14 julho 2016

LIÇÃO 03 - 17/07/2016 - "IGREJA, AGÊNCIA EVANGELIZADORA"


TEXTO ÁUREO
 "Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”(At 1.8).

VERDADE PRÁTICA
A Igreja de Cristo, em virtude de sua natureza e vocação, é a agência evangelizadora e missionária por excelência.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
                                                     Atos 1.1-14

Introdução

A Igreja, como agência evangelizadora, preocupa-se com o bem-estar espiritual ensinando o caminho de Deus, evangelizando, pregando o Evangelho a toda a criatura e encaminhando-a para a comunhão com Deus. Ela cuida da alma e encaminha aqueles que carecem de conforto, orientação e afeto. Na área social, tem um exemplo digno de ser seguido nos primeiros capítulos de Atos dos Apóstolos. O modelo que temos é o da Igreja Primitiva, a qual se estruturou de tal maneira que conseguiu conquistar a confiança e o respeito da sociedade (At 2:42,47; 4:32,35 e 5:13-14). Podemos classificar o perfil da igreja da época dos apóstolos, à luz dos primeiros capítulos do livro de Atos, em três áreas distintas, a saber: a marturia (o testemunho, a orientação espiritual, o evangelismo e a pregação e ensino da palavra); a koinonia (a formação da comunidade social) descrita em Atos 2:42,47; a diaconia (o serviço de atendimento social, descrito em Atos 6:1-10). Observando esse modelo a igreja estará cumprindo a sua missão integral. Assim sendo, crescerá de forma sadia. Nossos dias exigem um retorno imediato, ousado, enérgico e amoroso aos princípios que caracterizavam a igreja em seu princípio (Atos 2:42-47).

Encontramos em todos os quatro Evangelhos e no livro de Atos, a ênfase à grande comissão. Ao ser assunto aos céus, Jesus deu-nos suas últimas palavras, que ficaram conhecidas como a Grande Comissão. A Grande Comissão, na tradição cristã, é a instrução dada pelo Jesus ressuscitado aos seus discípulos para que eles espalhassem seus ensinamentos para todas as nações do mundo. Ela se tornou um ponto chave da teologia cristã sobre o trabalho missionário, o evangelismo e o batismo. A grande comissão envolve toda a igreja, como bem definiu o Congresso de Lausane: “O propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo, a toda criatura”. Nas palavras de Charles Spurgeon, "todo cristão ou é um missionário ou é um impostor". Esse é o grande chamado do Senhor Jesus - pregar as boas novas de salvação

I. A FUNDAÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA

A fundação da Igreja foi pentecostal e evangelizadora. Passados dez dias, desde a ascensão do Senhor, os discípulos achavam-se reunidos, num só lugar, quando veio o Espírito Santo sobre eles. Revestidos de poder, passaram a falar noutras línguas, dando ocasião à primeira colheita de almas da Igreja (At 2:1-4,41).  Sem o poder do Espírito Santo, a evangelização jamais será eficiente (Lc 24:49).

A resposta escatológica (Atos 1:6,7). Pouco antes de sua ascensão, Jesus foi inquirido por seus seguidores quanto ao futuro de Israel: “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” (Ap 1:6). O Senhor, porém, conscientiza-os de que, naquele momento, a sua preocupação não deveria ater-se aos últimos dias, mas ao que estava prestes a acontecer: “E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (Ap 1:7).
A escatologia dos discípulos estava eivada de equívocos. Jesus os corrige, mostrando-lhes que essa tendência de marcação de datas para sua vinda é uma consumada tolice. O tempo da segunda vinda e da transição do reino da graça para o reino da glória é da exclusiva economia do Pai. Não nos é dado saber nem Kronos nem Kairós, nem tempos nem épocas. Nosso papel não é especular o futuro, mas agir no presente.

