31 março 2017

IGREJA ANGLICANA RECEBEU MAIS DE MIL DENÚNCIAS DE ABUSOS SEXUAIS

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A Igreja Anglicana da Austrália recebeu mais de 1.115 queixas de abusos sexuais por parte de clero ou figuras ligadas à instituição no espaço de 35 anos, entre 1980 e 2015.

Os dados foram revelados no âmbito da Comissão de Inquérito que ao longo das últimas semanas tem apresentado conclusões sobre o panorama de abusos sexuais de crianças no país. A Igreja Católica já foi alvo de análise, revelando-se a existência de mais de quatro mil queixas no mesmo espaço de tempo. Os católicos na Austrália representam cerca de 23% da população e os anglicanos cerca de 17%.

As queixas contra a Igreja Anglicana envolvem 569 figuras ligadas à Igreja, incluindo 247 membros do clero, segundo dados da comissão, citados pela BBC, e responsáveis da Igreja admitem que em várias situações tentaram encobrir os casos para salvaguardar a reputação da Igreja.

“Gostaria de exprimir o meu sentido de vergonha e tristeza pela forma como as vozes dos sobreviventes foram muitas vezes silenciadas e os interesses da Igreja colocados em primeiro lugar”, afirmou o arcebispo de Melbourne, Philip Freier, na comissão.

Segundo os dados revelados pela comissão, as 1.115 queixas foram feitas por 1.082 pessoas e a idade média das vítimas era de 11 anos, sendo 75% rapazes. Em média levou 29 anos para que cada queixa fosse tornada pública. Apenas uma das 23 dioceses anglicanas da Austrália não teve qualquer queixa, todas as outras tiveram pelo menos uma e dos 84 alegados abusadores que foram referidos à polícia apenas quatro foram já constituídos arguidos, estando 23 ainda sob investigação.
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Um dos testemunhos que a Comissão ouviu foi do bispo Greg Thompson, de Newcastle, na Austrália. O bispo admitiu que foi abusado quando era mais novo e que durante a sua vida sofreu pressões para não falar publicamente sobre o assunto, admitindo que essas pressões tinham afetado a sua saúde.

A secretária-geral do sínodo dos bispos anglicanos da Austrália admitiu que a Igreja errou ao tentar silenciar as vítimas. “Testemunhamos em primeira mão o sofrimento daqueles que partilharam as suas histórias. Vimos nas suas caras e ouvimos nas suas vozes não só a dor do abuso que sofreram em crianças, mas os danos acrescidos que lhes infligimos quando em adultos vieram procurar justiça e conforto e nós os afastamos”, disse Anne Hywood.

Fonte: Renascença - Portugal

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