29 dezembro 2016

A PERDA DA IDENTIDADE DA IGREJA PENTECOSTAL BRASILEIRA

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“Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha Palavra como o orvalho, como o chuvisco sobre a erva e como a gota de água sobre a relva.”  (Dt. 32: 2).
“A doutrina do sábio é uma fonte de vida para se desviar dos laços da morte” (Pv. 13:14).
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão , e nas orações.”(At. 2. 42)
“Tu, porém, fala o que convém a sã doutrina”(Tt. 2.1).

Quando a igreja pentecostal chegou ao Brasil, tinha uma mensagem revolucionária e renovadora, que era, formatar uma nova estirpe de homens, pelo poder do Evangelho, pregado e ensinado, ou seja, levantar das ruínas do pecado, da ignorância, da idolatria e da morte; um novo homem, o homem espiritual. Esse homem espiritual, seria erguido da sociedade secular brasileira; no poder da ressurreição de Cristo, com uma nova visão e uma nova perspectiva de vida, pois tinha implantado em si o poder da ressurreição de Cristo, onde novos valores seriam assimilados. Causando uma verdadeira revolução no comportamento social das pessoas. Esse homem espiritual, não seria apenas mais um homem comum na sociedade brasileira, mas antes de tudo, seria um formador de opiniões, com uma influência saudável dentro do organismo social. Pois conforme a Bíblia, ele cultivaria os frutos do Espírito: “Mas o fruto do Espírito é; amor gozo, paz, longanimidade, benignidade,bondade,fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” (Gal. 5. 22-23). Tendo por isso mesmo a capacidade de andar acima da média social, pois era guiado pelo Espírito Santo: “Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.”(Rom. 8.14). No início da formação da igreja aqui no Brasil, a simplicidade do povo, era ainda um fato real, por isso a igreja chegou bem perto disso; quando o nome de evangélico era sinônimo de simplicidade, honestidade, sinceridade e de uma auto-doação inigualável à causa do Mestre.

A maioria dos antigos pastores eram verdadeiros sacerdotes, em termos de atuação e seriedade. “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar. Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento.” (I Tim. 3. 2-3)
“Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna.” (II Tim. 2.10)
Eles cuidavam do povo de Deus, com um desvelo e constância, como se fossem verdadeiros pais espirituais. “Meus filhinhos, essas coisas vos escrevo, para que não pequeis, e, se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo o justo.” (I João 2.1)
Tinham uma preocupação ímpar, quanto ao desenvolvimento espiritual dos crentes. “Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.” (Gal. 4.19).
Será que os pastores empresários dos dias atuais sabem o que isso significa? Aqueles antigos pastores, ainda que com parcos recursos e pouca bagagem intelectual, eram de uma persistência a toda prova; em estudar a Bíblia e orar, e foi por isso mesmo que conseguiram formar no povo, uma influência benéfica e consistente, no interesse do Reino de Deus, dando um exemplo de abnegação, firmeza e constância nos negócios do Reino de Deus.
“...mas se o exemplo dos fiéis, na Palavra, no trato, no amor, no Espírito, na fé, na pureza.” (I Tim. 4.12b).
“...mas servindo de exemplo ao rebanho.” (I Ped. 5.3b)
Será que os pastores modernos cercados de seguranças, e pregando protegidos por cabines a prova de balas, totalmente alienados com a sorte do rebanho, sem empatia ou interêsse pelas ovelhas fracas , doentes e cansadas que vão ficando a beira do caminho, poderão falar como Paulo e Pedro nas suas cartas?  Por isso aquela primeira geração de evangélicos conseguiu vencer toda resistência que havia na sociedade brasileira, e a despeito de todas as dificuldades, se impor em todo território brasileiro. Tendo então a igreja do começo do século 20 ao começo do século 21, se tornado uma verdadeira potência em termos de crescimento.
No princípio do Evangelho Pentecostal no Brasil, a igreja era formada basicamente de pessoas incultas, ou seja, do povão; pois era desdenhada pelas elites, porém com o passar dos anos, ela foi permeando todo o tecido social, numa osmose irreversível, chegando hoje em uma posição social muito abrangente. Conseguiu atingir todas as camadas da sociedade. Porém esse crescimento social veloz, teve um lado negativo,que trouxe e trás hoje, muitas perplexidades aos evangélicos. Pois sempre que há um crescimento explosivo em algum segmento social; a adaptação e a estruturação desse segmento é feito improvisadamente, sem muitos critérios, baseados na prudência e no bom senso. São feitos ao sabor das emoções e das necessidades momentâneas, e isso vai gerar tensões no futuro; pois um segmento quando cresce muito com uma estrutura improvisada, fica difícil de se mudar quando se consolida.
E isso foi o que aconteceu com a igreja evangélica pentecostal brasileira. Os seus líderes do passado, não prepararam “lideranças esclarecidas”, para a igreja evangélica do futuro; que enfrentaria desafios tais como: O ecumenismo, o pós-modernismo, a teologia liberal, a explosão das mídias sociais, O evangelho fantasioso dos dias atuais; e os líderes de hoje, cuja maior parte, não foram preparados para esses desafios, por sua vez, não estão preparando os líderes da igreja futura, os quais enfrentarão desafios possivelmente muito maiores, e com isso comprometendo o futuro da igreja.
Quando eu digo que não estão preparando lideranças, não estou dizendo quanto a formação acadêmica, pois, isso, hoje é uma realidade normal; atualmente vemos pastores com anéis nos dedos, atestando as suas credenciais intelectuais bem preparadas, porém, a realidade é que os seminários já foram invadidos pela teologia liberal; distorcendo a visão da maior parte desses pastores, tornando-os inócuos e espiritualmente neutralizados, ainda que bem preparados academicamente, na condução da igreja de Cristo. Pois se tornaram facilmente manipuláveis pela cultura pós-moderna e pela teologia liberal, as quais vão sufocando a igreja em um abraço mortal de tamanduá, sem que os seus líderes, tais como sapos cozidos, sintam qualquer sensação de perigo.