John Stott tem razão quando diz que o antídoto para a vã especulação espiritual é a teologia cristã da história. Primeiro, Jesus voltou ao Céu (Ascensão). Segundo, o Espírito Santo veio do Céu (Pentecostes). Terceiro, a igreja sai para o mundo para ser testemunha (Missão). Quarto, Jesus voltará (Parousia).

A resposta pentecostal. A respos­ta do Senhor aos seus discípulos não foi apenas escatológica, mas pentecostal: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1:8). Em vez de conhecer tempos ou épocas, eles seriam revestidos com o poder do Espírito Santo para serem testemunhas (At 2:33). Não lhes bastaria o poder do intelecto, da vontade ou da eloquência humana. Era preciso que o Espírito Santo agisse neles, dentro deles e através deles. O poder que a igreja recebe não é politico, intelectual ou ministerial, mas um poder espiritual, pessoal e moral. A fonte desse poder é o Espirito Santo, e esse poder é dado para que a igreja seja testemunha de Cristo até aos confins da Terra.
– “… e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra“. Jesus direciona os olhos dos discípulos para a ação missionária e dá-lhes um esboço geral da obra que deveriam fazer. Os discípulos ainda nutriam uma expectativa de que o reino se limitasse ao governo físico, terreno e político de Israel sobre a terra. Porém, o reino de Deus não tem fronteiras geográficas nem políticas. Os discípulos deveriam ser testemunhas não apenas no território de Israel, mas até aos confins da terra. Não apenas aos judeus, mas também aos gentios. O reino de Deus abrange todos os povos, de todos os lugares, de todas as línguas e culturas. O reino de Deus alcança a todos, em todos os lugares, de todos os tempos, que foram lavados no sangue do Cordeiro (Ap 5:9). Todos os salvos em Cristo são testemunhas nesse Reino. Uma testemunha é alguém que relata o que viu e ouviu (At 4:19,20). É alguém que está pronto a dar sua própria vida para testificar o que viu e ouviu. Os discípulos eram testemunhas que haviam presenciado um fato glorioso, a ressurreição de Cristo, e essa noticia da exaltação de Jesus deveria ser anunciada até aos confins da Terra, ainda que, para isso, a morte fosse o preço a ser pago. Desta feita, o poder do Espírito Santo era-lhes imprescindível.

A fundação da Igreja. A Igreja de Jesus Cristo nasceu historicamente no dia de Pentecostes, conforme narrado pelo evangelista Lucas, em Atos capítulo 2. Nasceu sob o derramamento do Espírito Santo (At 2:1-13). Num pequeno cenáculo, pessoas foram cheias do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, a profetizar e a tomar uma consciência de coragem e ousadia para proclamar as maravilhas de Deus à humanidade (At 2:14-36). Jesus disse que eles receberiam o poder do Espírito sobre suas vidas (Atos 1:8), o que de fato aconteceu, quando na festa de Pentecostes foram cheios do Espírito (Atos 2:4).
A Igreja de Atos é uma igreja que vive na dimensão do Espírito Santo. Foi cheio do Espírito que Pedro falou diante do Sinédrio (Atos 4:8). Uma das características principais dos homens que seriam escolhidos para cuidar da obra social da Igreja era ser cheio do Espírito (Atos 6:5). Estevão estava cheio do Espírito quando viu Jesus sentado à direita de Deus (Atos 7:55). Ananias impôs as mãos sobre Saulo, de modo que ele fosse curado de sua cegueira e fosse cheio do Espírito (Atos 9:17). Enfim, esta ação do Espírito era e é imprescindível.


II. A MISSÃO PRIORITÁRIA DA IGREJA

Quando os cristãos têm consciência que a tarefa primordial da Igreja é a evangelização, passam a entender que sua existência gira em torno desta missão dada a cada crente, que é membro do corpo de Cristo em particular (1Co 12:27). Todas as nossas ações, todo o nosso cotidiano deve ser criado e executado diante da perspectiva de que somos testemunhas de Cristo Jesus (At 1:8) e que devemos, portanto, testificar do Senhor, mostrar ao mundo, através de nossas boas obras, que Deus é nosso Pai, que somos filhos de Deus e, por meio deste comportamento, levar os homens a glorificar o nosso Pai que está nos céus (Mt 5:16).

