03 julho 2017

DEBATE PRECIOSO ENTRE O ASSEMBLEIANO TIAGO ROSAS E O BATISTA MARCOS GRANCONATO

Pastor da Igreja Batista Redenção, em São Paulo. É Bacharel em Direito, pela USF de Bragança Paulista, e Bacharel em Teologia Sistemática pelo seminário Palavra da Vida, onde leciona Teologia Sistemática e ministra cursos de História Eclesiástica. Mestrando em História Eclesiástica na Universidade Mackenzie. Calvinista cessacionista


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Tiago Rosas Formado em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Bacharel em Teologia pelo ICI Brasil, Tiago Rosas é presbítero da AD Campina Grande e atua como Superintendente adjunto da EBD no Templo Central. Escritor, tem seu Canal no Youtube tratando de doutrinas bíblicas e seu perfil no Facebook tem atraído e gerado grande interesse por sua exposição da doutrina bíblica e defesa da fé cristã e um bom expoente dentro da Assembleia de Deus



Caros irmãos, a paz do Senhor.
Desejo que vão bem.

Os que seguem o Blog já conhecem bem o Pr. Marcos Gancronato. Sabem como é exposta sua teologia e como é agressivo quanto ao Pentecostalismo e mui rude quando aborda a questão do batismo com o Espírito Santo e mui particularmente é um pastor inimigo das ADs. Ataca os que se opõem ao seu cessacionismo e crê, contundentemente no Calvinismo, defendendo-o.

Tiago Rosas é ainda pouco conhecido. É um jóvem presbítero da Assembleia de Deus da Paraíba, professor da EBD, que vem se destacando em grande parte pela defesa que faz, da bíblia como a revelação de Deus e mui eficazmente tem 'combatido' com suas exposições o pentecostalismo clássico, vivido e pregado pelas ADs no Brasil.

É escritor e vem ganhando a simpatia de milhares de pessoas em sua página no Facebook, ao defender com maestria aquilo que crê e ensina e/ou refuta com sabedoria divina e conhecimento bíblico aos que se opõem a esse pentecostalismo.

E devido á sua crescente aparição na Rede Social, teve um embate teológico com o Pr. Marcos Gancronato, que foi de grande valia para os que amam a teologia bíblica e assembleiana.

Tiago Rosas conseguiu, pela graça de Deus, levar a verdade e refutar a muitas inverdades e erros teológicos vindos do Pr. Marcos.

Por ser um debate que nos enriquece(de ambas as partes), compartilho-o aqui, para você, que como eu, gosta das verdades bíblicas e de um bom debate teológico.

Bom proveito.

Debate:  Tiago Rosas X Marcos Granconato

Tudo começa com a publicação de um post intitulado “Declaração dos Direitos de Deus” por Marcos Granconato (pastor batista calvinista cessacionista), para o qual escrevi minha própria versão dos direitos de Deus, não no intuito exatamente de “refutar”, mas de complementar o post do Granconato, embora, é claro, alguns dos “direitos” de Deus declarados por Granconato pareçam-me uma má interpretação dos textos bíblicos. O debate foi quente, especialmente pelo fato de o Pr. Granconato tratar os pioneiros pentecostais fundadores da Assembeia de Deus, Gunnar Vingren e Daniel Berg, como “malandros”, “enganadores”, “seguidores de lorota”, e de “mentirosos”! Ao final, Granconato admite ter se excedido e pede desculpas. Acompanhe:

MARCOS GRANCONATO: DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DE DEUS
Artigo 1.°: Deus tem o direito de permanecer calado (Jó 30.20). // Artigo 2.°: Deus tem o direito de dar ao homem o que quiser, bem como de tirar das pessoas o que bem lhe aprouver (Jó 1.21). // Artigo 3.°: Deus tem o direito de criar indivíduos com defeitos físicos sem revelar as razões disso (Ex 4.11). // Artigo 4.°: Deus tem o direito de fazer adoecer e de tirar a vida de pessoas inocentes, inclusive crianças (2Sm 12.15-18). // Artigo 5.°: Deus tem o direito de trazer desgraças e calamidades sobre grandes populações, sempre que, à luz de seus desígnios insondáveis e soberanos, julgar isso necessário (Ex 12.29-30; Is 45.7). // Artigo 6.°: Deus tem o direito de elevar homens ímpios à posição de líderes governamentais a fim de usá-los para a realização de seus planos perfeitos e sábios (Dn 4.17; Jo 19.10-11). // Artigo 7.°: Deus tem o direito de disciplinar seus filhos como e quando quiser (Hb 12.10-11; Ap 3.19). // Artigo 8.°: Deus tem o direito de dizer “não” como resposta às orações dos homens (Dt 3.23-26; 2Co 12.7-9). // Artigo 9.°: Deus tem o direito de exigir dos seus servos tudo que quiser, sem ter de dar nada em troca e sem prejuízo do disposto no artigo anterior (Gn 22.1-2). // Artigo 10.°: Deus tem o direito de rejeitar cultos manchados por irreverência, por desordem e por práticas que ele nunca exigiu de seus adoradores (Is 1.11-15; 1Co 14.40). // Artigo 11.°: Deus tem o direito de endurecer o coração de quem quiser (Rm 9.18). // Artigo 12.°: Deus tem o direito de criar pessoas destinadas para o castigo (Rm 9. 21-22). // Artigo 13.°: Deus tem o direito de fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo do homem perdido (Mt 10.28; Ap 1.18). // Artigo 14.°: Deus tem o direito de escolher pessoas para com elas usar de misericórdia (Rm 9.15,18). // Artigo 15.°: Deus tem o direito de impor-se acima da vontade humana, desconsiderando-a e desprezando-a sempre que se chocar com seus desígnios imutáveis (Jó 11.10; Is 43.13; 46.10). // Artigo 16.°: Deus tem o direito de ser louvado, amado e adorado, inclusive quando exerce todos os direitos elencados nos artigos anteriores (Jó 1.21; Ap 14.6-7). // Artigo 17.°: Os direitos supracitados são irrevogáveis e irretratáveis, independentemente do inconformismo dos homens ou mesmo quando ameaçam sua liberdade, devendo ser proclamados e defendidos pela Igreja no exercício de suas atribuições, sob pena de rompimento com o cristianismo histórico
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

TIAGO ROSAS:DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DE DEUS
Artigo 1°: Deus tem o direito de falar com o homem por diversas formas, que não apenas por letras gravadas no papel (Jó 33.14-18). // Artigo 2°: Deus tem o direito de dar ao homem o que quiser, inclusive o direito de acrescentar ainda mais ao que já tem (Mc 4.25). // Artigo 3°: Deus tem o direito de curar os deficientes físicos, inclusive por meio dos maravilhosos dons extraordinários de curar, sem dar satisfação aos cessacionistas por isso (Mc 16.17,18). // Artigo 4°: Deus tem o direito de restituir a vida aos mortos, em resposta à oração de seus servos e por meio do dom de operação de maravilhas (At 9.40). // Artigo 5°: Deus tem o direito de trazer a benção da restauração e da salvação sobre grandes populações ímpias, às quais Ele estende amorosa, irrestrita e soberanamente seu braço salvífico (Jn 3.5-10). // Artigo 6°: Deus tem o direito de exigir da igreja que ore em favor dos homens ímpios que lideram governos, a fim de que tenhamos todos dias sossegados na terra (1Tm 2.2). // Artigo 7°: Deus tem o direito de consolar seus filhos aflitos em meio às adversidades da vida (2Co 1.3,4). // Artigo 8°: Deus tem o direito responder às orações de quem por clamar com fé (Jr 33.3). // Artigo 9°: Deus tem o direito de recompensar seus servos que lhe servirem com fidelidade, dando-lhes abundantemente mais do que pedem ou pensam (Ap 22.12). // Artigo 10°: Deus tem o direito de rejeitar cultos manchados por formalismo, por uma estética desprovida de devoção e por práticas que arrefeçam a livre operação do Espírito Santo, esfriando o “primeiro amor” a despeito da presença de doutrinas robustas (Ap 2.4-5; 1Co 14.26). // Artigo 11°: Deus tem o direito de recusar sua graça salvífica àqueles que se endurecem em seus corações (Hb 3.15-19). // Artigo 12°: Deus tem o direito de destinar ao castigo somente aqueles que deliberadamente recusam sua graça e benevolência e persistem na incredulidade (Rm 2.4,5; 9.30-33). // Artigo 13°: Deus tem o direito de condenar e lançar no inferno eterno todos aqueles que não crerem no Cristo a quem Deus enviou por amar o mundo (Jo 3.16,17). // Artigo 14°: Deus tem o direito de escolher pessoas segundo a condição por ele estabelecida, que é a fé, para com elas usar de misericórdia (At 16.31; Rm 11.22,23). // Artigo 15°: Deus tem o direito de governar soberanamente e magistralmente acima das criaturas por Ele criadas, que são agentes morais livres feitas à sua imagem e semelhança, prevendo cada uma das ações delas e garantindo que nada jamais sairá de seu perfeito e sábio governo, embora não negue às criaturas a liberdade da vontade (Mt 23.37-39). // Artigo 16°: Deus tem o direito de ser amado, desejado, servido e adorado, inclusive quando exerce livremente os direitos acima elencados (1Tm 1.17). // Artigo 17°: Os direitos supracitados são irrevogáveis e irretratáveis, independentemente do inconformismo dos homens ou mesmo quando ameaçam sua liberdade, devendo ser proclamados e defendidos pela Igreja no exercício de suas atribuições, sob pena de rompimento com o cristianismo bíblico e neotestamentário.
Tiago Rosas
Ao Deus vivo da Palavra viva e da Igreja viva, seja glória para sempre!
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A partir daí começa a discussão
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GRANCONATO:
A versão Fake desses direitos já começa errado, colocando, no Artigo 1, a percepção espiritual de alguém em pé de igualdade com a Escritura e reduzindo o texto sagrado a meras palavras escritas num papel. A partir daí já dá pra ter uma ideia do desastre que vem a seguir.
TIAGO ROSAS:
"Artigo 1°: Deus tem o direito de falar com o homem por diversas formas, que não apenas por letras gravadas no papel".
Tô tentando encontrar em que parte deste artigo eu coloquei "a percepção espiritual de alguém EM PÉ DE IGUALDADE com a Escritura e reduzindo o texto sagrado a meras palavras escritas num papel". Depois eu queria entender se Deus tem ou não direito de falar conosco por outros meios que não sejam o texto escrito, ainda mais levando em consideração Jó 33.14-18.
Vamos ler direitinho as coisas pra ninguém acabar chamando ninguém por aqui de "analfabeto funcional" e iniciar os ataques pessoais.
GRANCONATO:
Basta ler o artigo 1 dessa versao fake pra avaliar todo o resto. É um artigo reducionista das Escrituras, uma vez que põe o crente sob a autoridade da Palavra e sob a suposta autoridade do que ele acha ser a voz de Deus falando ao seu coração. Pura bobagem pentecostal. Ademais, todo o restante não se encaixa na ideia de "direitos". O autor enumera atos de benevolência de Deus. É como dizer "Deus tem o direito de mandar a chuva pra regar a terra". Querendo fazer uma versão mais light do meu texto, o autor fugiu da proposta e disse obviedades rasas para agradar a maioria dos crentes que só gostam de verdades docinhas e não têm maturidade pra engolir o lado amargo e difícil da teologia.
TIAGO ROSAS:
Granconato, Granconato, cuidado com o coração... A pergunta é muito simples e a resposta não precisa ser evasiva. Deus tem ou não tem o direito de falar com o homem por outros meios que não sejam as Escrituras? Se as Escrituras dizem que sim, que Deus pode falar por outros meios (sonhos, visões, profecias, palavra de sabedoria, palavra de conhecimento...), quem é tu, vaso de barro que replicas ao Oleiro? Acaso patenteastes tu a soberania divina e tens sobre ela algum direito?
Mas volta ao artigo 1, examina-o a luz do texto de Jó, pelo menos, depois apenas responde: Deus tem ou não tem o direito de falar por outros meios que não apenas o texto escrito? Depois, te havendo interesse (pois tempo vejo que lhe sobra), confere Joel 2.28 e examina-o à luz da interpretação e aplicação petrina, conforme consta em Atos 2.17-39.
GRANCONATO:
É por causa de ideias como essa que o pentecostalismo está cheio de "profetas" arrogando autoridade para os seus chutes. Deus tem o direito de fazer o qie quiser. Porém, em sua soberania ele deciciu falar por meio da sua Palavra. Abra uma brecha aqui e verá o que acontece. Opa! Você com certeza está cansado de ver o que acontece. O pentecostalismo tem como fonte de autoridade qualquer coisa que dá na telha dos crentes. Uma mulher de coque tem uma ideia e já chama isso de revelação, dizendo que "Deus falou". Aí o povo coloca esses devaneios no mesmo grau de autoridade das Escrituras e diz que Deus não fala só por meio de palavras escritas no papel!
TIAGO ROSAS:
Prezado, você citou o pentecostalismo, mas acho que o pentecostalismo não foi citado por mim nem uma vez sequer, nem mesmo na minha versão da declaração dos direitos de Deus. O amigo sabe que não poucos exegetas NÃO-PENTECOSTAIS e CALVINISTAS defendem que Deus fala muita coisa ao seu povo "de muitas formas" - para usar a expressão do texto bíblico - e não apenas por meio do texto canônico, não sabe? Acho que eu não preciso lhe rememorar nomes como os de Martyn Lloyd-Jones, Wayne Grudem, D. A. Carson, Jack Deere, John White, R. T. Kendall, Samuel Storms, Russel Shedd, Hernandes Dias Lopes, dentre muitos outros, que foram ou são defensores da continuidade dos dons e das experiências sobrenaturais, incluindo manifestações divinas não-canônicas extra-bíblicas. Mas talvez o senhor seja mais sábio que todos estes colegas calvinistas e tenha maior domínio da Sola Scriptura do que eles. Então me recolherei a minha insignificância.

