06 novembro 2016

O NEOPENTECOSTALISMO E A FARSA EVANGÉLICA

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A água ungida (adquirida na torneira), o santo óleo de Israel – comprado no mercado da esquina – a vassoura ungida, a caneta da prosperidade e o sabão ungido são algumas das muitas mentiras dos neopentecostais!
Este artigo é longo, mas precisa ser lido como forma de reflexão da vida da igreja. A dinâmica da vida e a influência das redes sociais tiraram das pessoas a capacidade de refletir e de ler textos longos. O Twitter nos impôs frases com 140 caracteres. O Facebook lhe permite ler umas poucas frases e até as pregações dos pastores se resumem hoje a mero vinte minutos de exposição bíblica – quando as há.
Ao começar este artigo preciso afirmar uma coisa: Sou pentecostal de raiz. Comecei a frequentar a escola dominical com meus irmãos, ainda pequenino, assim que mamãe se converteu ao evangelho puro de Jesus Cristo. Corria o ano de 1952. A Assembleia de Deus era uma igreja pura em sua doutrina. Doze anos depois eu ingressava no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba aprendendo aos pés de João Kolenda Lemos, Tio João Pedro Kolenda, João de Oliveira, missionária Dorris Lemos e Elsie Stroll além das visitas periódicas de Orlando Boyer de quem obtive meus primeiros livros que ele editava com tanto ardor.
Desde então nunca parei de pregar e de anunciar o Evangelho. E lá se vão mais de 52 anos de vida ministerial! Ao longo dessas cinco décadas a denominação pentecostal, uma das mais antigas – porque a Congregação Cristã chegou um pouco antes ao Brasil – mudou. Parece um paradoxo: Tornou-se mais culta teologicamente através de seus seminários e dos excelentes livros editados pela CPAD, financeiramente mais rica, intelectualizada e mais neopentecostal. Esta última qualificação, a do neopentecostalismo é paradoxal, contraditória e difícil de ser analisada: Como uma igreja conseguiu se desviar tanto da ortodoxia cristã!
Não se tem notícias de que a Congregação Cristã do Brasil tenha se desviado de rota – afinal, não convivo entre aqueles irmãos e nem sou aceito como irmão em Cristo da parte deles – mas, a Assembléia de Deus se desviou da rota doutrinária. A literatura oficial da CPAD diz uma coisa; a prática nas igrejas da mesma denominação é outra.
O neopentecostalismo cresceu na seara pentecostal como joio no meio do trigo. E a cada dia o joio é mais vistoso e mais evidente abafando o trigo da fé.
No ano de 2008 escrevi que somente a partir do novo milênio seria possível perceber a infiltração de elementos na igreja deixando-a mais universalizada e neopentecostalizada. Houve uma mudança de rota e de estilo de vida, conforme o leitor verá a seguir:
1. No campo doutrinário. Uma descaracterização da ortodoxia, isto é, um relaxamento ou pulverização das regras de fé, antes defendidas a “unhas e dentes”. Aspectos doutrinários, ou de ensinos ficaram pulverizados com a pluralidade doutrinária, pluralidade de pensamento e com a secularização da teologia. Denominações pentecostais históricas como as Assembléias de Deus tornaram-se pluralistas sob vários aspectos. Algumas aceitam o divórcio, outras o repugnam – para citar um exemplo. Algumas têm grupos de danças em sua liturgia, outras cultuam a Deus como faziam 80 anos atrás. Até mesmo na teologia existem diferenças. Hoje existem igrejas pentecostais sem quaisquer manifestações que a caracterizavam como pentecostal.
Liturgia. Uma pulverização da liturgia. A igreja ao longo dos séculos sempre introduziu novos elementos em sua liturgia, nestes últimos anos, porém, a igreja submeteu sua ortodoxia litúrgica a novas influências, algumas igrejas até desprezando a hinódia tradicional e centenária que regia os cultos e a vida da igreja. Se por um lado os novos elementos litúrgicos, como bandas, 40 ou 50 minutos de cânticos, danças e teatros reativaram os cultos, por outro, certas características foram lentamente desaparecendo, como a importância da pregação, reverência e ordem nos cultos.
Danças. Esta pulverização – até certo ponto com perda de identidade – trouxe para os púlpitos e palanques a entrada de grupos de danças, ou adoração artística. Algumas igrejas vêem nisto uma necessidade; outras utilizam grupos de danças apenas em festas ou celebrações especiais. A maioria faz das danças uma rotina igualando-as aos cânticos e orações. Alguns vêem perigos neste novo elemento que poderá descaracterizar o culto a Deus, tornando-se um culto a algum “deus”.