Evangelização. Logo após receber o revestimento de poder, como Jesus tinha prometido (cf. Lc 24:49), os discípulos procuram cumprir a sua missão prioritária: a evangelização. A ordem de Jesus foi: “ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:19,20).
A ordem do Senhor é que devemos ir ao encontro do mundo, ir ao encontro dos pecadores, levar-lhes a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O homem não tem condições de salvar-se a si próprio e, mais, o deus deste século lhe cegou o entendimento para que não tenha condições de ver a luz do evangelho da glória de Cristo (2Co 4:4). Portanto, é tarefa da Igreja ir ao encontro de judeus e de gentios para lhes anunciar as boas-novas da salvação.

A ordem do Senhor é para que se pregue a toda criatura, mesmo aquela que, pela sua conduta, pela sua forma de proceder, é alvo de todo ódio, de toda repugnância, de todo o desprezo da sociedade e do mundo (vide Mc 5:1-20). É interessante observarmos que, nos dias do profeta Jonas, o Senhor mandou que fosse feita a pregação a todos os ninivitas, sem exceção alguma, ainda que eles fossem os homens mais cruéis que existiam no mundo naquele tempo. Jonas teve de pregar para todos, sem exceção, ainda que muitos, pela sua extrema crueldade e maldade, fossem, na verdade, verdadeiras “bestas-feras”, verdadeiros “animais” (Jn.3:8), que, mesmo sendo o que eram, foram alcançados pela misericórdia divina. Observe o exemplo de Jesus – Ele ia ao encontro dos publicanos e das meretrizes, considerados a escória da sociedade de seu tempo. E nós, o que estamos a fazer?

Missões em Atos. Missão estava no coração da igreja de Atos do Espírito Santo. Nada a fazia arrefecer desse mister. A despeito das perseguições, os novos discípulos testemunhavam todos os dias, não cessavam de ensinar e anunciar a Jesus Cristo: nas ruas, nas casas, nas vilas, cidades, ensinando e proclamando intensamente o evangelho. Todos, indistintamente, estavam empenhados em organizar novas igrejas, obedecendo a um plano de avanço missionário. E hoje, o que estamos fazendo em prol da evangelização local e universal?
O campo missionário é o mundo. Jesus disse: “o campo é o mundo” (Mt 13:38). Ele não disse que o campo é Jerusalém, nem a Judéia, nem Roma, nem minha cidade e nem a tua. Infelizmente há ainda os que pensam que o “campo” é a sua cidade e por isso mostram-se não somente apáticos às missões, mas também posicionam-se contra elas. Outros não são contra, mas não se esforçam, são acomodados. É dever de cada crente incentivar missões, orar pelos missionários e pelos que estão sendo enviados, e contribuir financeiramente para o sustento dos missionários.

Os discípulos entenderam a ordem de Jesus e estenderam a obra missionária para além de suas cidades originais. De ação em ação, a Igreja de Cristo veio a alcançar, em apenas uma geração, os luga­res mais remotos daquela época – “que já chegou a vós, como também está em todo o mundo…” (Cl 1:6).

Promoção social. A Igreja Primitiva encarregava-se de promover os novos convertidos integralmente. Isto envolve doutrina e ação social (cf. At 6:1-7). Em virtude do rápido crescimento quantitativo da Igreja, os apóstolos não puderam conciliar as atividades de oração, pregação e ensino da Palavra de Deus com as atividades assistenciais. Cônscios da responsabilidade social que a igreja tem, os apóstolos, de forma resoluta, logo procuraram dar uma solução para este “importante negócio”(At 6:3): estabeleceram pessoas certas, cheias do Espírito Santo, para cuidar dos necessitados da igreja. A função de assistência social na Igreja é uma das suas pedras de toque e, sem dúvida, uma das formas mais poderosas de demonstrarmos ao mundo a nossa diferença e o amor de Deus que está em nossos corações.