Eu sei que muitos líderes das igrejas, quando virem este vídeo ou lerem o texto, sentir-se-ão atingidos pela força das expressões empregadas aqui, e muitos até sem procurar refletir e fazer um autoexame poderão liberar uma agressividade reprimida dentro de si, e partir para uma reação na tentativa de se eximir desse contexto. Normalmente a reação é se usando a Bíblia para atacar, qualquer um que ouse questionar as suas práticas erradas ou desleixadas em relação aos negócios do Reino de Deus. Então irão me rotular de rebelde, crítico sem conhecimento e assim por diante ou então irão ler I Cron, 16.22 : “Não toqueis nos meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.” Ou então irão ler: Zac. 2.8 : “...porque aquele que tocar em vós. Toca na menina do Meu olho.” Ou ainda: II Ped. 2.10 : “Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícias e desprezam as autoridades, atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades.” E isso com uma exegese totalmente fora de contexto, distorcendo o sentido da Palavra, em benefício próprio. Na verdade nunca foi do meu interesse atacar nenhum homem de Deus, íntegro, sincero e honesto diante de Deus; que faz a vontade do Altíssimo e que paga um alto preço por isto.
Mas o que falo é justamente o contrário. Se o amado irmão é um verdadeiro servo de Deus, cuidando da igreja como um verdadeiro pastor, não é contra o irmão que eu estou falando. Se a sua consciência da testemunho da sua obra diante de Deus , quem sou eu para julgá-lo? Eu o incentivo a melhorar mais e mais, mas eu falo o mesmo que Isaías falava dos falsos atalaias do seu tempo.:
“Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem, todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores, que nada compreendem; todos eles se tornam para seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte.” ( Isaías 56. 10-11)
Estes atalaias cegos e pastores que Isaías falava, eram os líderes políticos e espirituais da nação israelita, que tinham abandonado o povo a própria sorte; e isto significava, todos os líderes: Profetas, sacerdotes e reis. Porém hoje, isso se aplica principalmente aos líderes espirituais, o apóstolo Paulo diz aos filipenses no capitulo 3 e o verso 2 : ”Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos falsosobreiros, guardai-vos da circuncisão.” E sobre o mesmo assunto, falando aos coríntios ele diz:
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito pois que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras.” (II Cor. 11. 13-15)
Então podemos ver por esta palavra que a aparência é bem semelhante, então como poderemos conhecê-los? Somente pelo conselho, que Jesus nos deixou em Mateus capítulo 7 versos 15 à 18 : “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vem até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros ou figo dos abrolhos? Assim toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons.” E também o verso 20:“Portanto pelos, seus frutos os conhecereis.” Então meus prezados irmãos, é o que vocês fazem ou deixam de fazer, que dará testemunho a favor ou contra vocês. Houve um escritor romano que disse: “O que tu fazes fala tão alto que eu não posso ouvir o que tu dizes.” Por isso, não me culpem, pois o que falo é o que eu estou vendo vocês fazerem ou o que deixam de fazer. Portanto se estiverem em paz com suas consciências e tem certeza que estão corretos no serviço do Mestre, não temerão nada destas palavras, pois a Bíblia diz que: “Quem teme não é perfeito em amor” (I João 4. 18).  Por isso diante de tais realidades, que hoje são palpáveis, é necessário uma reflexão bem sincera diante de Deus, para se achar uma solução que venha sanar esta situação deplorável.
Um dos sinais demonstrativos disso que eu estou falando, é a mutilação das Bíblias, nessas edições modernas, das quais a : Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH), ou Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH), e a Nova Versão Internacional (NVI). Versões estas que encabeçam a lista das Bíblias que usam os textos críticos Alexandrinos, onde Cristo é desmerecido, descolorido e até insultado. Estas versões fazem sucesso entre os evangélicos desavisados, sem que os seus líderes (pastores), cheios de anéis nos dedos e diplomas nas paredes, sequer os avisem dos perigos ocultos sutilmente, nessas versões mutiladas e venenosas, que as editoras mercenárias, por amor ao lucro, inundam o mercado, sem o menor constrangimento e sem a menor preocupação com a alma dos seus incautos leitores.
Todos esses líderes que não defendem a Palavra genuína de Deus, contida no “Textus Receptus” ou “Texto Recebido”, e permitem que a mesma seja mutilada por editores e comerciantes mercenários e nem sequer avisem o seu povo disso; serão culpados diante de Deus por esse sacrilégio, e todos irão responder por isso diante do trono de Deus, um dia. Uma outra coisa que reputo por gravíssima é o descuido com a pregação do Evangelho e o ensino da Palavra de Deus nas igrejas. Agora o que eu quero dizer com pregação do Evangelho, é pregar a situação lastimável que está o homem pecador, morto em seus delitos e pecados:
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rom. 3.23) , e ainda: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados.” (Efésios 2. 1), e isto quer dizer que todos estão sem direitos quaisquer diante de Deus, e adverti-los da urgência em se abrigarem debaixo da graça e misericórdia de Deus, reveladas em Jesus Cristo. Mas o que vemos hoje nas igrejas, são pregações temáticas cujo tema principal, é um Deus sempre preocupado em atender os desejos urgentes, imediatos e muitas vezes egoístas de pessoas cujos interesses são apenas em se servir de Deus e não em servi-lo com sinceridade. Pregações que não mostram o quanto a santidade e a majestade de Deus, foram insultadas e feridas, pelos pecados dessas mesmas pessoas, conclamando-as ao arrependimento sincero e ao quebrantamento genuíno.
