maria. Ela, voltando-se, disse-lhe: Mestre... Maria foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor” (João 20:15-18).
Portanto, a presença feminina no ministério de Jesus é indubitável. Não há como negar: Jesus valorizou a mulher como homem algum jamais o fez. Ela deixou de ser objeto para ser sujeito.

2. O valor das mulheres. A diversidade da igreja pode ser notada pelo gênero masculino e feminino, classe social e raça. Na igreja de Roma havia homens e mulheres servindo a Deus. Dentre as 26 pessoas saudadas na carta de Paulo, nove são mulheres. A proeminência dos nomes de mulheres enfatiza sua ampla espera de atuação(Rm 16:1,3,6,12, etc). Dentre estas mulheres estava Priscila, esposa de Áquila. Paulo fala deste casal, como 'tendo exposto suas vidas na causa do Evangelho'(Rm 16:3). Outras referências a este casal são encontradas em Atos 18:2,18,26; 1Coríntios 16:19 e 2Timóteo 4:19. Na maioria dessas passagens, Paulo sempre cita Priscila em primeiro lugar. Muitos comentaristas concordam que isso tinha uma razão de ser: Priscila se destacava na obra do Senhor, sendo auxiliada por Áquila, seu esposo. Paulo também menciona uma mulher de nome Maria(Rm 16:6). Pouco se diz dessa Maria, mas o que se sabe é que ela “trabalhou muito” na obra de Deus.

O fato incontestável é que, na igreja primitiva, a atuação das mulheres era notória e amplamente valorizada. Elas eram dedicadas à obra de Deus e exerciam seus ministérios com o apoio das lideranças da época. Além de Paulo, Lucas nos mostra que as mulheres tiveram uma participação expressiva na implantação do Reino de Deus. A relação é extensa e inclui, entre outras, Lóide e Eunice (2Tm 1:5), Maria, mãe de João Marcos (At 12:12); Priscila, que juntamente com o esposo, Áquila, passou a doutrina para várias outras pessoas, inclusive para um intelectual e culto homem de Alexandria chamado Apolo(At 18:26); Lídia(Atos 16), a primeira pessoa convertida na Europa. A sua casa foi o primeiro local de reuniões das igrejas na Europa. Todas essas mulheres atuavam nas áreas de ensino, na evangelização, intercessão e contribuição financeira, com amor e dedicação. São exemplos que ficam para sempre e nos quais podemos nos espelhar para servir a Deus.
3. Irmandade e companheirismo. Em romanos 16:7, Paulo cita o nome de pessoas que foram companheiros na jornada. Diz ele: “Saudai a Andrônico e a Júnia, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo”. Estes dois companheiros de Paulo podem ter sido uma equipe formada por marido e mulher. Júnia(ou Júlia, que é a leitura em certos manuscritos antigos), era um nome feminino largamente usado na época. As referências de Paulo a eles como parentes poderia significar que eles também eram judeus, possivelmente da mesma tribo. Não se sabe quando estiveram na prisão com ele, porque Paulo foi preso diversas vezes(cf. 2Co 11:23), sabe-se apenas que eles compartilharam do sofrimento de Paulo. Paulo elogiou esses cooperadores com sinceridade, e isto tem grande valor nos relacionamentos humanos. Paulo sabia disso e não hesitava em usar esse importante recurso. Hoje, a falta de companheirismo e de vida comunitária, nas igrejas locais, é tanta que nem mesmo os membros se conhecem uns aos outros, menos ainda nos megatemplos.

II. AS AMEAÇAS ÀS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

No princípio da Igreja, bem como nestes últimos dias da Igreja, os falsos mestres têm intensificado as suas artimanhas no afã de enganar os incautos. E Jesus já tinha alertado os Seus discípulos acerca dos falsos obreiros que viriam (Mt 24:11; Mc 13:22,23). Esses falsos obreiros, distorciam, e ainda distorcem, os ensinamentos de Cristo e as palavras de Seus apóstolos. Eles estavam destruindo aos poucos o significado da vida, morte e ressurreição de Jesus. Alguns afirmavam que Jesus não poderia ser Deus; outros afirmavam que Ele não poderia ter sido um homem real. Estes falsos mestres permitiam e até mesmo encorajavam todos os tipos de atos errados e imorais, especialmente os pecados sexuais. Este era um problema em toda a igreja primitiva, e Paulo frequentemente advertia as igrejas sobre este assunto.