Por que ajudar aos necessitados é importante?

Em primeiro lugar, porque é um ato pelo qual demonstramos nosso amor ao próximo. Por isso, não pode o salvo se isentar de toda e qualquer ação que venha a promover o bem-estar da coletividade, a bênção de Deus sobre as pessoas, que venha mitigar o sofrimento daquele que está ao nosso redor. Na parábola do bom samaritano (Lc 10:25-27), Jesus mostrou que próximo é qualquer um que esteja em nosso caminho e, em algumas oportunidades, o apóstolo Paulo ensinou que fazer o bem a outrem é uma qualidade que não pode faltar àqueles que dizem servir a Deus (Rm 12:13-21; Gl 4:31,32; Cl 3:12-14; 1Ts.4:9-12).

Em segundo lugar, porque é um mandamento divino. Este mandamento é dito tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, ou seja, ele foi dado para Israel e para Igreja. Deus reconheceu a existência dos pobres no meio do seu povo e ordenou providência a respeito deles: “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”(Dt 15:11a). Esta é a frase que mais contraria a pregação contemporânea da teologia da prosperidade. Pretende-se exterminar a pobreza no meio da igreja. No entanto, o texto declara: “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra”. E Jesus ratifica: “Porque os pobres sempre os tendes convosco”(João 12:8). Compete àqueles que têm recursos, minimizar a situação. Deus não prometeu riquezas para todos, porém, daqueles a quem ele deu e dá riqueza, no exercício da Mordomia Cristã das Finanças Ele quer que os pobres não sejam esquecidos, tal como aconteceu na Igreja de Jerusalém – “Não havia entre eles necessitado algum…”(Atos 4: 34). Pobres, sim; necessitados, não. Esta é a regra a ser seguida pela Igreja, hoje.

Em terceiro lugar, porque é um ato de benignidade (Dt 15:10). Pobreza não é maldição, é consequência do sistema controlado por homens gananciosos. Os pobres estão no nosso meio para que tenhamos oportunidade de exercitar amor – “Livremente lhe darás, e não fique pesaroso o teu coração quando lhe deres; pois por esta causa te abençoará o Senhor teu Deus em toda a tua obra, e em tudo no que puseres a mão”(Dt 15:10). Não se arrependa de haver dado, nem sinta dor no coração. O Apóstolo João é enfático: quem vir a seu irmão padecer necessidade e não suprir essa necessidade não é cristão: “Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe fechar o seu coração, como permanece nele o amor de Deus?”(1João 3:17).

III. ANTIOQUIA, IGREJA MISSIONÁRIA

Uma das características da igreja de Antioquia: era aberta às pessoas. Os cinco líderes mencionados em Atos 13:1-4 (Barnabé, Simeão por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo) simbolizam a diversidade étnica e cultural de Antioquia. Barnabé era um judeu natural da ilha de Chipre. Simeão era africano, uma vez que a palavra “Níger” significa “de aparência escura”. Alguns sugerem que esse Simeão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo (Lc 23:26), agora é um dos principais responsáveis por levar diretamente a história da cruz a todo o mundo. Lúcio era de Cirene, ou seja, do norte da África. Manaém tinha conexões com a aristocracia e a corte, pois era irmão de leite de Herodes Antipas, o rei que mandou matar João Batista e escarneceu de Jesus em seu julgamento. Saulo era judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e também cidadão romano. Vale destacar que entre os cinco veteranos em Antioquia, com admirável modéstia, Saulo estava contente com a posição mais inferior.

Outra característica da igreja em Antioquia: priorizava a doutrina, o ensino da Palavra de Deus (At.11:22-26). Barnabé, ao verificar que havia conversão autêntica de muitos irmãos naquela igreja, tratou de buscar a Paulo e, durante todo um ano, houve o ensino da Palavra àqueles crentes. O resultado daquele ano de ensino não poderia ser melhor: os convertidos passaram a ter uma vida muito semelhante a de Jesus; passaram a ser diferentes dos demais moradores de Antioquia; passaram a ser provas vivas da transformação que o Evangelho produz nas pessoas.