Agora quanto ao ensino que é fundamental para a formatação do homem espiritual, hoje nós temos uma realidade lastimável, pois se nós temos todos os recursos didáticos e literários que os pastores do passado não tinham; porém, falta interesse nos líderes atuais em estudar e se aperfeiçoar no ensino da Palavra. O resultado disso, é que o que eles chamam de ensino, são na realidade pregações repetitivas e superficiais, sem uma exegese mais profunda, recheadas de exageros retóricos e teatrais, sem um compromisso com o desenvolvimento espiritual dos membros da igreja. Uma outra coisa que eu já mencionei no assunto dos desigrejados, é que as pregações  e o ensino dos líderes pentecostais modernos, é uma mistura de: Afirmações de fé, experiencialismo e demonstrações plásticas do poder de Deus, com pouco ou nenhum conteúdo bíblico, e com isso o entendimento das pessoas fica quase que totalmente infrutífero, e o desenvolvimento saudável do homem espiritual é comprometido seriamente. A resultante desses fatos é que a igreja vem perdendo qualidade paulatinamente, e quero que fique bem claro que isto não é uma acusação, mas é um fato comprovado, pela observação e comparação de circunstâncias em nosso meio. Passarei a descrever alguns desses fatos como eu tenho percebido.
Quando o Evangelho Pentecostal entrou no Brasil, a sociedade era extremamente conservadora nos seus costumes, então era necessário que a igreja para se impor nesse ambiente, fosse ainda mais conservadora, o que realmente aconteceu. Quando a sociedade começou a se flexibilizar, nos seus costumes, a igreja evangélica, tornou-se quase que uma referência nessa área. O grande problema é que os líderes não souberam esclarecer ao povo, que o conservadorismo dos costumes não era uma condição de santidade e salvação; mas o testemunho de uma vida que tinha passado por uma transformação de caráter e que essas manifestações de sobriedade, frugalidade e simplicidade, eram marcas distintivas dessa transformação.  Muitos líderes até por ignorância e comodismo, chegavam a ensinar que a salvação só era possível se a pessoa manifestasse esses costumes sociais. Isso fez com que muitas pessoas entendessem o Evangelho apenas como o conjunto de regras legalistas; que desde que fossem cumpridas, garantiria a salvação do indivíduo. Isso levou o povo pentecostal a sérias distorções teológicas, pois se tinham a aparência conservadora ao extremo, muitos não cultivavam o fruto do Espírito, como está escrito em Gálatas capitulo 5 versos 22-23 : “Mas o fruto do Espírito é; amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade,bondade,fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” E por isso tornando-se em escândalos para a igreja e para o mundo, levando ao desmoronamento da imagem do evangélico sério e comprometido com o Reino de Deus e nivelando a igreja evangélica, como a qualquer instituição terrena, cheia de vícios estruturais e corrupções como se vê  hoje, nas mídias sociais.
E para que vocês não achem que eu estou exagerando, vou citar um fato que aconteceu comigo, a um certo tempo atrás. Eu fui em uma livraria evangélica de uma grande denominação evangélica pentecostal, que por sinal ficava bem perto da sede da mesma. Comprei alguns livros e na hora de fazer o pagamento, a moça do caixa me disse que não aceitava cheques; e eu por brincadeira apenas, disse para ela: E se for de pastor? Então ela me respondeu bem séria: Se for de pastor menos ainda!!! Então vejam os irmãos, que situação chegou a igreja; quando os seus próprios líderes são desacreditados, “por causa de ruins suspeitas”, sobre a sua própria honestidade. Pois se ela que fica recebendo o dia inteiro, falou isso, imaginem quantas vezes ela viu esse mau exemplo acontecer, bem ao lado da sede dessa denominação. Não estou querendo dizer com isso que todos sejam assim; pois ainda tem verdadeiros homens de Deus na liderança, e eu espero que você que assiste esse vídeo ou lê esse artigo seja um deles; porém isso demonstra o quanto as estruturas eclesiais já foram afetadas.  Por outro lado, quando o povo passou a entender que o conservadorismo dos costumes, não era uma condição necessária para a salvação, descambou para os costumes sociais mundanos, sem a menor cerimônia, perdendo quase que completamente as suas características originais, e tornando-se semelhantes a qualquer pessoa que nunca conheceu o Evangelho.
Antigamente um evangélico pentecostal se diferenciava de qualquer pessoa por apenas duas marcas: O comportamento e os costumes; hoje infelizmente já não se pode mais diferenciar um cristão de um pagão, nem pelo comportamento nem pelos costumes, pois está tudo da mesma forma. Os líderes pentecostais perderam o controle da igreja na área do comportamento e dos costumes, e se justificam dizendo: Não podemos fazer nada porque a pressão social é muito forte e o povo é muito desobediente!!! Na verdade a igreja moderna chegou a esse estado de confusão, porque faltou e falta o verdadeiro ensino bíblico expositivo com uma exegese profunda, e também a antiga fórmula pastoral de acompanhar o desenvolvimento espiritual das pessoas, com uma proximidade pessoal, persistente e com a aferição “in loco” ou seja no local desse desenvolvimento constante de todos os membros da igreja. Esses pastores antigos impunham confiança e respeito pelo exemplo e pelo cuidado que tinham pelo rebanho, não medindo esforços nesse objetivo de formar homens e mulheres espirituais e ver a formação de Cristo nessas pessoas, como o apóstolo Paulo:  “Meus filhinhos por quem de novo, sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.”  (Gal. 4.19).
Naquele tempo as igrejas eram ainda pequenas, mesmo as sedes não tinham o número de pessoas que hoje tem. Por isso os pastores conheciam as pessoas e as famílias. Hoje com o advento das super igrejas, com milhares de membros e com cada denominação querendo disputar com a outra, nessa porfia de se apresentar como a maior ou melhor, nesse jogo de futilidades e vaidades do ego humano, não transformado por Cristo, perdeu-se de vista o significado de apascentar a igreja de Deus:  “Apascentai o rebanho de Deus; que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto.” (I Ped. 5.2). Então o ser humano como indivíduo, viu-se jogado para segundo plano; pois hoje o que importa na verdade, são as grandes multidões, a massa, a quantidade e não o indivíduo e a pessoa que perdeu a sua identidade nessa massa anônima. Os líderes modernos no afã de cumprir as suas planilhas de crescimento e desenvolvimento dos seus projetos faraônicos, não podem se dar ao luxo de desagradar essa massa, pois o fluxo de caixa pode cair, colocando em risco os seus planos. Urge agradar a gregos e troianos, para que se mantenha o “status quo”. A ordem do dia é manter tudo como está e não arriscar o que já está garantido. Mesmo porque a concorrência pode se beneficiar de qualquer fraqueza do lado de cá. E a grande verdade que causa estarrecimento é a situação que isso levou os evangélicos atuais.