Instrumentos musicais. O uso de apenas um trio de instrumentos – bateria, guitarra e baixo – o desprezo ou alienação dos pianistas e organistas em troca de tecladistas que apenas tocam cifras, e não melodias trouxe para os cultos uma liturgia limitada a estes instrumentos – sem o toque litúrgico tão comum ao som do órgão e do piano, de instrumentos de sopro e outros de cordas, como o violino e seus semelhantes. Agregue-se a isto a infiltração de músicas e letras repetitivas, sem rimas, métrica e poesia. Além dos mantras que levam as pessoas a alucinações mentais, confundidas com experiências espirituais. Etc.
Mensagens de auto-ajuda. A falta da pregação expositiva bíblica em troca de mensagens apenas tópicas; o desaparecimento das pregações doutrinárias em troca de mensagens positivistas e de auto-ajuda e a falta de conhecimento bíblico vêm dominando até mesmo o púlpito das igrejas históricas. Questionam alguns se o verdadeiro cristão precisa de mensagem de auto ajuda; se precisa ser embalado em sua psique, em sua alma, ao som de novos acordes. A mensagem de auto-ajuda ofuscou a mensagem da cruz. Certas pregações em cultos de algumas Assembleias de Deus não passam de palestras motivacionais que não trazem convicção de pecado, arrependimento e conversões, mas um senso de felicidade, paz e consolação emocional.

O avivamento das décadas de 60-70 entre Batistas, Presbiterianos, Congregacionais, Luteranos e Anglicanos trouxe o povo de volta à palavra de Deus, como todos os avivamentos bíblicos da história o fizeram, no entanto, as denominações se insurgiram contra o mover do Espírito Santo nesses mesmos grupos e abriram terreno para o surgimento das comunidades cristãs e grupos similares. O atual movimento – que não é avivamento – não está levando o povo de volta à palavra, mas ao sensacionalismo, à busca de prazer, à prosperidade e a individualização da fé. São coisas que devem causar preocupação, pois que afetará as próximas gerações.

A liturgia também foi afetada pela influência dos pregadores televisivos que deixaram o povo exigente quanto a pregações, levando-o a desprezar as mensagens expositivas, difíceis de serem pregadas na televisão pela limitação do tempo, mas tão necessárias para o entendimento da palavra de Deus.
Conseqüentemente ouvem-se sons de uma exacerbação da mística e da fé que passaram a ter preeminência sobre a Palavra de Deus. A busca pela renovação espiritual sem o prumo da palavra de Deus vem levando os crentes a desprezar o ensino da cruz e do sofrimento na vida cristã. Cruz e sofrimento ficaram no passado da igreja, a nova “onda” espiritual é a de amar a prosperidade e o sucesso. Até mesmo pregadores antigos tidos como profetas de Deus aderiram a esta nova mensagem, e ficam horas inteiras levantando dinheiro e tirando ofertas do povo com a mensagem da prosperidade, em que somente prospera o pregador… a ganância de Balaão não tem limites. Os gananciosos são pastores e líderes que convidam pregadores “sapatinhos de fogo”, artistas e jogadores famosos, pois que os pastores também estão afetados pelo espírito de Balaão e querem lucrar com este tipo de ministério…
O Esoterismo evangélico. A falta da palavra de Deus como mensagem expositiva vem levando sutilmente os crentes a viverem um privatismo, o pluralismo e o secularismo como normas da vida cristã. Três temas mui bem dissecados por Os Guines na década dos anos de 1980. O privatismo leva o cristão a viver em torno de si mesmo; o pluralismo leva-o a aceitar elementos de filosofia e a idéia de aceitação de tudo e de todos na igreja; e o secularismo invadiu a teologia com a filosofia e com os conceitos da psicologia moderna na educação e no ensino das crianças e dos adultos.

A ausência da palavra de Deus vem formando uma igreja com comportamento e práticas esotéricas que dá poderes a elementos místicos, em nada se diferenciando do mundo e das religiões místicas ao seu redor. O esoterismo evangélico concede poderes aos óleos “consagrados”, a água e ao sal, ao sabão, fronhas, lençóis e, a criatividade para se ganhar dinheiro não tem parâmetros na história da igreja cristã. A mensagem subliminar é que o poder de Deus se limita a objetos e a práticas do Antigo Testamento.

