08 junho 2016

SILAS DANIEL - EM DEFESA DO ARMINIANISMO - PARTE 2


Nem Pelagianismo, nem Semipelagianismo

Portanto, o Arminianismo não tem absolutamente nada a ver com Semipelagianismo e muito menos com Pelagianismo, como acusam desonestamente calvinistas mal informados – ou até mal intencionados. O monge Pelágio da Bretanha (350-423), como sabemos, não acreditava nas doutrinas bíblicas do Pecado Original, da Depravação Total e da Graça Preveniente, esposadas e defendidas tanto por calvinistas como por arminianos.

Mas, a acusação mais comum que tem sido feita contra os arminianos é que eles, não obstante não serem pelagianos, seriam semipelagianos, acusação igualmente falsa. O Semipelagianismo surgiu logo após a condenação do Pelagianismo, quando alguns cristãos do quinto século, ao lerem os argumentos de Agostinho contra Pelágio, concordaram que Pelágio havia incorrido em grave heresia, mas consideraram também que Agostinho havia exagerado um pouco em sua contra-argumentação às heresias pelagianas. Pelo fato de esses cristãos discordantes admirarem muito Agostinho, há quem prefira até chamá-los de “semiagostinianos”, mas prefiro usar aqui a nomenclatura tradicional “semipelagianos”, porque é como são mais conhecidos.

Diziam os semipelagianos, encabeçados pelo monge e teólogo francês João Cassiano (360-435), que os erros de Agostinho em seu embate com Pelágio foram dois: primeiro, seu conceito de predestinação, no que estavam certos; e segundo, sua defesa da Depravação Total, no que estavam completamente equivocados. Os semipelagianos não negavam o pecado original – isto é, o pecado herdado de Adão e Eva, a natureza pecaminosa etc –, mas diziam que, mesmo após a Queda, o ser humano ainda tinha em si resquícios da volição pré-Queda, um livre-arbítrio remanescente, que o possibilitava, sem precisar de uma graça preveniente, responder com fé e arrependimento à pregação do Evangelho. Para eles, Deus poderia até dar início à fé em alguns casos, mas em muitos deles, ou na maioria, era o próprio homem que dava o initium fidei, o primeiro passo para a Salvação. O Semipelagianismo, após muitas discussões, foi condenado no ano 529 pelo Concílio de Orange. Entretanto, essa condenação se aplicou apenas à oposição dos semipelagianos à Doutrina Bíblica da Depravação Total. O mesmo concílio condenou a crença de que Deus predestinou o mal ou pessoas ao inferno. Ou seja, o que prevaleceu na Igreja, desde o século 6 em diante, foi uma Soteriologia que aceitava a Depravação Total, mas negava o conceito de predestinação de Agostinho, o qual seria ressuscitado apenas 1,1 mil anos depois por Lutero.

Lutero: de “calvinista”, no início, a “arminiano” no final da vida

Lutero viveu em uma época em que a Igreja Católica já tinha se desviado da Soteriologia Bíblica, passando a dar ênfase mais às boas obras do que à graça de Deus, e ainda explorando essa supervalorização das obras em um contexto idolátrico. Lutero confrontou contundentemente esses erros, porém, em sua primeira fase, o fez indo um pouco para o outro extremo, pregando uma Soteriologia que resgatava e valorizava maravilhosamente a graça, mas que, por outro lado, desprezava um pouco o lugar da responsabilidade humana. Isso ocorreu porque sua fonte inicial não eram só as Escrituras, mas Agostinho. Por ser de origem agostiniana, Lutero acabou sendo “calvinista” antes de Calvino. Aliás, Calvino desenvolveu sua Soteriologia inspirado, inconfessadamente, nos primeiros ensinos de Lutero sobre predestinação.