1. Individualismo. Antes de concluir a Epístola, o apóstolo Paulo faz uma última exortação à igreja em Roma. De forma áspera, Paulo adverte aos destinatários da Epístola acerca dos cuidados que eles deveriam ter dos falsos e dissimuladores mestres que poderiam trazer grandes prejuízos espirituais a igreja e quebrar a koinonia(comunhão), cristã. Paulo ainda não tinha ido a Roma, mas ele certamente percebeu que os falsos mestres, que estavam por toda parte, passariam por ali. Ele rogou aos crentes que notassem os que promoviam dissensões e escândalos contra a doutrina da verdade. Assim exorta o apóstolo: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos símplices” (Rm 16:17,18).
Paulo via o individualismo daqueles que promoviam dissensões e facções como um perigo às relações interpessoais dos cristãos. Por isso, os cristãos de Roma deveriam se desviar desses falsos mestres. Eles não serviam a Cristo, mas a si próprios. Em vez de serem servos de Cristo, são escravos de seus próprios apetites e interesses egoístas. O deus deles é o ventre. Eles fazem da igreja uma plataforma para se locupletarem. Buscam o lucro, e não a salvação dos perdidos. Erguem monumentos a si mesmos em vez de buscar a glória de Cristo. A língua deles é cheia de lisonjas. Suas palavras são doces e suaves, mas carregadas de veneno. Eles são amáveis em seus gestos e sempre agradáveis em suas atitudes, mas seu propósito é enganar o coração dos incautos.
Esses falsos mestres estavam mais interessados em servir os seus interesses próprios, motivados por um desejo de ganhar poder e prestígio. Em contraste, os mestres cristãos autênticos são motivados pela fé sincera, e por um desejo de fazer o que é certo. Tanto Paulo quanto Pedro condenavam os mestres gananciosos e mentirosos (cf. 1Tm 6:5).
Esta situação enfatizada por Paulo é uma realidade nos dias atuais, nestes últimos dias da Igreja do Senhor Jesus aqui na Terra. Muitos líderes de seitas têm desviado cristãos, ensinando coisas que parecem verdade, mas que na realidade são falsificadas. Os cristãos genuínos devem resistir energicamente estes falsos líderes e seus ensinos apócrifos. Aqueles que estudam a Palavra de Deus não são enganados, a exemplo dos cristãos da cidade de Beréia (cf. Atos 17:10-12).
2. Sensualismo e antinomismo. “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16:17). O apóstolo diz, aqui, que essas pessoas que se diziam “irmãos”, infiltrando-se na igreja, eram facciosas e promoviam escândalos em desacordo com a doutrina.
Quem eram esses falsos mestres? A maioria dos comentaristas concordam que Paulo tinha em mente o movimento herético do primeiro século conhecido como gnosticismo. Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Estes falsos mestres viam a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era material. Isso os conduzia a uma vida sensual. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, em parte alguma o apóstolo diz ou insinua que esses perturbadores fossem membros da igreja romana. Provavelmente eram intrusos, propagandistas itinerantes do erro. Alguns poderiam ser judaizantes legalistas; outros, antinomianos libertinos ou talvez ascetas; ou ainda defensores de uma combinação de dois ou mais ismos destrutivos. Eram pessoas que destroçavam a harmonia e o assentimento da fé verdadeira.
Observe o final do versículo 18: “[..] palavras suaves e lisonjas”. Estas palavras mostram uma ligeira e sutil tendência de alteração na doutrina genuína. Estas “palavras suaves e lisonjas” significa não se prender às regras absolutas da doutrina Bíblica para obedecer. São palavras atrativas, porém, destrutivas. Paulo advertiu os crentes romanos que quando eles ouvissem qualquer ensinador, deveriam verificar o conteúdo do que estava sendo dito para não serem enganados por palavras “suaves” ou “lisonjas”. Segundo afirma o Rev. Hernandes Dias Lopes, a palavra grega crestologia, traduzida por “palavras suaves”, ajuda-nos a entender o caráter desses falsos mestres. Os próprios gregos definiam 'crestólogo' como a pessoa que fala bem e atua mal. É aquela classe de pessoas que, por trás da fachada de palavras piedosas e religiosas, exercem má influência; a pessoa que desencaminha os outros não por um ataque direto, mas sutilmente; a pessoa que finge servir a Cristo, mas na realidade está destruindo a fé.
Pelo versículo 18, percebe-se que os falsos mestres estavam tentando ganhar mais dinheiro distorcendo a verdade e dizendo o que as pessoas queriam ouvir – “...tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e, com palavras suaves e lisonjas, enganam o coração dos símplices”. Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes, Paulo diz que os crentes de Roma precisavam fazer duas coisas: (a) notar bem esses falsos mestres, que são lobos querendo entrar no meio do rebanho(At 20:29,30); (b)afastar-se deles. Nós também devemos aproximar-nos dos irmãos e afastar-nos dos falsos mestres. Devemos fazer uma caminhada na direção da comunhão fraternal e uma caminhada de distanciamento daqueles que provocam divisões e escândalos na igreja.