A desformatação dos crentes hoje é um fato comprovado na maioria das igrejas; tirando-se algumas exceções na maior parte os mais idosos; os demais se renderam aos costumes dos cananeus e isso apesar dos seus pastores estarem gritando aos quatro ventos que nas suas igrejas isso não acontece. Ou não enxergam os fatos ou fingem não enxergar. Já não existe mais qualquer crise de consciência, quanto a isso: Os jovens frequentam cinemas, teatros, boates, baladas e todo o tipo de entretenimento dos dias modernos. A bebida já entrou na igreja, muitos líderes e membros já são vistos bebendo vinho, cerveja, champanha e vai por aí a fora. As vaidades, a falta de pudor já estão dentro da própria igreja, onde já não é possível olhar para as irmãs, que outrora eram referências na casa de Deus, os costumes dos cananeus já estão dentro dos templos, festas seculares de todos os tipos, símbolos pagãos; o teatro com todas as suas encenações ambíguas, a dança até de cunho sensual, a música profana nas suas melodias e letras, que insinuam uma familiaridade desrespeitosa para com a Divindade. E até superstições da terra já são vistas no recinto sagrado.
Em algumas dessas chamadas “igrejas”, o ambiente das mesmas está semelhante a uma boate, com lâmpadas estroboscópicas, canhões de fumaça, ringues de lutas, escurinhos com danças e rock pesado, este com uma diferença apenas ,que são nas suas letras mas ainda assim com as mesmas divergindo da revelação bíblicas na sua maioria. Há uma nítida confusão na teologia desses líderes, que teimam em misturar o secular e o profano com o sagrado sem atinar com a fronteira entre ambos, ou seja, púlpito com palco, e nave da igreja com platéia, e ainda pastores com animadores de auditório ou conferencistas motivacionais. E nessa situação a igreja definha e perde qualidade, e o mais grave: Perde a capacidade de influenciar a sociedade secular. A revelação de Deus é essencialmente espiritual e é necessário uma mente transformada e orientada pelo Espírito Santo para discerni-la; e um dos maiores males da teologia liberal é dizer aos homens que eles podem entender a revelação divina apenas com o intelecto, e se aproximar da Verdade de Deus, com a mente desassistida pelo Espírito Santo.
Por outro lado, colocar a culpa do que está acontecendo com o povo evangélico, como se fosse apenas uma resultante da cultura e dos costumes da atualidade é contraproducente,pois, se a cultura moderna com a sua tecnologia avançada e os costumes liberais, além de uma grande oferta no campo do entretenimento traz um pouco mais de dificuldades, isto não é determinante no resultado final. Pois o homem moderno na sua estrutura pessoal e psicológica é igual ao homem de todas as épocas, ou seja, é um pecador com todas as consequências que isso acarreta; e desse modo o diagnóstico e o remédio são os mesmos. É necessário a Palavra de Deus. Se as igrejas se voltarem para a “Palavra de Deus”, e rejeitarem as novidades teológicas e psicológicas dos dias atuais, os resultados logo se farão notar, pois os pecadores quando confrontados com a “Palavra”, serão salvos e convertidos em novas criaturas, assim como o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”  (II Cor. 5.17).
Porém a grande dificuldade para isso é o alto grau de comprometimento das lideranças evangélicas com as coisas dessa terra, em detrimento das coisas celestiais, pois, para se retomar a fé simples e a prática dos nossos pais, é necessário renúncia pessoal de muitas comodidades modernas, sendo uma delas, a mais difícil de todas, que é o desapego consigo mesmo, como diz Paulo em sua primeira carta aos coríntios: “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós porém uma incorruptível. Pois assim corro não como a coisa incerta; assim combato não como batendo no ar. Antes subjugo meu corpo, e o reduzo a servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.”  (I Cor. 9. 25-27). E ainda mais:  “Portanto quer comais quer bebais,ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem a igreja de Deus.” (I Cor. 10. 31-32). Hoje torna-se muito difícil tomar essa atitude apostólica, pois os líderes dos dias de hoje andam cercados de seguranças pois se acham sequestráveis, e ainda outros pregam protegidos por cabines a prova de balas, que semelhança há entre essas pessoas com o maior exemplo de liderança cristã que foi o apóstolo Paulo, que disse: “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus.”  Como será a interpretação desse versículo por esses líderes ( que estão com medo), superprotegidos pela segurança deste mundo, pois não confiam mais no Senhor.
Agora uma outra coisa muito grave que acontece, pois se alguma pessoa quiser entrar nas dependências desses templos riquíssimos, que eles dizem ser para a “glória de Deus”, e se tal pessoa não for do agrado dos mesmos, os seguranças a enxotarão imediatamente , ainda que esta pessoa seja da própria denominação. Agora se for de outra denominação, então nem se fala. Quando uma denominação se enriquece tanto que se faz necessário, seguranças para proteger os seus líderes, e quando um pecador não pode entrar livremente na casa de Deus em busca de misericórdia, é sinal que o juízo já está as portas, e isso é uma demonstração que a visão espiritual se tornou em cegueira. O relógio profético desses acontecimentos nos mostra que a noite espiritual já está muito avançada. Quando vemos tais acontecimentos se sucederem no recinto sagrado, isto se torna um forte aviso para aqueles que querem servir a Deus com sinceridade a serem mais vigilantes consigo próprios e se aproximarem de Deus e de Sua Palavra, pois os referenciais terrenos estão inseguros.