A falta de uma exegese bíblica verdadeira permitiu o surgimento de uma igreja com práticas judaizantes, celebração de festas judaicas, a observação de dias e datas especiais dos judeus, roupas, a bandeira de Israel hasteada nos púlpitos, confundindo o natural com o espiritual, e peregrinações a lugares históricos, considerados “santos” em que tais práticas e guardas de datas passaram a ser a essência da fé, o propósito da igreja, acima da própria palavra de Deus. Escrevo sobre isto num capítulo de meu livro A Arte da Guerra Espiritual: Guerra espiritual esotérica.
Ênfases em modelos e não na vida. 
A ênfase em modelos de crescimento fatiou a denominação. Igrejas existem que optaram por seguir o modelo do G-12, outros do M-12, ainda outros do MDA num desespero frenético para conter a estagnação espiritual. Ora, quando se deixa de lado a ação do Espírito Santo, a pregação pura e simples da Palavra de Deus e a prática dos dons espirituais é preciso sair à cata de soluções para manter a igreja crescendo, o dinheiro entrando e o nome. Ah! O nome! Sempre em maior evidência do que o nome do fundador, nosso Senhor Jesus Cristo!
Quando uma igreja se move na ação do Espírito Santo qualquer método de crescimento funciona, porque apenas canaliza o que o Espírito vem realizando; mas, quando se perde a nuvem que vai adiante do povo, a congregação do Senhor fica peregrinando sem rumo no deserto.
Hoje, muitas denominações se perguntam como Isaías: “Ó Senhor, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Volta por amor dos teus servos…” (Is 63.17). E o próprio profeta responde: “Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10). Deixe-me dizer uma coisa que é muito evidente a todos: O povo está seguindo seu próprio caminho. Os líderes se desviaram e com eles as igrejas que dirigem!
O surgimento de denominações não ortodoxas na doutrina, a que chamamos de neopentecostalismo, dispensa o uso do texto do Novo Testamento, preferindo pregações baseadas em elementos do AT – desprezando o ensinamento apostólico ou o didaskalós das epístolas. O surgimento e o rápido crescimento de denominações neopentecostais-esotéricas, não ortodoxas na doutrina, aliados ao poder de comunicação pela mídia trouxe alguns resultados que poderão ao longo dos anos serem maléficos. A seguir, convido o leitor a analisar comigo alguns desses possíveis malefícios:
1. O primeiro deles é o espírito de competição. Grupos outrora ortodoxos passaram a cultuar e a ter reuniões semelhantes aos grupos neopentecostais, para angariar novos membros. Especialmente as reuniões de libertação, uma marca registrada dos pentecostais clássicos; agora, esses irmãos assimilaram e imitam de maneira grotesca os neopentecostais visando obter maior freqüência, assiduidade dos fieis e mais dinheiro. As antigas reuniões de oração e libertação que serviram de elementos-chave no crescimento da igreja, cederam ante o espírito de competição a esses grupos. As reuniões de libertação em que a ênfase era a oração, a pregação e a novidade de vida cederam lugar ao ensino da prosperidade, da mensagem que leva o pecador a se sentir bem, amado por Deus, podendo viver a fé de forma bem pessoal, sem pressão nem compromisso.
2. Afrouxamento da disciplina e da doutrina. O segundo resultado maléfico é o afrouxamento do ensino, da sã doutrina apostólica, que deve ser interpretado como ensinamento, estilo de vida, ou o didaskalós, que os apóstolos tanto enfatizavam. Uma vida de ordem na família e na sociedade; um ensinamento sobre o relacionamento do cristão com o mundo ao seu redor. Ética. Caráter. Estilo de vida santo. Surgiu, consequentemente, uma nova safra de cristãos que sequer pode ser comparada aos cristãos da geração passada. A geração de cristãos honestos, comprometidos com a fé, de bons empregados e bons patrões; de famílias ordeiras e de lares disciplinados vem sistematicamente desaparecendo. Em seu lugar surgiu uma geração que vem transmitindo uma péssima imagem do que é ser cristão, de Deus, de Jesus e da Bíblia. Surgiu, em decorrência uma geração de cristãos desacreditada perante a sociedade e autoridades.
Hoje, se uma igreja ousar disciplinar um membro irá parar nas barras da justiça e o membro ofensor encontrará do outro lado da rua um pastor lhe acenando por cargos.