III. A FONTE DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS

Em linhas gerais, o Deus triúno, a Sua graça e a Sua Palavra são as fontes das relações interpessoais.

1. O Evangelho da graça e o seu Conteúdo. “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos” (Rm 16:25).

O Evangelho que Paulo pregava tinha como conteúdo a Pessoa e a obra de Jesus Cristo. E Paulo queria que os cristãos em Roma se conscientizassem disso. Ele sabia que o Evangelho e o próprio Senhor Jesus Cristo é que fortalecem os crentes na fé. 'O plano havia estado oculto desde os tempos eternos'. Os profetas que escreveram vários livros do Antigo Testamento não estavam totalmente cientes do significado de suas próprias palavras; mas eles escreveram muito, por ordem de Deus, acerca do cumprimento do mistério: a vinda do Messias, o Evangelho e a salvação dos gentios e judeus(cf. Rm 11:25,26). Deus, em sua soberania, permitiu que Sua sabedoria fosse revelada no Evangelho da graça. O resultado foi 'a salvação para todo aquele que crer'. Agora, após a vinda de Cristo e o crescimento da igreja, o que os profetas do Antigo Testamento escreveram está sendo entendido(Rm 1:2). E Paulo queria que os cristãos em Roma entendessem bem isso.

2. As Escrituras Sagradas como revelação de Deus. Assim se expressa o apóstolo Paulo: ”[...] por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações!” (Rm 16:26). As Escrituras revelam a Jesus Cristo, o conteúdo do evangelho de Paulo, enquanto a pregação de Jesus Cristo, por intermédio das Escrituras, é o meio de tornar esse mistério conhecido aos homens em todo o mundo. O 'mistério que estivera oculto' agora foi revelado por meio da vida, morte, ressurreição e exaltação de Jesus. As Escrituras proféticas não são uma invenção humana, mas o mandamento do Deus eterno; seu propósito é estimular a obediência por fé entre todas as nações. A evangelização precisa desembocar em transformação de vida. À conversão segue o discipulado; com o fim de levar o convertido ao conhecimento da genuína doutrina, à maturidade e a convicção plena da fé em Cristo.

CONCLUSÃO
Paulo finaliza a Epístola aos Romanos exaltando o Deus único e sábio, criador, sustentador, redentor e galardoador: “ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!” (Rm 16:27). Deus é merecedor de toda a glória, pelos séculos dos séculos, pois o glorioso evangelho apresentado na Epístola aos Romanos foi concebido por Sua sabedoria e por seu poder desde toda a eternidade.