Agora, o senhor rodou mais que crente neopentecostal dentro de um vigilhão e não respondeu objetivamente a pergunta: Deus tem ou não tem o direito de falar a nós hoje por outros meios que não sejam apenas pelas Escrituras? Não estou falando de doutrina, mas de comunicações entre Deus e o homem de modo geral. O texto de Jó 33.14-18 diz ou não diz que Deus é soberano para nos falar ora de um modo, ora de outro, em sonho ou visão...?
É pedir demais, homem, para o senhor responder a isto objetivamente, conforme o que dizem as Escrituras?! Evitemos as divagações, e sejamos objetivos. Creio que o senhor consegue fazer isso.
GRANCONATO:
É claro que tem. Deus faz o que quer! O problema é que você igualou a orientação divina individual (que não anula o erro humano) às Escrituras (que anulam o erro humano). No seu texto, tudo fica igualado, abrindo as portas para o que você vê por aí bem mais do que eu. Seu artigo confunde tudo. É aí que está o perigo. Mas isso é coisa básica. Não sei como você ainda não entendeu! Quando ele [eu, Tiago] diz "não apenas" ele não somente iguala, mas até diminui as Escrituras
TIAGO ROSAS:
Caro Granconato, se eu quisesse diminuir a autoridade das Escrituras para falar das muitas formas que Deus se comunica com o homem, não teria citado em respaldo a este argumento o texto de Jó, de Joel e de Atos, antes teria citado um caso qualquer de um livro qualquer. A partir do momento em que cito as Escrituras como minha base de argumentação e lhe peço uma resposta objetiva em conformidade com o texto bíblico, neste caso Jó 33.14-18, eu pretender diminuir a autoridade das Escrituras seria simplesmente um contrasenso. Mas compreendo que o senhor e os poucos cessacionistas que ainda existem no planeta - em extinção, como ressalta o erudito calvinista R.T. Kendall - insistam em rejeitar a continuidade dessas experiências sobrenaturais ou apenas a aceitem em tese, mas desejem muita distância delas ou as vejam sempre sob suspeita devido as distorções deste ou daquele seguimento. Não se nega o verdadeiro devido as falsificações, como não negamos as Escrituras por causa das muitas heresias que surgiram a partir da má interpretação delas.
Agora, se o senhor concorda que Deus pode falar de diversas formas que não apenas pelo texto bíblico (e não poderia ser diferente, a menos que o senhor quisesse negar o próprio texto bíblico de Jó), suas queixas sobre o meu primeiro artigo tornam-se pueris. E tentar encontrar na construção frasal e nas minhas escolhas lexicais "um furo" que lhe possa dar algum triunfo, será simplesmente inútil. Menos para seus fãs cessacionistas, é claro.
GRANCONATO:
Lamento, mas em que pese todo o seu blá-blá-blá, o seu primeiro artigo realmente iguala e até reduz o texto bíblico em face de experiências individuais. Isso está muito claro no texto. Se discorda, diga à sua esposa que aquela carta de amor que ela escreveu pra você são apenas letras num pedaço de papel. Ela o fará compreender bem depressa o que eu quero dizer. Se, por outro lado, você não crê na fórmula Bíblia = ou < experiência, mude o artigo. É mais fácil do que dar explicações com aparência de profundidade e repletas de jargões pentecostais. No mais, como eu disse, seu artigo fake não atingiu o objetivo que você tinha em mente. Isso porque enumera algumas benevolências de Deus em vez de fatores que correspondam ao que eu chamo de "direitos". É como dizer "Deus tem o direito de nos dar a chuva". Isso só pretende adocicar a lista de direitos pra agradar o pensamento cristão raso que não aceita o lado amargo e difícil da teologia. Tem muito açucar na Bíblia, mas isso o povo já recebe de monte. Falta hoje em dia as pessoas aprenderem que Deus faz coisas de que não gostamos e que ele tem todo o "direito" de fazer isso. Esse foi o propósito do meu post. Você quis apenas esvaziar esse objetivo com pirulitos doutrinários.
TIAGO ROSAS:
Você está criticando os pentecostais (como lhe é de costume, devido sua obsessão compulsiva) que colocam as experiências individuais em pé de igualdade com a Bíblia ou que negam a autoridade suprema das Escrituras. Eu nada tenho a ver com isso. Quanto a mim lhe mostrei de modo inescapável que pelas Escrituras só se pode concluir que Deus fala aos homens por outros meios que não apenas pelo texto escrito (o "apenas" não é adjetivo pejorativo, mas um advérbio de exclusão). Portanto, sua tentativa de lançar fora o meu primeiro artigo foi um flagrante ato de desespero, já que todos conhecemos seu cessacionismo.
Você gosta de usar metáforas infantis como o do pirulito e de outros doces. Bem, isso me dá abertura pra usar uma metáfora infantil tbm, embora eu prefira aquela linguagem típica dos homens adultos, sobretudo os que fazem teologia: o senhor rodou como pião, tentando se esquivar do que é ofensivo à sua abordagem cessacionista, mas no fim não pode cometer estupro ao texto bíblico e precisou admitir o que para muitos é óbvio: Deus fala de muitas formas, não apenas pela Bíblia.
Como sei que sua tática daqui para frente será a agressão moral e o linguajar jocoso (devo admitir sua perícia nisto), prefiro deixar minha participação por aqui, contentando-me com sua concordância de que Deus fala por outros meios que não apenas a Bíblia.
GRANCONATO:
OK. Depois faça os ajustes necessárioa no Artigo 1 e tente me plagiar da próxima vez com mais habilidade. Termino aqui também, lembrando que nunca fiz agressões morais contra ninguém. Essa acusação é, ela sim, uma agressão moral. Abraço.
TIAGO ROSAS:
Eu disse que ia parar no último comentário acima, mas voltei para dizer que não pude deixar de notar o humor de suas palavras ao dizer: "nunca fiz agressões morais contra ninguém". Seria cômico se não fosse trágico! Qualquer pessoa que tiver um pouco de paciência e um copo d'água com sorrisal, poderá facilmente verificar em suas últimas postagens verdadeiras agressões morais, como naquele post em que o senhor taxa alguns de seus debatedores de "fracos", e ainda diz que só Deus sabe o quanto o senhor os despreza (!) em seu coração e deseja esmagá-los (como Calvino ao desejar cuspir na cara de seus oponentes e pleitear a morte deles?); ou, como naquele post em que o senhor faz menção do pioneiro da Assembleia de Deus, Gunnar Vingren, como sendo um aproveitador, seguidor das lorotas de Paham e ensinador de falsas doutrinas; depois num de seus comentários, o senhor chama claramente Gunnar Vingren de "enganador", e "mentiroso se aproveitando dos crentes fracos".
Mas isso não é agressão moral, não é? Isso não fere a honra de ninguém, não é mestre? Não traz difamação ao caráter das pessoas citadas pelo senhor, não é? Como o senhor acha que está retratada a moral dos crentes pentecostais ao serem retratados pelo senhor como "crentes fracos"? Isso não é agressão? Não lhe parece uma agressão moral que mestres pentecostais como Paulo Romeiro, Walter Brunelli, Abraão de Almeida, Antônio Gilberto e outros tantos sejam tratados como "crentes fracos"? Não lhe parece agressão moral que o fundador da Assembleia de Deus no Brasil seja taxado de "mentiroso"? Que mentiras o senhor poderia apresentar em tribunal proferidas por Gunnar Vingren? O fato das línguas estranhas? E se eu lhe disser que a mesma compreensão sobre línguas estranhas de Gunnar Vingren é compartilhada por D. A. Carson e por Hernandes Dias Lopes, o senhor os trataria como mentirosos, só por causa de sua interpretação destoar da deles? Sua hermenêutica é bem peculiar, douto ignorante Marcos Granconato (espero que não se ofenda com o "douto ignorante", afinal foi assim que o sr. mesmo se intitulou, embora eu concorde plenamente com o "ignorante").
Sua vida é espalhar agressões morais contra os pentecostais, muitas vezes sequer se dando conta de que as doutrinas que o senhor taxa de "heresias pentecostais" são compartilhadas por gigantes do calvinismo no mundo, como a distinção das línguas em Atos e em Corinto - que não é uma abordagem nem inédita do pentecostalismo, nem muito menos exclusiva. O senhor propositalmente evita lidar com os dados, com os estudos de teólogos de referência no mundo, já supracitados por mim, porque seu propósito é promover o ataque, junto aos leigos calvinistas cessacionistas que comem no seu prato, contra o pentecostalismo.
Ó imaculado Granconato, eu até suportaria tua frágil e desesperada interpretação daquele meu primeiro artigo que discutíamos outrora, mas não posso suportar a hipocrisia com que te revestistes em tua última fala: "nunca fiz agressões morais contra ninguém...". Ó santíssimo, não mintas para tua própria consciência!
GRANCONATO:
Você de novo! Arrumou o post fake?
TIAGO ROSAS:
Estou esperando o senhor arrumar seu senso de moralidade.
GRANCONATO:
Nossa! Isso aqui está ficando sério! Pelo jeito o irmãozinho resolveu partir para ofensas graves! Cuidado para não fazer de verdade o que afirma com mentira que eu faço.
TIAGO ROSAS:
Granconato nunca fez agressões morais a ninguém, ele apenas trata os pentecostais como "crentes fracos" e os pioneiros da AD como "mentirosos, seguidores de lorotas e pregadores de falsas doutrinas", e a seus oponentes em debates como "fracos" os quais seu coração muito despreza. Isso pra ficar só nalgumas de muitas ofensas facilmente encontradas em seus posts. Mas ele nunca fez agressões morais contra ninguém! Ah, Graconato, para! Assim você ofende a inteligência dos seus leitores
GRANCONATO:
E você atacou a minha moralidade. Você me chamou de ignorante e disse que sou uma pessoa com moralidade defeituosa. Eu nunca agi assim com você. Creio que você deveria aprender a ser mais respeitoso e polido. Se quer condenar minha rigidez, comece sendo exemplo em vez de fazer pior.
TIAGO ROSAS:
Ah, pastor, vai vestir a roupa do vitimismo agora e fingir que o senhor é o ofendido na questão? Por favor, não penda pra esse lado, pois também nele o senhor não obterá nenhum triunfo. Foi o senhor, não eu, quem afirmou que nunca fez agressão moral a ninguém - o que não é verdade! A não ser que taxar um fundador sério (mas não perfeito) de uma igreja como a AD de "mentiroso", "seguidor de lorotas" e "manipulador" não seja em sua hermenêutica uma agressão moral. Para o resto do mundo é. Então sem vitimismos, assumamos cada um nossas palavras, ou simplesmente cessemos os ataques gratuitos aos outros!
GRANCONATO:
Esses fundadores são seus parentes? Falei de personagens históricos e os critiquei assim como fazem com Calvino. Isso não é ofensa pessoal. Você, porém, me ofendeu mesmo. Não é vitimismo. São fatos. Eu não fiz isso com você.
TIAGO ROSAS:
Quer dizer que porque eles são personagens históricos, o senhor tem o direito de menosprezá-los, taxando-os de mentirosos e seguidores de lorotas? Ademais, os pentecostais que ainda vivem são tratados pelo senhor de fracos, manipulados, ignorantes e outros adjetivos mais. Se o senhor com tão pouco que eu disse se sentiu ofendido (e olha que não lhe chamei de fraco, nem de mentiroso!), imagina como se sentem os pentecostais ao ler seus impropérios nada cordiais nem pastorais! E quando o senhor diz que em seu coração despreza os oponentes e tem vontade de esmagá-los, o senhor está se referindo aos que já morreram ou aos que vivem?
Torno a perguntar: diante de tribunal que mentira de Gunnar Vingren ou Daniel Berg o senhor poderia apresentar com consistência para taxá-los de mentirosos? O senhor é batista e está ressentido pela igreja batista historicamente ter recebido grande influência do Pentecostalismo, não só no Brasil, mas também na América e na Europa? O senhor está mesmo disposto a sustentar isso, como os fariseus nos dias de Jesus o acusaram - a ele e a seus discípulos - de estarem introduzindo heresias dentro do judaísmo?!
Agora, se o senhor acha que esse artigo de 5 parágrafos do link postado pelo senhor serve ao seu propósito de ofender a moral dos pioneiros da Assembleia de Deus no Brasil, o senhor vai ter que se esforçar um pouco mais. Eu nem vou discutir a bobagem do artigo que diz que Vingren se achava doador do dom de línguas - que bobagem!, menos ainda vou discutir o questionamento de principiantes: "Pra quê precisou estudar a língua portuguesa, se ele dizia ter recebido o dom de línguas?", pois qualquer estudante da Bíblia sério, com apenas Atos 2 nas mãos, sem nem precisar recorrer aos muitos comentários bíblicos escritos INCLUSIVE POR CALVINISTAS CONTINUÍSTAS, perceberá sem muita dificuldade que as línguas não foram dadas nunca como um dom para pregação ou evangelização, pois mesmo em Pentecostes não era o Evangelho pregado com dom de línguas (Pedro pregou na língua comum que os presentes ali entendiam. O que houve antes da pregação de Pedro foi adoração a Deus em línguas!). Fazer esse tipo de pergunta infantil é o mesmo que querer lançar Paulo ao descrédito pelo fato de ele ter receitado a Timóteo um remédio caseiro, tendo o apóstolo o dom de cura e de operação de maravilhas. Como bem disse Paulo: "Porque o que fala em língua desconhecida NÃO FALA AOS HOMENS, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios" - 1 Coríntios 14.2
GRANCONATO:
Eles mentiram e enganaram o pastor Eurico Nelson. Também se aproveitaram de sua ausência pra corromper a igreja com suas doutrinas. Foi safadeza da grossa. Lamento mas é isso. Ah, e muitos pentecostais os imitaram na década de 70 se infiltrando em igrejas batistas e as dividindo. Cansei de ver isso. Vi com meus próprios olhos. Hoje acontece menos porque os pastores batistas perceberam a tática e põem esse povo pra correr. Lamento, mas essa é a história de sua gente. Você é novinho. Não viu o que eu vi. Mas fique tranquilo. Muitas surpresas o aguardam nesse meio.
TIAGO ROSAS:
Vamos deixar minha juventude e sua velhice de lado. Não são nossas experiências de vida e as frustrações particulares ou cosmovisões que está em cheque aqui. A história do denominacionalismo como um todo, o senhor sabe bem, está marcada de discordâncias, oposições, conflitos, exclusões, etc. Na verdade, isso vem desde a própria Reforma Protestante (os católicos usam os mesmíssimos argumentos que o senhor acabou de usar para lançar os protestantes ao descrédito. Eles tem tanta razão quanto o senhor).
A questão aqui é uma só e novamente o senhor está se evadindo: qual a mentira de Gunnar Vingren e Daniel Berg para fazê-los merecer serem taxados de mentirosos? No que eles mentiram objetivamente? E qual o engodo praticado por eles? Mas por favor, dê-me as fontes históricas para que eu possa consultá-las e perceber com justiça a procedência das acusações, porque recorrer a um artigo de internet de 5 parágrafos, cuja fonte é outro artigo de internet que por sua vez não dá fonte alguma, e ainda torce as informações interpretando mal os fatos e a teologia dos envolvidos, é realmente digno de todo descrédito! O senhor certamente não daria nenhum crédito para um artigo de 5 parágrafos escrito por um assembleiano, onde se dissesse no quarto parágrafo: "Granconato, teólogo batista, é um herege por afirmar que Jesus não é totalmente onisciente".
