11 agosto 2016

LIÇÃO 7 - 14/08/16 - : "O EVANGELHO NO MUNDO ACADÊMICO E POLÍTICO"


TEXTO ÁUREO

A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Co 2.4,5).

VERDADE PRÁTICA

Somente o Evangelho de Cristo, no poder do Espírito Santo, para destruir as fortalezas e a resistência do universo acadêmico e do mundo político.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


Daniel 2.24-28


INTRODUÇÃO

A evangelização é universal e precisa ser feita em todos os segmentos da sociedade. - O mundo acadêmico e o mundo político precisam ser também alcançados pela mensagem do Evangelho. 

I – A EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO ACADÊMICO - Continuando o estudo dos aspectos específicos da evangelização, veremos hoje a questão da evangelização do mundo acadêmico e do mundo político. 
- Mundo acadêmico é a elite intelectual de uma sociedade, ou seja, o conjunto dos estudiosos, dos cientistas, dos especialistas, daqueles que pautam o conhecimento no meio social, a chamada “comunidade científica”. 
- Existe, infelizmente, uma grande mentira que tem enganado muitos salvos em Cristo Jesus, qual seja, a de que há uma oposição entre a fé e a ciência, entre o Evangelho e a ciência. Nada mais falso. 
- A fé leva-nos a ter comunhão com Jesus Cristo, que é a própria verdade (Jo.14:6). Portanto, a fé leva-nos ao conhecimento da verdade, conhecimento que nos liberta do pecado (Jo.8:32). A ciência tem, também, por objetivo, a busca da verdade, a descoberta das leis que regem a natureza e a humanidade.
 - Ora, se tanto a fé quanto a ciência buscam a verdade e a verdade é única, não há como haver qualquer oposição entre a fé e a ciência, de modo que tentar dizer que há um antagonismo entre elas nada mais é que uma mentira e, como toda mentira, que tem origem no diabo, o pai da mentira (Jo.8:44). 
- Em sendo assim, seria natural pensar que o mundo acadêmico, ou seja, aqueles que se dedicam ao estudo da ciência e da filosofia, fosse um mundo em que houvesse uma aceitação do Evangelho, em que houvesse uma facilidade na recepção da mensagem da salvação em Cristo Jesus.  Na verdade, se formos ver a origem das próprias universidades, as principais universidades do mundo, verificaremos que todas elas surgiram debaixo do espectro da fé cristã, tanto que os primeiros estudos de todas elas eram teológicos, visavam compreender a Palavra de Deus, a revelação divina para a humanidade e, a partir desta revelação, entender como o mundo funcionava, quais as leis criadas pelo Senhor para reger o universo e as relações humanas.  No entanto, ao longo do tempo, o mundo acadêmico foi contaminado pela natureza pecaminosa do ser humano e, a partir notadamente da chamada Modernidade, no Ocidente, a partir do século XV, iniciou-se um divórcio entre a “ciência” e a fé cristã, gerando-se um suposto antagonismo que hoje leva muitos a imaginar que há uma contradição entre servir a Deus, crer em Jesus Cristo e ser cientista, ser um integrante da classe intelectual. 

Na verdade, o que houve foi o que o apóstolo Paulo denominou de “falsa ciência(I Tm.6:20). A “falsa ciência” é todo conhecimento que procura contrariar as Escrituras Sagradas, a sã doutrina, é todo o conhecimento que decorre da soberba humana que acha que pode ser igual a Deus, que não quer reconhecer a revelação divina dada ao homem e que está na Bíblia Sagrada.  Esta “falsa ciência”, inclusive, procura mostrar que o uso da razão e do intelecto faz com que abandonemos o que é revelado na Bíblia Sagrada. É a ciência que procura fazer crer que há uma oposição entre a fé cristã e o conhecimento, entre a erudição e a fé em Cristo Jesus, algo que tem prevalecido no Ocidente notadamente a partir do século XV e que somente se intensificou a partir de então.  Sempre que algum conhecimento estiver voltado para contrariar a Palavra de Deus, ela deve ser vista, pelos servos de Cristo, como uma “falsa ciência”, pois nenhuma ciência, cujo objetivo é buscar a verdade, pode ter como objetivo opor-se ao que diz a Bíblia Sagrada, que é a própria verdade. Como ensina João Crisóstomo: “…onde a fé não está, a ciência também não está; aquilo que nasce de raciocínios totalmente humanos não é ciência…” (Homilia XVIII. Cit I Tm.6:20,21. n.1800. 

A “falsa ciência” não busca a verdade, mas, tão somente, busca convencer as pessoas a não crer na Palavra de Deus, tem como objetivo contrariar a revelação divina, ou seja, desviar as pessoas da fé. Por isso, não se pode acolher esta “falsa ciência”, que deve ser combatida e desmascarada.  Não se defende aqui um anti-intelectualismo, uma ojeriza ao conhecimento secular, uma aversão à erudição, algo que o apóstolo Paulo jamais poderia defender, já que ele próprio era um erudito. O que se está a dizer é que toda e qualquer ciência que pretenda descrer nas Escrituras, contrariá-las é uma “falsa ciência” que deve ser combatida, até porque seu objetivo final é desviar da fé. “…Essa ciência que se opõe à verdade do evangelho é falsamente chamada assim; ela não é uma ciência verdadeira, porque se fosse, aprovaria o evangelho. (…) Esses que são tão aficionados por essa ciência estão correndo grande risco de enganar-se em relação à fé. Esses que são a favor de colocar a razão acima da fé estão em perigo de desviar-se da fé.…” (HENRY, Matthew. Comentário Novo Testamento Atos a Apocalipse obra completa. Trad. de Degmar Ribas Júnior, p.704). Lamentavelmente, portanto, vemos que o ambiente acadêmico se deixou influenciar por esta “falsa ciência”, que nada mais é que a crença na mentira satânica de que se pode viver sem Deus, como se Deus não existisse, que se pode entender o universo e as relações humanas sem que se recorra a Deus.  Diante deste quadro, a partir já do início da educação, temos, em nossos dias, uma pedagogia que procura extirpar a ideia de Deus e do sobrenatural das mentes das pessoas, a ponto de termos hoje, no sistema educacional, uma cidadela contra a fé. Infelizmente, as escolas, em nossos dias, são estabelecimentos que lutam contra a Palavra de Deus, que procuram doutrinar as crianças, adolescentes e jovens em oposição à verdade, à fé em Jesus Cristo. 