Após terem sido ensinados na Palavra e terem mudado de vida, os moradores de Antioquia passaram a notar a diferença e, cumprindo o que disse Jesus a respeito do efeito das boas obras dos Seus discípulos, passaram a chamar os discípulos de “cristãos”, isto é, “parecidos com Cristo”, “semelhantes a Cristo” (At 11:26). Eram os homens glorificando ao Pai que está nos céus (Mt 5:16). Era o resultado do ensino da Palavra.

Portanto, não basta que a Igreja pregue o Evangelho, ou seja, proclame a Palavra de Deus, mas é preciso, também, que a Igreja “ensine as nações”, “faça discípulos”, cuidado este que era patente nos tempos apostólicos, a ponto de os apóstolos terem chamado para si esta tarefa, considerando, inclusive, não ser razoável deixar de se dedicar à oração e ao ensino da Palavra (At 6:2,4), sem falar dos conselhos que Paulo dá a Timóteo no sentido de jamais se descuidar com o ensino junto aos crentes (1Tm 4:12-16).

Muita meninice e práticas heréticas que vemos por aí se deve à ausência do ensino da Palavra de Deus. O crente permanece infantil quando tem uma compreensão inadequada das verdades bíblicas e pouca dedicação a elas (Ef 4:14,15). Por isso o ensino da Palavra de Deus é importante “para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”(Ef 4:14).

Uma igreja completa. Em An­tioquia, o ministério era completo. A igreja estudava a Palavra de Deus (Atos 13:1), buscava a face de Deus em oração (Atos 13:3) e obedecia a Deus (Atos 13:3). A igreja tinha profetas e mestres, ou seja, pregava e ensinava a Palavra de Deus (Atos 13:1), mas quem a dirigia na obra missionária era o Espírito Santo (Atos 13:2). O Espírito Santo era livre e soberano na condução dos destinos da igreja. A orientação do Espírito Santo é segundo a Palavra, e não à parte dela. O Espírito Santo se manifesta a uma igreja centralizada na Palavra e a uma igreja que ora e jejua (Atos 13:2,3).

Uma igreja missionária. Antioquia era uma igreja missionária. Dentre os seus mem­bros, saíram os primeiros missionários transculturais do Cristianismo. Enquan­to a igreja e os seus obreiros oravam, jejuavam e serviam ao Senhor, disse o Espírito Santo: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2). Vê-se que o Espirito Santo não age à parte da igreja, mas em sintonia com ela. É a igreja que jejua e ora. É a igreja que impõe as mãos e despede. Mas é o Espírito Santo quem envia os missionários. Assim, os missionários exercem seu ministério pelo Espirito Santo. Foi o próprio Espirito Santo quem enviou os missionários para o campo de trabalho (Atos 13:3,4). “A partir daquele momento, a Igreja de Cristo, irradiando-se a partir do Oriente Médio, universaliza-se até chegar a você e a mim”.

Não podemos fazer a obra de Deus sem a direção do Espirito Santo. Ele nos foi dado para estar para sempre conosco. Ele nos guia a toda a verdade. Precisamos do Espirito Santo. Dependemos do Espirito Santo. A igreja não pode conseguir uma única conversão sem a obra do Espirito Santo. Os pregadores não terão virtude e poder para pregar sem a ação do Espirito Santo.

