29 novembro 2017

DESCONHECIDO, CANTOR DEIXA GOSPEL E LANÇA CD COMO DRAG QUEEN


Desconhecido no cenário da música gospel, o cantor Lucas Fernandes já tinha gravado dois CDs, mas não conseguia “emplacar” nenhum sucesso. De família evangélica, como muitos jovens, tentou uma carreira fazendo apresentações em igrejas. Conseguiu algum espaço e até ganhou prêmios em festivais de pouca expressão.

Contudo, estava insatisfeito. No último fim de semana, ele resolveu assumir sua homossexualidade e passou a usar o nome artístico de Lucas Miziony. Seu novo trabalho é de música pop secular e tem o título de “Homem ou Mulher”. A capa mostra o jovem de 23 anos em “duas versões”. Na imagem à esquerda, é homem, já na direita, está “montado” como drag queen.

O cenário evangélico “inclusivo”, que já contava com pastores gays, igrejas para gays e até uma versão da Bíblia onde a homoafetividade não é condenada, agora tem uma drag queen.

Deixando para trás tudo que aprendeu ao longo da vida na Assembleia de Deus de São Paulo, ele se assumiu homossexual há um ano. Falando ao site UOL, ele afirmou que sua inspiração nunca foram cantores gospel: “Minha referência sempre foi a Beyoncé. Também gosto de Anitta e Ludmilla, mas, quando apareceu a Pabllo [Vittar], me apaixonei imediatamente. Percebi onde eu poderia chegar”.

Decidido a “quebrar o preconceito”, ele confessa: “Eu vivia com uma máscara. Agora quero mostrar que sou uma pessoa como qualquer outra”.

Ele admite que seu estilo de vida era incompatível com o tipo de música que cantava. Decidiu sair da igreja por que não concordava “com a parte sobre a homossexualidade.” Hoje não frequenta mais a igreja, “porque não me sinto mais bem lá”.

Lucas ainda se considera religioso e diz que faz orações, pois tem “fé inabalável”. Sua pretensão é servir de “inspiração” para jovens evangélicos que passaram pelo mesmo conflito interno se assumam. Adepto de um raciocínio relativista, argumenta que não há motivo razoável que impeça a religiosidade e homossexualidade de andarem juntas.

“Não quero generalizar, mas na igreja existe muita gente sofrendo porque não pode se assumir. Tem gente que tem medo de perder a carreira, a posição. Muitos fazem escondido e, no culto, dizem que não pode fazer porque é pecado”, defende, acrescentando que já “ficou” com um pastor conhecido.

Segundo afirmou ao UOL, depois que passou a viver como drag queen, ele “ vem recebendo uma enxurrada de mensagens nas redes sociais, e a maioria em tom elogioso”. Insiste também que “muitos homens jovens da igreja estão vindo dizer que estou servindo de exemplo. Fico feliz”. Mas obviamente há “quem lamente, quem diga que Deus não quer isso para minha vida, que eu não sou crente de verdade, que eu só quero aparecer. Eu juro que tentei. Lutei muito contra mim para chegar até aqui. Mas Deus me fez assim, e vou morrer assim.”

Como tudo em sua vida parece ser relativo, o sucesso também deve ser. Seu canal do Youtube mostra que ele tem impressionantes 1.500 inscritos. A primeira música na fase drag é “Mexe o Bum, Bum”, que tem como refrão “vai, joga o bum bum pro lado, mexe com o bum bum pro outro”.

Um ano atrás ele lançou a música “Marcas de amor”, em que parte da letra dizia: “se eu tenho a marca do amor, posso imitar ao meu Senhor”. Ao que parece, a marca não era tão profunda e ele agora ele só pode imitar Pabllo Vittar.

Jarbas Aragão

Nenhum comentário:

Postar um comentário