Não é por outro motivo, aliás, porque, notadamente em nosso país, o sistema educacional esteja falido e as escolas não estejam a dar as mínimas condições para que as pessoas estejam preparadas para adquirir conhecimentos e tenham uma vida melhor diante de suas aptidões e com o mínimo de erudição que lhe permita desenvolver-se na sociedade. Há muito, principalmente em nosso país, o sistema educacional abandonou o objetivo de conferir conhecimento às pessoas para servir de bastião da formação de uma mentalidade contrária à Palavra de Deus, que busque impregnar a mente das pessoas de preconceitos e verdadeiro ódio a tudo quanto diga respeito a Deus e à Sua Palavra, um empenho desmedido para que se crie uma mentalidade anticristã. Ora, diante desta triste realidade, é imperioso que a Igreja ingresse na evangelização das escolas, na evangelização das universidades, enfim, que o Evangelho penetre no sistema educacional, pois não podemos ficar inertes diante desta grande artimanha do maligno de afastar as pessoas da salvação.

O Cristianismo é, antes de tudo, uma visão de mundo

Precisamos, como Igreja de Cristo Jesus, entendermos que o cristianismo é uma visão de mundo, pronta a se apresentar com confiança e segurança na arena pública. Não podemos esconder a nossa fé no armário, para usar uma analogia da moda. O evangelho no seu papel apologético não deve fazer “vistas grossas” quanto ao estado comportamental e os pontos fortes e fracos da cultura acadêmica contemporânea.

I – DANIEL, O ESTADISTA ACADÊMICO
Há pouca informação histórica sobre a família de Daniel, senão a de que ele era da linhagem real de Israel (Dn 1.3). Levado para a Babilônia ainda muito jovem, Daniel destacava-se como um judeu inteligente e bem instruído. Ele possuía firmes convicções no Deus de Israel e era contemporâneo de dois importantes profetas da nação israelita: Jeremias e Ezequiel. Certamente esses profetas deixaram seus exemplos como legados para a vida do jovem Daniel. Em 597 a.C., Ezequiel havia sido levado para a Babilônia (Ez 43.6,7). Ali esse experiente profeta chega a citá-lo em seu livro, descrevendo Daniel como um homem de sabedoria e de justiça (Ez 14.14).

Daniel "assentou em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia" (1.8). Como uma concessão ao seu pedido, Daniel e seus amigos tiveram permissão de apenas comer vegetais e beber água durante dez dias, e demonstraram ter ficado mais saudáveis que os demais companheiros. Os supervisores perceberam que esses jovens judeus possuíam grande habilidade e sabedoria. Ao final de seu período de treinamento foram reconhecidos pelo rei como superiores a todos os homens sábios da corte real. Através da divina revelação, Daniel contou o sonho que o rei havia esquecido e também deu a interpretação, que incluía a destruição do reino de Nabucodonosor (Dn 2). O rei elogiou Daniel, honrou o seu Deus e o recompensou com presentes preciosos (2.46,47) e também "o pôs por governador de toda a província de Babilônia, como também por principal governador de todos os sábios de Babilônia" (2.48). Mais tarde, Daniel interpretou outro sonho de Nabucodonosor e disse ao rei que, durante algum tempo, ele perderia seu trono, mas que este seria recuperado depois que ele tivesse se humilhado completamente (Dn 4). Deus revelou, através de Daniel, certos aspectos do reino messiânico que poderiam interferir no curso da história e da eternidade. Mais de 20 anos (561- 539 a.C.) nada foi registrado a respeito de Daniel; pode ser que ele tenha perdido sua posição e o favor real. Então, na festa de Belsazar (q.v), que era o co-regente com seu pai Nabonido, a rainha (provavelmente mãe de Belsazar, e filha de Nabucodonosor) lembrou-se de Daniel, que foi convocado para interpretar uma estranha inscrição na parede (Dn 5.10-28).

De acordo com sua interpretação, a Babilônia seria conquistada naquela noite (539 a.C.) por Dário, o medo. Embora a história secular não tenha, até o momento, conhecido um personagem medo com o nome de Dário, ele foi identificado por competentes estudiosos como sendo Gobryas, governador da Babilônia no reinado de Ciro (John C. Whitcomb, Darius the Mede). Dário reconheceu a habilidade de Daniel e o fez chefe de um conselho de três presidentes e "pensava constituí-lo sobre todo o reino" (Dn 6.3). Em sua religião, Daniel manifestava a mesma fidelidade incondicional. Ele desafiou o decreto de Dário e orava a Deus ao invés de fazer petições ao rei. Foi lançado na cova dos leões e milagrosamente salvo (Dn 6). Ele nunca transigiu as suas convicções, nem hesitou em sua lealdade a Deus. Viveu até o terceiro ano do reinado de Ciro (536 a.C), chegando, provavelmente, a 90 anos de idade e ainda bastante ativo. Ezequiel se referia a Daniel como um homem de grande sabedoria e piedade (Ez 28.3) e o colocava ao lado de pessoas tão dignas quanto Noé e Jó (Ez 14.14,20), homens de renomada virtude. Jesus se referiu a Daniel pelo menos uma vez (Mt 24.15). PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 519-520.].

Daniel nos mostra o compromisso de um homem que se dispõe a servir a Deus, mantendo a sua integridade moral e espiritual sem fazer concessões ao sistema idólatra e opressor da Babilônia. Aprendemos igualmente que a história humana não é casual, mas dirigida pelo Deus soberano, que faz todas as coisas contribuírem para o bem daqueles que amam ao Senhor. Entretanto, sua fidelidade a Deus e o seu temor demonstrado, deu-lhe o privilégio de ser alguém que Deus revelaria coisas profundas acerca do futuro do seu povo exilado na Babilônia. A vida e o ministério de Daniel, o profeta e estadista, desenvolveram-se em meio a grandes mudanças e transformações sociais, religiosas e políticas do mundo de então.

