09 outubro 2016

SOFISMA OU FALÁCIA? AZENILTO (ADVENTISTA) X PAULO CRISTIANO (CACP) - FINAL

COLOSSENSES 2:16 – UM CALCANHAR DE AQUILES DOS ADVENTISTAS


“Sobre a interpretação “tradicional” de Colossenses 2:16-17, o que o Sr. Rinaldi logicamente passa por alto é o fato de que NÃO SÃO SÓ OS ADVENTISTAS que têm tal interpretação. Christianini, no livro Subtilezas do Erro, que ele cita às vezes, e sempre distorcida e desonestamente, mostra como Adam Clark, Jamieson, Fausset and Brown e outros eruditos evangélicos entendiam que o texto não se refere ao sábado semanal, e sim aos cerimoniais. Não há também nenhum problema em haver uma “exceção à regra” na questão do uso de palavras bíblicas. Então, a interpretação clássica de Col. 2:16, 17, segundo teólogos adventistas e outros, não está fora de propósito quando se percebe que o princípio do sábado é uma sombra da salvação em Cristo.”

Se os ASD aceitassem que a palavra sábados do texto em tela se aplica corretamente ao sábado semanal, então não haveria prova bíblica de sustentar a guarda do sábado no Novo Testamento. E eles sabem disso. Por isso, quando em polêmicas levantadas por eles querendo sustentar a obrigatoriedade da guarda do sábado, explicam que a palavra sábados de Cl 2.16 se aplica aos por eles intitulados sábados cerimoniais ou anuais de Levítico 23.
É a resposta óbvia que dão quando alguém aponta Colossenses 2:14-17 como apoio bíblico da abolição do sábado semanal. Dizem, “Então você não sabe que existem dois sábados nas Escrituras? O sábado semanal, que é de caráter moral e o sábado cerimonial ou anual? Este – sim – foi abolido na cruz mas o sábado semanal continua obrigatório”. Vejamos se os sabatistas têm razão no seu raciocínio:
Como dizia o esquartejador: “vamos por partes”!
A mutação na teologia adventista quanto ao texto em lide é deveras embaraçoso, pois Paulo só menciona o sábado esta única vez em suas epístolas e mesmo assim para dizer que ele é apenas uma sombra que já passou. Antigamente tentavam sair deste embaraço das seguintes maneiras:
1. Apelando para o fato de que a palavra “sábbaton” estava no plural e por isto diziam que se referia às muitas festas anuais chamadas de “sábados cerimoniais”. Mas este sofisma não só não suportava uma análise gramatical correta como também distorce e ignora versículos bíblicos no original grego tais como: Mat. 12:5,12 – Mc. 1:21 – Lc. 4:31; 6:2,9 – At. 13:27; 17:2; 18:4 e Col. 2:16 transcritos como o sábado semanal, mas entrementes, flexionados no plural. Hoje este argumento esfarrapado não é mais usado, salvo pelos mais incautos. Sabbaton é uma das palavras gregas que são plural na forma, mas às vezes singular no significado. Nenhum estudante da Bíblia bem informado pode ainda considerar o argumento de que “sabbaton” de Colossians 2:16 é plural e então tem que forçosamente recorrer aos sábados sagrados cerimoniais de Levítico 23. “Várias explicações têm sido apresentadas para esta peculiaridade da língua grega, porém a que mais nos satisfaz é a do eminente estudioso A. T. Robertson em A Grammar of the Greek New Testament in the Light of Historical Research, págs. 95, 105. Sugere ele que as duas formas sábbaton e sábbata, conquanto aparentemente sejam o singular e o plural da mesma palavra, em realidade são o singular de palavras diferentes. Defende ele que o termo hebraico shabbath, “sábado”, é a fonte lógica do termo comum grego sábbaton. Nos tempos pós-exílicos, porém, o aramaico era generalizadamente usado na Palestina, e seu termo para “sábado” é shabbethá, palavra que bem poderia haver sido introduzida no grego como sábbata. Assim sábbaton foi sempre um termo singular, ao passo que sábbata poderia ser singular ou plural, dependendo se era usada como derivada do aramaico ou como o plural de sábbaton.”
2. Após terem abandonado este tolo raciocínio enveredaram em dizer que há uma substancial diferença quando Deus diz “meus sábados” e “vossos sábados”. Os primeiros são denominados de Deus, o sábado da criação, semanal, proclamado antes da queda do homem, portanto não tido como sombra de Cristo e não abolido, pois faz parte da lei moral do decálogo que foi escrita em pedras. Já o segundo é os denominados sábados cerimoniais ou anuais, dado no Sinai, depois da queda, escrito em livro, portanto, tido como sombra e cravado na cruz. Este raciocínio é ensinado no livro “Subtilezas do Erro…erros de Christianini”. Vejamos se tal raciocínio agüenta um exame das escrituras. Na verdade, para uma pessoa normal e sensata não há necessidade de se desgastar com uma exegese profunda para desmascarar argumentos fraudulentos como estes, basta apelar para o raciocínio tendo como base apenas uma vista panorâmica dos textos. Vejamos:
Se Sábado é prescrição moral da lei por ser chamado “meus sábados”, então os sabatistas têm de admitir situação de igual valor para os sábados dos 7 anos e 50 anos. O Sábado anual era um Sábado do Senhor (Lv.25:1-4,10-12). Para serem coerentes deveriam guardá-lo por haver sido chamado por Deus de “meus sábados” (compare: Lv.26:2,43,35). Jo.20:17 – Aquele Pai, mencionado por Jesus como “meu Pai” é diferente do Pai também chamado por Jesus de “vosso Pai”? Só por que mudou o pronome possessivo também mudou o Pai? Vejam outro exemplo: Is.56:7 comparado com Mt.23:38, onde os sacrifícios são chamados “meus sacrifícios” e “vossos sacrifícios”. Em Is.43:23,24 aparece o possessivo “teus holocausto”, “teus sacrifícios”. Mais uma vez é infantil e sem fundamento o argumento adventista. Falta sentido e só revela desespero de causa.
3. Na malograda busca por apoio em Colossenses 2:16, os sabatistas pareciam ter encontrado-o no argumento dos chamados sábados cerimoniais. Dizem que o versículo de Cl.2:16 não refuta a tese adventista pois ali o que se encontra são os sábados cerimoniais e não semanais (Carlyle B. Haynes, ‘Do Sábado para o Domingo’, pág.31) . Mais uma vez lançaremos mão da Bíblia para refutá-los.
a) A expressão de Cl 2.16 “dias de festa’ se relaciona com os feriados anuais ou sábados cerimoniais que eram denominados dias de festa, “São estas as festas fixas do Senhor, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR…” (Lv 23.37). Logo os sábados cerimoniais ou anuais já estão incluídos nessa frase, restando à palavra sábados o sentido diferente de sábados semanais, “Além dos sábados do Senhor…” (Lv 23.38).
Eram sete as festas anuais judaicas mencionadas em Lv 23:
1.Festa dos Asmos – v. 6
2.Festa da Páscoa – v. 5
3.Festa de Pentecostes – v. 15, 16
4.Festa das Trombetas – v. 24
5.Festa da Expiação – v. 27, 28
6.Festa dos Tabernáculos (primeiro dia da festa)- v. 34
7.Festa dos Tabernáculos (último dia da festa) – v. 36
b) A fórmula ‘dias de festa, luas novas e sábados’ é a fórmula consagrada para indicar os dias sagrados anuais, mensais e semanais ou inversamente, semanais, mensais e anuais.
Exemplos bíblicos da fórmula:


Exemplo n. 1:

Em Números 28 encontramos os holocaustos para os dias de sábados (semanais), para as luas novas (mensais) e dias de festa (anuais) nos seguintes versículos: “… no dia de sábado dois cordeiros de um ano, sem mancha… Holocausto é do sábado em cada semana…” (v. 9,10)
“E as suas libações serão a metade dum him de vinho para um bezerro… este é o holocausto da lua nova de cada mês, segundo os meses do ano.”(v. 14)
“Porém no mês primeiro, aos catorze dias do mês, é a páscoa do Senhor; E aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; sete dias se comerão pães asmos.” (v. 16,17)


Exemplo n. 2:

1 Cr 23.31: “E para cada oferecimento dos holocautos do Senhos, nos sábados (cada semana), nas luas novas (cada mês) e nas solenidades (cada ano) por conta, segundo o seu costume, continuamente (o parêntese é nosso).