Dentro de um contexto grave como este, há algumas coisas práticas, que podem mudar algumas situações, e reverter o mal em alguns lugares, devolvendo  a vitalidade à igreja. Passaremos então fazer algumas sugestões, que serão muito úteis:
1) Pregação do Evangelho
2) Ensinamento da Palavra de Deus 
3) Preparação de lideranças Esclarecidas
4) A Unificação das Bíblias
5) O Cuidado com os Hinos Cantados na Igreja
6) O Tamanho e o Governo das Igrejas
7) De Volta para a Oração
Pregação  do Evangelho
Pregar o evangelho significa que o pregador deve conhecer muito bem a Lei de Deus, e as implicações da quebra desses mandamentos. Explicar claramente para os pecadores que a sua situação é extremamente grave diante de Deus.  Mostrar-lhes que o resultado do pecado em suas  vidas é a maldição de Deus sobre eles, a escravidão ao pecado e ao diabo, a degradação do seu ser interior, e a sua irreversível caminhada para o inferno. E que fique bem claro, que isto não é terrorismo espiritual, como dizem os adeptos da teologia liberal, mas a situação real do pecador diante de Deus.  Esta descrição terrível, está na revelação bíblica, e tem sido esquecida pelas igrejas e seus líderes, e isso é necessário porque através dessa descrição,  o Espírito Santo pode infundir temor e convicção de pecado no coração dos pecadores, como está escrito no Evangelho de João:  “E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe desse mundo está julgado.”  (João 16. 8-11).  Agora o pregador deve apresentar-lhes Cristo como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo:  “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” (João 1. 29).  E então deve falar-lhes  da misericórdia de Deus que entregou Jesus Cristo pelos nossos pecados e o ressuscitou  para a nossa justificação:  “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para a nossa justificação.” (Rom. 4. 25).  E com isso levando o pecador a se abrigar sob esta misericórdia  humildemente, e se arrepender verdadeiramente, tornando-se de fato uma nova criatura.  “Porque em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Gal. 6. 15). Esse primeiro passo, deve ser obrigatório e os pregadores devem se esforçar para uma perfeição maior possível, nesse mister.
Ensinamento da  Palavra de Deus
Ensinar significa fazer a exegese dos textos bíblicos, tornando-os claros para as pessoas e também fazer a aplicação pessoal dos mesmos, de uma forma pontual, com a finalidade de orientar e abrir o entendimento dos ouvintes para fazerem a vontade de Deus. Uma pessoa com um conhecimento claro e preciso é uma ferramenta poderosa no meio da igreja.  Por isso ensinar demanda um esforço que dura a vida inteira, muito trabalho, e investimento de tempo e dinheiro; e somente uma determinação poderosa, fortalecida pelo Espírito Santo, pode fazer isto. Ensinar não é ler chaves bíblicas, e nem contar histórias de personagens bíblicos ou circunstâncias históricas, ou ainda fazer afirmações de fé, experiencialismo,  ou demonstrações plásticas do poder de Deus.  Além disso, é necessário que o ensinador estude o vernáculo, pois se não conhece a própria língua, como poderá ensinar?  Deve ser um bom intérprete de textos, conhecer um pouco de ciências correlatas, tais como: História, geografia, antropologia, sociologia e conhecimentos gerais.  Pois as igrejas hoje tem muitas pessoas formadas, e um líder que fale sem conhecimento mínimo, não será levado a sério nesse mister.
Além disso é preciso ser um ensinador de oração, pois se os textos sagrados tem um lado histórico, geográfico e linguístico, tem também um lado espiritual, onde para se conhecer e explicar as verdades sagradas, conforme  a vontade de Deus é necessário receber a orientação e a revelação dos mesmos, que serão aplicados as vidas das pessoas diretamente pelo Espírito Santo.  Então ensinar é uma missão vital para a igreja e não pode ser delegada para amadores e neófitos, mas aqueles cujas vocações foram devidamente confirmadas.

Preparação de Lideranças Esclarecidas
Preparar lideranças não é dar um curso de teologia para alguém, ou então um cursinho para líderes de fim de semana, e achar que isso é suficiente. Preparação de lideranças é algo muito sério, isto deve ser um programa permanente durante toda vida em uma igreja, e isto deve acontecer desde que uma pessoa já comece a frequentar a igreja, pois o pastor deve olhar todos os membros como se fossem futuros líderes, e então começar a preparação para uma eventual liderança através do ensino doutrinário denso e consistente nesse sentido, e isso, deve ser uma constante nas igrejas.  E não  um curso fortuito chamado de curso de liderança uma vez ou outra. O pastor da igreja, que foi preparado para ser um líder de verdade e não um líder de carteirinha, como tem acontecido ultimamente, deve administrar esse ensino diuturnamente e através de um olhar treinado pela experiência e também iluminado pelo Espírito Santo, observando o desenvolvimento de cada pessoa, e descobrir novas vocações na nave da igreja, e então para esses novos vocacionados , direcionar o ensino para a sua área específica. Se ele (pastor) perceber que alguém tem vocação para diácono; ensiná-lo a ser um bom diácono, porém se ele tem vocação para presbítero, ensiná-lo a ser um bom presbítero e assim por diante. Não como se faz atualmente, que estes cargos são considerados como carreiras em forma de degraus, onde a pessoa é cooperador, depois diácono, depois presbítero, depois evangelista, e finalmente pastores, isto é uma visão errada;  por isso chegamos a essa crise nas lideranças; onde muitas pessoas que poderiam ser um bom diácono é ungido à presbítero, ou vice-versa, cargo este que não é sua vocação, tornado o seu ministério infrutífero e improdutivo.