II – DANIEL E SEUS COMPANHEIROS NA UNIVERSIDADE BABILÔNICA

Daniel, Ananias, Misael e Azarias foram os jovens levados cativos, dos filhos de Judá, para o Palácio da Babilônia. Para estes quatro jovens, Deus deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e, a Daniel, deu entendimento em toda a visão e sonhos (Dn 1.17). A contemporaneidade de Daniel diz respeito ao fato de que as visões e revelações concedidas por Deus a ele têm uma abrangência profética aos nossos tempos. Desde o período do cativeiro babilônico, passaram-se aproximadamente 2.500 anos (550 a.C. — 2.014 d.C.) e o profeta Daniel é, indiscutivelmente, um profeta que não ficou restrito ao passado. Daniel é um profeta para nossos tempos; é um profeta contemporâneo. O nome, a vida e a obra do profeta Daniel são um exemplo de um homem que, mesmo estando em circunstâncias adversas, em meio a uma cultura pagã, não perdeu o vínculo com o seu povo e com a sua fé em Deus. No Evangelho de Mateus temos um dos mais importantes discursos proféticos de Jesus no qual Ele cita o profeta Daniel (Mt 24.15). As profecias de Jesus tinham um caráter especial porque se referiam essencialmente ao povo de Israel. Entretanto, podemos perceber que as evidências proféticas não se restringiam apenas a Israel, mas tinham e têm um alcance e abrangência à toda a humanidade.
A preocupação de Jesus era responder a algumas questões que os judeus faziam quanto à vinda do Messias para estabelecer o seu Reino na terra. Alguns biblicistas e pesquisadores da história bíblica, ao analisarem o livro de Daniel do ponto de vista histórica-crítica, criaram dificuldades para aceitar o conteúdo profético e teológico do livro de Daniel. Porém, o cumprimento de algumas das profecias na história de Israel, não só deram credibilidade ao livro, como serve de base para o cumprimento do restante da profecia para o “fim do tempo” (Dn 8.17). Portanto, o livro de Daniel não pode ser relegado a um papel secundário no cânon das Escrituras. A igreja de Cristo reconhece o valor da história e da profecia desse livro e proclama a Fé no Deus Todo-Poderoso que controla e domina a história. Para entendermos o livro de Daniel em termos de história e profecia, precisamos conhecer alguns elementos que dão consistência ao seu estudo. Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 17-19.

Há uma longa tradição no pensamento ocidental onde a fé em Deus é vista como infantilizante e paternalista, ou seja, o homem religioso não passa de um ser desprovido de inteligência e totalmente manipulável. Assim afirmavam alguns pensadores como Ludwig Feuerbach (1804- 1872), Karl Marx (1818-1883), Sigmund Freud (1856-1939) etc. Outros intelectuais contemporâneos como Michel Onfray, Richard Dawkins, Daniel Dennett ainda hoje mantêm essa tese viva. Em O Cristão e a Universidade (Valmir Nascimento – CPAD, 2016, 264 p.)

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III – A TEORIA E PROPÓSITO DO PÓS-MODERNISMO NAS UNIVERSIDADES

1 – Uma filosofia que nega Deus e Suas leis absolutas
A essência do pensamento pós-modernista é a negação de Deus e de Seus desígnios fv.l). Embora alguns homens da ciência admitam que, dada a precisão com que funciona o Universo, seja impossível negar a existência de uma mente superior, os teóricos da astuta cosmovisão naturalista insistem em continuar afirmando: "não há Deus". Eles não cessam de declarar que o homem por si mesmo está sempre melhorando, progredindo. Só há uma explicação para tamanha insensatez: a negação da existência de Deus é uma forma de escapismo para aqueles que rejeitam as leis morais divinas como referenciais para a vida e pensam estar livres da prestação de contas de seus atos, naquele Dia, diante do Grande Tribunal do soberano Deus. É uma tentativa de aliviar suas consciências perturbadas. Preferem o estado da imundícia a terem de honrar o Criador (vy.23). 2;7 – Uma filosofia que nega os conceitos de "certo" e "errado". A consequência disso é a privação do discernimento do que é certo e do que é errado.

A exatidão desses conceitos deve ter como ponto de partida, não primeiramente a inteligência, o raciocínio e o julgamento humanos, mas o conteúdo das Sagradas Escrituras, quando corretamente compreendidas e interpretadas. Não é o que cada um entende como certo ou errado para si mesmo, ou seja, o que é errado para um pode ser certo para outro e vice-versa. No movimento filosófico do pós-modernismo, o conceito de "certo" e "errado" é uma questão de escolha pessoal. Não custa repetirmos: ignoram os absolutos morais de Deus como referência para a vida. Assim, a ideia de família desses tais alienados de Deus não é o mesmo das Escrituras. O conceito de união conjugal viola os padrões bíblicos, que a delimitam como algo restrito ao homem e à sua mulher. A noção de respeito à vida exclui as pessoas gravemente doentes, bem como os nascituros. E o corpo humano é tratado meramente como uma questão técnica. Tudo é reduzido pura e simplesmente a verdades relativas. Uma filosofia que valoriza o paganismo. O pós-modernismo tem um tipo de religiosidade adequado às suas crenças. É o velho paganismo transvestido de nova roupagem para enganar e dar a ideia de algo novo, uma vez que o povo em geral anda sempre em busca de novidades, da mesma forma que os gregos incrédulos citados em At 17.21.

Na tentativa de apaziguar o ser humano em sua necessidade espiritual, o panteão pós-modernista,tem espaço para deuses de todos os tipos, preponderando, hoje, a adoração do que se denominou equivocadamente de "mãe natureza"; atividade comum ao movimento religioso-filosófico Nova Era, que é ocultista. A palavra de ordem para esse tipo de convivência é a chamada tolerância religiosa. Só que essa expressão, ao invés de ser usada para referir-se apenas ao livre-arbítrio de cada um em questões de fé, é empregada, de forma unilateral e equivocada, contra os crentes em Cristo a fim de negar-lhes o direito de propagarem as suas convicções (At 16.16-40). 

1-O PÓS-MODERNISMO COMO UM ESTILO DE VIDA
Por último, no enganado e também enganoso pós-modernismo, a forma de pensar determina o estilo de vida de cada pessoa. Assim, o pós-modernismo não é só uma filosofia. Ele impõe também uma maneira de viver compatível com os seus maléficos princípios filosóficos, um estilo egocêntrico. Trata-se, sobretudo, de uma forma que privilegia o egocentrismo. É evidente, à luz da Bíblia, que todo ser humano tem inerente em si a sua individualidade. Entretanto, esta não exclui ninguém da vida em comunidade, dos justos e benéficos interesses coletivos, nem da certeza de que um dia cada um há de prestar contas a Deus de todos os seus atos (l Co 10.24; Fp 2.4; Rm 14.12).
Portanto, há enorme diferença entre a individualidade em si mesma e o estilo egocêntrico que se propaga qual epidemia na sociedade pós-moderna. Nela o homem é o centro, o fim de tudo, o topo de todas as coisas. O "eu" ocupa todo espaço em todos os lugares. 
2. Um estilo hedonista: Como um abismo conduz a outro abismo, o egocentrismo leva ao hedonismo, que é "uma doutrina filosófica, segundo a qual, o prazer individual e imediato é o supremo bem da vida humana". O melhor símbolo para o hedonismo pós-modernista é o consumismo, que envolve quatro atitudes básicas como finalidade última da vida: ter, comer, beber e folgar. O divino Mestre não só no Sermão da Montanha, mas também quando proferiu a parábola do rico insensato(Lc 12.13-21), expressou o comportamento desta sociedade materialista que estamos abordando. Veja que o Senhor esclarece, de início, que a vida do ser humano não consiste na abundância de seus bens, para, em seguida, apresentar o personagem que é o retrato do hedonismo, em cujas atitudes aparecem os elementos há pouco descritos: ter, comer, beber e folgar.