O senhor sabe bem que se a denúncia não proceder de fontes fidedignas e não for confirmada por várias testemunhas ou provas, não deve ser aceita em tribunal. E eu espero que o senhor não esteja querendo cair no pecado do julgamento precipitado, infundado e condenatório tantas vezes reprovado por Jesus!
GRANCONATO:
O jornal batista da época publicou uma carta de Eurico Nelson dizendo que esses caras chegaram na igreja e se apresentaram como pastores batistas, escondendo que tinham sido expulsos por seguir as heresias de Parham. Mentiram também dizendo que as cartas deles iam chegar logo . Nelson pede até desculpas por ter sido tão ingênuo. Quanto às outras coisas que eu vi, disso sou testemunha ocular. Por fim, agradeceria se parasse de fazer sugestões ofensivas (velhice, etc). Você condena minha postura mas faz pior. E tem mais: o que você acha que dois "missionários" pentecostais foram cheirar na igreja batista. Por que acha que a igreja lá se dividiu? Acorda! Pense um pouco! Seus patriarcas aprontaram o diabo a quatro na IB de Belem, todo mundo sabe dos problemas e divisões por causa deles e você diz que não? Por que eles não tentaram fundar sua própria igreja? Cansei de ver essa tática na década de 70. Jogo sujo e baixo. Não tem como defender esses dois, nem os seus imitadores.
TIAGO ROSAS:
O senhor me tratou como "irmãozinho" e "novinho", e não ache que este jovem pentecostal é tão lerdo para não perceber o tom de menosprezo. Mas mil perdões - e o faço com sinceridade - se lhe ofendi com o "minha juventude e sua velhice..."
Pastor, as fontes, por favor? Quero conferi-las e compará-las com outros documentos (pois se o senhor acha que as publicações da CPAD sobre a história da AD e de seus pioneiros só traz o "docinho" da coisa, eu tenho todo direito de pensar que houve a mesma manipulação de informação por parte dos batistas ao registrarem os fatos. Até aqui estaríamos empatados, se for realmente o caso). Dê-me as fontes, dê-me os registros que possam ser conferidos, permita a esse jovem assembleiano pesquisador da história do movimento pentecostal se inteirar destes registros e avaliá-los livremente com muita serenidade. Quero conferir exatamente a mentira e o engano praticados por eles, mas por enquanto eu só posso partir da presunção da inocência, já que prova alguma o senhor me apresentou, e mesmo que apresente alguma, ainda há aquele texto bíblico que diz "O primeiro a apresentar a sua causa parece ter razão, até que outro venha à frente e o questione" (Provérbios 18:17)
Ademais, o senhor agora faz uma nova afirmação: "os patriarcas aprontaram o diabo a quatro...". Não, eles expulsaram o diabo de quatro, de cinco, de vinte, de cem... pessoas dantes oprimidas pelo diabo e seus demônios! Foi o que eles fizeram. Eles não aprontaram o diabo, eles expulsaram o diabo. Claro, não espero que em seu cessacionismo e anti-pentecostalismo o senhor dê algum crédito aos registros sobre isso. Nada que fira seu senso é tido como verídico. Eu tolero isso, e não vou lhe exigir fé.
Por que eles não tentaram fundar a própria igreja? Que diferença isso faz, Granconato? Você simplesmente os acusaria de terem sido excluídos ou abandonado suas igrejas de origem para fundar uma seita, ou sabe lá Deus o quê?! Você então manipularia a intenção dos pioneiros e os chamaria de "rebeldes" e lhe lançaria ao descrédito do mesmo jeito! Eu também acho que Jesus e os apóstolos deveriam ter fundado uma nova igreja ao invés de estar entrando nos currais do judaísmo, o Templo em Jerusalém e as muitas sinagogas de Israel, para remover o "vinho velho" e dar ao povo de beber do "vinho novo". Aliás, esta queixa foi feita pelos líderes incrédulos, que recusavam qualquer manifestação sobrenatural que ofendesse seu senso comum. Tuas acusações contra os pioneiros e também contra todo o Pentecostalismo é tão digna de crédito quanto as acusações dos religiosos fariseus dentro do judaísmo ou dos católicos apostólicos romanos contra os reformadores. Por que Lutero não foi fundar uma igreja pra ele, ao invés de "aprontar o diabo a quatro" pregando aquelas 95 Teses na porta de uma catedral católica?!
"não tem como defender estes dois, nem os seus imitadores" - creio que por "imitadores" você se refere - como lhe é típico - a todos os pentecostais, inclusive aqueles que são calvinistas, não é? (pobre Walter McAlister e Geremias do Couto, sofrendo esse bullyng...). Mas deixe-me lhe dizer algo, caro Granconato: na verdade não tem como nem pra quê defender estes dois (Daniel Berg e Gunnar Vingren) e seus imitadores (meus irmãos pentecostais em todo Brasil e pelo mundo afora), simplesmente porque "É DEUS QUEM OS JUSTIFICA"!
Quanto a você, que faz a acusação, é que pesa o dever moral de provar com documentos, provas factíveis, a mentira e o engano. No mais, nem vou considerar, pois é mero sentimentalismo seu.
GRANCONATO:
As provas são acessíveis facilmente e você mesmo pode achá-las. Certamente as conhece bem, mas nào gosta delas. Eu já mencionei a carta de Eurico Nelson. Permanece, porém, a questão: o que eles foram cheirar na igreja batista? Por que a igreja lá se dividiu sob o comando deles? Ou isso não aconteceu? suas fontes negam esses fatos? Eu sei que não. Logo, tem que ser muito cego pra não perceber o que eles fizeram, especialmente considerando os fatos narrados por Nelson. Agora, comparar esses caras com Lutero em sua luta contra uma igreja corrompida é dose. Os malandros se infiltram sorrateriamente numa igreja séria (sonegando informações importantes), esperam o pastor viajar pra mostrar os dentes, dividem a igreja (coisa que até suas "fontes" afirmam) e você quer dizer pra mim que eles agiram certo? O que foram cheirar lá na igreja batista se eram de outra convicção doutrinária? Ou eles não foram à igreja batista? Você nega isso também? Eu conheci bem esse estratagema. Vocês prejudicaram o trabalho de muitos pastores sérios se infiltrando com fingimento nas igrejas batistas, fazendo reuniões nos lares nas costas do pastor, usando os menos preparados e conduzindo-os a erros, tomando posse, em muitos casos, de propriedades enormes que nós obtivemos com esforço e desprendimento. Eu vi tudo isso. Exatamente a mesma estratégia dos seus patriarcas malandros. Você fica repetindo que quer fontes. Quer fontes de coisas que até sua versão ensina? Suas fontes nào dizem também que eles entraram para a Igreja Batista? Nào dizem que eles a dividiram? Ou isso também é falso? Esses fatos sào notórios e sào aceitos pelos dois lados do debate. A nào ser que você pretende agora negar isso tambÉm. O que sei é que só gente muito safada toma uma atitude como a daqueles dois. E também só gente muito safada os imita hoje. Sei que nem todos os pentecostais fazem isso, mas conheci muitos que fazem. Esse movimento trouxe danos tào grandes a igrejas sérias que dá vontade de chorar. Até hoje, quando eu falo com missionários de verdade, eles dizem que um dos maiores obstáculos que enfrentam em seus trabalhos é a presença da AD em toda parte. Eles dizem que a resistência ao evangelho é muito maior onde essa gente está, pois as pessoas pensam que se aceitarem o evangelho terào que se tornar como aqueles "crentes", berrando durante os cultos. Por isso eu afirmo tranquilamente que aqueles dois "missionários" , ale'm de perturbarem o trabalho sério de Eurico Nelson, abriram as portas no Brasil para toda a baderna que vemos hoje por aí. O cenário evangélico nacional é uma vergonha e quem abriu a porta para isso foram aqueles dois. Que movimento você acha que deu ensejo ao aparecimento de todo o lixo nojento que vemos hoje por aí? Foi uma pena o Brasil nào ter tido uma influência puritana mais forte. Hoje teríamos um evangelicalismo mais sério, produtivo, digno de mais respeito e com pastores bem preparados. Não veríamos gente rolando no chão, falsas profecias, linguas de anjos imaginárias, revelações inventadas, pastores golpistas, curandeiros e feiticeiros evangélicos e tudo o que estamos cansados de ver todos os dias. E tudo começou nauela igrejinha em Belém do Pará. Mas talvez a história seja outra. Talvez os dois cabras nunca tenham estado lá. Talvez tenham sido convidados para pregar suas novas doutrinas ali, Talvez a igreja lá não tenha se dividido. Afinal, onde estão as provas? Meu amigo, não tente negar a realidade. Vocês começaram errado, e continuam fazendo tudo errado até hoje. Tenho muitos irmàos em Cristo na AD (você é um deles), mas sei onde estào metidos e tenho pena dos perigos que correm num contexto com tanta coisa errada - um contexto em que uma "espiritualidade escandalosa é exigida o tempo todo e em que uma pressão enorme força as pessoas a agirem de forma hipócrita pra serem aceitas por todos.
TIAGO ROSAS:
É meu caro, para me passar aquele link de 5 parágrafos o senhor foi ágil, mas para me passar as fontes históricas, preferencialmente primárias, que lhe pedi, o senhor somente desconversa. Que Daniel Berg e Gunnar Vingren foram expulsos da Batista, isso todo mundo já sabe (aqueles missionários não são menos homens, nem menos servos de Deus do que Martinho Lutero, então a comparação é válida e permanece, a despeito de seu desgosto). Eu apenas pediria que o senhor me passasse a ata da reunião de exclusão ou qualquer documento histórico que me provasse que eles foram expulsos devido a "mentira" e o "engano", como o senhor os acusa. Se eles foram expulsos por pregar e compartilhar uma doutrina diferente daquela típica da Batista, isso é outra coisa (os ventos do pentecostalismo que já sopravam no Brasil antes mesmo de Gunnar Vingren e Daniel Berg iria naturalmente alcançar a Batista, a Presbiteriana e tantas outras) bem diferente de eles terem sido expulsos por mentira, engano ou outros desvios morais. O que motivou a expulsão deles? Questões doutrinárias, ou questões morais? O senhor repete as acusações, inflamando-as cada vez mais com adjetivos como "malandro" e outros pejorativos, mas não dá nenhuma prova, e ainda me diz para ir procurá-las?! Ora, o senhor que acusa é que tem que dar as provas, não eu ir procurá-las sabe-se lá onde! O senhor apenas faz menção a supostas palavras de terceiros, mas não dá nenhuma fonte fidedigna! É assim que o senhor faz teologia? É assim que o senhor referencia outros autores em seus livros ou seminários? É essa a sua metodologia da pesquisa?
Suas palavras são carregadas de frustrações pessoais e sentimentalismo que para nada servem ao propósito de contra-argumentar objetivamente.
Realmente, é de fazer chorar qualquer calvinista cessacionista que a Assembleia de Deus tenha se espalhado em todo país, resgatando milhares de delinquentes, bandidos, traficantes, prostitutas, doentes e oprimidos do diabo, e tenha declarado a eles os maravilhosos dons do Espírito Santo, e que agora não sobre um pedaço de terra sequer, nem credibilidade para o cessacionismo! Louvo a Deus por isso! Como diria o calvinista R. T. Kendall, o cessacionismo está prestes a ser extinto, e oro para que não demore esta extinção!
E que as igrejas pentecostais continuem crescendo, se espalhando, enviando missionários por todo mundo onde os cessacionistas são lerdos para ir! Que os pentecostais, doutores e leigos, continuem a cumprir o ide de Cristo no poder do Espírito, para glória de Deus Pai!
Chora, Granconato! Chora! Os líderes religiosos da época de Jesus choraram e se irritaram ao ver o nome de Cristo e o poder de Deus se espalhar em cada esquina da Judéia e da Galiléia!! Então chora!
E quando teu pranto de amargura cessar, te levanta, vai à tua biblioteca e trata de encontrar as fontes que te pedi. Senão, continuarei dizendo que tu estás mentindo quando dizes que nunca agrediu a moral de ninguém, enquanto somente acumulas agressões a cada novo comentário teu!
GRANCONATO:
o irmão Antunes pediu a todos que aderiram ao movimento pentecostal que se manifestassem para a Igreja excluí-los por incompatibilidade doutrinária. Levantaram-se 13 pessoas: José Plácido da Costa, que ocupara o cargo de moderador até aquela sessão; Manuel Maria Rodrigues, ex-secretário, José Batista de Carvalho, ex-tesoureiro, Antônio Mendes Garcia, todos estes diáconos; Lourenço Domingos, João Domingos, Maria dos Prazeres Costa, Maria Pinto de Carvalho, Alberta Ribeiro Garcia, Manuel Rodrigues Dias, Jerusa Rodrigues. O irmão secretário depois de anotar esses nomes, deixou para o fim os nomes das irmãs Celina Cardoso de Albuquerque e Maria de Jesus Nazaré, que ao mencioná-los fez este aditivo: “as profetizas” e os chefes da seita, Gunnar Vingren e Daniel de Tal, que não compareceram a sessão - (Ata n. 222 de 13.06.1911 da primeira Igreja Batista do Pará). IMAGINEM QUANTO TRANSTORNO ESSES DOIS CAUSARAM ÀQUELA IGREJA. O Pr. Eurico Nelson deve ter ficado arrasado com o fato de ter sido enganado de forma tão traiçoeira. Ele até lamentou em sua carta ter sido "descuidado", confiando demais nos dois hereges. Como um movimento que causa esse tipo de dano à igreja de Cristo pode ser lavado a sério? E os danos continuam até hoje! Vocês deviam se envergonhar De um passado tão torpe. É que os pentecostais só valorizam números altos. Pra eles, uma igreja de mil membros que rolam no chão e latem como cachorro é mais espiritual que uma igreja com dez membros decentes que dão bom testemunho.
TIAGO ROSAS:
"uma igreja de mil membros que rolam no chão e latem como cachorro", pastor, não fale assim das igrejas de Whitefield e de Jonathan Edwards ou de Barton Stone. Se o senhor vier congregar comigo no Templo sede da Assembleia de Deus em Campina Grande-PB irá se frustrar por não encontrar gente rolando ou latindo feito cão como acontecia nos cultos dos grandes avivalistas calvinistas do século 18 e 19.
Vamos falar dos documentos históricos, as fontes. Dê-me de beber! Dê-me as fontes para que eu confira, examine, avalie, compare... Eu só quero fazer o que é necessário a qualquer estudante sério fazer. Não tem livros aí? Nenhum recorte de jornal? Nenhuma revista do início do século 20? Nadinha? Só falácias? Só choradeira?
Até agora a exclusão dos crentes batistas pentecostalizados tratados pelo senhor, nada confirma sobre a acusação de "mentira" e "engano" de que o senhor acusou os pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren. Pelo contrário, só enfatiza o que eu já disse: eles foram excluídos não por desvio moral, mas por diferença doutrinária. Mas o senhor agrediu a moral deles ao chamá-los de mentirosos, enganadores e manipuladores.