3. Enriquecimento denominacional. O terceiro resultado nada agradável é o que prega a necessidade de enriquecimento denominacional, o enriquecimento entre os membros e a conseqüente construção de templos e prédios grandiosos, frutos de um ensinamento megalomaníaco.
Paralelamente surgiu uma nova classe de evangélicos descomprometidos com a igreja local, afiliados a toda sorte de organizações para-eclesiásticas. Surgiu a vulgarização do evangélico. A igreja parou de ser renovada na essência da vida cristã, entrou num ciclo de romantismo espiritual, de experiências místicas que em nada alterou o estilo de vida dos crentes. Estes passam a falar em línguas, a caírem no chão, a entoarem louvores, mas sem mudança interior de vida. Questão de caso de estudo para os teólogos. A igreja está passando por uma metamorfose negativa, isto é, em que a verdade deu lugar ao sofisma; em que o estilo de vida de caráter não se faz mais necessário como regra e conduta de fé. Desapareceram os cultos de disciplina, conseqüência normal de uma igreja fraca.
4. O surgimento de cristãos de fé plural. Este novo estilo trazido pelos neopentecostais e aceito de braços abertos pelos pentecostais clássicos fez surgir na sociedade uma nova classe de pessoas e de cristãos que, além da falta de compromisso com a igreja na localidade trouxe a idéia de que a igreja é mais uma opção entre as tantas existentes na sociedade quando se quer solução a algum problema da vida. Durante a semana o novo cristão recorre aos cultos das igrejas, tanto quanto busca na mesma semana um centro espírita, uma sessão de umbanda; uma missa católica, a sessão descarrego da Universal ou uma visita a alguma seita oriental.
O resultado é que, somados e multiplicados os malefícios, estes acabarão por formar nos próximos anos uma igreja fraca, sem conteúdo teológico, apesar da multidão de fiéis, insípida e sem a graça divina. Se realmente fossemos tantos assim, o Brasil seria diferente. Talvez sejamos muitos, mas sem sal e sem sabor.
5. A contra-reação dos membros das igrejas. O neopentecostalismo provocou uma reação contrária em outros segmentos da igreja. Os que buscam em Jesus a essência da fé; os que querem viver o eterno propósito de Deus; os que se envergonham diante de Deus e dos homens da atual situação espiritual da igreja, passaram a abominar tudo o que soa a evangélico, ao que é cristão, formando grupos em busca do fundamentalismo apostólico. São pessoas que não querem se identificar com nenhum grupo evangélico, e dizem não ser evangélicos; desprezam qualquer tipo de liturgia, reúnem-se em qualquer lugar e se fecham em torno de si mesmos e de sua doutrina. São exclusivistas em suas cidades; não participam de eventos ou de celebrações, e receiam e temem tudo o que vem da parte da atual igreja, a que eles chamam de grande Babilônia.
E provocou também uma reação negativa nas pessoas que não são evangélicas. O que ouvem pela mídia e em conversas de vizinhos os remete para longe da fé. Vejo isso com clareza em meus vizinhos com os quais mantenho sadia amizade no bairro onde resido. Todos me conhecem como pastor João. Caminhamos e praticamos esportes juntos e vejo a reação deles quando falam desses grupos neopentecostais.
O lado positivo dos grupos reacionários que querem distância dos grandes conglomerados denominacionais e de denominações neopentecostais é que podem ter dado início à formação de um remanescente fiel a Deus – com ou sem intenção de sê-lo; da extirpação da mentalidade cultural da adoração em templos e grandes auditórios, da vida cristã simples e sem religiosidade exterior, reunindo-se em casas, garagens e praças. A ausência de elementos exteriores – vestimentas, linguagem evangeliquês, clichês próprios de crentes – aliado ao profundo estudo das Escrituras, à vida de retidão, de santidade e de evangelização podem contribuir para o equilíbrio da balança espiritual da igreja. O lado negativo é que tais grupos tendem a não influenciar politicamente um bairro ou a cidade por achar que o “mundo jaz no maligno”, desprezando qualquer compromisso visível com as necessidades da sociedade, por não marcarem sua presença com um local de culto visível, através de templo ou de salão de reuniões no bairro. Isto é, por não terem um local próprio ou alugado para suas reuniões a multidão desses novos crentes, ou discípulos não é conhecida da sociedade.
Deve-se admitir que a presença de um espaço físico reservado para a celebração de cultos e de encontros exerce também grande influência sobre as autoridades e população de uma região.