O mesmo Paulo que já irrompera impetuosamente em adoração e louvor - "Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento de Deus!'' (Rm 11:33) - volta a exaltar a Deus por Sua sabedoria na conclusão desta Epístola. Na verdade, o povo redimido de Deus passará a eternidade atribuindo a Ele "louvor, e a glória, e a sabedoria e as ações de graças, e a honra, e o poder e a força" (Ap 7:12). Eles O adorarão por toda a eternidade por Seu poder e glória manifestos na salvação. Esperamos com todo nosso coração por esse dia que breve virá!

SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR

Paulo finaliza sua carta primeiramente recomendando a irmã Febe, membro da igreja de Cencreia. Foi através dela que o apóstolo enviou sua epístola à igreja que estava em Roma. A recomendação vem acompanhada de uma observação na qual Paulo reconhece o serviço prestado por ela à igreja de Cencreia.

“Prisca e Áquila” – Este casal tinha por profissão a fabricação de tendas, como Paulo (At 18.3). Ele estava com eles em Corinto. Lucas a chama de “Priscila”. Ela é freqüentemente mencionada antes do marido, o que era muito incomum (At 18.18, 26; 1Co 16.19; 2Tm 4.19). Possivelmente ela era da nobreza romana ou a personalidade dominante no casal. Paulo os chama de “meus cooperadores em Cristo Jesus”. É possível que Paulo tenha sabido das fraquezas e pontos fortes da igreja romana através deste casal. “expuseram a sua cabeça” – Aqui foi usada uma expressão idiomática referente ao risco de ser degolado ou decapitado pela guilhotina de um carrasco. A Bíblia não esclarece o que Paulo tinha em mente com esta frase. “não só eu lhes agradeço, mas também todas as igrejas dos gentios” – Paulo era muito grato pela amizade e ajuda ativa deste casal. Ele mesmo relaciona o serviço deles a “todas as Igrejas dos gentios”. Que afirmação e agradecimento arrebatador! Deve ser por causa do apoio e do relato sobre Apolo (At 18.24-28). “a Igreja” – É digno de nota que este termo refere-se às pessoas, não ao prédio. O termo significava “os chamados para fora”. 

No grego da Septuaginta, usado para traduzir o termo hebraico qahal, “congregação”. A igreja primitiva via a si mesma como o cumprimento da verdadeira “congregação de Israel” do Antigo Testamento, como sucessores naturais, e não como um grupo divisionista e sectário. “que está em sua casa” – Os cristãos primitivos encontravam-se nos lares (16.23; At 12.12; 1Co 16.19; Cl 4.15 e Fm 2). Os templos como locais de reunião para culto não surgiram até o terceiro século d.C

I. As ameaças  ás relações interpessoais
1. Individualismo. No meio das saudações, o apóstolo Paulo, de forma abrupta, põe uma advertência: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Rm 16.17). Alguns comentaristas acham que esse versículo se encontra deslocado do restante dos demais. Mas, a verdade é que ele está no lugar onde deveria estar. Paulo via como uma ameaça a quebra da koinonia cristã. Portanto, era um perigo às relações interpessoais, o individualismo daqueles que promoviam dissensões. Esse individualismo está caracterizado no fato de que eles serviam ao seu próprio estômago ou ventre. Viviam para si mesmos. O faccioso geralmente é um indivíduo solitário até o momento em que arregimenta outros para compartilhar do seu pensamento doentio. A igreja deve observá-lo e afastar-se dele. Esta advertência parece irromper inesperadamente no contexto. Nos versículos 17 e 18 há uma lista do que esses falsos mestres estavam fazendo:
1. Fomentavam divisões;
2. Criavam obstáculos para os crentes;
3. Ensinavam o contrário do que era ensinado na Igreja;
4. Tratavam de saciar os seus próprios apetites;
5. Enganavam os corações incautos com amenidades e lisonjas.
“Desviai-vos(apartai-vos) deles” – Este é um tema repetitivo (Gl 1.8-9; 2Ts 3.6,14; 2 Jo 10). Mestres falsos com freqüência são atraentes de físico e têm personalidades dinâmicas (Cl 2.4). O que dizem freqüentemente tem muita lógica. Portanto, cuidado! Alguns testes bíblicos possíveis para identificar falsos mestres são encontrados em Dt 13.1-5; 18.22; Mt 7; Fp 3.2-3, 18-19; 1Jo 4.1-6. Os crentes de Roma deveriam evitar aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a ‘doutrina que aprendestes’. Os crentes devem aprender a não se deixar enganar por ‘suaves palavras de lisonjas’ (v. 18).