Os efeitos e a repercussão da exclusão deles? Bem, é o nascimento da maior igreja evangélica do Brasil, que está presente em cada canto deste país, mesmo onde os presbiterianos e os batistas 150 anos depois de se instalarem no Brasil ainda não chegaram e estão longe de chegar (meu Deus! O que seria de tantas almas nos sítios, sertões, fazendas no interior deste país se elas fossem desde 150 anos até hoje esperar os batistões chegarem com sua incredulidade quanto aos maravilhosos dons do Espírito e quanto ao amor de Deus irrestrito por todos os pecadores?! O que seria dessas almas miseráveis?!); aquela cisão deu origem à igreja que tem enviado centenas de missionários todos os anos para América Latina, Oriente Médio, África e Ásia, além de ser um exército de intercessores e pregadores do Evangelho que estão nas ruas levando o nome de Cristo às favelas, bocas de fumo, prostíbulos, portas de bares, etc. Este é o efeito da exclusão daqueles poucos 13 membros da Batista. E se vocês fossem tão ágeis para evangelizar o Brasil e levar as doutrinas que vocês creem aonde está o povo - a cada criatura - não precisaríamos ficar nessa choradeira por falta de terreno para as igrejas cessacionistas.
Pare de chorar e vamos discutir isso do jeito sério, adulto, teológico e científico. Estou lhe dando um voto de confiança.
GRANCONATO:
Tenho mais citações. A internet está cheia de artigos sobre isso. O próprio diário de Vingren diz que eles foram expulsos. Mas fique tranquilo. Você certamente está correto. Sua perspicácia é extraordinária. Vamos aceitar que a história foi assim: eles chegaram na igreja dizendo claramente que eram pentecostais. Então o pastor deixou eles dois pregarem livremente suas ideias ali para, depois, excluir 13 pessoas. A carta de Eurico Nelson à convenção batista é falsa. Os dois missionários entraram na igreja batista com toda transparencia e verdade. Foi lindo ver o trabalho deles no Senhor. Acredite nisso. Deve ter vindo por revelação.
TIAGO ROSAS:
"Tenho mais citações. A internet está cheia de artigos sobre isso. O próprio diário de Vingren diz que eles foram expulsos". E quem está negando que eles foram expulsos? Mas expulsos por desvios morais? Ou expulsos por pregarem doutrinas que a Batista no Brasil não quis aceitar? Eu sei o que diz o Diário do Pioneiro, pois o tenho lido. Mas não vi no diário nenhuma mentira e nenhuma manobra esperta do Vingren para tomar a igreja de ninguém ou sequestrar a consciência alheia (os irmãos batistas estavam tão seguros de sua doutrina e ainda assim abraçaram o pentecostalismo? Ou foram convencidos pela Bíblia e o poder do Espírito manifesto em sinais e maravilhas de que a promessa do pentecostes também era pra eles?).
Não dou às mínimas para ilações, caro Granconato. Mas acho que estou pendido o que você não tem para me dar. Lamento. Lamento que suas acusações e AGRESSÕES MORAIS estejam baseadas muito mais em achismos seus e numa hermenêutica só sua, do que em provas factíveis e em documentos históricos que possam ser consultados, examinados e comparados.
"A internet está cheia de artigos sobre isso" - e você diz que nós pentecostais é que somos seguidores de lorotas? Eu te peço documentos históricos, você vem com divagações sobre artigos de internet e depois nós é que seguimos lorotas? Confesso que esperava mais daquele Granconato que eu pensava ser um teólogo calvinista.
Granconato, quando você chama aqueles pioneiros de mentirosos, malandros e safados você está sim, carísssimo, cometendo agressão à moralidade daqueles homens. Eles certamente não eram anjos sem asas, e nem estou advogando um caráter imaculado (como sei que vc tbm não reivindicaria isso para você mesmo ou Calvino). Apenas estou lhe dizendo que se vai acusá-los tão contundentemente, é preciso apresentar provas irrefutáveis disto. Doutro modo, eu agora vou dizer com todas as letras: Granconato, você está mentindo! Você está manipulando os fatos e os documentos! Você está agindo com esperteza! Você está sim cometendo agressão moral contra pessoas! E aquela auréola de anjo que você colocou sobre a sua cabeça no início desta conversa já caiu e está na lama.
GRANCONATO:
Ah, o que acontecia nos cultos de avivalistas não era responsabilidade deles. Sempre teve gente desequilibrada por toda parte. Eu mesmo já preguei em alguns lugares em que esse tipo de manifestação ocorreu. O problema é promover isso como vocês fazem em seus cultos. E essa história que na sua igreja é diferente é balela. Nãomtem como ser diferente. Ou você é pentecostal ou não é. Vai dizer que você nunca deu uma latidinha num culto qualquer. Sei lá... Pelo menos uma rosnadinha...
TIAGO ROSAS:
"Vai dizer que você nunca deu uma latidinha num culto qualquer. Sei lá... Pelo menos uma rosnadinha..." - é pra rir com a piada? Ou pra chorar com o piadista? Aprecio seu bom humor, meu caro Granconato, embora visivelmente seus cabelos brancos e sua posição na igreja como pastor deveria lhe fazer refletir sobre esse constante apelo para o tom jocoso. Mas parece que algumas pessoas não aprendem nem mesmo vivendo 200 anos e perdendo todos os cabelos!
Muitas das pessoas que caiam e rolavam e gritavam nos cultos de Edwards e Whitefield o faziam com aprovação deles, sob a impressão de uma visitação divina sobrenatural. Eu posso lhe dar provas desta afirmação que acabei de fazer. O senhor as trata como "gente desequilibrada" que há em todo lugar. De fato, gente desequilibrada há em todo lugar, inclusive no Facebook: alguns são desequilibrados pra cair no chão durante um culto, outros são desequilibrados pra sair taxando servos de Deus de "safados, malandros, mentirosos" e outros impropérios mais, inclusive sem ter provas a dar. Acho que o senhor não está nem um milímetro acima do desequilibrados crentes reformados nos dias de Edwards e Whitefield. Com uma ressalva: eles não ofendiam a moral de ninguém a não ser, talvez, a própria reputação.
Vou sentar aqui na minha cadeira da paciência, caro Granconato, e esperar que você localize em sua biblioteca as fontes que eu insisto em lhe pedir. Por enquanto, dada a presunção da inocência, você é o mentiroso plantador de calúnias, não os pioneiros da Assembleia de Deus no Brasil. Eu tenho o print do que você disse, e é a prova. Dê-me a prova agora do que você afirma.
GRANCONATO:
[neste momento Granconato não fala nada, apenas posta um link com páginas sobre a História dos Batistas do Brasil, supondo poder provar nas duas páginas do link a sua acusação de “malandragem”, “safadeza”, e “mentira”, que ele atribui aos pioneiros da Assembleia de Deus. Confira o lik aqui: http://3.bp.blogspot.com/-z44dtmvf_Xg/VSGPxgpmxdI/AAAAAAAAAlU/NU28b3Cgw_o/s1600/batista%2B2.png]
TIAGO ROSAS:
O artigo já começa errado dizendo que os pioneiros aportaram em Belém do Pará em abril de 1911. Na verdade, conforme consta no Diário do Pioneiro, a chegada no Brasil aconteceu em 19 de novembro de 1910. Vou ignorar esse erro crasso que atrasa a chegada dos pioneiros em 5 meses? O redator deve ser muito fiel aos fatos e mui atento, não é?
GRANCONATO:
Desculpe a brincadeira. Também tenho o direito, né? Então o pessoal latia mesmo nas pregações dos avivalistas? Sei que tinha muita emoção motivada pelo medo do inferno, etc, mas latidos? Pensei que isso tinha sido inventado por vocês. Nos avivamentos a resposta emocional excessiva das pessoas era decorrente de um forte impacto que a pregação causava sobre a consciência delas. Tinha que ser controlado e saía fora do normal, mas pelo menos era uma resposta real a uma pregação séria. Já esse negócio de latidos e miados é inveção mesmo de vocês. Quando algum líder da sua igreja estiver de pé, pergunte pra ele. Bom, mandei aí um pedacinho de um livro antigo, mas certamente o que o autor escreveu é tudo mentira. Ele deve ser um caluniador como eu.
TIAGO ROSAS:
"Tinha que ser controlado e saía fora do normal, mas pelo menos era uma resposta real a uma pregação séria" - afinando o discurso, Granconato? Primeiro as pessoas eram desequilibradas, agora, por sua nova declaração aquelas pessoas pareciam estar sob uma reação legítima à uma pregação bíblica? Hum... Se eu te apertar um pouco mais com os fatos você vira até neopentecostal!
Você sabe o que Martyn Lloyd-Jones, CALVINISTA!, disse sobre Edwards e Whitefield, não sabe? Que eles foram além do que deviam, apelando excessivamente pras emoções dos ouvintes? Posso te dizer o livro, a editora e a página onde ele afirma isso.
Você sabe que naquele avivamento liderado pelo pastor presbiteriano BARTON STONE, uns cem anos antes do Pentecostalismo sonhar em existir, lá pelo início do século 19 (1801), já tinha gente caindo, rolando no chão e latindo, não sabe, Granconato? Também posso te dizer onde encontrar essa informação.
Você sabe que Jonathan Edwards enfrentou as mesmas críticas que você faz hoje aos pentecostais, não sabe Granconato? Ministros calvinistas que se opunham ao avivamento norte-americano e inglês devido as experiências físicas estranhas dos ouvintes destes avivalistas, e sabe também que ao menos Jonathan Edwards gastou muita tinta defendendo aquelas reações, conquanto admitisse haver entre aquelas pessoas falsas manifestações (do mesmo jeito que pentecostais sérios sabem reconhecer ambas as coisas), não sabe disso Granconato?
Posso lhe dar a fonte de qualquer informação que eu lhe der aqui.
Agora, se quer me fazer aceitar essa redação batista sobre a atuação dos pioneiros pentecostais, sugiro que recomende a editora proceder uma nova edição corrigindo as datas, pois desde a entrada eu já fiquei desgostoso para acreditar no compromisso jornalístico de quem escreveu tal informação!
E não, não brinque, colega. Pois eu não estou rindo de você nem estou aqui pra fazer ou ler piadas. Agradeço se puder tratar disso como um teólogo e não como um "irmãozinho".
GRANCONATO:
Nossa! Você quase me convenceu a latir como vocês! Bom, continue selecionando os livros que lhe são mais convenientes. Os fatos, porém, estão aí. Sua igreja começou errado, fazer o quê? Reclame, esperneie, conclame o pessoal desequilibrado dos avivamentos, faça o que quiser. Não há base bíblica nenhuma pra essas fanfarronices e base histórica nenhuma que nos permita canonizar os hereges que dividiram a igreja do Pará. Durma com isso.
TIAGO ROSAS:
Ah, Granconato! Então agora você quer discutir base bíblica? Ah... hen, hen. Tão lindo!
O homem chama Gunnar Vingren e Daniel Berg de malandros, safados e mentirosos. Eu peço a prova histórica disso e o que ele me dá? Um documento que já começa registrando errado a data dos eventos! Por pressa do redator em xingar os pioneiros pentecostais ou por desinformação mesmo?!
100 anos antes dos pentecostais, os presbiterianos já estavam caindo, rolando no chão e latindo. Granconato nem sabe disso, mas por teimosia - douto ignorante - insiste em atribuir isso aos pentecostais.
Mas agora ele quer a base bíblica? Tá de brincadeira...
Não tenho nenhum interesse em canonizar ninguém, como não tenho nenhum interesse em sua odiosidade que lhe faz descer ao nível de um crente caluniador.
GRANCONATO:
Pare de me caluniar me chamando de caluniador. O que posso fazer se eles foram safados mesmo. A história diz isso e não eu. Paciência. Durma com isso. Teve e tem também muito batista safado, mas aqui estamos falando dos seus patriarcas. Nào tem jeito. A vasta literatura sobre o assunto mostra isso. Não dá pra negar os fatos. Tampouco ajuda mostrar outros devaneios que ocorreram na história. Desde o século 2 existe gente que berra, pula e grita achando que isso é legal. Não está em discussão aqui a criatividade de vocês, mas sim a malandragem dos dois hereges do Pará. E que eles foram desonestos, ah, isso foram. Se estivessem na minha igreja, eu botava os dois pra correr também.
TIAGO ROSAS:
"a história diz isso, não eu" - só falta você mostrar que História, se a dos eventos reais ou aquela do seu fantástico mundo de Granconato.
Só falei dos avivalistas calvinistas porque você, douto ignorante, insiste em atribuir jocosamente e fora de lugar toda esquisitice na conta dos pentecostais. Há vasta literatura falando da safadeza, malandragem e mentiras dos pioneiros pentecostais? Então cite ao menos 3! Porque a que vc citou até agora além do flagrante erro já apontado por mim, nada diz sobre a índole e o caráter dos pioneiros, mas apenas tergivisa sobre questões doutrinárias.
Granconato, eu não vou dormir com isso, pois quem se deita com mentiras é você, não eu. Eu queria mesmo é dormir com as fontes históricas autênticas que apontem clara e objetivamente o desvio de caráter dos homens por você aqui citados.
Bravata - isso é tudo o que você tem. Só espero que depois de hoje o senhor não vá parar no hospital como depois daquele debate com o Dr. Carlos Augustus Vailatti.
Deus lhe dê bom senso!
GRANCONATO:
Legal, amigão. Foi muito divertido falar com você. Não me acrescentou nada, mas fazia tempo que não me divertia tanto no FB. Apesar das ofensas a mim dirigidas, entendo que isso é normal quando alguém fica nervoso, tendo que defender o indefensável. No fundo, no fundo, você sabe sim o que aconteceu na PIB de Belém. Sabe sim. Quem não sabe? Também sabe que os pais das fanfarronices modernas não foram os avivalistas. Foram vocês. Episódios esparsos não teriam o poder de fazer os estragos crônicos que vocês fizeram e fazem. E mesmo que vejamos nos avivalistas alguma raíz, o que isso significaria? Apenas que ninguém é imune a desatinos. Por isso, fico com as Escrituras e julgo os fatos pelas lentes delas. Por meio delas vejo que é errado disseminar o erro doutrinário numa igreja simples pelas costas de um pastor. Por elas também vejo que é errado realizar um culto baderneiro como o de vocês. Essas conclusões por ora me bastam e deixam claro que quem defende o mal aqui é você. Eu continuarei me opondo a todas as mentiras que os pentecostais proclamam, mesmo que eu passe mal. Ah, esse episódio do meu mal estar não ocorreu com o Vailatti. Foi numa outra ocasião. O debate com o Vailatti só me trouxe alegria!
[No próximo comentário, Granconato apresenta uma imagem com a correspondência do pastor batista Eurico Nelson com o Jornal Batista, edição de outubro de 1911, onde ele fala sobre Daniel Berg e Gunnar Vingren. Como a imagem é editada e está em baixa qualidade, eu prefiro localizar no acervo digital batista uma cópia do próprio jornal e posto especificamente a página 6 nos comentários (abaixo está a imagem, e a correspondência de Eurico Nelson pode ser lida no final da primeira coluna), e prossigo comentando..