Exemplo n. 3:
2 Cr 2.4: “Eis que estou para edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lhe consagrar, para queimar perante ele incenso aromático, e para o pão contínuo da proposição, e para os holocaustos da manhã e da tarde (cada dia), nos sábados (cada semana) e nas luas novas (cada mês) e nas festividades do Senhor nosso Deus… (cada ano).” (o parêntese é nosso)
Exemplo n. 4:
2 Cr 8.13: “ E isto segundo o dever de cada dia, oferecendo segundo o preceito de Moisés, nos sábados (cada semana) e nas luas novas (cada mês), e nas solenidades (cada ano), três vezes no ano… (o parêntese é nosso)
Exemplo n. 5:
2 Cr 31.3: “Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos, para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados (cada semana), e das luas novas (cada mês), e das solenidades (cada ano), como está escrito na lei do Senhor.”(o parêntese é nosso)
Exemplo n. 6
Ez 45.17: “E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de manjares, e as libações, nas festas (cada ano), e nas luas novas (cada mês), e nos sábados (cada semana), em todas as solenidades da casa de Israel.”(o parêntese é nosso)
Exemplo n. 7
Os 2.11: “E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas e os seus sábados; e todas as suas festividades.”
Voltemos agora a Cl 2.16 “ Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa (cada ano ) , ou da lua nova (cada mês), ou dos sábados (cada semana), Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” para verificarmos que as expressões para a indicação dos dias sagrados semanais, mensais e anuais ou inversamente, dias sagrados anuais (dias de festas), mensais (luas novas) e sábados (semanais) estão indicados sempre pela mesma expressão. O contrário seria incorrer numa enumeração desprovida de ordem lógica.
Sinomizarem-se ou confundirem-se os “sábados” das perícopes de Oséias 2:11 e Cl. 2:16 com as solenidades ou festas anuais é incorrer-se num pleonasmo sem sentido. Um pleonasmo e inconseqüente descabido sintoma de escandaloso sofisma. Com efeito, os dias de sacrifícios anuais, então, seriam apresentados duas vezes: uma sob a palavra FESTA e a outra sob o nome de SÁBADOS, incorendo-se em desacordo com Levítico 23:3.
4. Alguns adventistas ao que parece, passaram a apreciar outros termos no trecho em pauta e agora apelam para a questão do verbo “julgar”. Dizem que o apóstolo não está de fato dizendo que o sábado foi abolido, mas que ninguém deve “julgar” o outro por isso. Ao que tudo indica, nosso amigo sabatista crê nesta tese, pois até cita um estudioso nos seguintes termos:
“O autor English E. Schuyler em Studies in the Epistle to the Colossians até diz: Note-se que Paulo não declara: ‘Que nenhum homem observe qualquer restrição’—em absoluto. Ele diz: ‘Ninguém vos julgue. . .’ O que ele está ensinando é que ritual e cerimônia não têm qualquer parte em nossa salvação, está tudo em Cristo. Temos liberdade no Senhor, mas essa liberdade somente nos torna mais cuidadosos a fim de não levarmos um irmão mais fraco a tropeçar. Não deve haver temor de que sob essa nova provisão haverá um padrão inferior de santidade—não, pois aquele que deseja revelar a Cristo em sua vida levará uma existência de maior santidade e aceitação do que o que está se empenhado em apegar-se a ritual e cerimônia. . . . Resta a cada um julgar se está caminhando em obediência à lei da liberdade em Cristo, submetendo-se inteiramente Àquele a Quem pertence” (pág. 80)”
Para começo de conversa este autor não é um alicerce muito firme para nosso amigo. Veja que ele não diz que são sábados cerimoniais, mesmo que usasse tal termo, não revelaria muita coisa, pois o senhor Brito sabe muito bem que tais escritores consideravam o sábado semanal ou não, como parte ritual abolida na cruz, caso contrário, não justificaria, eles ainda guardarem o domingo. Mas suponhamos que o referido autor concorde in these com nosso amigo sabatista. Tal raciocínio nos levará a deixar válida todos as festividades cerimoniais inseridas no verso, pois estão juntas, entrelaçadas. Não há como abolir uma e deixar a outra, ou se aboli tudo ou libera tudo. Paulo está dizendo para ninguém julgar os cristãos porque não guardam estas coisas, porque era apenas sombra que apontavam para o corpo, ou seja, isto é coisa do passado, apontava para Cristo. Mas agora que o original que é Cristo (metaforicamente chamado de “o corpo”) já veio, não precisamos mais da sombra, do aio (cf. Gl.3:24,25). A quem você daria mais valor; ao seu pai, ou a sombra dele? O que passar disso é animus decipiendi.
4. A última novidade apresentada pelos sabatistas vem da pena de Samuele Bacchiocchi, um teólogo da IASD. Sua concepção sobre CL. 2:16, revolucionou totalmente o debate em torno da questão do sábado. Ele não só contraria a opinião tradicional do adventismo, como sugere uma nova interpretação para a polêmica do sábado. Vejamos a opinião de Bacchiocchi sobre Cl. 2:16:
“O sábado em Colossenses 2.16: O tempo sagrado prescrito por falsos mestres referem-se como sendo ‘um sábado festival’ ou a lua nova ou um sábado. – ‘eortes e neomnia o sabbaton.’ (2.16). O consenso unânime de comentaristas é que estas três expressões representam uma lógica e progressiva seqüência (anual, mensal e semanal). Este ponto de vista é válido pela ocorrência desses termos… Um outro significativo argumento contra os sábados cerimoniais ou anuais é o fato de que estes já estão incluídos nas palavras ‘dias de festa…’Esta indicação positivamente mostra que a palavra SABBATON como é usada em Cl 2.16 não pode se referir aos sábados festivais, anuais ou cerimoniais.”
Determinar o sentido de uma palavra baseando-se exclusivamente em conceitos teológicos em prejuízo de evidências línguísticas e contextuais é estar contra as regras de hermenêuticas bíblicas. Ademais, a interpretação que o Comentário Adventista dá à palavra ‘sábados’ de Cl 2.16 é difícil de ser sustentada, desde que temos visto que o sábado pode legitimamente ser tido como ‘sombra’ ou símbolos preparatórios de bênçãos da salvação presente e futura.”

( SAMUELLE BACCHIOCHI – FROM SABBATH TO SUNDAY, p. 358-360)

Veja que a interpretação de Bacchiochi choca frontalmente com o que ensinou o adventismo até hoje, qual seja, que o sábado de Colossenses 2:16 se refere ao sábado cerimonial. Agora compare com as declarações de Arnaldo Christianini, que gastou cinco páginas inteiras no intuito de provar que os sábados ali mencionados eram de fato os “sábados cerimoniais”. Pobre coitado! Nem imaginava ele que mais tarde viria outro adventista e desmantelaria todo o árduo trabalho do seu castelo de areia! É, parece que tal tese a dos “sábados cerimoniais”, foi juntamente com ele sepultada. Mas vejamos o que afirmavam as “subtilezas” de Christianini na década de sessenta:

“Estes sábados estão incluídos entre instituições que eram “sombras das coisas futuras” – prefigurações de fatos que ainda estavam por vir. O sábado do decálogo é comemorativo de um fato passado: a Criação. Não era sombras de coisas futuras. Sem dúvida, o texto se refere aos sábados cerimoniais.” e ainda prossegue afirmando “ Mas – objetará alguém – SE Paulo menciona dias de festa, não haveria necessidade de acrescentar “sábados” se estes, afinal são os mesmos dias de festas.” E finalmente dispara uma fulminante asseveração, “ISTO É UM SUBTERFÚGIO” (ênfase acrescentada) (Subtilezas do Erro, pág. 124,126,127)

Bem, parece então que os anátemas de Christianini recaiu sobre o senhor Bacchiochi. Ao que tudo indica, ele armou um tremendo subterfúgio para os adventistas!!!
As contradições são gritantes:
OS SÁBADOS
CHRISTIANINI