II Sensualismo e antinomismo
Esses irmãos facciosos não apenas provocavam dissensões, mas também promoviam escândalos (Rm 16.17). A maioria dos comentaristas são de acordo que Paulo tinha em mente o movimento herético do primeiro século conhecido como gnosticismo. Era um movimento sectário, que tinha como prática o sensualismo e o antinomismo. Em outras palavras, como viam a matéria como algo ruim, não tinham apreço pelo corpo, já que este era material. Isso os conduzia a uma vida sensual.

Gnosticismo foi um movimento religioso, de caráter sincrético e esotérico, desenvolvido nos primeiros séculos de nossa era à margem do cristianismo institucionalizado, combinando misticismo e especulação filosófica. O Gnosticismo talvez fosse a heresia mais perigosa que ameaçava a igreja primitiva durante os primeiros três séculos. Influenciado por filósofos como Platão, o Gnosticismo é baseado em duas premissas falsas. Primeiro, essa teoria sustenta um dualismo em relação ao espírito e à matéria. Os gnósticos acreditam que a matéria seja essencialmente perversa e que o espírito seja bom. Como resultado dessa pressuposição, os gnósticos acreditam que qualquer coisa feita no corpo, até mesmo o pior dos pecados, não tem valor algum porque a vida verdadeira existe no reino espiritual apenas. Os apóstolos Paulo e João combateram duramente o Gnosticismo, por conta de sua exaltação ao conhecimento oculto, sua negativa da Encarnação de Cristo, de Sua Morte e Ressurreição, seu dualismo entre alma e corpo, espírito e matéria, ignorância e conhecimento, mundo material e corrupto versus mundo espiritual e perfeito. Esta heresia nefasta ronda a igreja hoje, e pode ser encontrada em muitos púlpitos. Os gnósticos pregavam que o mal é a ignorância, porque esta afastaria o Homem de conhecer as dádivas colocadas à sua disposição pelas leis metafísicas do Universo. O falecido Mike Murdock, “com sua obra A Lei do Reconhecimento, vem dizer, entre outras heresias, que a ignorância é a causa da pobreza, doença e fracasso. Infelizmente, esse homem, com seu livro repleto de ensinos materialistas e influenciado pela Confissão Positiva, vem sendo considerado "o mais sábio dos Estados Unidos". Devo me sentir, então, um tolo, por achar que o livro dele é ruim, e que não passa de um imitador do Gnosticismo, que usa versículos bíblicos e linguagem evangélica para vender seu produto, seu evangelho da riqueza? Esse evangelho da saúde e da riqueza, pregado por tantos norte-americanos (Kenneth Hagin, Morris Cerullo, T.L. Osborn, Kenneth Copeland, Frederick Price e muitos outros) é um grave câncer na Igreja, que se alastra por muitas nações. Quem dá testemunho balizado disso é Hank Hannegraaf, em seu excelente livro Cristianismo em Crise (CPAD), em pesquisa séria e sólida. O Movimento da Fé, aqui representado exponencialmente por R.R.Soares e Edir Macedo, mas também por tantos outros líderes de maior ou menor monta, é um perigoso entrave ao assentimento da mensagem da Cruz no coração do pecador. Toda essa pregação de "Você vai obter vitória", "Você é um vencedor", "Basta tomar posse da bênção", "Use a palavra para trazer à existência as coisas que não existem", "Use a fé que Deus usou para criar o mundo", toda essa parafernália é oriunda das leis de visualização e reprogramação mental que vêm das filosofias e religiões orientais, carregadas também de aspectos inerentes ao Gnosticismo heresia grega que exalta o conhecimento para a libertação do Homem, para seu bem-estar físico, emocional, material e social.