Cabe reiterar que tudo isso decorre da ausência de algo bastante simples, mas ao mesmo tempo absolutamente essencial na vida do homem: a sua fé em Deus e a certeza de que Ele é o seu bem maior, que o criou com propósitos claramente definidos, entre eles o de adorá-Lo e servi-Lo como o Criador e Sustentador do Universo.

2 – Cristianismo em um mundo Pós-Moderno
A cultura de hoje não é só póscristã, mas está também se tornando rapidamente pós-moderna, o que significa que é resistente não somente às reivindicações das verdades cristãs, mas a qualquer reivindicação da verdade. O pós-modernismo rejeita qualquer noção de verdade universal, abrange e reduz todas as ideias a construções sociais formadas por classe, género e etnia […]. A filosofia do existencialismo, um precursor do pós-modernismo, varreu as universidades, proclamando que a vida é absurda, sem significado, e que cada indivíduo deve criar o seu próprio sentido por meio das próprias escolhas. A 'escolha' foi elevada à posição de valor último como a única justificativa para qualquer ação.

A América se tornou o que um teólogo apropriadamente descreveu como a 'república imperial do ego autónomo'. Um pequeno passo foi a distância do existencialismo para o pós-modernismo, no qual até o ego é dissolvido na interação das forças de raça, classe e género. O multi-culturalismo não é a apreciação das culturas folclóricas; é a dissolução do individual dentro do grupo tribal. No pós-modernismo, não há objetivo ou verdade universal. Há somente a perspectiva do grupo, não importa qual seja: afro-americanos, mulheres, homossexuais; hispânicos, e a lista prossegue. No pós-modernismo, todos os pontos de vista, todos os estilos de vida, todas as crenças e todos os comportamentos são considerados igualmente válidos. Instituições de ensino superior abraçaram essa filosofia tão agressivamente que têm adotado códigos no campus preferindo o politicamente correto. A tolerância tem se tornado tão importante que nenhuma intolerância é tolerada." (COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? RJ: CPAD, 2000, p. 41-2.) Leia mais Revista Ensinador Cristão , n"24,pág. 37
Egocentrismo: Exclusivismo que faz o indivíduo referir tudo a si próprio; egoísmo; amor excessivo ao bem próprio, sem consideração aos interesses alheios. Epidemia: Doença que ataca ao mesmo tempo muitas pessoas; uso generalizado.

 3 – Nova Era:  Movimento filosófico, religioso, místico e panteísta que propõe uma ligação direta do ser humano com o seu deus interior, usando o autoconhecimento dispensando a religião enquanto instituição organizada. Panteão: Templo dedicado a vários deuses; politeísmo. Tolerância Religiosa: É o ato de respeitar confissões de fé distintas sem implicar em qualquer discriminação, rejeição c proselitismo. (COLSON, Charles & PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? CPAD, 2000)
Iguais as raízes modernas do pós-modernismo: O avanço do conhecimento humano à parte de Deus; o crescimento da visão materialista, profana e incrédula da vida com todas as nuances que prevalecem no mundo atual. Segundo a qual, o prazer individual e imediato é o supremo bem da vida humana. O consumismo hoje é o maior exemplo disso.

O argumento acima apresentado é tão somente uma síntese dos dias contemporâneos que se tornam um desafio para a igreja, porém tanto Daniel como os seus companheiros, Misael, Ananias e Azarias, servem de exemplo para nós, a igreja de Cristo, que nos dias atuais na sua missão sublime, deve portar-se no mundo acadêmico e político de forma exemplar destes homens de Deus que na política e religiosidade babilônica causaram diferença no âmbito social, religioso e político.

SUBSIDIO PARA O PROFESSOR

INTRODUÇÃO
Na Lição 05, estudamos o desafio da evangelização urbana. Na Lição 06, estudamos o desafio da evangelização dos grupos desafiadores. Nesta Lição, estudaremos o desafio da evangelização no mundo acadêmico e político. Sem dúvida alguma, este é um dos maiores desafios a ser enfrentado, haja vista que as universidades são hostis aos alunos e aos professores oriundos da tradição cristã. Essa hostilidade é sentida principalmente nos cursos das áreas de humanas; nestes cursos os alunos que professam a fé cristã são marginalizados e desafiados pelos professores, que são majoritariamente ateus ou agnósticos. Infelizmente, a maioria dos universitários cristãos não está preparada teologicamente para defender sua fé num campus. Desta feita, muitas vezes o desespero toma conta do jovem cristão ao confrontar um oposicionista, e, por isso, se isolam e viram “007 evangélico”, não fazendo uso do seu direito constitucional de manifestar a sua fé de forma explícita e destemida. Cabe aos líderes das igrejas locais e aos departamentos de evangelismo engendrarem esforços e estratégias a fim de preparar adequadamente jovens cristãos, a fim de que, no âmbito acadêmico, atuem como reais testemunhas de Jesus Cristo. É válido ressaltar que é do universo acadêmico que saem os cientistas, educadores, formadores de opinião e boa parte dos governantes e le­gisladores.

Nesta Aula, analisaremos a vida dos jovens hebreus Daniel e seus companheiros - Hananias, Misael e Azarias. Apesar do exílio babilônico, eles se destacaram como acadêmicos, servidores públicos e políticos. Eles mostraram, em atos e palavras, a supremacia do Deus de Israel. A vida desses hebreus serve de exem­plo aos acadêmicos e políticos cristãos, que lutam por levar o Evangelho às mais altas esferas do conhecimento e do poder.

I. POSSIBILIDADES E LIMITAÇÕES DA EVANGELIZAÇÃO NO AMBIENTE ACADÊMICO
1. É um ponto de convergência. As pessoas presentes na escola se deslocaram de outros bairros, ou cidades, ou estados ou países, no caso de estudantes estrangeiros. Ter essas pessoas concentradas ali é uma economia de esforço, do ponto de vista da estratégia evangelística. É claro que ninguém comparece à escola para tomar conhecimento do evangelho. O nosso trabalho começa com a comunicação evangelística correta para esse ambiente.1

2. É um Local onde as pessoas interagem. Na escola as pessoas precisam se comunicar e têm oportunidade de se conhecerem, fazer amizades, trocar ideias. Talvez não exista outra instituição mais apropriada para essa finalidade. Na verdade, é lamentável vermos que muitos evangélicos ocultam o seu testemunho cristão e perdem essa grande oportunidade para comunicarem o evangelho aos seus colegas. Isso é notado entre alunos, professores e funcionários.