São sábados cerimoniais
Não é sombra

INTERPRETAÇÃO DE BACCHIOCHI
São sábados semanais
É sombra

Bom, agora resta saber de que lado vai ficar nosso amigo Brito! Vai sustentar ainda o ponto de vista do adventismo tradicional, ou vai mudar para a nova tese de Bacchiochi, a quem ele venera tanto?
É verdade que Bacchiochi vai além da interpretação tacanha adventista. Mas se você espera que ele irá concordar com nossa tese, está muito enganado. Na verdade, ele criou uma nova tese para o adventismo, que em meu ponto de vista, não é melhor do que a anterior, pois carece de respaldo bíblico. Sua nova tese traz sérias complicações exegéticas e fica muito aquém do que se esperava de um homem que alardeia ter recebido das mãos do papa – o qual a sua igreja considera como ‘o anticristo’- seu “doutorado”. Samuelle, definitivamente não conseguiu dirimir o problema de Cl. 2:16, o que ele fez foi criar uma apagogia.
Apesar de defender a idéia de que os sábados de Colossenses é o sábado semanal (vindo de um adventista isto já é um grande progresso), ele desvia a problemática toda para a questão da heresia colossenses. Afirma ainda que a condenação de Paulo recai não sobre o sábado em si, mas sobre a deturpação do sábado feita pelos líderes heréticos. O único problema com esta interpretação é que não tem respaldo Bíblico. Se porventura, Paulo, estivesse apenas alertando os crentes colossenses sobre uma perversão a respeito dos dias sagrados e não sobre os dias em si, então devemos supor que aquela trilogia ainda está em vigor para os crentes do NT. Imaginamos por um instante que Samuelle esteja correto; vale ressaltar aqui que Paulo não somente declara para os Colossenses que foram pregadas na cruz as práticas e regulamentos pervertidos pelos falsos mestres, como tira toda a base de debaixo dos seus pés por dizer que até mesmo foram cancelados os decretos divinos com respeito ao Sábado e as festas. Parafraseando, é como se Paulo estivesse dizendo aos Colossenses mais ou menos assim: “Se Deus cancelou os regulamentos do escrito de dívida, você não tem que submeter supostamente aos regulamentos imposto por anjos ou por qualquer pessoa”. Além disso, é o sábado semanal do VT em lugar da “perversão do sábado” dos mestres heréticos que são “uma sombra das coisas futuras”. Paulo não só afirma que as perversões judias quanto ao sábado não estão mais vigentes na consciência do cristão como também que estes próprios festivais eram verdadeiras “sombra de Cristo”. Apesar de Bacchiochi concordar que aqueles sábados eram “sombras”, todavia, ele forjou uma nova explicação para fugir do dilema, saindo com a seguinte explicação:
“Além disso, notamos que o termo sombra é usado não em um sentido pejorativo, como um rótulo para observâncias inúteis cuja função cessou, mas para qualificar o seu papel em relação ao corpo de Cristo…” (ibdem)
Infelizmente ele está redondamente enganado, pois todas as vezes que o termo sombra é usado em relação à lei é para dizer que a sombra acabou, mas o original, que neste caso é o corpo, permanece. Em Hebreus 8:5 o sistema mosaico inteiro é chamado de sombra.

Em Hebreus 10:1 a lei é chamada de sombra. Em nenhum destes casos alguém vai objetar dizendo que a sombra ainda permanece depois que Cristo veio.Percebemos a mesma linguagem em Colossenses 2:16,17, onde os dias sagrados judaicos são uma sombra em contraste com Cristo que é o corpo. Ora, se esta sombra ainda permanece válida depois que Cristo veio então deve ser válida todas aquelas outras festas “cerimoniais” que estão juntas no mesmo verso. Os sabatistas tradicionais contestam dizendo que o Sábado de Cl.2:16 não pode ser o Sábado semanal porque estes “sábados” estão incluídos entre instituições que eram ‘sombras das coisas futuras’ – prefigurações de fatos que ainda estavam por vir. O sábado do decálogo é comemorativo de um fato passado: a Criação. Não era sombra de coisas futura, dizem eles. Sem dúvida, o texto se refere aos sábados cerimoniais. (Subtilezas – pág. 124)

Perguntamos: A saída dos israelitas do Egito não é um fato histórico? Mesmo assim não deixa de ser sombra da libertação que Cristo veio trazer a nós. Adão certamente é um fato histórico do passado, no entanto, ele apontava como uma figura para frente, em Cristo mesmo, Romanos 5:14. Claro que o sábado como todos os grandes festivais do VT foi instituído para apontar para os feitos poderosos de Deus encontrados na criação ou no Êxodo. Mas eles não só apontavam para trás como também para frente, para a nova criação de Deus. Era comum os judeus falarem do sábado do decálogo como um antegozo do sábado (descanso) eterno escatológico que havia de vir. Hebreus cap. 4 reflete bem esta concepção quando une tipologicamente o sétimo dia com o descanso que temos em Cristo através da pregação do Evangelho (cf. Mt. 11:28-30).
Demais disso sempre que o VT une a festividade da Lua Nova com o Sábado como acontece em Cl. 2:16, está recorrendo ao sábado semanal (2 Reis 4:23; 1 Crônicas 23:31; 2 Crônicas. 2:4; Neemias 10:33; Isaías 1:13; 66:23; Ezequiel. 45:17; 46:1; Oséias 2:11; Amós 8:5). É importante frisar que quando Deus vai anunciar suas festas santas, suas convocações que os sabatistas, mormente chamam de “cerimonial” e dizem que foi abolida, está justamente o sábado semanal em primeiro lugar. Assim reza o texto em Levítico 23: 1,2,3: “As festas do Senhor que proclamareis como santas convocações São Estas:” então o escritor passa a enumera-las, e a primeira delas a encabeçar a lista é justamente o sábado semanal. Mas como bom adventista acostumado a esgrimir sofismas, Christianini apela para o fato de que o sábado semanal era totalmente distinto dos sábados de festas. Apelando para a vulgata de Jerônimo que reza: “Exceptio sabbatis Domino…” ou seja, “além dos sábados do senhor”. Ele quer ver nisto uma distinção. Todavia, há de se esclarecer que a vulgata é uma tradução que não merece muito apreço pelos críticos. Os estudiosos Geisler & Nix, em sua “Introdução Bíblica” pág. 216 nos diz que: “A coerência do texto da Vulgata é muito pouca desde o século VI, e seu caráter geral é algo imperfeito.” Destarte, as traduções de Matos Soares e Figueiredo, que Christianini quer se apoiar tanto neste particular, chegando a dizer que “seguem melhor o original”, é um ato um tanto suspeito. Suspeito porque tais autores católicos fizeram suas traduções de uma outra tradução e não do original como fez João Ferreira de Almeida. Portanto, com qualidade inferior. Em nossas traduções mais tradicionais não aparece a frase “além dos sábados do Senhor”. Entrementes, havia realmente uma diferença entre o sábado semanal e as festividades que os adventistas chamam de “sábados cerimoniais”. Há de se notar que o descanso do sábado semanal era mais completo do que as festividades, enquanto aquele proibia fazer todo tipo de obra, estes, porém, proibiam apenas as “obras servis”, bem como pelo fato de ser celebrado semanalmente ao passo que estas “festas”eram anuais. No sábado era sacrificado dois cordeiros ao contrário dos outros dias (Nm.28:9), ainda doze pães da proposição eram apresentados no tabernáculo no sábado (Lv. 24:5-8).Mas todos eram “mo’edh” (festa) que vem do verbo yei’ed “reunir por pacto” ou “hag” “solenidades”, “santa convocação” mostrando assim o caráter puramente cerimonial do sábado. Concluímos que o sábado semanal fazia parte das “solenidades” de caráter cerimonial, e tendo em vistas, que era ele mesmo, o sinal do pacto de Jeová com Israel. Não tem por onde fugir, se se pretende dizer que os sábados de Cl.2:16 são os sábados cerimoniais e estão incluídos nas festividades como faz Christianini, então terão igualmente de levar junto o sábado semanal, pois ele também estava incluído nas “solenidades do Senhor” como já demonstramos. Mas tudo indica que Cl. 2:16 está se referindo à divisão destas festas em anual, mensal e semanal.
Havia basicamente três coisas que separavam os judeus dos outros povos e conseqüentemente trazia o escárnio destes sobre eles, a saber: a circuncisão, o sábado e as dietas alimentares. O interessante é que exatamente estas três coisas era o pivô das cartas de Paulo. O apostolo alertava os cristãos dizendo que não estavam mais sujeitos a dias santos, a comidas ou circuncisões. Este é o assunto de Romanos, Gálatas e Colossenses. Em Colossenses 2:14, Paulo diz que Cristo cravou na cruz nosso escrito de divida que era as ordenanças que é a mesma lei dos mandamentos de Efésios 2: 14,15. Qual era mesmo a lei dos mandamentos? Percebeu? O sábado fora abolido por Cristo realmente, segundo Col. 2:16.
Ele também apela para o contexto dizendo que a palavra “cheirographon” – que em algumas versões é traduzido por “escrito de dívida” ou em outras como “código ou documento escrito”, ainda outras traduzem como “cédula de dívida” – nada mais era do que “o instrumento para a recordação dos pecados” ou “o registro de nossos pecados” e não a lei de Moisés (ibdem pág. 350,351). É verdade que estudiosos descobriram exemplos extrabíblicos onde a palavra cheirographon era antigamente usada para recorrer a uma conta assinada, uma espécie de duplicata. Porém, deveria ser mostrado também que a maioria dos estudantes que sugestionam esta interpretação reconhece que o documento de obrigação e os regulamentos da lei são o mesmo. Bacchiocchi reconhece a possibilidade de que se esta passagem de Paulo recorre realmente à lei de Moisés, existe então uma possibilidade legítima de que o Sábado semanal poderia estar incluído entre as ordenações pregadas à cruz (ibdem pág. 348). Porém, há uma fraqueza séria no argumento de Bacchiocchi sobre a palavra cheirographon. O significado de cheirographon como um documento de obrigação é só um dos significados da palavra em escritos gregos antigos. Outro estudioso, R. C. H. Lenski em sua “Interpretação das epístolas de São Paulo” pág. 114, mostra que cheirographon pode recorrer a um contrato de trabalho, para um documento que dá autoridade para agir ou até mesmo para acordos empresariais. Portanto, está enganado então Samuelle, ao dizer que cheirographon significa apenas um instrumento para se lembrar ou registrar uma dívida. Significa sim, um documento escrito simplesmente. O referido documento registrado no v.14 deve ser determinado pelo contexto. Diz Paulo que cheirographon consiste em “regulamentos”, “ordenanças”, “decretos” (da palavra dogmasin no grego). Colossians 2:14, portanto, não descreve pura e simplesmente um documento que nós assinamos, mas algo que foi escrito em decretos divinos. Essa mesma palavra “dogmasin” aparece em Efésios 2:15, onde Paulo discute sobre a lei mosaica obviamente. Colossenses 2:14 e Efésios 2:15 estão falando do mesmo documento, veja a seguinte comparação:


Efésios 2:14,15 – “na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças…”

Colossenses 2:14 – “e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz.”
Quando nós examinamos o contexto de Colossenses 2:14, vemos que é precedido por uma referência à circuncisão e é seguido por uma referência sobre festas, luas novas e sábados. Paulo chama isto de “stoicheia”, ou seja, “de princípios de regulamentos deste mundo” (Col. 2:20), da mesma maneira que ele fez em Gálatas 4. Além disso, Paulo estava escrevendo para combater certos cristãos judeus que estavam impondo a lei mosaica aos cristãos gentios.
Bacchiocchi vê uma objeção a esta interpretação de Colossians 2:14 arrazoando da seguinte maneira: “Como Deus pôde pregar na cruz a lei, sendo que ela é santa (Rom. 7:12)? Como isto ajudaria na remoção da culpa destruindo a lei?”. Com tal questionamento Bacchiochi permite que suas pressuposições teológicas anule a clareza da passagem. Porém, nós sugeriríamos que o problema seja resolvido, não adaptando o pensamento do escritor às nossas premissas de éticas teológicas e por conseguinte, distorcendo o que o apóstolo diz, mas deixando que a escritura fale por si, independente se ela vai ou não de encontro com nossas pressuposições. Pois, a verdade da coisa não muda pelo nosso afirmar ou negar…Veritas rei nostro affirmare vel negare non mutatur.
Em um debate on-line com John Lewis, Bacchiochi arremata dizendo: “Á luz das indicações anteriores, concluo eu que os que Paulo chama “uma sombra” não é a lei de Moisés ou o sábado sagrado, mas os ensinos enganosos da filosofia dos Colossenses que promoveu práticas dietéticas e a observância de tempos sagrados como ajudas auxiliares para salvação” Nosso amigo sabatista parece que está comendo pelas mãos de Bacchiochi, pois segue pisando nos mesmos buracos teológicos que os dele ao dizer, “Paulo não diz para não guardá-lo, apenas para que ninguém julgasse o seu semelhante pela forma de observá-lo, sem as restrições dos hereges colossenses. É importante observar, como faz Bacchiocchi em toda a discussão do problema (com o que o Sr. Rinaldi não se preocupa, logicamente, pois sua especialidade é pinçar trechos que lhe sirvam a suas distorcidas interpretações), em parte nenhuma da epístola aos Colossenses há qualquer menção da lei. O tema não é a vigência ou não da lei, ou do sábado, mas os problemas acarretados pelos heréticos colossenses que tinham uma concepção errônea do modo de observância das festas de Israel, alimentos, etc.
O problema com este raciocínio é que em nenhum lugar da Bíblia encontramos “perversões” ou ensinos heréticos como “sombra” de Cristo. Biblicamente falando isto é inadmissível. Torno a repetir: se Paulo não está condenando os dia em si, mas somente suas perversões impostas pelos mestres heréticos, então, para sermos coerentes, tudo isto deve ser aplicado também para a vigência dos dias de festas e da Lua Nova. Demais disso, a leitura atenta do texto também nos convence de referir-se a palavra “ordenanças” à lei inteira. Note-se, com efeito, o verso 13: “e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos” As ofensas procediam contra as disposições morais do decálogo. Se se tratasse aí de ordenanças puramente cerimoniais, como de resto querem os adventistas, o texto teria se valido do termo “dikaioma” aplicado no plural “dikaiomata” com este sentido ao aludir a cerimônias judaicas em Heb. 9:1,10, e não a forma verbal “dogmatizomai”. Ou ter-se-ia valido do vocábulo “ethos” que significa rito e costumes, encontrado em Lc. 1:9; Jo.19:40; At. 6:14; 15:1;16:21; 21:21;25:16;26:3;28:17 e Heb. 10:25.
Sim, “cheirographon” é uma metáfora da lei mosaica inteira, mas sobretudo em seu aspecto moral, que nos fazia grandes e insolventes devedores, porquanto, ao proibir o pecado, fazia-o contudo, mais abundante, escravizando-nos e levando-nos à morte (cf. Rm. 5:20; 7:5-13,25; IICo. 3:6; Gl. 5:1).
COMPREENDENDO O CONTEXTO DA ÉPOCA


Para entendermos a epístola aos Colossenses – e de modo geral toda a Bíblia – devemos nos ater não somente na investigação textual, mas de modo global, atentar mais para uma pesquisa abrangente, levando em conta os princípios da metodologia científica. Segundo os eruditos bíblicos, Colossenses é uma das epístolas escritas da prisão, e segundo estes mesmos estudiosos, essa prisão foi na cidade de Roma. Efésios é uma epístola “irmã” de Colossenses, pois assemelha-se muito àquela. Encontramos a maioria das idéias de Efésios contidas em Colossenses.Há realmente dificuldades para se identificar o que era a “Heresia Colossense”, ou quem eram, “os mestres heréticos” que estavam introduzindo tais heresias. Não obstante, é quase impossível não ver uma infiltração de costumes judaizantes na igreja de Colossas. Nessa região, Antioco III, instalou cerca de 210 a.C., uma colônia militar judaica de 2.000 famílias. Isto é atestado por Flávio Josefo em “Antiguidades Judaicas, XII, 147-153” e também por Cícero (Pro Flacco 28) que na época constava aproximadamente com 66.000 mil judeus. A influencia de práticas judaicas é inegável e muito compreensível, visto que os judeus se fixaram, de longa data, na região e formavam uma comunidade influente. Mas se admitirmos a teoria do judaísmo resta saber que tipo de judaísmo era esse. Um judaísmo ortodoxo ou um judaísmo helênico sincretista?