Conclusão a esta parte:
A igreja brasileira perdeu seu rumo, está sem Norte, sem direção, por haver desprezado a bússola, que é a palavra de Deus, comprometendo-se com os sistemas políticos, culturais e imorais da nação. As grandes lideranças denominacionais vivem cevando seus títulos honoríficos, participando de esquemas políticos que fariam Paulo, o apóstolo corar de vergonha; outrora chamados por Deus para fazerem a diferença em sua geração, deixaram de participar das reuniões na sala do trono de Deus, quando ouviam do Eterno as diretrizes para a igreja, e passaram a participar de conchavos políticos, carregando consigo, ao lado da Bíblia, o Príncipe de Maquiavel. E, sem perceber seguem os conselhos de Maquiavel, imaginando que o Príncipe tem razão, nas questões políticas. Assim, usam os conselhos de Maquiavel na política e os conselhos da Bíblia na igreja. Coxeiam entre dois pensamentos, e, sem se aperceberem deixaram de freqüentar a sala do Trono do Altíssimo, nosso Senhor e Rei, para se assentarem com aquele que faz oposição a Deus.
Cristãos ou pastores políticos que assim se comportam não se posicionam abertamente em questões como aborto, divórcios, homossexualismo, injustiças sociais etc. por temerem o povo e seus pares. Em Brasília ou nas Assembléias Legislativas de seus Estados, da mesma maneira que faziam na administração de suas igrejas, pensam em si mesmos e no futuro financeiro de suas famílias.
Neopentecostais: Igreja ou fraude?
Existem dois tipos de igrejas neopentecostais – igrejas pentecostais novas, este é o sentido aqui. O primeiro grupo abrange grupos que saíram das igrejas históricas nas décadas de 60-70. Fazem parte deste grupo igrejas tradicionais que se pentecostalizaram, e são, em essência compostos de novos pentecostais como os novos Batistas, algumas raríssimas Comunidades Cristãs – porque a maioria das que se chamam Comunidades não passam de pequenas igrejas neopentecostais na doutrina e na prática. No entanto, o termo neopentecostal foi mudando de sentido e sendo compreendido apenas a certos grupos heréticos-esotéricos-endinheirados, todavia, todas as novas igrejas pentecostais, de alguma forma podem ser consideradas neopentecostais, ainda que não tenham a mesma índole massificadora dos que formam o segundo grupo: Universal, Poder de Deus, Show da Fé, Plenitude do P$oder de Deus etc.
As práticas desses novos movimentos, sua liderança e seu sistema de governo indicam um neopentecostalismo doentio que não se encaixam na sã doutrina apostólica.
Sete características de lideranças neopentecostais:
A seguir colhi sete características dessa liderança atual – que não é apenas da liderança neopentecostal, mas também de muitos líderes de igrejas pentecostais históricas.
1. Autoritarismo. Tais líderes advogam a si o direito de ter a palavra final em questões doutrinárias e de práticas cristãs. Creem que podem criar novos padrões de ensinamento e neles atrelar a congregação. Era assim também no passado quando pastores de denominações pentecostais decidiam o que o povo devia usar, o que pensar e em como viver. Felizmente algumas denominações amadureceram e abandonaram tais práticas que vêm sendo adotadas com grande ardor pelos novos líderes pentecostais. As pessoas são orientadas a viverem conforme o pensamento do líder e de maneira a agradá-lo. A “doutrina” ou ensinamento apostólico foi por eles aperfeiçoado, porque tirou do povo o direito à vida e de decidir o que fazer e de como viver.
2. Dominadores do rebanho. Hoje os apóstolos, bispos, presbíteros e pastores – não importa o título que ostentem – decidem se os membros devem celebrar o Natal, os alimentos que devem comer, as festas que podem participar, os DVDs que devem assistir e quais igrejas ou congregações podem visitar.
Tal autoritarismo não é próprio apenas de igrejas neopentecostais, mas também de alguns que se dizem “igreja” sem nome; comunidades cristãs etc. que mantêm sob regras rígidas o comportamento e o estilo de vida de seus membros, ou discípulos. É possível ver este autoritarismo em várias denominações também. Nunca ouse pensar ou agir de maneira que contrarie seu líder! O líder é o novo paradigma ou modelo de fé a ser seguido, e não os modelos da Bíblia.
3. Ganância financeira e luxúria. A ostentação de riqueza, o ganho fácil e a confortável vida movida a aviões particular, helicópteros e festas não é própria apenas dos neopentecostais, mas também de outros segmentos da igreja – uma dessas igrejas, até bem tradicional, em que seu líder se locomove para a casa da montanha de helicóptero, enquanto exige que seus membros nem televisão possuam!