3. A fé é confrontada. A escola repassa conceitos filosóficos e científicos equivocados, que são antagônicos à Palavra de Deus, mas são tornados válidos pelo consenso da Comunidade Científica. Entre os não-cristãos, isso acentua o ceticismo e a incredulidade. Entre cristãos menos alicerçados no conhecimento bíblico há ameaças de esfriamento na fé. O que cabe a nós fazermos quanto a isto? Muito pode ser feito. Todo o Comunicador do Evangelho tem a missão de manifestar um posicionamento bem fundamentado, tanto na Bíblia como em assuntos científicos e, principalmente, com um testemunho de vida coerente com a fé professada.

4. O inimigo tem planos de ação. O ambiente escolar nada mais é do que uma amostragem do que se encontra na sociedade. Uma grande maioria apresenta um comportamento carnal, liberal, contrário à vontade de Deus. Isso faz surgir o fenômeno conhecido como pressão do grupo, pois essa maioria cobra de todos um comportamento padronizado, para poder interagir. A posição dos comunicadores do Evangelho precisa ser equilibrada. Isolar-se do grupo não é a solução. Na verdade, é preciso orar e vigiar, pois o Espírito Santo nos unge para estarmos integrados e podermos exercer a ação benéfica de sal da terra e luz do mundo.

(1) (Edson Talarico Rodrigues. A Comunicação do Evangelho no Meio Acadêmico).

II. DANIEL NA UNIVERSIDADE BABILÔNICA
Daniel foi escolhido para estudar na Universidade da Babilônia. Nabucodonosor era estadista e estrategista. Ao mesmo tempo em que seus exércitos eram devastadores, queimando casas, cidades, demolindo palácios e templos, também criara uma universidade para formar jovens cativos que pudessem se tornar divulgadores de sua cultura.

Para ingressar na Universidade Babilônica era preciso fazer vestibular, que era composto de três exames: (a) Qualidades sociais: linhagem real e dos nobres; (b) Qualidades físicas e morais: jovens sem nenhum defeito e de boa aparência; (c) Qualidades intelectuais: instruídos em toda sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e competentes para assistir no palácio. Os aprovados deveriam andar pelos corredores do poder. Após o período acadêmico eles mesmos governariam sobre os demais súditos conquistados. 

Daniel 1:5 nos informa que o curso da Universidade de Babilônia era intensivo, pois durava apenas três anos. Depois disso, eles assistiriam no palácio, com garantia de emprego no primeiro escalão do governo mais poderoso do mundo. Era uma chance de ouro. Era tudo que um jovem queria na vida. Era tudo que um pai podia sonhar para seus filhos. Mas, nesse quadro de oportunidades ímpares, havia riscos tremendos para saúde espiritual. Por isso, todo cuidado seria pouco. O que adianta você ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? O que adianta você ficar rico, vendendo a sua alma ao diabo? O que adianta você ter sucesso, mas perder sua fé? O que adianta você ser famoso, mas não ter uma vida limpa? Muitas pessoas mentem, corrompem-se, roubam, matam e morrem para alcançar o sucesso. Muitos destroem a honra e a família para chegar ao topo da pirâmide social. Mas esse sucesso é pura perda. Ele tem sabor de derrota.

1. Uma vida testemunhal. Uma das características marcantes na vida de Daniel era a firmeza do seu caráter moral e espiritual – “E Daniel assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia” (Dn 1:8). Este é um pré-requisito indispensável na vida do evangelizador neste âmbito tão complexo e exigente que é o meio acadêmico: não se conformar com o mundo (Rm 12:2).

Para os psicólogos, o caráter é aquilo que é adquirido ao longo da vida, aquilo que é apreendido pelo homem no seu convívio com o ambiente onde vive, ou seja, aquilo que incorpora, conscientemente ou não, ao longo da sua história. Daniel estava longe de casa, sem a sua família, em um país estranho, com uma língua estranha, sem o templo, sem sacerdotes e sem os rituais do culto. A despeito de tantas perdas, porém, não deixou seu coração ser envenenado pela mágoa, não permitiu que seu caráter fosse deformado pelo meio que ora passou a enfrentar. Procurou ser instrumento de Deus na vida dos babilônios. Daniel não foi um jovem influenciado, mas um influenciador. As pessoas que foram levadas cativas entregaram-se à depressão, nostalgia, choro, desânimo, amargura e ódio (Sl 137). Daniel, porém, escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha.

O caráter do cristão é quem ele é de fato, não apenas quando está diante do pastor, ou do seu líder, ou mesmo com um grupo de amigos, mas quando está num ambiente que ninguém o conhece, e ninguém está observando-o. O seu verdadeiro interior é a expressão mais exata da sua pessoa, sem máscaras, sem fingimentos ou aparências. Quem é você quando ninguém está olhando? Nosso caráter está relacionado com quem somos quando ninguém está olhando.

Deus está interessado em quem realmente somos. Quando nós temos caráter cristão, a evidência está em nossa conduta. Se você é salvo, sua conduta muda como evidência de que alguma coisa mudou dentro – no coração. Existem evidências da sua salvação. Se alguém diz, “eu sou salvo”, mas continua a mentir, roubar e viver imoralmente, é muito claro que não está salvo.

Daniel e seus amigos tiveram caráter santo e testemunhal. Mais adiante, eles vieram a influenciar até mesmo a classe política do império babilônico.

Portanto, o universitário crente evangeliza através de um testemunho santo e ir­repreensível que, por si mesmo, é uma mensagem. E, também, por meio de uma abordagem sábia e oportuna, que mostre a razão de nossa esperança (1Pd 3:15).

2. Daniel, um jovem universitário fiel a Deus, apesar das grandes perdasDaniel teve muitas perdas. Perdeu sua nacionalidade e sua bandeira. Foi arrancado de sua Pátria e de seu lar. Perdeu sua família, foi arrancado dos braços de seus pais, de seus amigos, de seus vizinhos. Ele foi agredido, violentado em seus direitos mais sagrados. Ele perdeu sua liberdade, saiu de casa não como estudante, mas como escravo; ele não é dono de sua vida nem de sua agenda. Daniel perdeu sua religião. Seu país foi invadido, sua cidade arrasada e o templo do Senhor derrubado. Seu povo estava debaixo de opróbrio. Mas, em vez de buscar a vingança dos inimigos, procurou ser instrumento de Deus na vida deles. Daniel escolheu ser uma luz, uma testemunha, um jovem fiel a Deus em terra estranha. Não é o que as pessoas nos fazem que importa, mas como reagimos a isso.