Muitos se esquecem, porém, que, após escrever Da Vontade Cativa (1525), obra endereçada a Erasmo de Roterdã na qual defende a predestinação agostiniana, Lutero “evitou progressivamente a doutrina especulativa da predestinação, [...] preferindo se focar no ministério da Palavra e sacramentos, aos quais a graça está ligada, e dando progressiva proeminência à vontade redentiva universal de Deus” (BAVINCK, Herman, Reformed Dogmatics, volume 2, 2004, Baker Academic, p. 356). Nessa segunda fase, Lutero se tornaria primeiro um “calvinista compatibilista” (explicarei o que é isso mais à frente), combatendo fortemente os “calvinistas fatalistas” antinomianos; depois, escreveria contra a predestinação dupla (a crença de que Deus predestinou tanto os que irão se salvar quanto os que irão se perder); mais à frente, deixaria de defender também a Expiação Limitada (que defendera em Comentário aos Romanos, 1516) para defender a Expiação Ilimitada (o que fez em Sermon for First Sunday in Advent, 1533); e voltaria também atrás ao defender a possibilidade do salvo decair da graça nos artigos 42 a 45 dos Artigos de Esmalcade, escritos por ele em 1537 como resumo de toda doutrina luterana. Isto é, Lutero terminaria sua vida se opondo a 3 ensinos que se tornariam depois 3 dos 5 pontos da Tulip calvinista. Ademais, Felipe Melanchton, sucessor de Lutero à frente do luteranismo, era, na prática, um “arminiano” antes de Arminius.

Portanto, uma análise honesta da história nos mostra que o que convencionou-se chamar de “Calvinismo” nunca foi a posição dominante na História da Igreja desde a sua fundação até hoje. O primeiro a propor as teses que seriam chamadas, em um futuro distante, de “Calvinismo“ foi, como vimos, Agostinho, e isso só no quinto século. Nenhum outro Pai da Igreja, antes ou depois de Agostinho, esposou o “Calvinismo”; e a Igreja, após Agostinho, não aderiu a seus posicionamentos “calvinistas”. O Concílio de Orange, como vimos, condenou a predestinação divina do mal; e os Concílios de Kiersy (853) e de Valença (855) afirmariam a predestinação pela presciência divina. Ou seja, nos primeiros 400 anos da Igreja, não houve “calvinistas”; e de Agostinho a Lutero, que seria o próximo “calvinista” da história (e, mesmo assim, temporariamente), passaram-se 1,1 mil anos sem “calvinistas”. Tomás de Aquino, por exemplo, nunca foi “calvinista”, como alguns calvinistas forçosamente tentam classificá-lo, pois defendeu explicitamente a predestinação com base na presciência divina. Mesmo no protestantismo, o Calvinismo não teve um reinado absoluto: com 20 anos de Reforma, Lutero e Melanchton abandonam o “Calvinismo”; 65 anos depois, surge, com Arminius, uma oposição mais forte ao Calvinismo; e desde o século 19, o Arminianismo é maioria entre os evangélicos no mundo. Ou seja, o que é conhecido como Arminianismo não é só um posicionamento que tem mais solidez bíblica como também é aquele que melhor representa o real posicionamento da Igreja sobre a questão soteriológica ao longo da história.

Quanto à reviravolta arminiana no meio protestante nos últimos séculos, ela se deu principalmente devido à pregação e à pena de dois grandes homens do século 18: John Wesley e seu teólogo e amigo John Fletcher.

Wesley, John Fletcher e a reviravolta arminiana

Enquanto a Igreja Anglicana (igreja oficial inglesa) se tornaria majoritariamente arminiana, o Calvinismo seria a corrente prevalecente nas primeiras igrejas não-oficiais da Inglaterra. Porém, quando surgiu o movimento metodista, seus dois principais líderes, ambos oriundos da Igreja Anglicana, se dividiam nessa questão: John Wesley (1703-1791) era arminiano e George Whitefield (1714-1770), calvinista. Após discutirem publicamente sobre o assunto sem chegar a uma solução, ambos resolveram deixar essa questão para trás em prol da unidade e avanço da obra de Deus, fazendo o seguinte pacto: Whitefield prometeu nunca mais falar mal de Wesley quanto a essa diferença doutrinária e também não aceitar nunca uma crítica de alguém a seu amigo por causa dessa diferença, e Wesley se comprometeu a fazer o mesmo; e quem morresse primeiro, o outro pregaria em seu enterro. Ambos seguiram à risca o acordo.

