15 agosto 2016

ATROCIDADES CATÓLICAS - 08 - O PAPADO - A PAPISA JOANA - FINAL

Ilustração da Papisa Joana datada de 1560

O dia 29 de junho comemora-se não só o dia de São Pedro, mas também o dia do papa, já que o apóstolo Pedro tornou-se o primeiro líder da fé católica depois da morte de Jesus, tornando-se assim o primeiro papa da história. Desde Pedro, mais de 265 papas vieram.

O que muitos não sabem, porém, é que uma mulher pode estar entre os que ocuparam o posto que hoje é de Francisco. Trata-se de Joana, uma camponesa que teria se passado por homem e sucedido o Papa Sérgio II, no século IX. A história, contudo, é considerada fantasiosa pela Igreja Católica e pela maioria dos teólogos.

A escritora inglesa Donna Woolfolk Cross passou sete anos pesquisando e reunindo todos os fatos conhecidos da vida de Joana, extraídos de documentos raros em inglês, espanhol, francês, italiano e latim. O trabalho culminou no livro Papisa Joana (Geração Editorial, 2009), que inspirou o filme de mesmo nome, dirigido por Sonke Wortmann.

Na versão cinematográfica, Joana nasceu em 814, na aldeia de Ingelheim, onde hoje seria a Alemanha. Nesse período, conhecido como Idade das Trevas, ainda não existiam os países europeus modernos nem seus idiomas e a língua culta era o latim. As mulheres eram proibidas de estudar, pois isso era visto como antinatural.
Porém, segundo a apuração, curiosa, Joana aprendia com facilidade. O irmão mais velho a ensinou a ler, escondido do pai, extremamente religioso e rígido. Joana surpreendeu os pais e o mestre de um seminário ao mostrar que sabia ler e interpretar textos. Então, o mestre passou a lecionar latim e grego à menina.
A vontade de aprender fez com que Joana fugisse de casa para estudar em um seminário, que somente aceitou ter uma menina em sua turma sob autorização de um bispo. Para que ela não dormisse junto dos rapazes, um conde chamado Gerald aceitou-a em sua casa, onde ela viveu por anos.

Já adolescente, sobreviveu a um ataque viking e, a partir de então, adotou uma identidade masculina, usando o nome de um dos irmãos, João Ânglico. Como homem, foi aceita em um mosteiro beneditino, onde se destacou como médica. Em pouco tempo, sua fama de curandeira se propagou em Roma, e ela foi chamada para atender o Papa Sérgio II. Assim, acabou se tornando sua médica e porta-voz.

Em 847, após a morte do papa, Joana, como João Ânglico, foi indicada e escolhida por votação popular para ocupar o trono papal. Mesmo pega de surpresa, aceitou. Ela não esperava, porém, se reencontrar com o conde Gerald, o único que sabia a verdade. Os dois, então, se apaixonaram.

Durante o ano de 847, “João Ânglico” teria promovido inúmeras obras sociais e mudanças na Igreja. Quando descobriu que estava grávida de Gerald, Joana decidiu continuar como papa até a Páscoa de 848. Durante a procissão, começou a sentir as dores do parto, que lhe levou à morte. O episódio teria causado grande discussão e revolta entre os fiéis.

A história da papisa Joana foi lembrada no século XIII pelo escritor Esteban de Borbón, mas sem provas concretas. Em 1886, a trama voltou a ser contada pelo grego Emmanuel Royidios e foi traduzida para o inglês por Lawrence Durrell, em 1939. As versões variam em alguns detalhes, como quem era o seu amante, a forma como morreu e qual papa ela sucedeu - em uma delas, teria sido Leão IV, em 855.

Existência improvável 

Segundo Eduardo Moesch, professor de história da igreja da Faculdade de Teologia da PUC-RS, a narrativa tende a ser tratada como lenda pela Igreja Católica. Segundo ele, a existência da papisa Joana é improvável e fantasiosa porque, por mais que uma mulher pudesse ter se passado por homem, seria difícil esconder uma gravidez.

Para o docente, uma das provas mais concretas de que o episódio é irreal é a existência de documentos de 847 assinados tanto pelo Papa Sérgio II quanto pelo Papa Leão IV, seu sucessor. Assim, não haveria espaço suficiente entre os mandatos para que Joana pudesse ter ocupado o trono papal.

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