3. Daniel, um jovem universitário fiel a Deus, apesar dos grandes perigos. A integridade de Daniel e de seus amigos foi colocada à prova diante da determinação do rei. Esses servos de Deus tiveram de se acautelar acerca de quatro perigos:

a) O perigo das iguarias do mundo (Dn 1:5-8). As iguarias da mesa do rei eram comidas sacrificadas aos ídolos. Cada refeição no palácio real de Babilônia se iniciava com um ato de adoração pagã. Comer aqueles alimentos era tornar-se participante de um culto pagão. Há um ditado que diz que todas as maçãs do diabo são bonitas, mas elas têm bicho. Os banquetes do mundo são atraentes, mas o mundo jaz no maligno. Ser amigo do mundo é ser inimigo de Deus. Aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não entre na configuração do mundo. Fuja dos banquetes que o mundo lhe oferece. Os prazeres imediatos do pecado produzem tormentos eternos. As alegrias que o pecado oferece, convertem-se em choro e ranger de dentes. Fuja das boates, das noitadas, dos lugares que podem ser um laço para sua vida. Daniel “assentou no seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Daniel preferiu a prisão ou mesmo a morte à infidelidade.

b) O perigo de aculturamento no meio acadêmico (Dn 1:3,4). “E disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, e da linhagem real, e dos nobres, jovens em quem não houvesse defeito algum, formosos de aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus”.

Daniel e seus amigos correram sério risco de aculturamento nos costumes e nas ciências babilônicos. A despeito de eles serem educados em línguas e ciências, Nabucodonosor queria muito mais. Ele queria educá-los nas ciências dos caldeus para que tivessem conhecimento de astrologia e adivinhação. Mas, os babilônios perceberam logo que a formação cultural e, sobretudo, religiosa desses jovens hebreus, era forte. Não seria fácil fazê-los esquecer de suas convicções de fé. Para quebrar a rigidez cultural desses jovens, Nabucodonosor elaborou um programa cultural que fosse eficaz na sua extinção: os jovens participariam da mesa do rei. Mas Daniel e seus amigos mantiveram-se íntegros, fieis e puros diante de Deus e dos habitantes da Babilônia. O caráter deles era bastante sólido.

No meio de uma cultura sem Deus e sem absolutos morais, Daniel não se corrompeu. Daniel vai como escravo para uma terra que não conhecia a Deus, onde não havia a Palavra de Deus, nem o temor de Deus, onde o pecado campeava solto. Mas, mesmo na cidade das liberdades sem fronteiras, do pecado atraente e fácil, Daniel mantém-se íntegro, fiel e puro diante de Deus e dos homens. Seu caráter não era feito de vidro, não se quebrava com facilidade. Tinha um caráter ilibado, formado em um lar temente a Deus, de convicção de fé inquebrável no Deus vivo. Daniel e seus companheiros possuíam uma maturidade espiritual inexorável, que não foi adquirida em uma universidade secular, mas na Palavra de Deus.

c) O perigo da mudança dos valores. O nome de Daniel e de seus amigos foram trocados. Com isso a Babilônia queria que eles esquecessem o passado. A Babilônia queria remover os marcos e arrancar as raízes deles. Entre os hebreus, o nome era resultado de uma experiência com Deus. Todos os quatro jovens judeus tinham nomes ligados a Deus. Daniel significa: “Deus é meu juiz”; deram-lhe o nome de Beltessazar, cujo significado é: “bel proteja o rei”. Hananias significa: “Jeová é misericordioso”; passou a ser chamado de Sadraque, que significa: “iluminado pela deusa do sol”. Misael significa: “quem é como Deus?”; deram-lhe o nome de Mesaque, que significa: “quem é como Vênus?”. Azarias significa: “Jeová ajuda”; trocaram-lhe o nome para Abede-Nego, cujo significado é: “servo de Nego”. Assim, seus nomes foram trocados e vinculados às divindades pagãs de Bel, Manduque, Vênus e Nego. Os caldeus queriam varrer o nome de Deus do coração de Daniel, queria tirar a convicção de Deus da mente de Daniel e de seus amigos e plantar neles novas convicções, novas crenças, novos valores, por isso mudaram seus nomes.

A Babilônia mudou os nomes deles, porém, não o coração. Daniel e seus amigos não permitiram que o ambiente, as circunstâncias e as pressões externas ditassem sua conduta. Eles se firmaram na verdade, batalharam pela defesa da fé e mantiveram a consciência pura.

Muitos jovens hoje têm caído na teia do mundo, conformaram-se com o mundo. Muitos se envolvem de tal maneira que perdem o referencial, mudam os marcos, abandonam suas convicções, transigem com os absolutos e naufragam na fé. 

d) O perigo das ofertas vantajosas. Muitos judeus se dispuseram a aceitar as ofertas generosas da Babilônia. Pensaram: é melhor esquecer Sião. É melhor esquecer os absolutos da Palavra de Deus. Isso não tem nada a ver. A Bíblia já não serve mais para nós. Agora estamos num estágio mais avançado: estamos estudando as ciências. Além do mais, a Babilônia oferecia riquezas, prazeres e Jerusalém era muito repressora. A lei de Deus, pensavam, é muito rígida, tem muitos preceitos. E assim, muitos se libertaram de seus escrúpulos e se esqueceram de Deus e de Sua Palavra. Para eles, tudo havia se tornado relativo. Os tempos estavam mudando depressa e eles precisavam se adaptar às mudanças.

Todavia, Daniel e seus companheiros eram comprometidos com a Verdade. Os caldeus mudaram seus nomes, mas não seus corações. Eles compreenderam que a babilonização era uma porta aberta para a apostasia. A guerra das ideias, a lavagem cerebral, a relativização da moral, a filosofia de que "nada tem nada a ver" é procedente do maligno. Daniel não negociou seus valores. Ele não se corrompeu. Não se mundanizou. Ele teve coragem para ser diferente mesmo quando foi pressionado a se contaminar, mesmo quando não era vigiado e mesmo quando estava correndo risco de vida.

Daniel estava no mundo, mas não era do mundo. Deus não livrou Daniel do perigo, mas lhe deu livramento no perigo. Ele não satanizou a cultura, dizendo que tudo era do diabo, mas ele percorreu os corredores da universidade e do palácio sem se corromper. Daniel e seus amigos não anatematizaram a vida pública como pecado. Contudo, jamais se corromperam. Eles tinham consciência que pertenciam e serviam a outro Reino. Mesmo cercados por uma babel de outras vozes, sempre se orientaram pela voz de Deus. Resistiram sempre aos interesses da Babilônia, quando esses se chocavam com os interesses do Reino de Deus.