Jornal Batista, edição 40, outubro, 1911.

TIAGO ROSAS
Agora vamos aos fatos, já que temos algo mais substancial:
GUNNAR VINGREN E DANIEL BERG ERAM BATISTAS OU NÃO?
Tanto Daniel Berg quanto Gunnar Vingren foram membros da igreja Batista Sueca em Chicago, Estados Unidos. Isso está claro tanto pelo Diário do Pioneiro (CPAD), sobre Gunnar Vingren, quanto sobre Daniel Berg em Daniel Berg: enviado por Deus (CPAD). Em Kansas City, Gunnar Vingren tinha um tio com quem se hospedou, que também era missionário ligado a Convenção Geral Batista Sueca da América, Carl Vingren, que foi missionário na China e pastor das igrejas batistas de Omaha (Nebraska), Mineápolis, e Kinksburg. Daniel Berg foi um missionário leigo, mas Gunnar Vingren chegou a cursar Teologia pelo Seminário Teológico Sueco, um seminário batista que impulsionou o crescimento das igrejas batistas nos Estados Unidos, no qual obteve formação, conforme cópia do seu diploma constante no livro O Tabernáculo e suas lições por Gunnar Vingren (CPAD), e conforme atesta sua Monografia, transformada em livro pela CPAD: O tabernáculo e suas lições por Gunnar Vingren. Vingren chegou a pastorear uma igreja Batista em Mountain, Michigan. Sim, eles eram batistas e ninguém questiona isso! Nem mesmo a reunião extraordinária, pós-batismo no Espírito Santo de Celina de Albuquerque, foi para deliberar se aqueles missionários eram “mentirosos” ou não, “malandros” ou não, “safados” ou não. Mas para determinar se os missionários e os que os acompanhavam na crença do batismo, das línguas e dos dons sustentariam essas crenças, contrário a crença da igreja Batista no Brasil, e quais seriam as consequências disso.
Nas palavras do próprio Eurico, os missionários já chegaram informando terem recebido o “batismo no Espírito Santo”, e se o fizeram, certamente Eurico tomou conhecimento daquilo que era a evidência do batismo na perspectiva pentecostal clássica: as línguas estranhas e a continuidade dos maravilhosos dons do Espírito Santo. Eurico não pode ter sido tão inocente de sequer ter perguntado aos missionários “que batismo é esse? Como assim ‘batizados no Espírito Santo’?”. Eurico pode não ter entendido tudo prontamente ou pode ter até pensado ser aquele poder algo capaz de promover um “desenvolvimento espiritual” na sua igreja, coisa de que, segundo ele, a igreja era necessitada. Posteriormente e certamente, a pressão da instituição lhe obrigou a dar alguma satisfação que não contrariasse a posição oficial da igreja, mas Eurico jamais poderia dizer que era de todo ignorante do que aqueles rapazes traziam dos Estados Unidos da América, daquela Igreja Batista Sueca norte-americana que já estava incendiada pelo fogo do pentecostes!
EURICO NELSON APOIA A ACUSAÇÃO DE GRANCONATO DE QUE DANIEL BERG E GUNNAR VINGREN FORAM "MENTIROSOS", "MALANDROS" OU "SAFADOS"?
Embora Granconato tente atribuir desgraça ao pentecostalismo a partir das últimas declarações de Eurico Nelson nesta carta, o que aquele antigo pastor batista de fato faz é o contrário, citando as Escrituras: “Não julgueis antes do tempo” – se Eurico Nelson estava tão convencido da desgraça do pentecostalismo e daquela experiência trazida pelos missionários batistas suecos, então ele deveria já ter dado o veredicto: esta obra é satânica! E ter dito muitos impropérios como os que Granconato insiste em dizer aqui. Mas o que ele diz: “Não julgueis antes do tempo”! E depois prossegue: “Pelos seus frutos os conhecereis” – novamente, os frutos já não estavam diante do Pr. Eurico? A contenda, divisão, algazarra, o diabo a quatro – como diz Granconato – já não estava instaurado? Então por que Eurico ainda diz “não julgueis antes do tempo” e “pelo fruto os conhecereis”, como que dizendo não ser lícito no momento pronunciar declarações conclusivas sobre aquele movimento iniciado pelos missionários batistas suecos? Granconato parece estar mais inteirado dos fatos e ter maior capacidade de julgamento do que aquele pastor que ele diz ter sido vítima de engano, mentira, safadeza e malandragem.
Daniel Berg e Gunnar Vingren já chegaram dizendo o que traziam e para que vieram, e Eurico notou algo diferente neles de que sua igreja precisava: “...se mostravam zelosos pela oração”. Esse é o testemunho que o Pr. Eurico dá dos missionários batistas suecos, não de “malandros”, “mentirosos”, ou “safados” ou “enganadores” ou “aproveitadores”, mas de “zelosos pela oração”!
Se Granconato quiser sustentar suas acusações, vai ter que cavar um pouco mais. Talvez inutilmente.
GRANCONATO:
Leia de novo o texto do Pr. Eurico Nelson. Você só está tentando dar um colorido mais bonito à carta em que o pastor afirma que foi enganado. Lamento, amigo. Agora você partiu pra uma hermenêutica forçada demais. Está claro que mentiram pra ele quanto às demissões e esconderam informações. Disseram que eram batistas para as portas se abrirem. Quando disseram que eram batizados pelo ES, foram interpretados como batistas que diziam que eram, pois Nelson, confiando neles, não os interpretou no sentido pentecostal. Na própria carta ele diz como interpretou essa afirmação. Todo esse procedimento desses caras tem um nome que Nelson evitou dar. Na minha terra você sabe o nome que isso tem. O pior é que os caras fizeram escola. Cansei de ver pentecostais fazerem exatamente o mesmo com outras igrejas batistas na década de 70. Infelizmente outros pastores passariam pelas dores que Nelson experimentou.
Seja como for, ainda que eu reprove o caráter desses homens, creio que não foi correto eu usar algumas palavras na conversa com você. Eu não levei em conta seus afetos e peço perdão por isso. Seja qual for a maneira como você avalie os dados que eu exponho aqui, não gostaria que você me tivesse na conta de seus desafetos. Estou sendo sincero e pedindo humildemente que me perdoe. Em meu contexto (e no contexto do Pr. William que eu conheço) "malandro" e "safado" têm também um tom jocoso e, talvez por isso, usamos esses termos com tanta facilidade. Mesmo assim, faltou sensibilidade de minha parte. Peço perdão mesmo.
Ah, e a parte do meu post que diz "aguardo humildes desculpas" é brincadeira. É minha incorrigível ironia. Vou apagar. Depois apago este também
TIAGO ROSAS:
Granconato, fico feliz que tenhamos obtido algum progresso, e o senhor tenha reconhecido seu excesso e por ele pedido perdão. Não estamos numa quebra de braço, mas numa franca luta pela verdade. Acredite: almejo tanto a verdade quanto o senhor. Espero que sua postura ao mencionar não só os pioneiros pentecostais, mas tbm os pentecostais em geral, seja mais "temperada com sal para promover a edificação daqueles que o ouvirem", como ensina o apóstolo Paulo.
Gunnar Vingren e Daniel Berg, como qualquer batista sério fundador de igrejas históricas, não são merecedores dos adjetivos "malandro", "safado" ou "mentiroso". E que o erro dos outros não justifiquem nossos erros.
Quanto a qualquer manifestação física que o senhor possa mencionar envolvendo os pioneiros assembleianos, inclusive o riso durante o culto, eu posso com facilidade lhe apontar as mesmas manifestações ocorridas em meio aos avivalistas calvinistas de respeito como Edwards e Whitefield, dentre outros - todos eles bem anteriores ao surgimento dos pentecostais, inclusive entre batistas. Se estiver realmente disposto a seguir por esse caminho, posso lhe acompanhar sem nenhum constrangimento. Mas o senhor vai ter que mudar o discurso no final e admitir que nem os pentecostais inventaram essas práticas, nem só eles as viveram, nem só eles as aprovaram.
Sejamos honestos com os fatos e com a história. Para que não debochemos dos outros quando nossa história está carregada dos mesmos fatos.
GRANCONATO:
Nem de longe eu quis dizer que Vingren foi pioneiro nisso. Eu só falei dessas manifestações pra destacar o impacto que isso deve ter tido sobre um pastor tradicional que volta de viagem e encontra coisas assim. Sobre os termos, realço aqui que me excedi, mas nutro sim uma visão bem negativa de Berg e Vingren tendo em vista os fatos que elenquei. Obrigado pelas palavras de amizade. Eu me sinto bem melhor.
TIAGO ROSAS:
De fato, grande foi o transtorno na igreja Batista! Muita gente recebendo o maravilhoso dom de línguas, e outras muitas curadas de doenças ditas incuráveis, como se pode ver nos testemunhos abaixo de Manoel Rodrigues, diácono da igreja, e um dos excluídos. A não ser que esses testemunhos sejam mentirosos, só posso dizer: o Espírito Santo estava trazendo um grande "desenvolvimento espiritual" ali, como desejava Eurico Nelson, só que em proporções muito maiores do que jamais podia imaginar! [junto a esse comentário, eu postei essa imagem com as falas do diácono batista Manoel Rodrigues, sobre curas divinas ocorridas através dos missionários pentecostais:

fonte: BERG, David. Daniel Berg - enviado por Deus, 1° ed. ampliada, CPAD, p. 96
GRANCONATO:
Não entendo que curas sejam devidas a práticas pentecostais. Os pastores batistas (eu inclusive) oramos pedindo curas sobrenaturais. Às vezes Deus as realiza, outras vezes não. Nós não alardeamos nada disso nem enfatizamos esse lado do ministério. Assim, se o problema mais pungente era a saúde física de alguns, acredito que as orações de qualquer crente serviriam como instrumento e canal de benção, sem a necessidade de toda aquela confusão. Penso, porém, que aqueles homens queriam transformar a igreja num outro modelo. Não era questão de avivamento. Isso pode acontecer sem pentecostalizaçao. Era questão de implantar preferências teológicas pessoais. Isso sem falar que, como acontece hoje, muitas dessas curas tão proclamadas não se confirmam com o tempo. Muitas vezes são melhoras decorrentes de auto-sugestão.
TIAGO ROSAS:
Pr. Granconato, não posso discordar que há muitas falsas curas e milagres hoje, nem nego que mesmo os cessacionistas creiam em milagres. Todavia, como relata o próprio diácono Manoel, seus pastores até então nunca oravam pela cura daquelas pessoas doentes, mas apenas pelo fortalecimento delas em meio a doenças. O Novo Testamento enfatiza milagres e curas, tanto no ministério de Jesus como de seus apóstolos, e ainda há a promessa: "esses sinais seguirão os que creem... imporão as mãos e curarão os enfermos...", e há a ordem paulina: "buscai com zelo os dons espirituais...". A irmã batista Celina de Albuquerque, dentre outros incontáveis enfermos, foram curados e libertos do sofrimento por meio do poder do Espírito Santo e do nome de Cristo, operando através daqueles jovens missionários. Vê-se um registro acentuado de curas e milagres operados desde o início do pentecostalismo até hoje, não só em Azusa, Los Angeles,mas também em Belém do Pará e até hoje onde há um homem de Deus ou mulher de Deus que creia em Cristo e se deixe encher do Espírito de poder! Eu não posso rejeitar Moisés por causa dos magos do faraó, não posso negar Jesus por causa dos falsos cristos, não nego os verdadeiros milagres por causa dos falsos milagres, como não nego o verdadeiro Evangelho por causa dos falsos evangelhos.
Poderia ter sido através de Eurico Nelson, se ele cresse. Mas foi através de Daniel Berg e Gunnar Vingren que a irmã Celina foi curada, bem como os demais citados pelo diácono Manoel, dentre muitos outros pelo Brasil a fora conforme o Diário do Pioneiro, que eu espero que o senhor leia na íntegra, sem preconceitos, como sem preconceitos eu tenho lido a história dos grandes avivamentos espirituais inclusive envolvendo expoentes calvinistas ou luteranos, como o Erlon Stegen na África nas décadas de 60 e 70, onde centenas de libertações, curas, ressurreições e salvações estão registradas pelo respeitado historiador Kurt Koch, e tbm, ainda que resumidamente, por Augustus Nicodemus.
GRANCONATO:
O fato, porém, de curas acontecerem, não valida, na íntegra, um movimento. Mesmo se milhões de curas acontecessem nesse meio (o que sabemos ser duvidoso), os erros pentecostais permanecem. Especialmente o erro central do pentecostalismo - a crença no batismo do Espírito como benção a ser buscada após a conversão e acompanhada de línguas - permanece presente e, sendo o seu ensino central, invalida todo o movimento, não importando quantas curas ocorram, posto que curas ocorrem em igrejas não pentecostais também. A raiz do problema não reside no fato de Deus fazer milagres (isso é indiscutível), mas na falácia de que existem crentes de uma classe superior. Em algumas igrejas, a pessoa que não fala em línguas não pode ser líder. Vingren apoiava isso! Trata-se de um desdobramento errado de uma crença falaciosa. Esse, porém, não é o problema maior e mesmo que não houvesse desdobramento algum, isso deveria ser rejeitado pelo simples fato de ser errado. Contudo, esse é o cerne do pentecostalismo e era isso o que Vingren e Berg queriam incutir nas igrejas. Ninguém seria censurado por orar pedindo curas. Porém, afirmar um batismo do Espírito pós conversão, acompanhado de línguas e decorrente de uma busca individual insistente, é absolutamente estranho ao NT e não pode ser acolhido por crente algum.
TIAGO ROSAS:
O senhor afirma: "afirmar um batismo do Espírito pós conversão, acompanhado de línguas e decorrente de uma busca individual insistente, é absolutamente estranho ao NT", mas quando eu vou para as páginas do NT o que vejo é exatamente isso:
1. Um batismo no Espírito pós-conversão: em Atos 2, aqueles 120 já eram ou não convertidos? Os discípulos de Éfeso, em Atos 19, já eram ou não convertidos, quando Paulo lhes impôs as mãos e eles receberam o batismo prometido, no Espírito Santo? Segundo João Calvino, sim, eles já eram cristãos convertidos.
2. Um batismo acompanhado de línguas: afinal, foi Jesus quem prometeu: "em meu nome falarão novas línguas", e nos reincidentes - e suficientes! - registros de batismo no Espírito Santo em Atos 2, Atos 10 e Atos 19, temos o claro registro do doutor Lucas da ocorrência das línguas como confirmação da recepção daquele maravilhoso batismo prometido por Deus (Joel 2.28,19), prenunciado por João Batista (Mt 3.11), e ratificado por Jesus (At 1.5). Aliás, Pedro justificando o batismo nas águas dos novos crentes de Cesaréia (Cornélio, sua família e amigos), afirma que eles "também receberam como nós o Espírito Santo" (At 10.47). Como Pedro com tanta certeza pôde dizer que a família de Cornélio recebeu o batismo no Espírito Santo senão pelo sinal externo das línguas? Pedro diz que eles receberam "como nós", fazendo clara conexão entre a experiência de Cesaréia com a do Pentecostes em Jerusalém. A narratologia lucana leva-nos a uma conclusão razoável de que o registro reincidente das línguas acompanhado o derramamento do Espírito é um padrão para a igreja em todo mundo e lugar. "A promessa é para vós, vossos filhos, os que estão longe e a todos quantos Deus chamar" (Atos 2.39)
3. A busca individual insistente pela experiência do batismo no Espírito Santo: afinal, não foi isso que ensinou Jesus: "Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?" (Lucas 11:13), e não se reuniam costumeiramente os discípulos para oração em obediências as palavras de Jesus de ficar em Jerusalém até serem revestidos de poder? (Lc 24.49; At 1.14). Não pode ser mau que os irmãos, já convertidos, sejam estimulados e exortados a pedirem pelo maravilhoso pentecostes individual.
O senhor pode divergir de tudo isso, mas não pode argumentar que o movimento inteiro está invalidado em razão de suas doutrinas essenciais, pois tais doutrinas repousam firmes na revelação escriturística e naquela experiência comum da igreja neotestamentária. Agora, o que não repousa definitivamente sobre o texto bíblico neotestamentário é a crença na cessação dos maravilhosos dons do Espírito Santo. Para tal doutrina, não há nenhum apoio sequer!
Minha oração é que o Espírito Santo toque em seu coração como tocou no coração dos calvinistas cessacionistas Jack Deere e Samuel Storms, removendo-o da incongruência anti-evangélica do cessacionismo e levando-o para o maravilhoso, congruente e evangélico desfruto da experiência dos dons espirituais!
A propósito, Pr. Granconato, só a título de pesquisa, o senhor poderia me citar pelo menos três casos de cura divina ocorridas em resposta à oração do pastor ou da igreja batista brasileira antes de 1911? Deve ter alguma coisa registrada no Jornal Batista. O senhor tem conhecimento e poderia me dar as fontes para eu examiná-las, por favor? ______________________