Porém, no ano da morte de Whitefield, a corrente calvinista dentro do metodismo começaria novamente a confrontar seu líder por causa do Arminianismo, de maneira que Wesley, juntamente com o principal teólogo do metodismo no século 18, John Fletcher, resolveu escrever uma série de artigos defendendo o Arminianismo à luz da Bíblia e expondo equívocos do Calvinismo. Esses artigos, principalmente os de Fletcher, impuseram uma derrota pública e poderosa aos calvinistas na Inglaterra no final do século 18, uma vez que estes, à época, não conseguiram responder à altura aos argumentos de Wesley e Fletcher.

Um dos opositores calvinistas, o talentoso compositor Augustus Toplady (1740-1778), sem argumentos diante da devastadora resposta de Wesley a seu resumo da obra do calvinista italiano Jerônimo Zanchi (século 16), passou a xingar Wesley em profusão. O líder metodista, indignado com tantos ataques baixos, pessoais e sem sentido, escreveu: “Conheço muito bem senhor Augustus Toplady, mas não luto com limpadores de chaminés. É um combate demasiadamente sujo para que me aproxime dele. Não conseguiria nada mais que manchar os dedos. Li suas breves páginas, e não perderei tempo com isso. Vou deixar esse assunto com o Sr. [Walter] Sellon. Não poderia cair em mãos melhores”.

Infelizmente, muitos calvinistas usam essas palavras duras de Wesley para dizer que houve “troca mútua de ofensas”, o que é uma inversão total dos fatos e do senso das proporções. Essa foi a única resposta dura de Wesley a Toplady, e ela só foi emitida depois de o líder dos metodistas receber uma série de ataques pessoais e absurdos de Toplady. Antes dessa resposta dura e lacônica de Wesley, Toplady xingara o líder do metodismo, por exemplo, de “Papa João”, “pregador de doutrinas perniciosas”, “sofista”, “jesuíta”, “mentiroso”, “pelagiano”, “blasfemo”, “maniqueu”, “pagão”, “velho gambá” e “representante do ignóbil papel de vil e aleivoso assassino”. Isso é só uma pequena amostra. Toplady chegou a escrever nada menos que 30 páginas (sic) com ofensas desse nível contra Wesley, pelo simples fato deste defender biblicamente o Arminianismo (LELIÈVRE, Mateo, John Wesley – Sua Vida e Obra, Editora Vida, 1997, pp. 251 e 260). Ou seja, não houve uma troca mútua de ofensas. Houve um ofensor e um ofendido. Ao final de sua tradução à obra de Zanchi, Toplady escrevera o seguinte resumo: “A suma de tudo é esta: uma entre 20 pessoas da humanidade (por exemplo) é eleita; as outras 19 são reprovadas. Os eleitos serão salvos, façam o que fizerem; os reprovados serão condenados, ainda que façam o que puderem para que isso não aconteça. Amado leitor, creia nisso ou seja condenado. Em testemunho da verdade, assino-me: A. T. [Augustus Toplady]” (LELIÈVRE, Ibid., p. 251). Logo, Wesley resolve escrever dois documentos, um deles de oito páginas, onde rebate os equívocos calvinistas apresentados na obra de Zanchi e resume a posição arminiana. Foram esses documentos, que não traziam nenhuma ofensa pessoal e eram escritos em tom solene e didático, que provocaram a reação desproporcional de Toplady a qual nos referimos. Faço questão de reproduzir abaixo a definição que Wesley faz do Arminianismo em um desses documentos, porque ela deixa claro que a posição de Wesley era absolutamente fiel à posição arminiana original, que foi defendida também pelos seus colegas John Fletcher e Walter Sellon. Segue trecho do resumo de Wesley, intitulado O que é o Arminianismo?:

“Os erros dos quais são acusados os usualmente chamados arminianos por seus adversários são cinco: 1) negam o pecado original; 2) negam a justificação pela fé; 3) negam a predestinação absoluta; 4) negam que a graça de Deus é irresistível; 5) afirmam que o crente pode cair da graça. Quanto aos dois primeiros pontos, declaro que não são culpados. As imputações são inteiramente falsas. Nunca houve quem tratasse do pecado original e da justificação pela fé em termos mais contundentes, claros e terminantes do que Armínio, nem mesmo o próprio Calvino. Esses dois artigos, portanto, devem ser excluídos do debate, porque quanto a eles concordam as duas partes. Quanto a isso, não existe diferença por menor que seja, entre o sr. Wesley e o sr. Whitefield” (LELIÈVRE, Ibid., p. 250). Ao final do folheto, Wesley destacou ainda “a piedade de Calvino e de Armínio” e implorou a seus discípulos que não usassem “o nome de cristãos tão eminentes em sentido tão injurioso” (LELIÈVRE, Ibid., pp. 250 e 251). Trata-se de um documento honesto e equilibrado, o que só agrava ainda mais a reação tosca de Toplady.

Após esse episódio, outro acirraria ainda mais o debate entre calvinistas e arminianos dentro do metodismo: um texto pastoral de Wesley, escrito também em 1770, em que ele combate o antinomianismo dentro de algumas comunidades metodistas. Tal texto, mesmo tão simples e bíblico, acabou sendo, devido ao clima já ruim que havia entre arminianos e calvinistas, mal interpretado pela corrente calvinista. A condessa Lady Huntingdon acusou Wesley, injustamente, de “pelagiano”, e classificou seu ensino de “horrível e abominável”. Wesley respondeu à acusação da condessa no seu sermão ministrado no culto fúnebre de seu amigo George Whitefield. Nele, Wesley mais uma vez enfatizou os pontos de convergência entre calvinistas e arminianos, destacando a doutrina da justificação pela fé e lamentando a distorção feita pelos seus acusadores, que confundiam – propositadamente ou não – o combate ao antinomianismo com pregação de Salvação pelas obras.

Em reação ao sermão de Wesley, Lady Huntingdon pediu ao teólogo José Benson, que dirigia a escola metodista que ela sustentava, que escrevesse uma resposta ao discurso de Wesley, mas ele recusou. Em represália, Huntingdon ordenou que todos os arminianos saíssem da escola. Benson, que dirigia a instituição, foi o primeiro a anunciar sua demissão. Em seguida, Lady Huntingdon enviou a Bristol uma representação até Wesley, formada de oito pessoas, para protestar. Após receber e ouvir atentamente às reclamações do grupo, Wesley publicou um documento enfatizando mais uma vez que nunca defendera a justificação pelas obras e que seu documento contra o antinomianismo fora interpretado de forma incorreta por alguns irmãos, mas se estes achavam que faltara maior clareza no seu texto, ele afirmava mais uma vez, “solenemente, na presença de Deus”, que “a segurança ou confiança” na Salvação está apenas “nos méritos de Cristo”, e não nas obras, embora saiba-se que “ninguém é verdadeiro cristão a não ser que faça boas obras”. A comitiva de Lady Huntingdon, representada por Walter Shirley, sobrinho e capelão da condessa, aceitou o texto de Wesley e publicou um documento oficial dizendo-se “plenamente satisfeita com a explanação, com a qual assentia cordialmente e estava de acordo”.

Entretanto, antes mesmo dessa reconciliação acontecer, o extraordinário John William Fletcher de Madeley (1729-1785) já havia preparado uma série de artigos, que foram publicados em forma de um opúsculo de 98 páginas, defendendo o Arminianismo à luz da Bíblia e demonstrando que o documento contra o antinomianismo de Wesley não tinha obviamente nada a ver com Salvação pelas obras e era, sim, além de bíblico, muito claro. Os artigos foram endereçados a Walter Shirley. Conta Lelièvre que, “ao circular, o escrito de Fletcher produziu imediatamente uma grande comoção; o autor, já bastante conhecido como orador sacro, deu-se a conhecer nesse opúsculo como escritor de distinção” (LELIÈVRE, Ibid., pp. 256 e 257). Logo, quando a comitiva da condessa voltou de Bristol, a corrente calvinista já havia sofrido um “golpe” muito forte com os textos de Fletcher, o que fez com que Shirley, em represália, classificasse desonestamente o documento produzido por Wesley naquele encontro como uma retratação do líder do metodismo. Ora, em nenhum momento Wesley se retratara no referido documento, mas Shirley precisava de uma arma contra os textos desconcertantes de Fletcher, que depois disso continuou a escrever em resposta a Shirley, e com apoio total de Wesley, provando que o texto deste obviamente não era retratação nenhuma e derrubando todos os argumentos contra os arminianos.