III. A fonte das relações interpessoais
O “mistério” que esteve oculto é a pregação sobre Jesus Cristo; a revelação do plano eterno da salvação de Deus, que foi mantido em segredo (mistério). Os crentes são capacitados pelo conhecimento do evangelho e o evangelho agora está disponível para todos! Deus tem um propósito único para a redenção da humanidade que precede até mesmo a queda (Gn 3). Pistas deste plano são reveladas no Antigo Testamento (Gn 3.15; 12.3; Ex 19.5-6; além das passagens universais nos Profetas). Contudo esta agenda cheia não estava clara (1Co 2.6-8). Com a vinda de Jesus e do Espírito, ela começa a ficar mais óbvia. Paulo usava o termo “mistério” para descrever este plano redentivo total (1Co 4.1; Ef 2.11-3.13; 6.19; Cl 4.3; 1Tm 1.9). O evangelho foi tornado conhecido das nações, e todas elas estão incluídas em Cristo e através de Cristo (Rm 16.25-27; Cl 2.2).

Este mistério ou plano de Deus - o evangelho de Jesus Cristo (Ef 2.11-3.13), agora foi claramente revelado a toda a humanidade “pelas Escrituras” – Deus manifestou este mistério na pessoa e na obra de Jesus. Isto foi predito pelos profetas e o sua realidade se vê no estabelecimento da igreja do Novo Testamento, formada de crentes judeus e gentios –e Deus apresentou a oferta do evangelho ao mundo inteiro, o que foi sempre o Seu propósito! (Gn 3.15; 12.3; Ex 19.5-6; Jr 31.31-34). O conceito bíblico de “glória” é difícil de definir. A glória dos crentes é que eles entendam o evangelho e se gloriem em Deus, não neles mesmos (1.29-31; Jr 9.23-24). Freqüentemente o conceito de brilho era acrescentado à palavra para expressar a majestade de Deus (Ex 19.16-18; 24.17; Is 60.1-2). Somente Ele é digno e merece ser honrado. É tão brilhante que a humanidade caída não pode contemplá-lo (Ex 33.17-23; Is 6.5). Deus só pode ser verdadeiramente conhecido através de Cristo (Jr 1.14; Mt 17.2; Hb 1.3; Tg 2.1). Paulo encerra sua epístola com uma doxologia (Do grego δόξα [doxa] "glória" + -λογία [-logia], "palavra") é uma fórmula de louvor e glorificação encontrada ao longo das Escrituras.

Conclusão
Em 12.5, Paulo diz que “[...] somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros”. Ele emprega o verbo grego esmen (“somos”) no tempo presente e sugere o estado de que os membros pertencem tanto a Cristo, quanto uns aos outros, ao mesmo tempo. É por essa razão que a igreja não deve se conformar com a cosmovisão secular prevalecente sobre relacionamentos (individualismo, hedonismo, egocentrismo, etc.), mas deve renovar-se através do conceito de que os membros pertencem tanto a Cristo, como uns aos outros. Assim, do mesmo modo que cada crente deve se relacionar com o Senhor, deve igualmente se relacionar e cuidar dos outros crentes. Não há divindade além do nosso Deus. Todos os outros deuses são falsos. Somente o Senhor Deus Todo Poderoso, o Deus da Aliança, merece nosso louvor. Nós O louvamos pelo seu presente de Jesus para expiar nossos pecados, seu presente de misericórdia para aperfeiçoar nossas falhas, seu presente de paciência para nos ajudar a consertar nossas inconsistências e, por último, seu presente de amor para prover nossa salvação. Ao Único Verdadeiro e Vivo Deus, que sua glória brilhe para sempre nas vidas e fidelidade do seu povo. Que seus louvores sempre estejam em nossos lábios e em nossos corações. Que pessoas possam ver seu amor por eles em Cristo Jesus, agora e para sempre.“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8).

Abraços.

Viva vencendo melhor á medida que vai aprendendo!!!

Seu irmão menor.

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