E isso acontece em todos os cargos de liderança e somente de vez em quando se acerta uma pessoa no cargo certo.  Por isso vemos a situação da igreja tão difícil, onde pessoas sem condições mínimas, tomam decisões que causam tanto prejuízo para o povo de Deus. Falando do ponto de vista pentecostal; embora essas pessoas tenham os dois requisitos mínimos para ser um líder; que são: O batismo com o Espírito Santo e um curso de teologia, não se é observado o principal que é a vocação para uma “liderança esclarecida”; ou dizendo de outra forma , a vocação para apascentar a igreja de Deus, como está escrito na primeira carta de Pedro capítulo 5 e verso 2, parte A: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele...”  E a falta dessa vocação de apascentador, tem trazido distorções graves para a igreja do Senhor.  Uma outra coisa que acontece de grave nessa situação é que as pessoas preferidas para esses cargos, são as pessoas que tem uma capacidade administrativa, ou seja, é um critério importado da mentalidade empresarial.
Então para ser um pastor hoje, o que se espera dessas pessoas hoje, é que sejam “bons administradores”, e não apascentadores e ensinadores; e como resultado desse critério, terreno, as igrejas estão cada vez mais parecidas com empresas e não como igrejas; onde o que se conta são os resultados imediatistas e o sucesso no crescimento, e não a qualificação espiritual  das pessoas com a consequente melhoria na sua cidadania celestial, com a formatação de Cristo nas mesmas.

A Unificação das Bíblias
Hoje já está estabelecida a confusão nos arraiais evangélicos, no que se refere as Bíblias; pois o que mais existe são versões mutiladas e falsificadas; versões estas, que são um verdadeiro perigo para a fé da igreja, e os pastores como responsáveis pela igreja, deveriam prestar mais atenção para isso; e orientar os seus membros, quanto a isso. Das minhas pesquisas sobre esse assunto, eu posso indicar as melhores que são: 
João Ferreira de Almeida
Edição corrigida e revisada, Fiel ao Texto Original  (ACF)
Da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil

Também a Bíblia Apologética do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas)
Que Também é: João Ferreira de Almeida
Edição corrigida e revisada, Fiel ao Texto Original (ACF)
Versão da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil

Bíblia de Estudo da Mulher da Editora Atos
Que Também é: João Ferreira de Almeida
Edição Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original (ACF)
Versão da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil

Todas essas Bíblias usam a versão da Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, que tem um compromisso de fé , para com a Palavra de Deus, e lutam pela integridade dessa Palavra, o que infelizmente já não acontece com outras sociedades bíblicas, que promovem um desserviço a causa do Mestre, aqui na terra. E isto, com as suas versões mutiladas e descaracterizadas em relação ao“Textus Receptus”, ou seja o “Texto Recebido”;  pois usam misturá-lo em maior ou menor grau com os falsos manuscritos alexandrinos.

O Cuidado Com os Hinos Cantados na Igreja
Esta é uma parte muito delicada, pois o louvor à Deus, requer muita responsabilidade, e um senso equilibrado no que se refere a melodia e a letra. Por isso não pode ficar nas mãos de neófitos e despreparados, pois isso compromete a adoração à Divindade.  Preferencialmente, devem ser cantados os hinos do hinário oficial da igreja. O qual já passou pelo crivo doutrinário da “Liderança Esclarecida da igreja”.  Uma outra coisa a igreja deve evitar formar conjuntos de cânticos, como é moda hoje nas igrejas modernas, tais como: Corais, quartetos, mocidade, irmãs, irmãos, jovens, etc., ou então limitá-los ao mínimo, pois com a proliferação desses conjuntos; a igreja passa a ter pelo menos, dois problemas: O primeiro é que com a apresentação dos mesmos no decorrer do culto, a igreja fica apenas como espectadora, e isso distorce a realidade espiritual, pois o louvor não é uma prerrogativa de um grupo ou vários, mas de toda a igreja.  O segundo é que com muitos conjuntos , todos precisam ensaiar, e com isso tiram todo o tempo em que a igreja deveria estar sendo ensinada  na Palavra de Deus. Conclusão: É melhor a igreja toda cantar e ouvir a Palavra de Deus.  Agora uma coisa que eu acho corretíssima, é haver um ensaio para toda a igreja aprender a louvar a Deus, pelo menos uma vez por semana.
O Tamanho e o Governo das Igrejas
Uma realidade dos dias atuais, é o tamanho crescentes das igrejas modernas. Parece que o sucesso das mesmas é medido pela quantidade de pessoas concentradas em um mesmo lugar; e também a riqueza das construções para abrigar essas multidões. Há uma verdadeira febre dos líderes evangélicos em construir templos gigantescos e estilosos, numa porfia sem fim, para exibir o sucesso das suas denominações, e com isso gastando verdadeiras fábulas com essas mega construções; e também muito dinheiro para se fazer a manutenção das mesmas depois de prontas.  Então um dos principais problemas que isso gera, é que o dinheiro dos dízimos e ofertas que entram na igreja nunca é suficiente; estando esses líderes sempre pedindo mais, para dar continuidade a esses mega projetos.  Por outro lado o investimento nos membros da igreja é sempre deixado de lado. Tudo o que se faz para um membro é pago, ou seja, qualquer evento de ensino ou aconselhamento, etc.  A primeira coisa que falam é que tem de se fazer uma inscrição, que naturalmente deve ser paga. Na escola dominical, a revista é paga, qualquer apostila sobre qualquer assunto, mesmo que tenha apenas três páginas, deve ser paga; e vai por aí a fora. Uma outra coisa gravíssima, é quanto a assistência social ; pois para se fazer uma cesta básica para os necessitados, é necessário que os irmãos tragam mantimentos para a igreja , pois a mesma não tem nada para oferecer aos necessitados. Onde está o cumprimento daquela parte do ensino de Malaquias capítulo 3 e versículo 10, que diz: “Trazei todos os dízimos a casa do tesouro para que haja mantimentos em minha casa...” Ou seja o ensino de Malaquias 3 , tão usado pelas lideranças modernas, fora do contexto exegético e teológico, para se exigir o dízimo dos membros, não serve para lhes ensinar como administrá-lo biblicamente; ou seja , dois pesos e duas medidas, para membros e lideranças.