Enquanto milhares de obreiros residem em casas modestas no meio de sua comunidade, ao nível do povo que pastoreiam, vivendo na simplicidade, buscando o mínimo de conforto, outros se afastam do meio do rebanho e passam a viver em condomínios inacessíveis ao povo. Sua congregação não tem acesso a casa deles – diferentemente de quando nossa casa estava aberta aos irmãos. Essa é a nova cara da liderança eclesiástica da igreja brasileira.
4. Usam o púlpito como arma de ataque. Por trás do carisma que lhes é peculiar tais ministros fazem o que querem com o povo; se justificam, demonstram humildade e santidade e aproveitam para atacar sutilmente os que lhe desobedecem as ordens. Frases como “aconteceu tal coisa porque não ouviu o homem de Deus” é comum ouvir de seus lábios. É a justificação de uma aparente santidade. As pessoas precisam vê-los como homens de Deus, líderes espirituais íntegros; no púlpito diante de seu povo riem, choram, profetizam, pulam, gesticulam e pregam mensagens de prosperidade. Assim, conseguem encobrir do rebanho suas verdadeiras intenções, para que este não se interesse em saber como é a vida deles no seu dia a dia.
E grande parte dos crentes defende o estilo de vida de seus líderes, e se dobra perante eles como faziam os escravos diante de seus senhores.
5. A sacerdotização do ministério. Alguns desses novos líderes criaram a nova casta de “levitas” que são os que cuidam do louvor da igreja, mas criaram também a “família sacerdotal” que é composta do líder e de seus familiares, num atentado grotesco ao verdadeiro sacerdócio de Jesus Cristo. Muitos, ainda que reneguem publicamente tal conceito, ostentam-no no ensino aos seus líderes, isto é, estes são orientados a considerá-los sacerdotes de Cristo a serviço do povo. “Nós somos sacerdotes” de Deus para cuidar do rebanho, dizem, quando biblicamente toda a igreja é povo sacerdotal!
6. Visão terreal do reino de Deus – seu reino particular. A nova liderança dos neopentecostais tem outro foco que não é o reino de Deus futuro, mas o reino deles, agora. Eles têm prazer nas coisas do mundo. Seu império particular e o império de sua denominação ou de suas comunidades constituem o reino deles na terra. Enquanto todos os demais trabalham para a vinda do reino, esses novos líderes creem que estão no reino, e que já são príncipes de Cristo aqui na terra. E para viver como príncipes, formam seu séquito de seguidores que os servem humildemente. Enquanto Jesus apontava para a chegada iminente do reino de Deus, a nova liderança da igreja crê que vive o reino, aqui e agora!
Por isso intrometem-se na política, pensando que por ela governarão na terra e trarão o governo de Cristo aos homens. E, da mesma forma que entram na política e buscam para si títulos políticos, se prostituem com o sistema e podem ser vistos agradecendo a Deus pelas graças recebidas, como no caso dos deputados evangélicos neopentecostais do Distrito Federal. Estes são a pontinha do iceberg, porque existem milhares de pastores vendidos ao mundo e que recebem polpudas somas de dinheiro para transformar sua congregação em curral eleitoral.
7. Acreditam que o juízo dos crentes não é para eles; porque estão acima dos demais. Por isso, perderam o temor de Deus e nem imaginam o que lhes espera no dia do juízo de Cristo, quando todos haveremos de prestar contas. Quando se perde o temor de Deus leva-se uma vida desenfreada de pecado, escondida sob o manto da espiritualidade e da vida piedosa.

Criticam a Balaão, mas vivem como ele, profetizando em nome de Deus, mas de olho nos bens de Balaque – porque são insaciáveis financeiramente. São estes os novos líderes que à semelhança de Coré, Datã e Abirão defendem seu sacerdócio e proclamam que também “têm direitos espirituais”, como nos dias de Moisés. À semelhança de Caim pecam voluntaria e conscientemente, esquecendo que já receberam na testa o sinal de Deus que os manterá sob juízo e condenação.

À luz dessas sete características é possível identificar o tipo de igreja que se frequenta, o tipo de líder que se obedece e decidir se deve seguir o caminho do discipulado cristão ou se fará parte do novo reino dos deuses da terra.
Deus tenha piedade de nós!
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Pr. João de Souza
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