GRANCONATO:
Nenhum caso de batismo com o Espírito Santo acompanhado de línguas registrado no NT foi resultado da busca insistente dos que os receberam. Na verdade, os quatro casos mencionados em Atos (2, 8, 10 e 19) mostram pessoas recebendo algo de que sequer tinham ouvido falar. E o objetivo desses episódios foi mostrar que a igreja judaica, a samaritana, a gentílica e a joanina eram uma só. Por isso, cada uma teve um Pentecostes, a fim de que nenhuma se considerasse superior. Tendo ocorrido esses 4 Pentecostes, o evento não ocorreu mais e nem era necessário. Assim, buscar isso com insistência é estranho às Escrituras. Ninguém na Bíblia jamais fez isso. Essa busca, no fim das contas, gera apenas frustração, culpa e até encenações.
TIAGO ROSAS:
Muita coisa gera frustração e culpa, pastor. Inclusive uma oração por cura que não é respondida, ou a oração pela conversão de um parente que vem a falecer no pecado. Todavia, nada disso descarta a necessidade de orarmos. Foi Jesus, não um pastor pentecostal, quem disse: "...quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?".
Agora, estou satisfeito que em seu último comentário o senhor só tenha tocado num dos três pontos elencados antes pelo senhor: a busca pelo batismo. Isso me faz acreditar que o senhor ao menos se "desarmou" em relação ao meu posicionamento quanto ao batismo no Espírito Santo pós-conversão e acompanhado das línguas. Ou não?
Agora, eu não coloquei a questão da busca por esse batismo como uma "condição sine qua non" para se recebê-lo. Pois, de fato, estou de pleno acordo que muitos recebem este batismo sem pedir insistentemente por ele, e, aliás, até mesmo sem pedi-lo! O teólogo presbiteriano J. Rodman Willliams tem um belíssimo testemunho de batismo no Espírito Santo com línguas, que eu creio o senhor já deve ter lido. Se não, fará bem em ler. Ele era incrédulo quanto a este batismo até experimentá-lo em sua casa! O que eu creio é que a igreja deve ser estimulada a pedir pelo maravilhoso poder do Espírito Santo, como certamente durante aqueles dez dias após a ascensão de Jesus, os 120 irmãos que se reuniam em oração deviam fazer. Mas creio que Jesus, Senhor da Igreja, é tão soberano, mas tão soberano, que ele pode derramar seu Espírito até sobre quem não ora com insistência por isso!
A propósito, permita-me corrigi-lo: em Atos 2, aqueles 120 irmão já tinham sim ouvido falar do batismo no Espírito Santo (João Batista e Jesus falaram disso a eles), e os discípulos em Éfeso também muito provavelmente ouviram falar desse batismo no Espírito Santo (pois se eram discípulos de João, como podiam não saber da mensagem mais comum de João que falava de Jesus que batizaria com Espírito Santo e fogo?). A construção grega no texto de Atos 19 é polêmica, e nossos exegetas estão divididos quanto a interpretação do "nem ouvimos falar que haja Espírito Santo", mais com muita probabilidade isso não significa que eles eram totalmente ignorante sobre o Espírito Santo (o que seria bem estranho para os discípulos de João Batista), mas que eles não sabiam que o Espírito Santo já estava sendo derramado.
Fico feliz que o senhor tenha citado Atos 8 como derramamento do Espírito em Samaria (eu nem tinha citado este caso no meu último comentário). Porque também creio que ali houve o derramamento do Espírito prometido por Jesus e prenunciado por João Batista. Agora, dizer que estes cristãos em Samaria receberam algo que sequer tinham ouvido falar é ignorar que Felipe estava lá, conforme diz o texto de Atos, "lhes pregava a Cristo" (At 8.5). E se a mensagem de Cristo, incluía a experiência do Pentecostes - e com toda certeza foi assim - então, os samaritanos que receberam o batismo, o receberam sabendo que experiência era aquela. Ademais, Pedro e João quando lá chegaram "oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo" (At 8.15). Se os samaritanos ouviram a oração, então eles sabiam o que estavam recebendo. E mais: o texto diz algo curioso: "Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo. E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo" (Atos 8.17,18). Eu lhe pergunto: o que foi que Simão viu, como confirmação do derramamento do Espírito Santo sobre os samaritanos, senão as línguas? Posso lhe citar muitos eruditos do Novo Testamento, que NÃO SÃO PENTECOSTAIS, que defendem a ocorrência das línguas ali em Samaria neste caso. Novamente, as línguas acompanhando o batismo!
O senhor aponta "o objetivo" do derramamento do Espírito, quando seria mais bíblico falar de "os objetivos". Pois um dos objetivos que precede até mesmo a universalização e a união dos grupos étnicos e religiosos num só povo - a Igreja - Jesus deixa claro que aquele batismo tinha como objetivo conferir poder: "mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo" (At 1.8), e Pedro corrobora com esse entendimento do poder capacitador derramado sobre a igreja, e disponível a todos os crentes chamados por Deus (por extensão nós também), quando evoca o texto de Joel, onde se fala do derramamento do Espírito acompanhado de dons (sonhos, visão, profecia).
Tendo registrado 3 casos explícitos de batismo acompanhado de línguas, tendo falado do derramamento do Espírito em Samaria e sobre Paulo, e tendo citado o caso de Apolo que precisou sentar na casa de Priscila e Áquila e aprender mais completamente a doutrina de Cristo (que incluía o batismo no Espírito Santo), de fato Lucas não precisava registrar mais qualquer ocorrência desse derramamento do Espírito com línguas, sob pena de ser redundante. Mas isso não significa que "não voltaram a acontecer", mas simplesmente que "não voltou a registrar". Só! As palavras de Pedro são o veredicto:
"Esta promessa [do derramamento do Espírito com dons] é para vós, vossos filhos, os que estão longe e a todos quantos Deus chamar" - Atos 2.39. Lucas sabia que seus leitores seriam inteligentes para ler isso e perceber as implicações desta declaração apostólica. Em todo caso, o senhor ainda me deve pelo menos três casos de cura divina ocorridas em resposta à oração do pastor ou da igreja batista brasileira antes de 1911, conforme lhe pedi acima. Por favor.
GRANCONATO:
Acredito que tenhamos conceitos diferentes ligados à expressão "batismo do Espírito". Penso que o problema básico reside nisso. Segundo vejo no NT, o batismo do ES é a inserção da pessoa no Corpo de Cristo, o que ocorre quando a pessoa crê. Por isso Paulo diz que "em um só Espirito todos vós fostes batizados num corpo". Isso é chamado de batismo porque esse "rito" sempre esteve ligado à iniciação de alguém num grupo. O batismo do Espírito seria essa iniciação da pessoa no corpo de Cristo. Logo, quem não tem esse batismo não é sequer salvo. Existe também, ligado a isso, a ideia de habitação. Ao batizar o crente num corpo, o Espírito passa também a habitar nele. Por isso, Paulo diz que "se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele". Tudo isso difere de um outro conceito, sendo nesse ponto talvez que tenhamos maior divergência. Refiro-me ao conceito de plenitude do Espírito. Na Biblia é possível encontrar dois tipos de plenitude: a permanente e a ocasional. A permanente se vislumbra na frase "enchei-vos do Espírito", sendo ligada a um modo de vida controlado diariamente pelo Espírito. A segunda diz respeito a situações específicas em que o Espírito Santo capacita, move ou inflama alguém de forma temporária. Um exemplo disso vemos em Pedro que, "cheio do Espírito Santo" falou corajosamente ao Sinédrio. Penso que muitas vezes, os pentecostais confundem o Batismo do Espírito com essa plenitude ocasional. O batismo, porém, todo crente já tem. O que devemos buscar é a plenitude em suas diferentes formas. É por isso que eu nunca oro pedindo para ser batizado pelo Espírito. Já tive esse batismo e já estou no corpo, sendo um de seus membros. Contudo, sempre oro pedindo a plenitude. Sempre, antes de pregar, suplico humildemente a Deus que me capacite por meio do seu Espírito - que ele me encha, me dê poder, força, ousadia e coragem, incendiando minhas palavras e revestindo-as de força. Acredito que isso que a Bíblia chama de plenitude deve ser buscado sempre. Porém, o batismo, como eu disse, todos já temos.
Eu me lembro também que em algum momento você pediu provas bíblicas do cessacionismo. Não há como encontrar no NT versículos que falam do fim das línguas por uma razão muito simples: durante todo o período do NT elas ainda existiam, assim como os demais dons de sinais. Paulo so diz em 1 Coríntios 13 que "línguas cessarão", mas não diz quando. O que podemos perceber claramente, contudo, é um esfriamento desses dons na medida em que o NT caminha pra frente no tempo. Se no ano 54 Paulo fala tanto sobre línguas e curas, isso não aparece mais no ano 62, nas epístolas da prisao e, por volta de 65, ele deixa Trófimo doente em Mileto, dando mostras de que não pôde curá-lo. Ademais, as igrejas da Asia mencionadas em Apocalipse por volta de 90, parecem não vivenciar nenhum portento milagroso. Ao que tudo indica, a força dos dons espetaculares se situou entre 35 e 55, diminuindo e se extinguindo depois. Seja como for, creio que você crê que o cânon bíblico fechou no século 1. Se você crê nisso, poderia me fornecer um versículo que prove que a inspiração bíblica não continua hoje? Ou nesse aspecto você é cessacionista?
Sobre minha dívida, não sei quando ela foi constituída. Você pede algo e então eu me torno devedor de algo que nunca prometi? Bom, eu não tenho esses casos. Se achar algum, eu lhe passo. Mesmo assim, quero dizer que os batistas nunca alardeiam curas e milagres operados por seu intermédio, pois cremos que isso não compõe a essência do evangelho. Em 30 anos de ministério pastoral já vi Deus operar milagres em resposta às minhas orações e as da minha igreja algumas vezes. Porém, quando isso ocorre, simplesmente compartilho a resposta de oração em nossas pequenas reuniões de quarta-feira, louvamos a Deus por seu poder e graça e seguimos em frente, sem alardes. Também não cremos em milagres com hora marcada. Por isso não realizamos cultos de cura ou coisa que o valha. O que sei, mesmo sem ter acesso aos três casos que você pediu, é que o Senhor sempre esteve atuante em meio ao seu povo, sendo inaceitável a ideia pentecostal de que o Espírito Santo ficou inerte a partir do século 2 e só despertou na rua Azuza em 1900. O fato do povo de Deus não ter publicado aos gritos os grandes feitos do Senhor mostra apenas que isso tinha um lugar restrito em suas pregações, sendo enfatizada a conversão de pecadores - dos milagres o maior.
Lamento enfim dizer que não pretendo entrar para o "maravilhoso mundo" dos dons espetaculares. Em minha igreja, a maioria dos membros que chegaram nos últimos anos vieram exatamente desse "maravilhoso mundo", a maioria saindo da AD. Hoje, desculpe dizer, eles têm pavor só de pensar em voltar. E eu entendo isso, pois conheci esse mundo de perto também durante 12 anos a fio.
Abraço fraterno e bom domingo.
TIAGO ROSAS:
Obrigado pelo abraço fraterno, pastor. Meu domingo em companhia da família realmente foi uma benção. Desculpe o textão agora, mas se fará necessário para elucidarmos algumas questões propostas pelo senhor:
Tudo bem, dada a nossa divergência conceitual sobre o batismo no Espírito Santo, que certamente se arrastaria aqui por muitos comentários, deixemos este ponto de lado por hora, mas apenas ressalto que a crença e a experiência pentecostal não busca mais que aquela crença e experiência vividas pelos nossos irmãos no primeiro século. Todavia, creio que uma abordagem bem desenvolvida sobre o conceito tradicional pentecostal e o conceito apresentado pelo senhor pode ser melhor estudado em "Cessaram os dons espirituais?", organizado por Wayne Grudem (editora Vida), onde quatro pontos de vista distintos dentro do protestantismo são discutidos por grandes expoentes, inclusive com abordagem do posicionamento defendido pelo senhor e por mim. Os curtidores que têm lido nossa discussão até aqui certamente se interessarão por conferir a defesa pentecostal feita pelo acadêmico pentecostal Douglas Oss (num debate de alto nível com Richard Gaffin Jr., cessacionista, Robert Saucy e Samuel Storms, este último calvinista continuísta).