Assinalemos primeiro as práticas que denunciam explicitamente as doutrinas e práticas das heresias.
• (2:8) Filosofias – caracterizada como simples “paradosis” tradição humana, é a mesma palavra usada para identificar a reprimenda de Jesus às tradições dos judeus em Mt. 15:2,3,6. Essa filosofia dizia respeito aos “stoicheia tou kosmou”, ou seja, os elementos do mundo. Salta aos olhos de qualquer estudante bíblico que está se referindo à mesma palavra que Paulo usou em Gl.4:3,9 para taxar de forma depreciativa as práticas do judaísmo.
• (2;16) Alimentos e calendários das festas – aqui atinge em cheio as práticas judaicas.
• (2:18) Culto aos anjos – Antes de qualquer coisa, não devemos ignorar que o papel dos anjos era de suma importância na literatura judaica apocalíptica (cf. Livro de Daniel, Enoc, Assunção de Moisés, etc.). O papel dos anjos – guardiães da lei – revive concepções judaicas. Pois segundo tais concepções, os anjos haviam participado da promulgação da lei no Sinai (cf. At. 7:38,53 e Gl. 3:19). O Concilio de Laudicéia (cidade vizinha de Colossas) em meados do século IV, vai anatematizar os cristãos que ainda veneravam estes seres. Isto é uma prova histórica de que esta prática ainda estava fortemente arraigada na Ásia Menor.
• Termos gnósticos – Paulo usou alguns termos que mais tarde iriam ser encontrados nos sistemas gnósticos do século II (cf. Evangelho de Tomé) e que foram veementemente refutados por apologistas como Irineu (Contra Heresias I, 11,1), são eles: Pleroma e eon. Isto fez alguns suporem que a heresia colossense era uma mistura de gnosticismo com judaísmo essênio. Podemos descartar desde já uma supremacia gnóstica na heresia, pois tal seita era completamente anti-judaica, a título de ilustração temos o herético Marcion e seu dualismo gnóstico anti-judaico no séc.II.
Todas as evidências apontam para o fato de que a “heresia colossense” era realmente de procedência judaica. Apesar da palavra “lei”, não está inclusa na carta, como alardeiam os apologistas do sábado, todavia, indubitavelmente, o conteúdo aponta para controvérsias em torno desta. Caso contrário, os sabatistas terão de admitir igualmente que aqueles elementos também não fazem parte da lei cerimonial, pois a palavra lei não é mencionada. Os advogados de uma causa fracassada se arriscam a ridícula incongruência e à extrema cegueira. Conquanto, eles admitem que ali foi cravada a lei cerimonial, também podem admitir que foi cravado o decálogo, sendo que Paulo não fazia distinção alguma entre uma e outra lei, como insistem fazer os adventistas. Para nos combater dizem que não pode ser o sábado (da lei moral) que foi cravado na cruz (v.14), pois a palavra lei não é mencionada, mas contradizendo-se afirmam que o que Paulo está falando ali é da lei cerimonial. Mas Como se a palavra lei nem é mencionada? Por ai percebe-se a incongruência dos advogados do sábado. É bom frisarmos que esta epistola foi escrita de Roma, onde Paulo teve de combater as heresias judaizantes. É claro que Paulo ao escrever suas duas epístolas, praticamente gêmeas, Efésios e Colossenses, tinha em mente tais heresias. Demais disso, as três coisas principais que caracterizaram a fé judaica eram: a circuncisão, o sábado, e as leis dietéticas. Desde que estas eram a herança dos judeus e cristãos-judeus, nós não deveríamos nos surpreender por achar que Paulo não tivesse conflitos sobre a circuncisão (Gal. 5:2-3; Fl. 3:2-3), e o sábado (Rom. 14:5-6; Gal. 4:10; Col. 2:16-23; e Tim. 4:1-5) onde quer que os judaizantes tivessem penetrado com suas doutrinas. Dado a situação histórica precedente, é difícil não admitir que as escrituras seguintes não estejam se referindo sobre este conflito com respeito ao dia do sábado, veja:
“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai; mas estará firme, porque poderoso é o Senhor para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.” (Rm. 14:4-6)
“agora, porém, que já conheceis a Deus, ou, melhor, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?Guardais dias,(sábado) e meses (lua nova), e tempos, e anos (festas) .Temo a vosso respeito não haja eu trabalhado em vão entre vós.” (Gl. 4:9-11)
“Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa (anos), ou de lua nova (meses), ou de sábados (dias), que são sombras das coisas vindouras; mas o corpo é de Cristo.” (Col. 2:16,17)
AUTORES CITADOS POR CHRISTIANINI
Em “Subtilezas do Erro”, Christianini cita vários autores protestantes tentando angariar apoio à sua teoria. Verificando-se, porém, com um pouco de atenção, constatar-se-á a fragilidade do sofisma.


1ª Citação: Adam Clarke – Ao contrario do que se evidência, o que este autor diz é que tudo foi abolido, até mesmo o sábado semanal. O autor de “Subtilezas”, em sua miopia, não percebeu que dentro do pacote das cerimônias Clarke parece jogar o sábado semanal junto, veja com mais atenção, ele diz que “…aqui se refere a algumas particularidades do escrito de ordenanças, que foram abolidas, a saber,…e sábados particulares ou aqueles que deviam ser observados com incomum solenidade…” Veja que ele faz uma nítida distinção entre dois tipos de sábados; um ele chama de “particulares” certamente uma referencia ao sábado do decálogo, e o outro ele chama de “solenidades”, certamente falando aqui dos “cerimoniais”. Ele os diferencia usando o pronome demonstrativo “aqueles”, e arremata dizendo; “todos eles foram abolidos e cravados na cruz” E Christianini ainda expõe sua falta de competência como pesquisador e dispara: “Aí está uma interpretação insuspeita e valiosa” (ibdem pág. 121)

2ª Citação: J. Skinner - Também este escritor não apóia em nada a tese sabatista, pois aponta o que nós já sabemos, isto é, que havia uma distinção entre lua nova e sábado. Só que com o detalhe de jogar o sábado, quando este aparece junto à lua nova, dentro das festividades mensais. Este pensamento é agora rechaçado até mesmo por Bacchiochi, “O consenso unânime de comentaristas é que estas três expressões representam uma lógica e progressiva seqüência (anual, mensal e semanal). Este ponto de vista é válido pela ocorrência desses termos”

3ª Citação: Alfred Edersheim – Ele frisa que tal escritor é de nacionalidade judaica e profundo conhecedor das leis. Mas este autor só afirma o que já está patente, qual seja, que as festividades às vezes são chamadas de “sábados”, e só isto. Podemos citar um teólogo também de descendência judaica a favor de nossa tese, o apologista Archer: “O próposito geral de Colossenses 2:16 é ensinar que os dias santos distintivos do AT não devem mais ser observados pelos crentes do NT…Daí entendermos que o V.16 parece referir-se primordialmente ás estipulações obsoletas do AT, uma das quais é o sábado, como sétimo dia da semana, e outra a festa chamada sábado” (Gleason Archer, Enciclopédia de Dificuldades Bíblicas, pág. 129) 

4ª Citação: Albert Barnes – Realmente Barnes se referindo a Col. 2:16 afirma: “pois não há a mais leve razão para crer que ele quisesse ensinar que um dos dez mandamentos havia cessado de ser obrigatório…” e “Nenhuma parte da lei moral – nenhum dos dez mandamentos – poderia ser referido como sombra das coisas futuras… são de obrigação perpétua e universal”. Há de se fazer entretanto, uma ressalva aqui. Temos de entender que Barnes não apóia a causa adventista ipsis litteris. Simplesmente porque a crença presbiteriana é que o princípio moral do mandamento do sábado não foi abrogado (cremos também assim). Eles crêem que o primeiro dia da semana tomou o lugar do sábado (cf. Breve catecismo de Westminster). É mais ou menos como se o princípio moral deste mandamento fosse despido de sua roupagem judaica e vestido sob as condições da Nova Aliança. Eles até chamam o domingo de “sábado cristão”! Tendo este pano de fundo teológico é que podemos entender a declaração de Barnes e por fim todas as citações de resto dos autores protestantes que seguem o mesmo pensamento. Se ele estivesse defendendo o sábado, cairia numa flagrante contradição, pois estaria defendendo a vigência de um dia e guardando outro. Novamente salta aos olhos a hipocrisia de Christianini ao dizer, “Até parece um adventista falando…É forte a força da evidência.” Perguntamos: que evidência?!


5ª Citação: Strong – É idêntico ao caso acima citado, Strong afirma que o sábado não foi abrogado pelos mesmos motivos. Desta vez porém, Christianini foi mais honesto ao admitir a real posição desse teólogo quanto ao dia, mesmo citando de maneira camuflada em letras minúsculas. Na página 128 ele finalmente admite: “Verdade é que Strong admite a mudança do sábado para o domingo”.

É claro que existe vários estudiosos que não adotam o ponto de vista dos adventistas quanto à lei e o sábado. Entre eles estão:
1. Os pais da Igreja: Clemente, Orígenes, Ireneu, Tertuliano, Justino, Eusébio Ad infinitum…
2. Os reformadores e outros: Calvino, Lutero, Zuínglio, Bunner, Wesley, Moody etc…
3. Grandes estudiosos como Roberty H. Gundry, Josh Mcdowell, F.F Bruce, John Davis etc…
Relacionamos abaixo o que nos foi enviado através de e-mail por um adventista:


“Russell Norman Champlin apresenta extenso comentário para este verso visando provar que o vocábulo “sábados” se refere ao sábado do quarto mandamento. Segue-se uma pequena parte: “… ou sábados … O plural com freqüência representa o singular, talvez por analogia com ‘dias de festa’ (plural). Alguns eruditos pensam que o sábado normal está particularmente em foco, neste ponto ou pelo menos, que o mesmo não é excluído… Mas parece certo que está mesmo em foco o sétimo dia da semana (e que o plural é usado em lugar do singular)”. – O Novo Testamento Interpretado, vol. 5, pág. 124. 

Valter R. Martin no livro The Truth About Seventh-day Adventism se valeu da mesma dialética e textos bíblicos usados pelas igrejas tradicionais para refutar algumas de nossas crenças, como a vigência da lei e do sábado na dispensação cristã. Como prova de que os cristãos não necessitam mais de guardar o sábado ele menciona Col. 2:13 a 17.