Uma igreja que orava. A oração é fundamental para poder discernir a vontade de Deus. Sem oração a Igreja morre. As decisões da igreja de Antioquia eram envolvidas com muita oração. No culto da igreja de Antioquia o Espírito Santo chamou Saulo e Barnabé para fazer missões. Veja o que diz Lucas: “Assim, depois de jejuar e orar, impuseram-lhes as mãos e os enviaram” (Atos 13:3). Até a escolha de pastores nas igrejas era feita mediante a oração, não pela capacidade humana: “Paulo e Barnabé designaram-lhes presbíteros em cada igreja; tendo orado e jejuado, eles os encomendaram ao Senhor, em quem haviam confiado” (Atos 14:23). Em qualquer circunstância devemos orar segundo a orientação do Espírito Santo. A oração não é meramente um exercício humano, e sim um trabalho conjunto entre nós e o Espírito Santo.

CONCLUSÃO


A missão da Igreja de Cristo é evangelizar. A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16:15). Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social. Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo.

SUBSÍDIO PARA O PROFESSOR

1. A Igreja em meio ao ativismo. Até por uma questão de organização social, é praticamente impossível que, no tempo presente, consigamos reproduzir o “estar juntos” todos os dias à semelhança da Igreja do primeiro século (At 2.42). Entretanto, com as redes sociais e a televisão, a Igreja do século 21 tornou-se ainda menos comunitária. As reuniões semanais não são bem frequentadas como deveriam ser, enquanto o domingo à noite é bastante concorrido. Ocorre, porém, que, ao terminar o culto, devido às obrigações que já se iniciam na segunda-feira e a dificuldade com o transporte coletivo, os irmãos não têm condições de passar um período juntos. Essa desagregação, para dizer o óbvio, traz danos à saúde da igreja local.

2. A multiplicidade de denominações. O crescimento das denominações é algo que impressiona os sociólogos. As últimas pesquisas apontam para um número muito grande de trânsito ou mobilidade religiosa. As pessoas “trocam” de igreja como de roupa, não tendo nenhum compromisso com as raízes denominacionais (Hb 10.25). Esse fenômeno também foi identificado pelo censo IBGE de 2010 que apontou a existência do grupo (ou classificação), chamado de “múltiplo pertencimento”.

3. A descaracterização da mensagem bíblica. Infelizmente, a mensagem da Palavra de Deus tem sido distorcida para fundamentar as mais estranhas visões acerca de Deus, de Jesus Cristo, do Espírito Santo e do Evangelho. Há muitos anos, o pastor Antonio Gilberto escreveu que a Bíblia sofre, por falta de conhecimento, muito mais na boca dos que a pregam do que na dos críticos e ateus.

III. DESAFIOS DA IGREJA DO SÉCULO 21

1. Manter a essência. Embora não seja possível após vinte séculos reproduzir fielmente a Igreja do Novo Testamento, é obrigatório manter a essência do Corpo de Cristo (Rm 12.5; 1Co 12.12,27). É impossível estarmos ligados à cabeça, que é Cristo, e agirmos de modo diferente do que Ele preceitua e exige (Ef 4.12-16; Cl 2.16-19).

2. Fortalecer o seu programa de educação cristã. Uma das ordens do Senhor Jesus Cristo foi que pregássemos e ensinássemos (Mt 28.19,20; Mc 16.15-20). Essa prática caracterizou a Igreja do primeiro século e foi assim que ela cresceu (At 5.42; 6.7; 15.32-36). Invariavelmente, verificamos que a Igreja prega, ou seja, realiza cinquenta por cento de sua missão. Não obstante, os outros cinquenta por cento, que dizem respeito ao ensino e são muito mais difíceis de cumprir, acabam sendo esquecidos.

A educação cristã é um processo contínuo e ininterrupto que não pode ser realizado de qualquer maneira (Rm 12.7; 15.4; 1Tm 4.13; 2Tm 2.1,2; 3.10-17). Isso sob pena de não estarmos de fato obedecendo integralmente ao “ide” do Meigo Nazareno (Jo 15.1-27). Diante desse contexto e por reconhecermos que estamos em outro tempo, uma Escola Dominical de qualidade faz toda a diferença.