Sobre a cessação dos dons, o senhor afirma que "Paulo só diz em 1 Coríntios 13 que 'línguas cessarão', mas não diz quando". Errado! Paulo, neste mesmo capítulo, diz exatamente quando as línguas cessarão: "quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado" (1 Coríntios 13.10). Aliás, ainda mesmo no primeiro capítulo desta Carta Paulo já tinha dito até quando duraria a experiência dos dons na igreja: "de modo que não lhes falta nenhum dom espiritual, ENQUANTO VOCÊS AGUARDAM que o nosso Senhor Jesus Cristo seja revelado" (1 Coríntios 1.7, NVI).
No consciente apostólico os dons sobejariam na Igreja, enquanto ela estivesse esperando a vinda de Cristo. O senhor está esperando a vinda de Cristo? Sua igreja Batista está esperando a vinda de Cristo? Se "o que é perfeito" ainda não veio, então por que deveria nos faltar os dons espirituais? Afinal, o cessacionismo repousa sobre a revelação escriturística ou sobre uma inferência extra-bíblica? Neste caso, pode mesmo o cessacionismo reivindicar para si a base reformada da Sola Scriptura? Afinal, foi Paulo quem disse nesta mesma carta aos Corintios: "Não ultrapassem o que está escrito" (1Co 4.6). Se o Cessacionismo não pode apresentar base e argumentação bíblica em seu favor, então não é uma crença bíblica, como muitas heresias pseudopentecostais recriminadas pelo senhor, que também não repousam no terreno firme da revelação escrita.
O fato de Paulo deixar Trófimo doente em Mileto não significa que os dons do Espírito estivessem se esfriando e caminhando para uma extinção. Há muitas razões plausíveis para a doença de Trófimo, e nenhuma delas sugere a cessação mesmo que parcial dos dons. Gosto de pensar que havia um plano maravilhoso de Deus de aperfeiçoar Trófimo através do sofrimento ou prover através de sua doença um caminho para evangelização de alguma pessoa, família ou povo. Isso não é nada estranho, quando entendemos que Deus tem seus caminhos na tormenta (Na 1.3). Não foi isso o que aconteceu com Paulo? Como bem disse o apóstolo naquela que foi sua provável primeira carta, "foi por causa de uma doença que lhes preguei o evangelho pela primeira vez" (Gl 4.13). Aliás, quantas pessoas creram em Cristo após presenciarem a cura de alguém?! Talvez, não é nada irracional concluir isso, Deus não tenha curado Trófimo através de Paulo, porque tinha para ele outros planos superiores (“os meus caminhos não são os vossos caminhos”), pelos quais Trófimo glorificaria a Deus e levaria, a exemplo de Paulo na Galácia, muitas almas a Cristo. O fato de Paulo não ter curado Trófimo demonstra o quanto o vaso está submisso ao Oleiro, e o quanto o crente é dependente do Espírito Santo, não podendo administrar a bel prazer os dons que não são dele, mas do Espírito, que “reparte a cada um como quer”! Quem tem o dom de cura não o usa a torto e a direito, mas segundo a convicção do Espírito Santo em seu coração. Nem Jesus curou a todo mundo! Lembremos dos seus parentes de Nazaré...
Não é verdade que com o passar do tempo os dons foram arrefecendo até se extinguir. Por volta do ano 60 d.C., na ilha de Malta, o mesmo poder miraculoso do Espírito Santo ainda atuava no apóstolo Paulo, de tal modo que ele impôs as mãos sobre o pai de Públio e "o curou" da febre e disenteria (At 28.8). E não só o pai de Públio, mas o texto bíblico é claro: “Feito, pois, isto, vieram também ter com ele os demais que na ilha tinham enfermidades, e sararam (v. 9). Seria realmente muito estranho que Paulo que tanto falou dos dons espirituais aos Coríntios, e ainda aos gálatas, ao tessalonicenses, aos romanos, e a Timóteo, e que declarou que "Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito" (1 Coríntios 2.4), estivesse no final de sua vida desprovido dessa "demonstração do poder do Espírito"! Aquele Paulo que orientou os efésios a “deixarem-se encher do Espírito” e que exortou Timóteo a “reavivar o seu dom”, certamente recusaria qualquer tentativa de fazê-lo parecer provido de menos poder do Espírito ao final de sua jornada do que no início dela.
Jesus disse a seus discípulos "recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito" (At 1.8), e disse "esses milagres seguirão os que creem: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas... imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão" (Mc 16.17,18). O senhor crê nisso, pastor Granconato? O senhor crê que esses milagres seguirão os que creem? Ademais, o senhor sabe haver uma discussão acadêmica sobre esse “final longo” de Marcos, e não poucos teólogos sugerem ser ele um enxerto feito ao texto original, por volta da segunda metade do segundo século. Se assim for, então teremos viva e latente ainda no segundo século a crença nos dons de línguas, de curas e de operação de maravilhas! Estou satisfeito qualquer que seja a conclusão que a Crítica Textual chegar! Pois Pedro em Pentecostes, falando da promessa do derramamento do Espírito que levaria os jovens a terem visões, os velhos a terem sonhos e os filhos e filhas a profetizarem, assim declara com firmeza: "essa promessa é para vós, vossos filhos, os que estão longe e a todos quantos Deus chamar" (At 2.39). O senhor foi chamado por Deus, Pr. Granconato? Tem plena convicção de seu chamado para salvação e para o santo ministério? Então com toda convicção indubitável de minha alma, eu lhe digo, meu irmão: a promessa do derramamento do Espírito com dons é também para ti! Não do Espírito sem os dons, mas do Espírito com os dons! A menos que queiramos aleijar o Espírito de Deus.
Há sobejante respaldo bíblico para o continuísmo, mas nenhum para o cessacionismo. O continuísmo repousa serenamente na revelação escriturística, mas o cessacionismo perambula pelas águas revoltas da pretensa (e discutível!) experiência pós-apostólica! Cessacionistas muito criticam os continuístas pela ênfase na experiência, mas quem precisa recorrer à experiência ao invés da Bíblia para respaldar sua crença? O continuísta certamente que não! Aliás, o continuísta baseia sim sua fé na experiência, mas na experiência dos santos homens e mulheres de Deus dos tempos apostólicos, cujos nomes e fatos estão gravados nas Escrituras, “para nosso ensino foi escrito”.
Sobre a ausência da referência a dons espirituais nas cartas às igrejas da Ásia, isso não deve significar que no ano 90 os dons já não mais existissem, pois aquele que disse "eu vos dou poder" nunca disse "eu vos retiro o poder". A ausência de evidência não é evidência de ausência. A não ser que aquelas igrejas não praticassem mais a Ceia, o batismo nas águas e outras experiências neotestamentárias que também não são citadas naquelas cartas.
Muita coisa poderia ser dita sobre a disparidade da sua comparação entre o Cânon das Escrituras e a doutrina bíblica dos dons espirituais. Todavia, vou dizer apenas isso: há continuidade da inspiração para produção de livros autoritativos na igreja, nos deixaria em eterna dúvida, confusão e sem aquela regra de fé e prática da qual tanto dependemos para “julgar os espíritos” e para “não ultrapassar o que está escrito”. Todavia, a continuidade dos dons espirituais – claramente respaldada no Novo Testamento e também em passagens veterotestamentárias (vide Joel 2.28,29) – em nenhuma hipótese pereniza esta mesma inquietação, pois tais dons operam conforme a ação do Espírito, e devendo ser julgadas pela Palavra. Ainda que eu não tivesse nenhum versículo claro e objetivo apontando para o fechamento do cânon, eu poderia concluir isso por uma necessidade óbvia da Igreja; mas tenho em favor do continuísmo todo aparato neotestamentário, conforme apresento resumidamente acima, além da própria experiência da Igreja cristã ao longo dos séculos.
Sobre os três casos de cura através da oração do pastor ou da igreja batista antes de 1911, surpreende-me que o senhor não tenha-os para apresentar. Eu lhe pedi, não o obriguei a dá-los. E os pedi apenas porque o senhor antes disse que pela oração de qualquer irmão daquela igreja Deus poderia ter curado aqueles doentes citados pelo diácono Manoel, mas resiste em perceber a escassez de relatos de cura na igreja batista antes da chegada dos missionários pentecostais, para não ter que lidar com o óbvio: foi o poder do Espírito Santo atuando através daqueles dois moços que injetou uma grande dose de poder miraculoso na igreja Batista, nunca dantes visto! Não por causa dos pioneiros pentecostais, mas por causa do zelo e amor de Cristo por sua Igreja a quem ele deseja dotar de poder e capacitar para cumprimento integral de sua obra, na qual está incluída a cura de doentes, e manifestação de prodígios. Embora o senhor se gabe de que sua igreja não alardeia curas, como se fosse um pecado fazê-los, todo mundo na época de Cristo e dos apóstolos alardeava os milagres; porque insinuar que fazê-lo hoje seria um erro? Por que insinuar que mantê-los sob sigilo seria mais virtuoso? Não deve o mundo inteiro saber o que Cristo está fazendo? Não devemos abrir nossa boca e contar as bençãos de Deus a nossos irmãos? Não foi isso que fizeram todos os que receberam algum milagre de Cristo no primeiro século?
O senhor diz que é "inaceitável a ideia pentecostal de que o Espírito Santo ficou inerte a partir do século 2 e só despertou na rua Azuza em 1900". Concordo que é inaceitável tal ideia! Mas discordo que ela seja uma "ideia pentecostal! Que pentecostal diz que o Espírito Santo ficou inerte em qualquer período da era cristã? Que tolo faria uma afirmação tão estúpida quanto essa? Se souber de algum, COM FONTES, por favor, apresente-me, pois quero repreendê-lo publicamente para não contaminar outros! Na minha Bíblia está escrito que “Deus dá o seu Espírito sem limitações” (Jo 3.34, NVI).
O senhor diz: "Em minha igreja, a maioria dos membros que chegaram nos últimos anos vieram exatamente desse "maravilhoso mundo", a maioria saindo da AD". Sabe pastor Granconato, falarei com minha alma agora, se é que já não o venho fazendo desde o início desta discussão: eu gostaria muito de um dia ler do senhor ou de qualquer outro pastor calvinista, especialmente cessacionista, nos tempos atuais a seguinte declaração: "Em minha igreja, a maioria dos membros que chegaram nos últimos anos vieram exatamente movidos pelo Espírito Santo através do nosso trabalho de evangelização nas ruas, praças, bocas de fumo, portas de bares, prostíbulos e favelas, gente que saiu do 'maravilhoso mundo do pecado' e veio para a maravilhosa Igreja de Jesus Cristo". Suas palavras só reafirmam o quanto as igrejas históricas calvinistas têm se enchido muito mais de membros já convertidos doutras igrejas, do que do resgate lá no mundão do pecado. A propósito, só uma dúvida: o senhor mencionou num outro comentário a obra iniciada por Daniel Berg e Gunnar Vingren, chamando-a de “seita”, quando falava sobre a reunião de exclusão dos batistas que aderiram às crenças pentecostais daqueles pioneiros. A palavra “seita” é uma apreciação sua ou do pastor da igreja Batista naquela época?
Deus o abençoe e ótima semana à sua família e igreja.
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Material organizado por Tiago Rosas 24 de Junho de 2017. Atualizado em 26 de junho

Viva vencendo, pedindo ao Senhor sabedoria para falar sobre nossas doutrinas aos que  as resistem por não as conhecerem!!

Abraços.

Seu irmão menor. 


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