4. Uma carreira acadêmica teste­munhal. Finalmente, o curso de três anos terminou. Era hora dos exames finais. Como nas universidades britânicas, em dias passados, esses exames não eram escritos, mas orais. O próprio rei os examinou. E Daniel e seus amigos foram examinados, aprovados e considerados dez vezes mais sábios que os outros estudantes – “E em toda matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino"(Dn 1:20). Como resultado, cada um dos quatro foi colocado em um alto cargo. Porque foram fiéis a Deus, o Senhor os honrou e os fez dez vezes mais cultos e mais eminentes que os mais sábios da Babilônia. Eles estavam no palácio do rei da Babilônia, servindo ao Rei Eterno, o Deus Todo-Poderoso.

Daniel e seus amigos são modelos para os jovens universitários de hoje. Devem se esforçar ao máximo para serem os melhores dentre os seus colegas universitários. Conformo disse o Pr. Claudionor de Andrade, “a mediocridade acadêmica depõe contra o Evangelho. O crente que ama a Cristo adora-o também com as suas notas, graduações, mestrados e doutorados”.

5. Uma carreira testemunhal. Daniel e seus três companheiros foram inseridos, imediatamente, na elite cultural e científica de Babilónia. Daniel tornou-se Primeiro Ministro da Babilônia. Figurou entre os maiores do grande império. Tornou-se homem de projeção. Foi uma bênção durante toda sua vida.

Muitos crentes anseiam por posições mais altas, mas para isso negociam valores, vendem a consciência, se corrompem e envergonham o nome de Deus. Se não vivermos agora honrando a Deus nas pequenas coisas, jamais o honraremos quando chegarmos às altas posições.

Daniel foi maior que a própria Babilônia. A Babilônia caiu, mas Daniel continuou em pé. A Babilônia perdeu seu poder, mas Daniel continuou sendo uma bênção para o outro império. Daniel 1:21 mostra o triunfo de Daniel. Ele continuou fiel até o primeiro ano de Ciro, o rei persa – “E Daniel esteve até ao primeiro ano do rei Ciro”. Ele atravessou setenta anos de cativeiro com uma vida limpa diante de Deus e dos homens. Ele começou bem e terminou bem. Hoje muitos começam bem e terminam mal. São crentes consagrados até enfrentarem a primeira prova, mas depois negociam seus valores, vendem a consciência e se perdem no cipoal de suas paixões. Muitos nessa corrida ao sucesso deixam sua devoção a Jesus, deixam a igreja e se contaminam com o mundo.

A Babilônia passou, e um novo império surgiu, mas Daniel continuou servindo a Deus com integridade. Reis subiram ao trono e desceram do trono, mas Daniel continuou como um homem incontaminado.

Você tem se guardado incontaminado do mundo? Você é um influenciador? Você faz diferença no meio em que vive? As pessoas são despertadas a conhecer a Deus por intermédio de seu testemunho? Concordo com o Pr. Claudionor de Andrade quando diz que “Jesus precisa de testemunhas em todas as áreas do saber humano. Ele também morreu pelos cientistas, médicos, advogados, sociólogos e educadores. Se preparar­mos devidamente os crentes, levaremos Cristo à elite cultural de nossa nação e do mundo. Portanto, treinemos os crentes para que formem, nocampus, grupos de oração, estudo bíblico e evangelismo. Desses núcleos, Deus haverá de suscitar testemunhas irresistíveis de sua Palavra. O Evangelho de Cristo não pode ausentar-se das áreas cultas”.

III. A INTERVENÇÃO DE DEUS NA POLÍTICA BABILÔNICA

Há uma linha invisível que separa a paciência de Deus de Sua ira. Os que persistem em andar no caminho errado cruzam essa linha invisível. Chega um dia em que Deus diz: "Basta!”. Deus oferece ao homem muitas oportunidades para arrepender-se; convida-o insistentemente a se voltar para Ele e o persuade; mas se o homem continua no pecado, ele cruza essa linha invisível e, depois, perece inapelavelmente. Belsazar foi um homem que desprezou o conhecimento de Deus e não lhe deu glória, a despeito de conhecer a verdade (Dn 5:22). Ele conhecia a verdade, mas não foi dirigido por ela. Ele conhecia a verdade, mas a rejeitou deliberadamente para viver regaladamente em seus pecados. A impiedade produz perversão. O desprezo do conhecimento de Deus leva o homem a uma vida dissoluta moralmente. Deus teve que intervir na política babilônica. Chamou Daniel para proclamar a Sua sentença sobre o reino de Belsazar.

1. A corrupção de Babilônia. Catorze anos como segunda pessoa no comando do reino, Belsazar precisava encarar grandes responsabilidades. Nabonido, seu pai, estava no campo de batalha com o exército caldeu tentando rechaçar os ataques das forças conjuntas dos Medos e Persas. Uma província após outra do império da Babilônia tinha caído. Agora, os exércitos de Ciro cercavam a capital como o último obstáculo a ser vencido. Mas, Belsazar não estava nenhum pouco preocupado com as ameaças de Ciro. Ele acreditava que Babilônia era impenetrável e que seus muros eram inexpugnáveis. Tendo em vista a fartura de mantimentos e o suprimento de água inesgotável que a cidade possuía, Belsazar tinha a confiança que os habitantes poderiam sobreviver a qualquer cerco. Para demonstrar o seu desdém pela ameaça persa, Belsazar decretou uma festa para toda a cidade. Por meio de um convite especial para mil dos seus grandes (Dn 5:1), ele preparou uma festa no palácio real. Ele convidou as mulheres do harém real para acrescentar diversão à festa. O próprio rei liderou a festa oferecendo bebida para todos. Em dado momento, inflamado pelo muito vinho, Belsazar se deixou levar por um impulso imprudente. Ele ordenou que fossem buscados os utensílios sagrados que seu avô tinha trazido de Jerusalém para a Babilônia (Dn 5:3). Eles beberam dessas taças, coisa que nenhum outro ousara fazer até então. Belsazar e seus companheiros de festa beberam dessas taças e deram louvores aos deuses da Babilônia (Dn 5:4).

O desprezo do conhecimento de Deus leva o homem a uma vida dissoluta moralmente. Belsazar conhecia a verdade (Dn 5:22), mas não foi dirigido por ela. Ele conhecia a verdade, mas a rejeitou deliberadamente para viver regaladamente em seus pecados. Belsazar profanou os utensílios consagrados ao Deus de Israel. Logo, o juízo de Deus seria inevitável e irrevogável.

