28 outubro 2016

CONFERÊNCIA 72 HORAS 2016: ELITIZAÇÃO DA ADORAÇÃO

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Um verdadeiro mercantilismo revestido de uma carnalidade sem igual está preste a acontecer em Fortaleza – “Os ingressos para os três dias custarão R$ 80,00; a partir de 2 passaportes, pague R$ 65,00”. E, o irmão pobre-assalariado, quanto pagará? Não há resposta. O “deus das possessões” está muito presente no nosso meio. A Conferência 72 horas é a privatização da adoração. É a elitização da adoração.

Quando observamos o ministério do apóstolo Paulo, constatamos que ele não queria para si além do que cobrisse suas necessidades imediatas. Paulo nunca fez exigência financeira nem nunca impôs regras que lhe trouxesse benefícios como fazem os cantores gospel de hoje. A música evangélica nunca deve ter como propósito final o dinheiro, o lucro. E mais, em nenhuma parte das Escrituras nos deparamos com situações onde os levitas cantavam e faziam apresentações para o povo. Todo o povo louvava e adorava ao Senhor juntamente com os diretores de música e cantores.

Não há dúvida: A Conferência 72 horas é voltada para o homem. É adoração ao nada, e em nome do nada, pois os cantores são mais importantes na adoração do que Deus. A ênfase é no adorador e não no adorado. O homem é o foco, pois o prumo da adoração é a estética do adorador. Tudo é feito à moda Hollywood. Nessa Conferência a glória de Deus é confundida com barulho e mantras musicais repetidas à exaustão. É o Jesus mercadoria, que dá espetáculos bombásticos para animar os incautos.

O marketing tem tomado conta do meio evangélico de tal modo que já se criou graus de qualidade para classificar as bandas e os cantores em: ruim, regular, bom e excelente. A busca é a edificação do próprio império, e não o Reino de Deus. Busca-se espaço para monumento ao homem. É preciso alertar que o Senhor não busca músicos profissionais. Não busca artistas nem cantores famosos. Deus procura verdadeiros adoradores. Paulo admoesta: “Não nos deixemos possuir de vanglória”. O Reino de Deus não comporta grandões.

O que se vê nessa Conferência é “adoração” sem Cristo e sem cruz. Nas letras das músicas de Daniela Araújo, de Paulo Cesar Baruk e banda preto no branco, a Bíblia não é proclamada em sua inteireza, mas apenas partes isoladas que não mostram sua doutrina, e sim o que as pessoas desejam. Na maioria das letras o nome do Senhor Jesus é ocultado. Convido aos leitores deste artigo a analisar as letras das músicas desses cantores. O que se vê nesta Conferência é exibição de dotes artísticos. Vê-se vitrine de talentos próprios arraigada no desempenho humano. Não há proclamação da soberania de Deus nem de Sua graça. Há apenas palavras de animação. Ministração de terapia com rosto de Freud, Lair Ribeiro e Augusto Cury que leva os ouvintes se sentirem bem em seus pecados, ao invés de deixá-los.

Nas letras das músicas desses cantores, Deus é apresentado como dono de uma bomboniere onde a pessoa compra todo tipo de artigos chiques que o seu coração almejar. Jesus é mostrado como um “doce de pessoa”, tão gentil, tão bacana, tão legal que não faz mal nem ao mosquito da dengue.  A visão escriturística que considera a bondade e a severidade de Deus é apagada das músicas. Saíram da Bíblia os versículos: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:31); “Considere, pois, a bondade e a severidade de Deus” (Rm 11:22). Na verdade, as letras das músicas desses cantores tem reduzido o Evangelho a uma liquidação do tipo: “Aceite a Cristo e obtenha o que você quiser”. Tudo que pode ofender o homem natural é descartado das músicas.

A geração atual é a geração shopping cuja preocupação é o consumo irrefletido. É a geração que quer novidades e “coisas tremendas”. Nesse contexto, as pessoas desta geração são fascinadas pelo bizarro. Gostam de lombadas na estrada esburacada. Porém, são esqueléticas de conteúdo bíblico o que os leva à falta de discernimento. Deixam-se levar não pela adoração bíblica, mas pela adoração dos homens com músicas e letras mancas, invertebradas, sintéticas e plásticas. A teologia da cruz nas letras foi à bancarrota. É a adoração como uma cultura cristã com poder político, muitas fotos e autógrafos.

A “adoração” nesta Conferência é mais enfeitada que jegue de cigano. Há pula-pula, há requebros, há fumaça, há jogos de luzes, há sacolejo, há ginástica psicodélica, há batuque, há euforia, há histeria, há gaiatice, mas não há quebrantamento. Há alarido sem convicção de pecado. Não há adoração ao Deus Santo, com o temor de Isaías (Is 6:5) e com o sentimento de indignidade de Pedro (Lc 5:8). Lamentavelmente, a igreja ao invés de está cheia do Espírito Santo, está cheia de pós-modernos que não entendem o que é adoração ao Deus trino. A figura de Deus que esses pós-modernos tentam passar, é a de um “cara otimista” do tipo “tudo-em-cima”.

Reconheço que este artigo pisará em muitos calos, e alguns poderão ficar profundamente ofendidos, mas minha intenção é defender o Evangelho. Minha oração é que muitos sejam levados a carregar a cruz e pregar o Santo Evangelho da nossa salvação com o poder e a unção que Jesus prometeu e deu à igreja primitiva, e que, quando estivermos perante Ele naquele dia, sejamos capazes de dizer como Paulo, “Combati o bom combate, acabei a careira, guardei a fé”, para que possamos ouvir as doces palavras dos lábios do nosso Rei, “Bem está, servo bom e fiel entra no gozo do teu Senhor”.

Tenho dito,
Ir. Marcos Pinheiro

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