3. Não abdicar a sua identidade bíblica. Mesmo cientes do crescimento das denominações, a Igreja não pode, em hipótese alguma, negociar a sua identidade. Algumas, por quererem se tornar muito palatáveis, acabarão apostatando da genuína fé em Cristo (2Tm 4.1-4). “Versões alternativas” do Evangelho são oferecidas como se fosse possível negociar com a Palavra de Deus (Gl 1.8). Tudo voltado à conquista, simpatia e a adesão das pessoas, sem que estas tenham um compromisso com o Senhor da Igreja.

A humanidade está mergulhada num verdadeiro caos. A inflação assola a terra e a fome é uma grande ameaça. Secas, inundações e outras calamidades têm ceifado vidas na África, Filipinas, e em todas as partes do Globo. Estão patentes aos nossos olhos a ausência do temor de Deus, a perda de princípios morais absolutos, a aceitação e a glorificação do pecado, o fracasso nos lares, o desrespeito pela autoridade, a ilegalidade, a ansiedade, o ódio, o desespero. Milhares de pessoas entregam-se ao ocultismo, com o culto satânico, o controle da mente, a astrologia e outros meios que o Diabo se utiliza para induzir os homens a se desviarem da verdade.

IV. EVANGELIZAÇÃO A NECESSIDADE DA IGREJA DA ULTIMA HORA

O Evangelho é uma mensagem cósmica, ao revelar a presença de um Deus cujo propósito se inclui o mundo inteiro. Esse Evangelho não se dirige ao indivíduo por se, mas à pessoa como membro da velha humanidade em Adão, marcada pelo pecado e pela morte, e a quem Deus convida para integrar-se na nova humanidade em Cristo, marcada pela retidão e pela vida eterna. A falta de apreciação das dimensões mais amplas do Evangelho nos leva inevitavelmente a compreender mal a necessidade missionária, O resultado disso é uma evangelização tendente a considerar o indivíduo como uma unidade que se contém a si mesma, cuja salvação só se dá em termos de relação com Deus. Deixamos de perceber que o indivíduo não vive isolado e que é impossível falar de salvação sem se referir ao mundo do qual ele faz parte. Dividiremos este tópico em três partes intituladas:

1. O mundo na perspectiva da igreja evangelizadora. (Mc 16.15). A simples observação da importância que o termo mundo (grego cosmos) tem no Novo Testamento já bastaria para demonstrar a dimensão do Evangelho. O mundo foi criado por Deus através da Palavra (Jo 1.10), e sem Ele nada do que existe se fez (Jo 1.3). O Cristo que o Evangelho proclama como agente da redenção é também o agente da criação de Deus. É ao mesmo tempo o alvo para o qual se dirige toda a criação (Cl 1.16) e o princípio de coerência de toda a realidade, material e espiritual (Cl 1.17).

A obra da evangelização implica a esperança de “um novo céu e uma nova terra”. Portanto, a única evangelização verdadeira e a que se dirige para o objetivo final da “restauração de todas as coisas” em Jesus Cristo, prometida pelos profetas e proclamada pelos apóstolos (At 3.2 1).

2. A evangelização na perspectiva missionária. O Evangelho não vem do homem, mas de Deus. Aqueles que suportam o Evangelho são pois, “para com Deus o bom perfume de Cristo; tantos no que são salvos, como nos que se perdem. Para com estes cheiro de morte para a morte, para com aqueles aroma de vida para a vida” (2 Co 2.15,16). O Evangelho unifica, mas também separa. E dessa separação emerge a Igreja chamada não para ser do mundo, mas para estar no mundo. Precisamos urgentemente recuperar a evangelização que leve a sério a distinção entre a Igreja e o mundo, segundo a perspectiva do Evangelho; evangelização orientada para o aniquilamento da servidão humana no mundo, e que jamais se torne, ela própria, uma expressão de escravidão da Igreja ao mundo.

 Jesus e a necessidade missionária. A missão que foi confiada pelo Pai a Cristo não se limitava apenas à pregação do Evangelho. Mateus resume o ministério terreno de Jesus nestas palavras: “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo’ (Mt 4.23). Salvação é vida eterna, a vida do Reino de Deus, vida que inicia aqui e agora, e que toca em todos os aspectos do ser humano. Você tem feito algo em prol do reino de Deus.