Em meio àquela orgíaca festividade pagã, onde ressoavam risos sarcásticos regados a muita bebida embriagante, a mão de Deus escreveu na parede com letras de fogo, estranhas e misteriosas palavras. A Bíblia diz que o semblante do rei mudou, e os seus pensamentos o turbaram; as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos bateram um no outro. A festança parou, e um silêncio lúgubre encheu a sala (Dn 5:5,6).

Quando Belsazar conseguiu falar, ele começou a gritar e chamar os peritos em astrologia, os caldeus e os adivinhadores (Dn 5:7), para explicar esse mistério. O rei prometeu todo tipo de recompensa e promoção para qualquer um que pudesse ler a escrita na parede e interpretar a sua mensagem. Esse homem seria vestido de púrpura (púrpura real), uma cadeia de ouro seria colocada ao redor do seu pescoço e ele se tornaria o terceiro em importância no governo do seu reino. Esse era o posto mais elevado disponível, visto que Nabonido ocupava o posto mais elevado, e Belsazar, o segundo. Quando os sábios não conseguiram decifrar a escrita, o rei e todos os convidados ficaram outra vez aterrorizados.

O banquete tinha como objetivo afrontar o Deus vivo. A atitude do rei em utilizar os utensílios do templo de Jerusalém em sua festa devassa e idólatra, mostrava o caráter perverso de Belsazar. Ele estava afrontando ao Senhor e profanando publicamente aquilo que pertencia a Deus. Mas, esse foi o último desafio do imoral Belsazar. O castigo viria inevitavelmente e imediatamente.

A vida é uma semeadura, colhemos o que plantamos. Aqueles que plantam o mal colhem o mal. Aqueles que semeiam vento colhem tempestade. Aqueles que semeiam na carne, da carne colhem corrupção. Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. Querer fazer o mal e receber o bem é zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba (Gl 6:7). Os políticos e os governantes brasileiros precisam se conscientizar que Deus é o Senhor. As consequências pelos erros cometidos de forma deliberada e consciente são muito duras e inexoráveis.

2. Daniel, o incorruptível. Como nenhum acadêmico babilónico foi capaz de ler a sentença divina escrita na parede, o nome de Daniel, agora com idade avançada, é evocado. A rainha-mãe (esposa de Nabonido e mãe de Belsazar), ciente do fato da escrita na parede, informa ao rei sobre Daniel e conta a respeito dos dons sobrenaturais que ele possuía. Ela disse: “Ó rei, vive eternamente! Não te turbem os teus pensamentos, nem se mude o teu semblante. Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, ó rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores. Porquanto se achou neste Daniel um espírito excelente, e ciência, e entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chame-se, pois, agora Daniel, e ele dará interpretação” (Dn 5:10-12).

Após contar tudo, a rainha-mãe aconselha ao rei que chamasse Daniel, e, certamente, ele daria a interpretação. Daniel, então, foi introduzido à presença do rei (Dn 5:13-16). Ele agora era um homem idoso, mas continuava sendo um homem de Deus. Bom é conservarmos a fidelidade ao Senhor até o fim de nossas vidas!

Belsazar propõe a Daniel a mesma recompensa extravagante que havia prometido aos sábios (Dn 5:16), mas Daniel não deu nenhuma importância às “ninharias” do rei (Dn 5:17) e foi direto ao assunto. Mais uma vez, ele não se deixou enlaçar pelo charme do politicamente correto. Daniel confrontou o rei de forma cortês, mas sem rodeios, com uma mensagem de Deus. Daniel recordou a Belsazar como Deus humilhou Nabucodonosor. Embora Belsazar soubesse desse evento trágico, não deu importância à sua lição - “E tu, seu filho Belsazar, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste de tudo isso. E te levantaste contra o Senhor do Céu. Então, dele foi enviada aquela parte da mão, e escreveu-se esta escritura” (Dn 5:22-24). Belsazar, ao profanar os vasos santos do Senhor cometeu um ato de afronta deliberada contra o Deus vivo. Poucas pessoas aprendem as lições da história.

“Esta, pois, é a escritura que se escreveu: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM” (Dn 5:25). “MENE: Contou Deus o teu reino e o acabou” (Dn 5:26). “TEQUEL: Pesado foste na balança e foste achado em falta” (Dn 5:27). “PERES: Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos persas”. A mensagem era clara e específica. Deus havia empilhado os crimes do rei e completado a sua medida. O período de supremacia política de Babilônia havia terminado. Essa foi a última noite dos babilônios e do rei Belsazar. Os babilônios cruzaram a linha-limite que Deus traçara. “Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Dario, o medo, ocupou o reino, na idade de sessenta e dois anos” (Dn 5:30,31).

Belsazar testemunhou as obras de Deus dentro de sua casa, mas as desprezou. Ele era da família real. Ele presenciou todos os acontecimentos relatados nos capítulos 1 a 4 do livro de Daniel. Ele devia ter a idade de Daniel e viu seu testemunho, bem como o testemunho de seus amigos. Viu como Deus libertou os amigos de Daniel da fornalha, como Nabucodonosor foi arrancado do trono para tornar-se um animal, até que seu coração foi humilhado e convertido. Belsazar conviveu com o testemunho fiel a respeito de Deus, mas tapou seus ouvidos, fechou seus olhos e endureceu seu coração. Deus deu um ano para Nabucodonosor arrepender-se, mas Belsazar cruzou a linha da ira de Deus naquela mesma noite e pereceu. Viver no pecado é loucura. Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10:31).

A queda de Babilônia está associada a profecias que em breve deverão cumprir-se com a Babilônia espiritual, um dos destacados temas do Apocalipse. Nações estão sendo avaliados bem de perto pelo Deus Altíssimo. Todos estão por sua própria escolha decidindo seu destino e Deus indubitavelmente cumprirá os Seus propósitos. Que os homens públicos cristãos não se furtem ao seu dever. Que venhamos neste momento de crise de liderança, econômica e política que debilita o Brasil, anunciar que Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida e que bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor. 

CONCLUSÃO
Evangelizar o meio acadêmico é uma estratégia de grande alcance. É uma oportunidade sem precedentes e essa responsabilidade precisa ser assumida pelos cristãos brasileiros ligados à vida escolar. Como Corpo Vivo de Cristo, a igreja deve cumprir ali a tarefa de sal da terra e luz do mundo, esforçando para comunicar as Verdades divinas com uma linguagem que o estudante possa entender. Que os líderes saibam como pre­parar aqueles que vão frequentar um ambiente acadêmico. À semelhança de Daniel e seus companheiros, estes poderão fazer uma grande diferença no mundo acadêmico e na esfera política.

Viva vencendo, usando o Evangelho em todas as áreas da sua vida!!!

Abraços.

Seu irmão menor.




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