18 março 2017

HERESIAS DE PERDIÇÃO: AD ABRINDO PORTAS PARA O CALVINISMO

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Vamos colocar os pingos nos is:
Primeiro, gosto do Rev. Hernandes, e já soprei aos quatros ventos que ele é meu presbiteriano favorito. Amo ouvir suas pregações e sei que ele é homem de Deus que, dado seu tom sempre respeitoso e equilibrado, tem curso livre nas Assembleias de Deus do Brasil. Todavia, acho que há um bom limite confessional que deve ser mantido: numa Escola de Obreiros e líderes assembleianos, onde lideranças devem ser formadas segundo sua teologia, história e convicções próprias (Cânones) da igreja que as está formando, não penso ser Hernandes um nome indicado para ministrar num momento como este, como não creio que num evento para formação de lideranças e ministros presbiterianos algum assembleiano deva ser convidado para palestrar. Aliás, quantas vezes Antônio Gilberto, Abraão de Almeida ou Elienai Cabral já pregaram para os ministros da Presbiteriana em Vitória (ES), onde o Rev. Hernandes pastoreia? Como diz o arminiano A. W. Tozer, "Dividir o que deve ser dividido e unir o que deve ser unido faz parte da sabedoria". Quando Paulo resolveu em seu coração que não se deveria levar Marcos consigo, mas o primo dele Barnabé propôs em seu coração que se deveria levar, Paulo não seguiu aos trancos e barrancos. Ele apenas disse: "Barnabé, amigo, siga seu caminho...". Portanto, vamos dividir as coisas direitinho, deixando tudo em seu devido espaço, sem perder o amor por causa disso.
Segundo, não sou inimigo do Rev. Augustus, mas seu público e repetido deboche aos pentecostais e seus posicionamentos cessacionistas e sua hermenêutica reducionista de Lucas-Atos (cuja interpretação pentecostal clássica - que é vital ao movimento! - diverge em muito da interpretação calvinista histórica), deveriam mantê-lo afastado dos púlpitos assembleianos (a não ser que sejamos masoquistas. Eu não sou!). Embora eu respeite o doutorado de Nicodemus e sua experiência missionária dos tempos de sua juventude, o que importa é o Nicodemus de hoje (pois não creio que ele vá a esta Escola de Obreiros para contar história). E o Nicodemus de hoje é aquele para quem as línguas estranhas são "chupabalahalls", para quem os assembleianos são irracionais que gritam "glória a Deus e aleluia" quando o presbiteriano diz "Vai que a mala caia!", e que escreveu em seu blog e em seu livro (O que estão fazendo com a igreja?, ed. Mundo Cristão) que para abraçar a Reforma completa deve-se abrir mão das crenças e experiências pentecostais como línguas, profecias e milagres. Pode mesmo haver igreja saudável negando as operações maravilhosas do Espírito Santo, que promoveu um santo marketing do Evangelho de Cristo, rapidamente atraiu multidões à salvação, levou alívio ao sofrimento de milhares de pessoas, e redundou em glórias a Cristo no primeiro século? Não creio. E acho que posso falar, visto que esta é a alma da AD brasileira, a nossa igreja também não crê! Mas uma coisa concordo com o Reverendo: Nicodemus disse nos Estados Unidos, e esta Escola Bíblica comprovará, que a Assembleia de Deus no Brasil tem contribuído para o crescimento do calvinismo no país. Lá, ele referiu-se à editora CPAD (que, para quem não sabe, a sigla significa Casa Publicadora das ASSEMBLEIAS DE DEUS!), mas soma-se a isto eventos de grande importância, como esta Escola de Obreiros e líderes. Fatidicamente Nicodemus está certo. Nisso, para minha decepção, não posso contestá-lo.
Agora, minha queixa não é só devido à escolha destes dois nomes, vultos do Calvinismo no Brasil. Minha queixa é: não temos em nossa igreja homens abalizados nas Escrituras e com larga experiência pastoral para instruir dentro dos limites da confessionalidade assembleiana sobre crescimento saudável de igrejas? Com exegetas da envergadura de Ezequias Soares, Esdras Bentho e Marcelo Oliveira, com pastores-mestres da envergadura de Abraão de Almeida, Antônio Gilberto, Walter Brunelli, Claudionor de Andrade, Silas Daniel; com pastores-presidentes com larga experiência no campo missionário e na implantação de igrejas saudáveis como Pr. Daniel Nunes (Campina Grande-PB) e Pr. Ailton José Alves (Recife-PE, cujas congregações filiadas somente na grande Recife já passam de MIL! E cujos trabalhos sociais são dignos de serem imitados!); com tantos missionários brasileiros que estão implantando igrejas saudáveis fora do país, como o mestre Altair Germano (hoje na Itália)... Por que trazer mestres que destoam de nossa confissão para formar nossos obreiros e líderes? Não conheço a igreja AD em Imperatriz, mas o que ouço falar dela é que é uma igreja que investe pesado em obra missionária. Então minha pergunta é: acabaram-se os mancebos? Não há profeta em Israel para que vades consultar os rabinos calvinistas? Não há missionários nesta igreja de muito maior referência na implantação de igrejas saudáveis? Cessaram as mãos calejadas entre os assembleianos? Desapareceram os pastores com cicatrizes no corpo de tanto sofrer em busca das almas?
Se é sobre "crescimento", os pentecostais clássicos tem experiência de sobra. Se é sobre "saúde no crescimento", os pentecostais também tem experiência de sobra. A presença dos ministros calvinistas nesta Escola de Obreiros nem se dá pela falta de pregadores expositivos ou mestres em nossa denominação, nem também pela falta de pastores ou missionários que possam com conhecimento teórico e prático nos ensinar sobre "crescimento saudável". Por que será, então?
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Enquanto a igreja Assembleia de Deus continuar a coar mosquitos ("mulher não pode usar brinco nem calça e homem não pode usar barba" - a propósito, Nicodemus fará a barba antes de ministrar no púlpito assembleiano? Duvido!), e ficar a engolir camelos (pastores cuja Teontologia, Soteriologia, Pneumatologia e Escatologia divergem gritantemente da nossa), sempre ficaremos nessa posição de raquitismo teológico ou, como alguém já caricaturou, "do patinho feio". E talvez pior: talvez soframos um resfriamento no ímpeto pentecostal, talvez definhemos em nosso "primeiro amor" e talvez até sucumbamos como as igrejas da Europa que, desprezando o poder do Espírito e, apegando-se demasiadamente ao academicismo teológico e a letra desprovida de vida e Espírito, decretaram falência e fecharam as portas.

Tiago Rosas

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