V. A ORDEM EVANGELIZADORA COMECOU COM OS DISCIPULOS

Tão logo iniciou a recrutar os seus primeiros discípulos, Jesus deu-lhes ciência da tarefa que lhes era proposta. Não devemos esperar que os anos se passem para depois nos entregarmos ao labor de ganhar almas. Jesus disse aos primeiros discípulos: “Sereis pescadores de almas”. A sublimidade da tarefa se evidencia no maravilhoso fato de que nos tomamos cooperadores de Deus (I Co 3.9).

1. A necessidade de ganhar almas é urgente (Jo 9.4). Quando o Espírito Santo põe no coração do crente a urgência da necessidade de ganhar almas, ele se sente compelido a usar de todos os recursos disponíveis para trazer almas ao Reino de Deus. A urgência da tarefa decorre de algumas implicações bíblicas e práticas.

 Vejamos:

 A. A necessidade é urgente porque são poucos os nossos dias na terra (Sl 90.10,12). Se tardarmos em realizá-la, perderemos o nosso tempo (Ef 5.16), e nunca mais poderemos fazer qualquer coisa de positivo para Cristo (Ec 12.1). Muitos hoje choram a mocidade, o tempo não aproveitado, e totalmente irrecuperável.

b. A necessidade é urgente porque estamos nos últimos dias. Os sinais da vinda de Jesus se multiplicam, cotidianamente, se cumprem a cada instante. Nossos dias, como povo de Deus na terra, estão findando. Se não trabalharmos para Jesus agora, nunca mais nos há de ser possível. Logo a trombeta soará (l Ts 4.16,17).

 c. A necessidade é urgente porque Satanás não dorme (Mt 13.25). Sim, o Inimigo em sua cruel e destruidora obra está provocando verdadeiro pânico no mundo e o único refúgio é Jesus Cristo. Se é tão urgente, por que não cumpri-la de imediato Se é tão urgente, por que não a realizarmos agora? “O que fazes, faze-o depressa”.

2. A necessidade de ganhar almas é bíblica (Mc 16.15,16). O preceito de ganhar almas não resulta de cânones eclesiásticos. Nenhuma convenção estabeleceu esse princípio para a Igreja. É uma inspiração divina. A Bíblia alude à importância, à necessidade, e ao dever de ganhar almas. Todo cristão que lê habitualmente a Palavra de Deus reconhece os milhares de textos espalhados por toda a Escritura, recomendando expressamente ou enfatizando indiretamente a significativa tarefa de ganhar almas. E “aquele que é de Deus, ouve as palavras de Deus”.

3. A necessidade de ganhar almas é individual (At 4.33). Deus destinou a tarefa de ganhar almas a todos os crentes. Cada um de nós deve considerar sua particular e pessoal obrigação de ganhar outros para a eternidade com Cristo. Você faz parte uma igreja?

4. A necessidade de ganhar almas é divina (Lc 19.10). O principal responsável pela salvação do mundo é Deus. Ele não deseja que os pecadores se percam (1 Tm 2.3,4). Ele providenciou para os homens o instrumento de sua libertação espiritual (Jo 8.36). Quando a Igreja empreende a tarefa de evangelizar, ela está sendo induzida pelo Espírito à realização de urna missão divina, muito além do plano humano ou secular. Que Deus nos conceda a necessária visão de sua obra (Jo 4.35), a fim de que nos predisponhamos, sem tardança, a cumprir todo o propósito do Criador (At 20.27). Somente assim, poderemos ser “aprovados em Cristo”.

Tenham todos uma boa aula, nesse domingo.

Deus abençoe os professores e também á cada aluno.

Meu abraço.

Viva vencendo, sendo integrante ativo na 'Ação Evangelizadora' de sua igreja!!!

Seu irmão menor.


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