Agora uma outra coisa que é extremamente grave é quanto a obra missionária da igreja, que deveria ser financiada pelos dízimos e ofertas que entram na igreja, e não por ofertas esporádicas e carnezinhos , como se vê hoje nas igrejas.  Eu até concordo que se necessário a igreja possa ser engajada em algum projeto que se exija um gasto maior, mas a fonte natural geradora de recursos para a obra missionária deve ser os dízimos e ofertas alçadas cotidianamente nas igrejas.
Agora se os líderes desviam os recursos da igreja para esses mega projetos, é lógico que todas as demais responsabilidades da igreja na área social e missionárias, vai ter de vir de outras fontes, tais como: Ofertas especiais , carnezinhos , etc. O que não seria preciso, se o dinheiro da igreja fosse administrado de uma forma bíblica e criteriosa; porém isso só seria possível se a igreja tivesse controle sobre o seu próprio destino, mas isso é impossível  com o tipo de governo  que hoje existe nas igrejas pentecostais e neopentecostais, que é um governo “Episcopal Centralizador”, cujos poderes totais sobre a igreja , é exercido por um único homem chamado de: Bispo, apóstolo, patriarca, missionário ou pastor presidente; o que dá na mesma coisa. Esse homem tem um grupo de elite chamado ministério, que teóricamente o auxilia no governo da igreja, mas na prática todo esse ministério está submetido à autoridade desse homem, não podendo pensar diferente dele em nenhuma hipótese.  Por isso eles não tem peso nenhum em qualquer decisão  que o mesmo venha a tomar; pois com os seus cargos dependendo desse líder, não podem discordar, nem que a igreja seja prejudicada pelas decisões , que porventura sejam tomadas pelo mesmo. E se tentarem fazer isso , serão como indivíduos e não como ministério, e isso com todas as consequências que isso acarretará para as suas próprias vidas.  Pois essa aparente democracia é apenas superficial, pois a realidade nua e crua é que prevalece a mão de ferro do líder maior. Então a verdade é que a igreja como corpo não tem peso qualquer , nas decisões tomadas por esse grupo. E é levada a reboque por essas pessoas que tomam decisões muitas vezes, que são contra os interesses da própria igreja, haja visto na obra social e missionária.
Agora em relação ao tamanho da igreja, ela deve ser conforme um pastor tenha a capacidade de cuidar e acompanhar o desenvolvimento  de cada pessoa e de cada família; pois o que passa disso , torna-se impraticável, pois a qualidade espiritual de uma pessoa ou família requer um  acompanhamento bem de perto de um pastor; e não como hoje que os pastores são na maioria das vezes apenas líderes formais. Os quais , quase nunca conhecem as pessoas e as famílias das igrejas que dirigem, e se especializaram em ser apenas dirigentes de culto; não tendo a mínima participação em acompanhar a vida espiritual dos seus membros, por falta de tempo e também de interesse, pois na maioria das vezes estão envolvidos em grandes projetos que são obviamente muito mais importantes que as próprias pessoas.  As suas consciências foram cauterizadas por essa filosofia maligna, que lhes tirou a visão espiritual, e lhes deu uma visão empresarial.  Já não se sentem mais como o apóstolo Paulo, que tinha dores de parto pelos seus liderados, até que Cristo fosse formado nos mesmos, o qual usa uma linguagem fortíssima para descrever esse estado do seu espírito atribulado:“Meus filhinhos por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.” (Gal. 4. 19)
E com esta falta de empatia com a igreja, há uma distorção que é gerada na formatação dessas novas gerações de evangélicos, que já tem o seu nascedouro espiritual comprometido. A solução para isso é difícil, senão impossível, mas existe.
É lógico que nenhum líder hoje vai querer esse conselho, pois teria que abdicar as suas comodidades e benesses, o que nunca fariam. Então como resolver esse problema?  O único jeito é refazendo tudo, como disse o próprio Cristo: “Ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão. Mas o vinho novodeve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.”  (Luc. 5. 37-38).  Por isso, essa sugestão é para aqueles que estão começando um novo ministério, antes que, o mesmo cresça e se torne como os demais.
Primeiro : A igreja  deve ter o tamanho que um pastor possa cuidar e acompanhar; quando atingir esse limite deve ser aberta outra congregação, e assim por diante.
Segundo:  Quanto ao governo deve ser “Congregacional Misto”, ou seja, as decisões devem ser tomadas por um conjunto de três poderes.  Sendo que 30% , desse poder estaria com uma convenção, formada por Lideranças Esclarecidas de todas as regiões e estados. Outros 30%, estariam com o ministério da igreja local, isto é: Toda a liderança da igreja local , constituída por: pastores, presbíteros, evangelistas, diáconos e professores da escola dominical; e os demais 40%, estaria com os membros da igreja devidamente registrados como tal. E todo este poder seria exercido por voto secreto, sendo as decisões tomadas por maioria, nos três níveis de poder. Agora porque todo esse cuidado ?  Isso para se evitar o que já está acontecendo hoje , que um líder com muito poder nas suas mãos , manipule esse poder , mudando a constituição da igreja e da convenção com a finalidade de se perpetuar no poder, ou que também um pastor fique nas mãos de um grupo da igreja local ou também de uma convenção, trabalhando oprimido , tendo que agradar ora este, ou, ora outro, sem se fixar no mais importante que é ensinar e cuidar do povo de Deus. Agora tudo isso será realizado sem campanhas ou propagandas, apenas com o esclarecimento pelos órgãos de comunicação oficial da igreja.
Uma outra coisa é que cada congregação, mesmo sendo da mesma denominação serão autônomas financeiramente . Sendo apenas necessário ajudar uma congregação, quando em fase inicial e também contribuir com uma taxa, para a manutenção da convenção, e quando se fizer necessário para projetos comuns de ordem missionária.