Os calvinistas sentiram, então, que era hora de formar uma blitz para contra-atacar Fletcher. Em 1772, o calvinista Ricardo Hill, irmão do famoso avivalista metodista Roland Hill, tentou fazer frente a Fletcher, defendendo a predestinação dentro do conceito calvinista em cinco artigos em forma de cartas endereçadas ao teólogo metodista. Entretanto, outra vez Fletcher se saiu vencedor, refutando, “com lógica incontestável e fervor eloquente”, o determinismo calvinista. Foi a vez então de Toplady e Roland Hill juntarem forças para tentar rebater Fletcher, mas ambos também seriam derrotados pela pena do eloquente teólogo arminiano. Frustrado, Toplady volta a atacar Wesley, que só assistia aos embates, mas é Thomas Oliver que o rebate, já que Wesley preferiu mais uma vez não responder. A pena de Wesley só voltou a tocar no tema quando a pena dos irmãos Hill se voltou contra ele. Na ocasião, Wesley justificaria a volta ao embate dizendo que os escritos de Fletcher o haviam convencido de que fora “demasiadamente bondoso com os pregadores da reprovação”. Fletcher, enquanto isso, venceria outro oponente calvinista: John Berridge (1716-1793), vigário de Everton.

Quando, enfim, esses embates terminaram em 1776, o Arminianismo ergueu-se vitorioso. Os metodistas calvinistas, que já eram minoritários, perderam seguidores e resolveram sair do movimento wesleyano, formando congregações independentes que, mais à frente, ingressaram na Igreja Congregacional. Entretanto, os efeitos desse debate foram além, sendo sentidos também no meio evangélico mundial nos anos seguintes, levando o Arminianismo a se tornar majoritário.

O historiador Robert Southey destaca sobretudo os escritos de Fletcher como o catalisador da ascensão arminiana: “O floreio de sua linguagem e sua unção sagrada revelavam a sua origem francesa; mas seu raciocínio era agudo e claro, e o espírito dos seus escritos era formoso, sendo realmente mestre no assunto e em tudo que nele estava compreendido”. Lelièvre declara que “a originalidade de Fletcher nessa controvérsia calvinista lhe granjeou um lugar de muita distinção”. Já o historiador Richard Watson frisa a repercussão extraordinária dessa discussão para o evangelicalismo mundial: “Essa controvérsia produziu importantes resultados. Mostrou aos calvinistas piedosos e moderados com quanta facilidade podiam compartilhar com o Arminianismo as mais ricas verdades evangélicas; e produziu, por seu exemplo destemido e corajoso das consequências lógicas derivadas da doutrina dos decretos, muito maior moderação naqueles que ainda a admitem, dando origem a algumas das modificações mais moderadas do Calvinismo no período seguinte, efeitos esses que perduram até hoje”.

Lelièvre conclui: “Quando a pólvora do combate dissipou-se, descobriu-se que a predestinação [calvinista] ficara mortalmente ferida e, em seu lugar, levantara-se vigorosamente o Arminianismo, que fora excomungado pelo Sínodo de Dort. Mas, ao passo que na Holanda esse sistema teológico se desviara pouco a pouco [...], na Inglaterra encaminhava-se até a preservação da doutrina da graça” (LELIÈVRE, Ibid., p. 264).

Outro fator que alavancou ainda mais o Arminianismo nos séculos seguintes foi o advento do Movimento Pentecostal Moderno, que, devido a suas raízes metodistas via Movimento da Santidade (Holiness), sempre foi, em sua maioria, arminiano. Os pentecostais são o maior grupo evangélico do mundo e o que mais cresce, o que garante que o Arminianismo permanecerá por muito tempo como a principal corrente protestante.

Continuaremos amanhã...

Viva vencendo sabendo de TODOS os fatos!!!

Abraços.

Seu irmão menor.

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