“Primeiro, nós que estávamos mortos temos sido vivificados em Cristo, e foram-nos perdoados todos os nossos pecados e transgressões. Somos livres da condenação da lei em todos os seus aspectos, pois Cristo assumiu nossa condenação na cruz. Como já foi observado, não há duas leis, moral e cerimonial, mas apenas uma lei contendo muitos mandamentos, todos perfeitamente cumpridos na vida e morte do Senhor Jesus Cristo”.
Na página 162 ele afirma: “De todas as declarações do Novo Testamento estes versos são os que mais fortemente refutam a reivindicação sabatista para observar o sábado judeu”. Declara ainda que “o sábado como lei se cumpriu na cruz e não é mais obrigatório para os cristãos”.
Inconsolável murmura o adventista: “Crê ele que estamos desobrigados de guardar a lei, porque ela é contra nós e foi pregada na cruz. Afirma que suas declarações são irrefutáveis porque se baseiam em leis da gramática e no contexto.”
E ainda sobre Martin, acrescenta o sabatista: “Em sua defesa de que o termo “sábados” de Col. 2:16 se refere ao sétimo dia da semana, Walter R. Martin cita Vine, Alford, Vincent como autoridades que defendem a conveniência de traduzir a palavra “sábados” pelo singular sábado. Acrescenta ele que “a erudição moderna e conservadora estabelece a tradução singular de sábado”. (Até aquí o sabatista)
Ainda outros comentaristas como é o caso de “O Novo Comentário da Bíblia”, composto por uma vasta classe de estudiosos, declara que a interpretação correta sobre os sábados de Cl. 2:16 é que são sábados semanais. Vejamos o comentário destes eruditos sobre o texto em pauta: “… esta regra ascética provavelmente tinha uma intima relação com o judaísmo, particularmente quando associada como aqui, com a observância de dias santos, luas novas, dias de sábado, e as cerimônias anuais, mensais e semanais do judaísmo”.(pág.1292)
O estudioso da língua grega Fritz Rienecker em sua obra “Chave Lingüística do Novo Testamento Grego” interpreta Colossenses 2:16 da seguinte maneira: “…lua nova. Descreve a festa mensal e a palavra seguinte sábado, “sábado”refere-se ao dia santo semanal (Lightfoot)” (pág. 426)


Lothar Coenen e Colin Brown em sua obra de peso “Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento”, comentando sobre o sábado afirma: “(c) Cl 2:16. Aqui Paulo argumenta que a lei judaica (as exigências legais) foi cancelada na morte de Cristo (v.14), e, portanto, que os regulamentos dietéticos e o calendário religioso dos judeus não eram obrigatório para o cristão. Este ritual incluía a observância do sábado, Paulo indica que estas observâncias indicavam uma realidade espiritual cumprida em Cristo”.(pág.2163)

FRAGILIDADES TEOLÓGICAS

“Por sinal, será que o Sr. Rinaldi sabe explicar por que o apóstolo usa o termos sabbatismos em Heb. 4:9? Só aparece esta vez em toda a Bíblia e é diferente do katapausin (repouso) por todo o capítulo. O autor de Hebreus está lembrando aos seus leitores que independentemente desses simbolismo duplo do sábado, “resta um repouso sabático para o povo de Deus.”

Bom, eu não posso falar pelo querido irmão Pr. Natanael Rinaldi, mas posso dar meu parecer logicamente. Antes de qualquer coisa, urgi relembrar que o senhor Brito, nos dá prova mais uma vez de ser um péssimo exegeta; suas interpretações tende ao ridículo, digna de risos até. Coloca seus postulados numa dialética construída sobre ilógicas interpretações.
Não pretendo ser prolixo nesta questão como fui com Cl. 2:16. Apenas pretendo dar uma pincelada nesta questão. Todavia, aos seus argumentos, se é que posso chamar isto de argumentos, falta-lhes a necessária força de prova …vis probandi.
Tomo a liberdade de reproduzir aqui apenas o comentário de Donald A.Hagner em seu “Novo Comentário Bíblico Contemporâneo” do livro de Hebreus. Assim define Hagner sobre a palavra sabbatismos:
“A palavra grega rara para repouso (sabbath no hebraico) neste versículo é sabbatismos. É usada deliberadamente pelo autor em lugar da palavra para “descanso” usada previamente em sua discussão (katapausis), a fim de enfatizar que o descanso de que tem falado é de natureza escatológica, isto é, tem a natureza do descanso do próprio Deus. Assim é que o sabbath de Deus torna símbolo do nosso descanso” (pág. 92)
Portanto, a questão é simples, não adianta procurar chifres em cabeça de cavalo! Aqui não é uma ordem para guardarmos sábado algum, mas uma promessa de um descanso eterno. É assim que Agostinho interpretava este descanso em sua obra “A Cidade de Deus – XXII, 30,5”.
CÍRCULO VICIOSO EM TORNO DA LEI


“Por exemplo, no capítulo 3 de Romanos, após mostrar que a lei não é fonte de justificação, pois sua observância enquadra-se na área da santificação, não da justificação, ou apenas aponta ao pecado, mas não tem capacidade de resolver o problema (a ilustração do espelho, que mostra onde há manchas, mas não tem meios de removê-las), ele diz: “Será que isso quer dizer que anulamos a Lei por causa da fé? Não, de jeito nenhum: ao contrário, mantemos a lei” (Rom. 3:31–Bíblia na Linguagem de Hoje). No outro caso, em Romanos 7, ele também se preocupa de que suas palavras sejam mal entendidas. E esclarece no verso 7: “Então o que vamos dizer? Que a própria Lei é pecado? Claro que não! Mas foi a Lei que me fez saber o que é o pecado” (Idem).” 

A lei é norma de santificação para o crente?

Supõe o senhor Brito ter o crente na lei, não o caminho de salvação, mas regra de vida ou roteiro para a santificação. Pois bem, pensam: justificado pela fé em Cristo, deve-se no processo de santificação olhar para a lei a fim de se fugir do pecado. Aceitar isso seria voltar àquele tempo das sombras do VT, seria relegar a realidade que é Cristo, seria voltar atrás da cruz. Paulo nega isto quando diz: porque o pecado não terá domínio sobre vós” Porque? Porque observamos a lei? Pelo contrário, porque estamos não debaixo da lei mais, mas da graça (Rom. 6:14). Como deve andar o justo? Diz a Bíblia que o justo anda pela fé (Gl 3:11) Ora a lei não é da fé! (Gl 3:12)Se a lei não é da fé, e o justo , o salvo vive da fé, onde então a lei para sua santificação? Como o crente é santificado? Simplesmente e através de Jesus Atos 26:18. Como poderia constituir-se a lei em modelo de vida para o crente se ele está “morto para a lei” e não mais “debaixo da lei”? Produziríamos frutos por ela? Claro que não! Diz o texto: “Assim também vós, meus irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.Pois, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, suscitadas pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte.Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.”(Rom. 7:4-6)

Assim, se eu quero a santificação olharei não para a lei, mas para àquele que é o santificador (I Co. 1:30), me envolverei não com a lei, mas com o próprio Cristo modelo de vida para o crente, e é por isso que no processo de santificação o crente, diz o apóstolo, chega à estatura não da lei, mas de Cristo. Somos santificados e crescemos em santificação em e através unicamente da pessoa bendita de Cristo. É claro que o senhor Brito quer confundir toda a questão em torno da lei!


A Vida Cristã e a Lei de Moisés

Há utilidade da Lei de Moisés para o crente que está esperando em Cristo para toda a sua justificação? A liberdade Cristã é libertinagem Cristã? Devemos ou não obediência à Lei de Moisés? Se passou a Lei de Moisés, existe uma lei para o crente nos dias atuais? Se não passou a Lei de Moisés devemos ainda respeitar a cerimônia que a lei pede?

Pela Palavra de Deus podemos afirmar que o crente não tem mais uma obrigação à Lei de Moisés. A Lei de Moisés era à nação de Israel e não ao gentil. A lei era simbólica e não o atual. A lei era temporária apontando ao eterno: Jesus Cristo. Cristo cumpriu a lei sendo aquele que a lei simbolizava e apontava (Gal 3:24,25). Pela fé em Cristo, e não pela lei, o crente tem a justiça de Deus (Rom 3:21-24; II Cor 5:21), paz com Deus (Rom 5:1,2), vida eterna (João 3:16; Rom 6:23; Efés 2:1), uma herança incorruptível (Rom 8:16,17; I Ped 1:3-9), bênçãos eternas (Efés 1:3) e capacidade de agradar a Deus nesta vida terrena (Fil. 4:13; Tito 2:12-14). A Lei de Moisés cumpriu o seu propósito.
Ao mesmo tempo que afirmamos que o crente não tem obrigação à Lei de Moisés, devemos entender que o Cristão tem uma lei sobre ele. O crente não está sem lei. Mesmo que Cristo é toda a justiça para o crente ainda há uma lei sobre o Cristão. A diferença está qual lei rege sobre o Cristão e não se tem ou não tem uma lei. O soberano Deus não muda (Malaquias 3:6; Tiago 1:17) e podemos saber que desde o princípio, mesmo antes do pecado, Deus estipulou a lei que regia (Gên. 1:26; 2:17). Depois que Cristo cumpriu a lei (Mat. 5:17; João 19:30), e nisso, desfez, a lei dos mandamentos (Efés 2:15), a “justiça da lei”, que era incorporada na Lei de Moisés, agora rege no crente. O crente pratica essa “justiça da lei” (que é igual à “lei de Cristo” – I Cor 9:21) pelo Espírito que está nele (Rom 8:3-5). É o Espírito Santo que leva o crente à santidade (I Pe. 1:2)e, por causa da presença dEle, o crente deve e pode deixar o pecado (Efés 4:17-32; Prov. 4:18; I João 2:1-7; 3:1-11).
Não há obrigação, ou servidão, nesta lei de Cristo. Todavia há uma boa lógica de bom senso que afirma que na presença da lei há uma racionalidade de amor que ensina o nosso dever espiritual (Rom 8:12-16;12:1-3;6:17,18; Col. 3:1-25). A importância desta “lei de Cristo” (I Cor 9:21) não é que ela é a nossa justificação diante de Deus, mas, que por ela, os Cristãos, andem em santificação diante dos homens para serem testemunhas para glória de Deus (Rom 6:22; 8:4; Mat. 5:13-16; Atos 1:8).
Anulamos ou não a lei?