De Volta para a Oração
Uma das características mais marcantes das igrejas dos nossos antepassados, era a oração; eles se entregavam a ela com uma disposição a toda prova. Chegar ao templo e ajoelhar-se e ficar em oração até começar o culto, era uma atitude normal, cultos de oração, vigílias nos fins de semana e orações nos lares, eram uma constante. Hoje se visitarmos uma igreja histórica que tem a sua herança na Reforma, do século 16, vemos que o povo nem sequer se ajoelha mais quando entram nos templos. Já os pentecostais , herdeiros do movimento de renovação americano da rua Azuza, que nasceu sob o poder da oração com um impulso tão poderoso que alcançou o mundo, são poucos os que efetivamente oram , de formas que já vemos nos templos muitos que se comportam como os das  igrejas da reforma , ou seja , chegam nos templos sem a mínima preocupação com a oração, e por isso a igreja perdeu poder e autoridade espiritual. A maior parte não tem mais coragem para orar por um enfermo, e se for para  expulsar um demônio ,nem se fala. As lideranças ganharam em conhecimento e” status”, dentro da hierarquia denominacional, mas isso foi inversamente proporcional em autoridade espiritual e poder do Espírito Santo, pois não tem mais autoridade para orar pelos enfermos e quando oram , não acontece nada, a não ser em raros casos, por isso as pessoas perderam a confiança nos mesmos, e dificilmente procuram os pastores quando precisam , mas vão atrás das irmãs que consagram as suas vidas e com isso geram confiança  nos membros da igreja, e também porque estão mais perto dos mesmos.  E quando isso não é possível vão para uma igreja neopentecostal  onde esperam encontrar alguma ajuda, pois se não tem uma doutrina muito coerente, mas falam muito sobre a fé e o mais importante ; funcionam o dia inteiro e estão sempre acessível as pessoas. Isto que eu estou falando é o que eu tenho escutado no meio da igreja , e até com pessoas que me disseram terem sido beneficiadas nesses lugares, agora não adianta falar que as práticas dos mesmos não estão corretas e dizer que os irmãos estão errados, com um ar de muita indignação, enquanto essas distorções não forem corrigidas, pois se ficarem gritando contra os mesmos mas não estiverem a disposição dos membros da igreja na hora das suas necessidades, isso não mudará em nada , pois serão apenas palavras vazias e sem conteúdo real. Agora esses irmãos vão a esses lugares em busca de uma oração, porque não sentem o apoio e o interesse dos seus líderes na hora da dificuldade e também porque eles não inspiram mais confiança com as suas orações formais e sem demonstrar um interesse verdadeiro pelos seus liderados, pois estão sempre cheios de compromisso extra igreja, e apressados, sem tempo para atender ao povo que deveriam cuidar, pois são responsáveis por suas almas. Dessa forma é necessário levar o povo de volta para a oração e o jejum, buscar o poder do alto. E os líderes devem ser o exemplo do rebanho , para que se transforme em um catalizador e também em um aglutinador nesse sentido. Pois um povo que cultiva a oração tem a capacidade de movimentar o mundo espiritual, pois a oração de um justo pode muito em seus efeitos. Por isso caro irmão pastor, se andar nessa direção levando o seu povo; certamente você estará formatando uma geração de gigantes espirituais, que farão a diferença nessa geração e também nessa nação.
Últimas palavras
Não é com prazer que falo dessas coisas, nem com a intenção de agravar quem quer que seja , porém, os fatos nos deixam consternados, quando vemos que a igreja toma rumos que não são bons, e observamos as pessoas desorientadas  sem saber a quem recorrer, porque não tem realmente a quem recorrer, antigamente os pastores moravam ao lado da igreja e quando acontecia alguma coisa em suas casas os irmãos corriam na casa do pastor , que tinha aquela segurança para atender os irmãos desesperados , e muitas vezes até fora de hora iam fazer uma oração, dar um conselho e algumas vezes só chorar com a ovelha, mas infelizmente as coisas mudaram; e os membros já não sabem onde seus pastores moram  e também os pastores não conhecem os membros das igrejas onde dirigem, de formas que não adianta ficar recordando o passado, mas sim procurar uma solução para isso. Agora eu sei que a única resposta que terei  quanto a essa preocupação será , muito provavelmente a tentativa  de desmerecimento da minha pessoa: Quem é este que fala estas coisas? Ele é por acaso um pastor ? Quantas igrejas já dirigiu? Qual é o seu histórico? Que formação tem? Qual a sua experiência? Mas não irão refletir sobre o que falei, estarão mais preocupados com a minha pessoa, e isso é muito triste, porque nós só crescemos quando enfrentamos nossos problemas com disposição de resolvê-los, porque se não for assim já perdemos a batalha antes mesmo de iniciá-la. Agora para responder-lhes quem eu sou , eu quero com muita humildade usar as palavras do maior homem que passou por esta terra , depois do Senhor Jesus, quando lhe perguntaram quem ele era : “ Eu sou a voz que clama no deserto:  Endireitai o caminho do Senhor...”  (João 1. 23 A), e também eu creio firmemente que : “  Deus escolheu as coisas loucas desse mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são. Para que nenhuma carne se glorie perante Ele.”  ( I Cor. 1. 27-29).  Todas as críticas aqui comentadas são pertinentes e estão acontecendo em maior ou menor grau em quase todas as denominações, sejam elas pentecostais ou históricas, e não foram feitas com a finalidade de provocar tumultos, mas, sim , de chamar a atenção dos líderes atuais , para que reflitam e procurem fazer o trabalho do Mestre, com muito zelo e cuidado. A intenção do mesmo é ajudar a igreja moderna, se possível, para que cumpra o seu ministério de forma produtiva e correta; a luz da Bíblia, por isso , não apenas critico , mas humildemente indico caminhos para se melhorar esta situação, por isso reflitam sobre isso, pois vocês  (líderes/pastores) serão responsabilizados por tudo de bom e também por tudo de ruim que venha acontecer , ou já esteja acontecendo com a igreja, diante de Deus Pai Todo Poderoso.

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