(sobre Rm. 3:31)

Parece que este texto é um dos favoritos do adventismo, haja vista eles o citarem em abundancia. Mas de qual lei estaria Paulo falando aí? Será o decálogo como de resto afirmam os adventistas?

Assim, se os sabatistas apelam para Rm.3:31 para ensinar que a lei está em vigor, concordam que toda a lei, isto é, a Tora inteira, está em vigor? Certamente que não! Ademais, nada há no texto que sugira estar Paulo se referindo ao

Decálogo. É apenas uma má dedução construída sob uma exegese defeituosa. Paulo, no cap.3 de Romanos está afirmando que o homem não pode ser justificado pela guarda da lei das obras, mas que podemos ser justificado pela lei da fé (Rm.3:27). Logo, conclui que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei “Concluímos, pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (v.28) . São tratadas, no capítulo 3, duas leis: a da fé e a das obras e que somos justificados pela lei da fé (prova ser isso verdade Rom. 10:4).

Há entretanto, duas maneiras dentro do texto para resolvermos isto.
Há uma lei moral que não foi anulada por Cristo, em contrapartida, não há nenhuma prova no NT que me diz que esta lei é a do decálogo. Vamos tomar como exemplo o assunto do v. 30, a circuncisão. Nós anulamos esta lei pela fé? Essa pergunta poderia ser respondida de duas maneiras:
Primeiro, nós podíamos dizer que Não, nós não anulamos a lei da circuncisão pela fé. Muito pelo contrário, nós mantemos e guardamos a circuncisão muito melhor no coração (espiritualmente) do que na carne (literalmente). Por paralelismo podemos dizer que nós guardamos toda a lei da Tora pela fé em Cristo, do que se guardássemos na letra da lei. Nós deduzimos que aquela fé em Cristo preenche quaisquer propósitos que aquelas leis tiveram. Esta poderia ser uma maneira usada por Paulo para manter a velha lei – estabelecendo-a por espiritualiza-la.
A outra opção está em dizer Sim, a lei da circuncisão é anulada pela fé, e nós não temos de guarda-la mais. Pois não estamos debaixo da lei. Mas parece que a melhor maneira de interpretarmos Rm. 3:31 é aplicar o termo nomos a “princípio” da lei. Importante frisar ainda, que a palavra nomos no original não vem antecedida pelo artigo “a”, que a qualifica. O versículo no original é assim: alla nomos histem – “antes estabelecemos lei”. Anulamos, pois essa lei pela fé? Não, antes estabelecemos o princípio da lei (da lei natural) pela fé em Cristo, espiritualizando-a. Não é porque a lei da fé anulou a lei das obras ( lei mosaica) é que vamos ser anarquistas, sem nenhuma lei. Antes a fé em Cristo estabelece a lei. Essa lei parece ser a lei de Cristo, da qual Paulo fala que está debaixo (I Co. 9:21). Esse pensamento Paulo o retoma no capítulo 6:1,14,15 dizendo: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porquanto não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.Pois quê? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum”. Antes, estabelecemos a lei de Cristo.E qual é essa lei? É a lei do princípio do amor como esposada por Paulo em suas epístolas. Esta é a lei real da qual fala Tiago 2:8.
A LEI É PECADO OU NÃO?
“É incrível a confusão que esses “apologistas cristãos” fazem dessas passagens, e dão a entender que o apóstolo Paulo era um indivíduo mentalmente desequilibrado. Sim, pois ele diz que a lei não é pecado (vs. 7) e que tem prazer na lei e que esta é “santa, justa e boa, espiritual” (Rom. 7:12, 14, 22), para depois chamá-la de “lei do pecado e da morte” (pois Rinaldi e Martinez afirmam que essas expressões foram atribuídas por Paulo ao Decálogo!), dizendo a seguir que quem tem o Espírito de Deus experimentará o cumprimento da “justiça da lei” em sua vida (Rom. 8:3 e 4). Noutro capítulo, Paulo “se esquece” de que essa lei terrível foi totalmente abolida, e insiste em citar vários de seus mandamentos para declarar que o cumprimento deles é “amor” (Rom. 13:8-10). E que está abrangendo todos os seus mandamentos fica claro ao dizer retoricamente: “e se há qualquer outro mandamento. . .” Afinal, há ou não há “outro mandamento”? Será que Paulo não sabia? Além de desequilibrado mental, era ignorante da Bíblia? Ou sofreria de amnésia? Expliquem-me isso, por favor.”
Já que ele pede uma explicação!!! Como dizia aquele professor de Homens bomba… “Preste atenção, pois só vou ensinar uma vez”.
Em primeiro lugar, Paulo não era desequilibrado. Desequilibrados são essas pessoas que insistem em viver na lei do velho concerto, impondo o sábado à igreja de Cristo. Isto sim é causar desequilíbrio teológico. É confusão de mente e de alma.
A lei per si, em sua natureza e princípio é santa, justa, boa e espiritual (Rm. 7:7,12,14,16), não é pecado. E podemos ter prazer nela realmente (v.22). Mas, no entanto, ao entrar em contato com o homem ela se torna enferma pela carne a ponto de aumentar o pecado (Rm. 8:2 – 5:20). Debaixo dessa lei enferma pela carne, o pecado domina (Rm.6:14). Ele trabalha como um parasita, pois chega a usar a lei para reproduzi-lo – suscita mais o pecado ainda (Rm. 7:5,8,9). Destarte, Paulo conclui que a lei desta maneira, enferma pela carne e debaixo do domínio do pecado, suscita a ira de Deus (Rm. 4:15) e, por conseguinte, traz maldição (Gl. 3:10). Por fim, para Paulo não resta dúvida de que a força do pecado é a própria lei (I Co. 15:56). Ela definitivamente não é para o justo (I Tm. 1:9).
Já que a lei não tem poder algum, não ajuda em nada contra a carne, pois seu ratio legis era outro (cf. objetivos da lei – Rm. 3:20; 7:7, Gl. 3:19), Deus nos conclama a pô-la de lado. Como isto acontece? Quando nós morremos para ela (Rm. 7:4; Gl. 2:19), encontramos a Cristo, e Ele se torna realmente o fim da lei ((Rm. 10:4). Esse Cristo que agora passa a viver em nós (Gl. 2:20) e que cumpriu a lei por nós (Mt. 5:17,18) faz com que a exigência dessa lei seja cumprida Em Nós (e não por nós) (Rm. 8:4). Nesse processo então, ele nos dá o Espírito (Gl. 3:2; 5:18), que por sinal, não vem pela lei. este Espírito produz em nós vida, que finalmente consegue vencer a carne (Rm. 8:2). Essa nova lei em nós que é mais forte que a lei do pecado que por sua vez é mais forte que a lei mosaica (Rm. 8:1-5), liberta-nos para servirmos no real espírito da lei (princípio da lei natural) e não na letra (da lei mosaica como dada a Israel) (Rm. 7:6).
Conclusão:
Apesar de per si não ser pecado ela, no entanto, se tornou por assim dizer, a lei do pecado pois estava enferma por este, e da morte pois causava a morte de quem a transgredisse; o transgressor estava sob sua maldição. Ela pois, matava e condenava (II Co. 3:6). Condenava os pecados além de matar espiritualmente e fisicamente quem a transgredisse. A posteriori, o apóstolo sabia muito bem disso, pois ao se agarrar à bendita lei de Deus que era santa, justa e boa e que logicamente era o seu prazer, ele sentiu o quanto era maligno o pecado a ponto de neutralizar a própria lei através da carne “e o mandamento que era para vida, esse achei que me era para morte.Porque o pecado, tomando ocasião, pelo mandamento me enganou, e por ele me matou.” (Rm. 7:10,11). O mandamento do amor é nossa nova lei, vivemos agora por este princípio de vida. Quando Paulo cita alguns dos mandamentos do Decálogo ele o faz, mas não nos moldes do AT, mas debaixo da Nova Aliança. Ele apresenta o real espírito da lei eterna de Deus.
QUAL É O DIA DO SENHOR?
“Só que João em Apocalipse 1:10 mostra que há um “dia do Senhor” que ele dedicava a Deus. E agora, saiam-se dessa.”
Até em arrazoados bombásticos como este nosso oponente infira encontrar argumentos à sua miragem. O que gratuitamente se afirma gratuitamente se pode negar…quo grátis asseritur gratis negatur. O assunto que se encontra em foco sub examine nem de longe da margem à tese sofista do malogrado senhor Brito. Para quem desejar uma explicação melhor irá encontrar mais detalhes em meu estudo, “Domingo, Dia do Senhor ou dia do sol?”, no site do CACP. Mas por enquanto basta esta explicação de Brown:


“AT 1. A origem da palavra Kyriake na Literatura Secular e no N.T. Kyriake, “pertencente ao senhor”, é um adjetivo derivado de Kyrios…Ocorre em inscrições de papiros desde 68 a.C., com significado de “pertencente ao senhor”, e “em conexão com dono”, e oficialmente, a respeito do imperador. Emprega-se uma só vez no N.T além da referência em Ap.1:10. Trata-se de I Co. 11:20 Kyriakon deipnon, a ceia do Senhor. Aqui significa “a ceia instituída pelo Senhor”, ou “pertencente ao Senhor”. Nos escritos patrísticos, emprega-se das “palavras” de Cristo, da aliança, do povo, da casa, da cruz, mas, mais comumente, do “dia do Senhor”.

2. Seu emprego em Ap 1:10. Embora alguns tenham alegado que se refere ao último dia, ou até mesmo à Páscoa, parece certo que a expressão é o nome que veio a ser dado ao primeiro dia da semana. Desde Inácio (Mag. 9:1) este é o seu significado nos escritos patrísticos…Pode ser tomado por certo que o adj., ao invés do genitivo do subs., foi empregado para diferenciá-lo do “dia do Senhor” (2Ts 2:2). Nas versões é traduzido por um adj. E não por um genitivo. Mas, já que a palavra já tinha sido vinculada à ceia na literatura paulina, e ali indicava uma conexão especial com Cristo na sua Instituição, é bem possível que tenha algo deste sentido aqui em Ap. 1:10.” (Dic. Int. Teol. NT, pág. 2164/5)
Querer ver na expressão “Kyriake Hemera” uma referência ao velho sábado judaico é ser otimista demais. Somente uma miopia teológica de tamanha grandeza conseguiria ver o sabbath neste verso. Incontestavelmente aqui se trata do primeiro dia da semana – o domingo – pois neste dia é que Jesus foi feito Senhor. Ele se tornou para os cristãos um dia memorável, inesquecível, por causa da impressionante novidade da Ressurreição. Por isso o primeiro dia da semana agora é Dele, do Senhor, é o seu dia – dia de domingo e nosso também.
Todavia, não tendo como argumentar, nossos oponentes insistem em difamar este dia glorioso com termos pejorativos por liga-lo ao dia que alguns povos primitivos chamavam de “dia do sol”. Este subterfúgio é muito explorado pelos sabatistas. Mas “sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm. 8:28). Assim como o nome “Cristão” foi lançado como motivo de escárneo, para zombar dos discípulos de Cristo e Deus o transformou em motivo de regozijo, simili modo despindo este nome de seu estigma supersticioso, podemos ver nele uma linda comparação com Cristo, sua obra e seu dia.
A igreja sempre viu no sol uma metáfora de Cristo. Textos como Ml. 4:2 juntamente com Lc. 1:78, Mt.4:16. e Ap. 21:23, mostram que Jesus é o nosso único e verdadeiro Sol.
Na verdade, todos os dias são do Senhor. E o primeiro dia da criação é chamado “Yômam” e “yôm”, foi justamente no dia primeiro que Deus tirou a luz para um mundo que jazia em trevas. Portanto, o sol que é nossa fonte de luz estava implicitamente no primeiro dia da “semana” (não podemos saber de modo definitivo se tal semana foi literal ou não) da criação. O ciclo do sol também nos faz lembrar de Jesus e sua obra. O por do sol representa Cristo descendo à sepultura, quando então a escuridão da tristeza cobriu o mundo e a esperança dos discípulos. Entretanto, o nascer do sol nos faz lembrar de sua ressurreição, saindo vitorioso da sepultura e isto no primeiro dia da semana pondo em fuga as trevas (II Co. 4:6), fazendo resplandecer em nós sua luz gloriosa (Jo. 8:12). O “dia do sol” já passou, nós agora adoramos a Cristo no seu dia, no dia do nosso Sol da Justiça, no dia de Jesus – no DIA DO SENHOR. Não temos nada a ver com o supersticioso dia dos pagãos, isto é demonstrado de maneira sobeja por Tertuliano em uma de suas cartas apologéticas.
A Palavra de um vulto da teologia


Para finalizar, gostaria de transcrever aqui as palavras de C. H. Mackintosh, um dos grandes estudiosos do passado. Em seu livro, “Estudos Sobre O Livro Do Gênesis” ,esclarece com muita propriedade:

“O primeiro dia da semana não é o sábado mudado, mas um dia inteiramente novo. É o primeiro dia de um novo período e não um último dia de um velho período. O sétimo ia está ligado com a terra e o descanso terrestre; o primeiro dia da semana, pelo contrario, introduz-nos no céu e no descanso celestial.

Há nisto uma grande diferença de princípios; e quando encaramos o assunto de um modo prático a diferença é muito material. Se guardarmos o sábado, tornamo-nos desse modo criaturas terrestre, tanto mais que esse dia é, claramente o descanso da terra – descanso da criação; porém se eu sou ensinado pela palavra e o Espírito de Deus a compreender a significação do primeiro dia da semana, compreenderei sua ligação intima com a nova e celestial ordem de coisas, das quais a morte e ressurreição de Cristo formam o fundamento eterno.
O sétimo dia pertencia a Israel e à terra. O primeiro dia da semana pertence a Igreja e ao céu. Além disso Israel foi mandado guardar o dia de sábado; a Igreja tem o privilégio de desfrutar o primeiro dia da semana. O primeiro era o ensaio da condição moral de Israel; o último é a prova significativa da eterna aceitação da Igreja. Aquele manifestou o que Israel podia fazer por Deus; esta declara perfeitamente o que Deus fez por nós.” e “…acima de tudo, não obrigueis o cristão, como uma barra de ferro, a guardar o sétimo dia, quando é seu alto e santo privilégio guardar o primeiro. Não o façais descer do céu, onde ele pode descansar, à terra amaldiçoada e manchada de sangue, onde ele não pode ter descanso. Não o obrigueis a guardar um dia que o seu senhor ficou no tumulo, em vez desse dia bendito em que Ele o deixou.” (págs. 22,23)
Diz mais o Azenilto: “quem sabe ele também presta atenção nessas enumerações feita pelo mesmo Dr. Samuele Bacchiocchi e me oferece sete razões bíblicas e históricas, realmente bem fundamentadas, para a observância do domingo. Eis 7 razões por que o domingo nada tem a ver com a celebração da Ressurreição:”
Não, não vou cair nesta dialética viciosa, onde o senhor não faz outra coisa, a não ser esquivar-se do assunto proposto com novas perguntas. E veja que nem ainda respondeu as do sábado… É a síndrome da Esfinge!!! Saiba o senhor que já estou acostumado a lidar com este encolhe-estica das seitas. São assim as Tjs, os ASD, os mórmons…sempre vivem pulando de galho em galho. Demais disso, sobre o estudo de Bacchiochi atacando o domingo, pretendo analisa-lo como um todo, e não apenas a parte que cabe às suas charadas teológicas (se bem que já existe obras que já se incumbiram deste serviço). Definitivamente, não deixarei o senhor controlar o debate. Não sou obrigado a responder suas perguntas, quando não há sequer o mínimo interesse em responder as minhas. E já que o senhor gosta tanto deste artifício, lá vai mais algumas:
1. Onde, na Nova Aliança e debaixo da Lei de Cristo, está a ordem de Jesus ou algum dos apóstolos para guardarmos (nós os cristãos gentios), o sábado judaico?
2. Onde, na Nova Aliança, os apóstolos ensinaram a termos a lei como regra de vida?
3. Onde, na Bíblia uma referência que aponta a lei como dividida em duas: moral e cerimonial?
4. Onde na Bíblia existe o mandamento para Adão e os patriarcas guardarem o sábado?
5. Mostra-me, por favor, onde no NT aparece alguma vez a igreja gentia se reunindo no sétimo dia da semana?
Centro Apologético Cristão de Pesquisas
Viva vencendo as sutilezas dos que procuram, usando a bíblia, deturpar sua mensagem!!!
Abraços.
Seu irmão menor.

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